Confira!

Eu estava procurando por um assunto interessante para escrever, e eis que ele me aparece quase que caindo do céu. Ao ler o texto Mulheres, literatura e mais uma provocação, publicado em 18 de junho no blog Confeitaria, abri meus olhos para uma realidade que sequer passava pela minha cabeça, apesar de eu ser tão ligada em assuntos relacionados à mulher como um todo. Nunca havia parado pra pensar que a literatura por muito tempo excluiu mulheres, e que hoje em dia, no mercado editorial, é dada mais atenção aos homens. Até ler o texto acima citado, que critica a pouca consideração que as escritoras recebem da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), eu não havia me ligado nisso.
Terminada a leitura, não conseguia parar de pensar nisso. Como um evento de tamanha importância poderia convidar homens em sua maioria, e além disso, premiar apenas homens? Será possível que não existem escritoras tão boas assim? Será que não estamos podendo nos igualar a eles no meio artístico? E recorrendo aos meus conhecimentos adquiridos em anos de leitura, ao meu próprio entendimento do universo literário, encontrei as respostas para minhas perguntas. É claro que somos tão boas quanto eles. É claro que escrevemos bem. E é claro que merecemos o mesmo prestígio. De tanto pensar nisso, acabei me lembrando de mulheres maravilhosas que já fizeram muito pela literatura, e que têm legiões de leitores pelo mundo afora.

Já tivemos grandes escritoras mundiais. Jane Austen ainda é lida pelos amantes de literatura inglesa, e escrevia somente sobre o universo feminino de sua época. Emily Brontë escreveu um romance clássico que até hoje é adorado (O Morro dos Ventos Uivantes*), e que foi adaptado para o cinema diversas vezes, além de ter virado telenovela aqui no Brasil. Mary Shelley escreveu um clássico do terror (Frankenstein), uma das obras mais conhecidas e citadas em filmes, livros, desenhos animados e etc. Virginia Woolf escreveu romances e contos maravilhosos, e foi feito um filme sobre o fim de sua vida**. Agatha Christie ainda é conhecida por seus incríveis romances policiais; seu personagem, Hércule Poirot, tem tantos admiradores quanto Sherlck Holmes, de Sir Arthur Conan Doyle. O livro mais vendido mundialmente (Harry Potter) foi escrito por uma mulher (J.K. Rowling). Deixando um pouquinho de lado as estrangeiras, passemos a exemplos aqui mesmo no Brasil. A cearense Rachel de Queiroz, autora do clássico modernista O Quinze, (que retrata a seca na região Nordeste e a situação dos retirantes), foi a primeira mulher a ocupar uma cadeira na célebre Academia Brasileira de Letras, que, aliás, hoje é presidida por uma mulher (Ana Maria Machado). Lygia Fagundes Telles, autora do famoso Ciranda de Pedra (que também deu origem a uma telenovela), escreveu contos incríveis; um deles, O Jardim Selvagem, reflete sobre a condição feminina, e já foi tema para um trabalho acadêmico***. Clarice Lispector escreveu romances e contos de profundidade e sensibilidade única, e sua obra mais famosa (A Hora da Estrela) até hoje é estudada no Ensino Médio e eu não me surpreenderia se já tiver sido (ou se ainda for) leitura recomendada para vestibular.

Só a partir disso, deu pra ver que somos realmente muito boas, não é mesmo? Ou será que dá pra duvidar disso? Acho que não.

Lendo alguns textos em outros sites sobre a participação feminina na literatura, acabei me dando conta de que poderia dar muito mais exemplos, mas não seria capaz de falar deles com propriedade, por não conhecer as obras. Por isso, deixo abaixo os links dos textos que andei lendo, e alguns são realmente maravilhosos. Em um deles, O Diário de Anne Frank é recomendado como leitura essencial. No blog Depois dos Quinze, o livro Eu Sou Malala é indicado como leitura de valorização da mulher. E voltando à FLIP, o perfil KD Mulheres fez uma crítica no Twitter:


Considero a crítica e o questionamento muito importantes para que mudanças sejam alcançadas. Antigamente, mulheres eram impedidas de escrever. Tinham suas vidas restritas ao lar, e quando escreviam livros, eram obrigadas a usar pseudônimos masculinos. Ainda bem que essa realidade mudou! Ainda bem que hoje em dia podemos escrever em jornais, fazer faculdade, fazer pesquisas científicas, escrever em um blog como esse, publicar livros! Mas para alcançar igualdade e respeito, ainda precisamos de um pouquinho mais.

Deixo abaixo a lista de links que visitei antes de escrever esse post, caso você se interesse:

22 livros escritos por mulheres que devem ser lidos por homens

Apenas lembrando: o texto que deu origem a este já está indicado no início do post.

Por: Lethycia Dias

* O livro O Morro dos Ventos Uivantes aparece marcado como link porque foi citado no post anterior, que enumera 10 romances que considero emocionantes;
** O filme sobre Virginia Woolf chama-se As Horas. Para mais informações, consulte a página da Wikipédia;
*** O trabalho acadêmico citado é A construção de identidades femininas em O Jardim Selvagem, de Lygia Fagundes Telles, disponível para download neste link.

2 Comentários

  1. Causa até revolta quando a gente para pra pensar nessa exclusão da mulher nesse mundo maravilhoso que é a Literatura (e infelizmente não só na Literatura). Será que nunca vão abrir os olhos e perceber o quanto estão perdendo em deixar nós mulheres de fora de muitas coisas? Ou será do que eles tem medo? De sermos melhor? Hahaha. Espero que um dia esse absurdo possa mudar! Adorei sua crítica Le ❤️

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    Respostas
    1. Muito obrigada pela visita, pelo comentário e pelo elogio, Raquel!
      Quando me dei conta dessa exclusão, fiquei muito revoltada. Eu só conseguia pensar em desabafar com todo mundo sobre isso, e daí surgiu esse post. Fico feliz que tenha gostado.

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