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Resenha: Madame Bovary
"Para escapar à monotonia do casamento e da vida provinciana, a sonhadora Emma Bovary se perde em idealismos, amantes e dívidas. Ao narrar a decadência dessa mulher, e também da sociedade burguesa, Gustave Flaubert nos brinda com o romance moderno por excelência."

Autor: Gustave Flaubert
Gênero: Romance
Número de páginas: 448
Local e data de publicação: São Paulo, 2010
Tradução: Fúlvia Maria Luiza Moretto
Editora: Abril
Onde comprar: Amazon | Extra | Livraria da Folha | Saraiva


Mediocridade e decadência


Esse livro foi mais um daqueles que decidi ler por motivos estranhos: em uma resenha feita pela Isabella Lubrano, no canal Ler Antes de Morrer, eu soube que a obra de Gustave Flaubert havia gerado tanto escândalo quando publicada, que chegou a sofrer censura, gerando até processos judiciais. E foi o suficiente para despertar minha curiosidade. Isso porque, até hoje, a infidelidade é considerada muito normal quando praticada pelo homem - mas quando praticada pela mulher, é sempre um absurdo, uma coisa inaceitável.
Emma Bovary é a personagem principal da trama, embora a história contada não a acompanhe, mas sim ao seu marido, Charles, desde a infância até o fim da vida. Esse foi para mim um grande motivo de estranhamento, visto que as primeiras páginas nos contam de forma breve a juventude de Charles, até que ele se casa pela segunda vez, com Emma. Ela é uma jovem muito sonhadora, grande leitora de romances (especialmente de livros da escola do Romantismo, que foi muito popular no século XIX). Educada em um convento, Emma sonhava com homens galantes, belos vestidos e a suposta felicidade sem fim que uma mulher deveria conhecer ao se casar. Pelo menos, foi o que ela leu nos romances, e durante os primeiros tempos de seu casamento, ela espera pela felicidade.
Mas ela logo começa a se desiludir. Charles é gentil e educado, porém não é o marido que ela sempre idealizou; a cidade em que vivem não oferece os deslumbramentos com os quais ela sonhava; e por mais que tente, por mais que Charles faça suas vontades, ela não se sente feliz. Nem mesmo a filha a deixa satisfeita com a vida: ela dá pouca atenção à pequena Berthe, deixando-a entregue na maior parte do tempo à ama de leite ou à empregada.
É então que começa, pouco a pouco, a decadência de Emma; ela se deixa levar, impulsivamente, por suas ilusões, com dois amantes: primeiro Rodolphe, um homem malicioso e mal-intencionado; depois com o jovem Léon, que se apaixonou por ela desde que a conheceu. As atitudes de Emma, com o passar do tempo, geram uma sucessão de consequências cada vez piores, que terminam de maneira trágica.

Foto compartilhada no meu Instagram durante a leitura.
Visite @lethyd ou @loucuraporleituras e acompanhe!
"No fundo da alma, todavia, esperava um acontecimento.
Como os marinheiros angustiados, lançava sobre a solidão de sua vida
olhos desesperados, procurando ao longe alguma vela branca nas brumas do horizonte."
Capítulo IX - Página 85


O livro é narrado em terceira pessoa durante a maior parte do tempo, com um narrador-onisciente, que revela tanto os acontecimentos da história quanto os pensamentos e sentimentos dos personagens. É assim que conhecemos de maneira bastante profunda a protagonista. Grande parte da narrativa é dedicada aos sentimentos e pensamentos de Emma, que por vezes parecem confusos e até contraditórios; há momentos em que ela parece desprezar o marido; em outros, ela reconhece o quanto ele é bom, apesar de ser um homem simples e sem ambições. Em alguns trechos, ela parece uma pessoa que valoriza apenas as aparências, quando critica os hábitos das pessoas ao seu redor; em outros, ela parece estar à procura de companhias que compreendam seus sentimentos.
A intenção de Gustave Flaubert com esse livro era, realmente, de fazer algumas críticas à sociedade. Assim, ele criou personagens medíocres, sem nenhuma característica especial ou algo que justifique sua existência na história. Nas ações desses personagens estão visíveis mais críticas: é o caso do farmacêutico Homais, que trata Charles com excessiva cordialidade porque espera ter um amigo em quem confiar caso as autoridades saibam que ele costumava atender como médico, o que era ilegal; é o caso do Sr. Lheureux, que faz com que Emma assine promissórias e mais promissórias, contando com os juros que a dívida renderia no futuro; é também o caso do Sr. Guillaumin, que a assedia quando ela lhe pede ajuda financeira. A história de Madame Bovary é inspirada em algo banal: um boato sobre uma mulher adúltera que havia se suicidado. Ele transforma uma simples fofoca em uma grande tragédia, com narrativa impressionante.
No início, eu tive dificuldades para me adaptar à leitura. A história se desenrola de maneira lenta, enquanto Emma vive a primeira fase de sua desilusão; mas, à medida que ela começa a ceder a Rodolphe e recorrer a atitudes cada vez mais desesperadas para se manter perto de seu amante sem ser descoberta, a narrativa assume outro ritmo. Foi a partir daí que não consegui mais largar o livro. O fim da história é, como eu já disse anteriormente, trágico. Talvez não seja muito surpreendente para a maioria dos leitores, mas faz muito jus a proposta de Flaubert de mostrar uma sociedade decadente.
Essa edição da Abril Coleções, em capa dura com aparência de encadernação em tecido, é muito bonita e bem feita, e é uma pena que seja bem difícil de encontrar. A edição inclui notas de rodapé que nos ajudam a compreender termos em outras línguas (como o latim), citações de obras famosas, nomes de filósofos, artistas, e outras personalidades da época. Também está presente no fim do livro um texto de apoio sobre o autor, a obra e os personagens, que me ajudou a entender melhor o que eu havia acabado de ler. A única coisa que eu lamento é ter dado uma "espiadinha" nesse texto enquanto ainda estava lendo, e ter recebido um spoiler enorme. Então, caso você encontre essa edição e se incomode com spoiler's, lembre-se do que eu digo: só leia o texto de apoio depois de terminar.
Recomendo Madame Bovary para quem se interessa pela literatura francesa e por livros clássicos.

Avaliação geral:


Onde comprar:

Aspectos positivos: O narrador-onisciente faz com que o leitor conheça bem os personagens e se divirta ou se impressione de forma mais intensa em vários trechos; os personagens são bem retratados como pessoas com falhas de caráter e segundas intenções, e suas atitudes revelam bem as críticas que Flaubert desejava fazer.
Aspectos negativos: a edição contém alguns erros de escrita e pode ser difícil de encontrar.

Por: Lethycia Dias

"'- Vais encontrar o mundo - disse-me meu pai, à porta do Ateneu. - Coragem para a luta.' Sérgio, o narrados, revive a traumática experiência do internato e o sofrido rito de passagem da infância para a adolescência. Neste romance, Raul Pompeia rompeu barreiras temáticas - como a homossexualidade e a formação viciosa da elite brasileira - e estilísticas, transitando livremente entre a ficção, a poesia e o ensaio. O Ateneu: edição comentada e ilustrada inaugura a publicação de autores brasileiros na coleção Clássicos Zahar: Traz o texto integral e as 44 ilustrações originais de Raul Pompeia, notas explicativas e uma apresentação escrita especialmente para esta edição, recuperando as principais linhas interpretativas do romance desde a época de sua publicação até nossos dias."

Autor: Raul Pompeia
Gênero: Clássico
Número de páginas: 263
Local e data de publicação: Rio de Janeiro, 2015
Ilustrações: Raul Pompeia
Editora: Zahar
Onde comprar: Amazon | Americanas | Saraiva | Shoptime | Submarino

"Edição comemorativa do bicentenário de Victor Hugo (1802 - 1885), em tradução inteiramente revista e adequada à leitura contemporânea. Esse tratamento e a edição com 816 notas de pé de página, elucidativas do contexto histórico e cultural do século XIX, fazem desta a versão definitiva da obra em Português. Hugo narrou seu romance original numa linguagem que representou para a literatura "o mesmo que a Revolução Francesa na História", segundo o crítico Sérgio Paulo Rouanet. O fio condutor é o personagem de Jean Valjean que, por roubar um pão para alimentar a família, é preso e passa dezenove anos encarcerado. Solto, mas repudiado socialmente, é acolhido por um bispo. O encontro transforma radicalmente sua vida e, após mudar de nome, Valjean prospera como negociante de vidrilhos, até que novos acontecimentos o reconduzem ao calabouço.

Autor: Victor Hugo
Gênero: Romance
Número de páginas: 1977
Data de publicação: 2012
Tradução: Frederico Ozanam Pessoa de Barros 
Editora: Cosac Naify

"É após a morte que Brás Cubas decide narrar suas memórias. Nesta condição, nada pode suavizar seu ponto de vista irônico e mordaz sobre uma sociedade em que as instituições se baseiam na hipocrisia. O casamento, o adultério, os comportamentos individuais e sociais não escapam à sua visão aguda e implacável, nesta obra fundamental de Machado de Assis."




Autor: Machado de Assis
Gênero: Romance
Número de páginas: 125
Local de data de publicação: Editorial Lord Cochrane S. A., Chile, 1998.
Editora: América do Sul LDA.


Irônico, engraçado, devastador


"Ao verme que primeiro roeu 
as frias carnes do meu cadáver
dedico como saudosa lembrança
estas memórias póstumas"

Fico tentando imaginar quanto espanto tal dedicatória deve ter causado no fim do século XXI, seja quando publicado em forma de folhetim, na Revista Brasileira, em 1880, seja quando publicado realmente em forma de livro, no ano seguinte. O fato é que Memórias Póstumas de Brás Cubas é considerado uma obra inovadora, que introduziu o realismo na literatura brasileira, e alguns críticos até afirmam que precedeu algumas caraterísticas do realismo fantástico, chegando a denominá-lo "a primeira narrativa fantástica do Brasil". E tudo isso porque Brás Cubas, o narrador-personagem do livro, é nada mais nada menos que um homem morto. Ele nos anuncia, desde o princípio, que escreve diretamente do além, e mais: começa a história não pelo seu nascimento, mas por sua morte. Essas são as inovações que fazem deste livro dos mais conhecidos de Machado de Assis, obra indicada para vestibulares e clássico da literatura brasileira.
Não há muito o que falar sobre o enredo sem dar spoiler's, mas como o próprio título já diz, trata-se de um livro de memórias. Aqui, o personagem Brás Cubas nos conta de sua morte, voltando aos seus últimos tempos de vida, até que no capítulo 9 (Transição) anuncia que vai nos falar sobre seu nascimento. Assim, a narrativa retoma o tempo cronológico. Nós acompanhamos o nascimento e os primeiros anos de infância de Brás Cubas, e até uma explicação sobre a origem de seu nome. Logo, a narrativa pula para sua juventude, estudos, relacionamentos amorosos, e se prolonga por quase todo o livro em sua vida adulta. Brás nasce em 1805, época em que o Brasil ainda era colônia de Portugal, e morre em 1869, durante o período do Segundo Reinado. Embora a narração não dê muitas explicações sobre a profissão de seu pai, nós logo percebemos que a família Cubas pertence ao pequeno grupo de pessoas privilegiadas socialmente na época: um de seus tios foi oficial da infantaria, enquanto o outro é cônego; a família possui certa quantidade de terras (uma chácara), e escravos. Vale lembrar que a escravidão só foi abolida no Brasil oito anos depois da primeira publicação dessa história.

"[...] o relógio é definitivo e perpétuo;
o derradeiro homem, ao despedir-se do sol frio e gasto,
há de ter um relógio na algibeira, para saber a hora exata em que morre."

Narrado em primeira pessoa pelo próprio Brás Cubas, o livro é dividido em capítulos de tamanho variado, mas em geral curtos. As vezes, tão curtos que uma só página chega a conter dois capítulos inteiros e o início de um terceiro. Em outras vezes, Machado, em seu estilo um tanto incomum, inicia um capítulo sem texto algum, que nós faz avançar para o próximo. Outras vezes, nos manda pular trechos, como no capítulo 7 (Delírio): "Que me conste, ainda ninguém relatou o seu próprio delírio; faça-o eu, e a ciência mo agradecerá. Se o leitor não é dado à contemplação destes fenômenos mentais, pode saltar o capítulo; vá direto à narração.". Tudo isso é característico da escrita de Machado, que você talvez já conheça se tiver lido Dom Casmurro.
A linguagem é formal e rebuscada, cheia de palavras e expressões que já se tornaram obsoletas, mas isso é normal em um livro escrito há mais de cem anos. Um leitor acostumado com literatura moderna, sobretudo literatura voltada para jovens, pode se incomodar ou ficar confuso com isso, mas creio que procurar por uma adaptação resolva o problema; insistir na leitura e usar um dicionário também é uma boa opção.
O estilo é realista, devido ao uso de ironia e pessimismo para criticar a sociedade. Um bom exemplo disso é quando Brás nos conta sobre seus estudos na Universidade de Coimbra, em Portugal, pagos por seu pai e realizados por insistência do progenitor, que ele não levou muito a sério. Na época, era comum que as famílias mais ricas enviassem os filhos (apenas os homens, é claro) para estudar na Europa. Machado de Assis, nascido em família pobre, nunca frequentou universidade. Outra grande crítica é contra a necessidade de manter uma boa reputação perante a alta sociedade; em vários momentos, percebemos o quanto isso é importante para a personagem Virgília, e Brás Cubas se queixa abertamente disso.
A leitura foi demorada, porém muito divertida. Eu já tinha lido Memórias Póstumas de Brás Cubas quando tinha quinze anos, e essa na verdade foi uma releitura. Foi importante para que eu mudasse um pouco minha opinião sobre os romances de Machado, pois apesar de adorar os contos dele, eu tinha certa resistência aos romances (talvez pelo fato de ter lido Helena, uma obra não muito madura, ou por ser também muito nova quando li Dom Casmurro e não ter compreendido bem).
Recomendo a leitura para vestibulandos, para quem pretende conhecer obras de Machado de Assis ou do realismo brasileiro, para quem gosta de clássicos, e para quem pretende conhecer melhor a literatura brasileira do século XIX.

Aspectos positivos: caráter inovador; capítulos curtos incentivam a continuar lendo; presença de críticas sociais; uso de ironia.
Aspectos negativos: a linguagem rebuscada pode confundir o leitor.

Fazendo algumas pesquisas sobre escritores consagrados da literatura mundial, acabei descobrindo algumas coisas bem interessantes (ou não) sobre alguns deles. Achei legal fazer um post compartilhando com vocês. Talvez vocês já saibam de alguns dos fatos que vou contar aqui abaixo, ou talvez nunca tenham suspeitado. E aqui vamos nós:




Coisas que você não sabia sobre autores de clássicos da literatura mundial:


1- Vários nomes, uma só identidade:
William Shakespeare (1564-1616), conhecido com o poeta nacional da Inglaterra, e mundialmente famoso por seus sonetos e peças de teatro (Hamlet, Otelo, Romeu e Julieta) viveu em uma época em que a ortografia da Língua Inglesa não era ainda fixa e uniforme, isto é, as regras de como as palavras deveriam ser escritas ainda não existiam, ou ainda não eram bem definidas.
Por isso, o nome do poeta e dramaturgo que conhecemos como William Shakespeare aparece escrito em documentos de várias formas diferentes. Algumas dessas variações são: "Shakspere", "Shaksper" e "Shake-speare".





2- Homossexualidade era crime no século XIX:
Em 1895, cinco anos depois de ter publicado a primeira versão de seu famoso romance O Retrato de Dorian Gray (1890), o escritor Oscar Wilde (1854-1900) enfrentou três julgamentos e foi condenado a dois anos de prisão com trabalhos forçados por "cometer atos imorais com outros rapazes". Quem o acusava era um nobre chamado John Solto Douglas, o Marquês de Queensberry, pai do poeta Alfred Douglas, de quem Wilde seria amante. Durante seu período de prisão, Wilde escreveu uma longa carta a Alfred Douglas (também conhecido pelo apelido "Bosie"), que foi publicada no livro De Profundis.


3- Fim de semana em Genebra deu origem ao monstro de Frankenstein:

Mary Shelley em retrato de
Rothwell
Em 1816, Mary Shelley passou o verão numa casa alugada próximo ao Lago de Genebra, na Suíça, acompanhada por seu marido Percy Shelley, seu filho e sua meio-irmã Claire Clairmont. No mesmo mês, o poeta Lord Byron (famoso adepto do Romantismo) juntou-se a eles, acompanhado por seu jovem médico John Willian Polidori (autor do conto O Vampiro). Chovia muito, e o grupo estava confinado dentro da casa, fato que Mary Shelley chegou a registrar em seu diário, anos depois. Lendo e contando histórias de terror para passar o tempo, surgiu o desafio de cada um escrever sua própria história de monstros e fantasmas. Em 1818, Shelley publicava Frankenstein ou o Prometeu Moderno, que no início deveria ser apenas uma história curta, mas acabou evoluindo para um romance, graças ao incentivo de Percy.





4- Primeiro a viver só de literatura em seu país:
Edgar Allan Poe (1809-1849), consagrado até hoje por suas histórias de teor macabro e por seu famoso poema O Corvo (1845), que no Brasil foi traduzido por Machado de Assis, é considerado o inventor do gênero ficção policial, e recebeu créditos também por contribuir com o gênero ficção científica. Além disso, foi o primeiro escritor americano a ser conhecido por tentar ganhar a vida somente através da escrita, o que fez com passasse por grandes dificuldades financeiras. Sua obra é constituída por contos, poemas e ensaios, e ele jamais escreveu um romance.





5- Origem de Sherlock Holmes e fé no Espiritismo:
O personagem Sherlock Holmes apareceu pela primeira vez no romance Um Estudo Em Vermelho, publicado na revista Beeton's Christmas Annual em novembro de 1887, sendo transformado em livro no ano seguinte. O brilhante detetive fictício, famoso mundialmente, foi inspirado em uma pessoa real: Joseph Bell (1837-1911), professor de Arthur Conan Doyle (1859-1930) em sua época da universidade. Em uma carta ao antigo professor, Conan Doyle escrever: "É mais do que certo que é a você que eu devo Sherlock Holmes... Com base no centro de dedução, na interferência e na observação que você inculcar, tentei construir um homem". Em alguns momentos, o personagem de Edgar Allan Poe, C. Auguste Dupin (um detetive), também serviu de inspiração. Além disso, Sir Arthur Conan Doyle teve envolvimentos com o Espiritismo nos últimos de sua vida. O médico e escritor já conhecia a religião desde 1887, mas foi só após a morte de alguns parentes no início do século XX (sua esposa, seu filho, seu irmão e também seus dois cunhados, entre 1906 e 1918), procurou conforto no Espiritismo, tornando-se um grande defensor e divulgador. Em 1918, publicou a obra A Nova Revelação, sobre suas convicções a respeito da doutrina espírita.

6- Escritora anônima:
Devido a algumas dificuldades em ter suas obras aceitas por editores, Jane Austen (1775-1817) publicou Razão e Sensibilidade de forma anônima, utilizando-se como identificação apenas a expressão "By a Lady". A respeito disto, sua sobrinha Fanny Knigth registrou no próprio diário o recebimento de uma carta de Cassandra Austen (irmã de Jane e também sua tia) pedindo que ela não mencionasse que a tia Jane era a autora de Razão e Sensibilidade. Isto ocorreu em 1810 ou 1811. Em 1813, publicou Orgulho e Preconceito, e começou a trabalhar em Mansfield Park. No mesmo ano, a popularidade adquirida por Orgulho e Preconceito e a indiscrição da família fizeram com que sua identidade fosse revelada.



7- A Paz como solução:
Liev Tolstoi, ou Leon Tolstoi (1828-1910), famoso escritor russo, autor do romance Anna Karenina, tornou-se pacifista durante a velhice, passando a defender a busca por uma vida simples e próxima à natureza. Suas novas ideias desagradavam à igreja e ao governo. Chegou a trocar correspondências com Gandhi, que o considerava "o maior apóstolo da não-violência". Ao escrever o livro O Reino de Deus está em vós, baseou-se no Sermão da Montanha (Novo Testamento) para afirmar que não se deve revidar o mal com o mal. Ainda afirmava ser contra o serviço militar obrigatório, e contra o militarismo como um todo.

8- Antiga amizade:
John Ronald Reuel Tolkien
Clive Staples Lewis
 Criador de O Senhor dos Anéis, O Hobbit, e O Silmarillion, Tolkien (1892-1973) foi durante décadas muito amigo de outro grande escritor do gênero fantasia: C. S. Lewis (1898-1963), autor de As Crônicas de Nárnia. Ambos participavam do grupo The Inklings, associado à Universidade de Oxford, na Inglaterra, criado para discussão informal de literatura. O grupo existiu, aproximadamente, entre 1930 e 1949. Os integrantes do grupo prezavam o valor da narrativa na ficção e encorajavam a fantasia.


9- Interpretada no cinema:
A escritora Harper Lee (nascida em 1926), autora do romance O Sol é Para Todos (1960), que lhe rendeu o prêmio Pulitzer de Literatura em 1961, já foi interpretada em filmes três vezes: por Tracey Hoyt em Scandalous Me: The Jacqueline Susann Story (1998); por Catherine Keener em Capote (2005); e por Sandra Bullok em Infamous (2006). Seu romance mais recente (Vá, coloque um vigia) lançado em julho deste ano, tornou-se sucesso de vendas, atingindo rapidamente a marca de 1 milhão de exemplares vendidos nos Estados Unidos em apenas alguns dias.

Fonte: Diário de Pernambuco




10- Pensamento religioso:
Assim como Arthur Conan Doyle, citado acima, Victor Hugo (1802-1885) acreditou na existência de espíritos. Durante seu exílio na Ilha Jersey, entre 1851 e 1855 (época em que fenômenos como o das mesas girantes eram estuados), participou de inúmeras sessões espíritas, e assim obteve confirmação para antigos pensamentos filosóficos e religiosos que já cultivava. Assumiu-se espirita em 1967, e defendeu que a Ciência deixasse de ridicularizar o Espiritismo para, ao invés disso, estudá-lo. "[...] Substituir o exame pelo menosprezo é cômodo, mas pouco científico. Acreditamos que o dever elementar da Ciência é verificar todos os fenômenos, pois a Ciência, se os ignora, não tem o direito de rir deles. Um sábio que ri do possível está bem perto de ser um idiota.[...]". No poema À Villiquier, de 1854, chegou a declarar sua crença na vida após a morte:
"Eu digo que o túmulo que sobre os mortos se fecha
Abre o firmamento
E o que acreditamos aqui em baixo ser o fim
É o começo."



Esses são alguns fatos curiosos acerca de alguns escritores de clássicos da literatura, homens e mulheres que escreveram livros que se tornaram mundialmente famosos, e que até hoje são considerados grandes escritores. Os fatos aqui citados foram retirados das páginas relativas a cada um deles, na Wikipédia.

Por: Lethycia Dias

Referências Bibliográficas:
Willian Shakespeare. Wikipédia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/William_Shakespeare>. Acesso em: 10/08/2015.
Oscar Wilde. Wikipédia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Oscar_Wilde>. Acesso em: 10/08/2015.
Mary Shelley. Wikipédia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Mary_Shelley>. Acesso em: 10/08/2015.
Edgar Allan Poe. Wikipédia. Disponível em; <https://pt.wikipedia.org/wiki/Edgar_Allan_Poe>. Acesso em: 10/08/2015.
Arthur Conan Doyle. Wikipédia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Arthur_Conan_Doyle>. Acesso em: 10/08/2015.
Jane Austen. Wikipédia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Jane_Austen>. Acesso em: 10/08/2015.
Liev Tolstoi. Wikipédia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Liev_Tolst%C3%B3i>. Acesso em: 10/08/2015.
J. R. R. Tolkien. Wikipédia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/J._R._R._Tolkien#Rela.C3.A7.C3.A3o_com_C._S._Lewis>. Acesso em: 11/08/2015.
Clive Staples Lewis. Wikipédia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Clive_Staples_Lewis#Rela.C3.A7.C3.A3o_com_J._R._R._Tolkien>. Acesso em: 11/08/2015.
The Inklings. Wikipédia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/The_Inklings>. Acesso em: 11/08/2015.
Harper Lee. Wikipédia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Harper_Lee>. Acesso em: 11/08/2015.
MACIEL, Nahima. Novo livro de Harper Lee ultrapassa um milhão de cópias vendidas. Diário de Pernambuco. 22/07/2015. Disponível em: <http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/viver/2015/07/22/internas_viver,588092/novo-livro-de-harper-lee-ultrapassa-um-milhao-de-copias-vendidas.shtml>. Acesso em: 11/08/2015.
Victor Hugo. Wikipédia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Victor_Hugo#Pensamento_religioso>. Acesso em: 11/08/2015.
Mesas girantes. Wikipédia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Mesas_girantes>. Acesso em: 11/08/2015.

Enfim terminei o novo post da Sessão 10. Como já observei em grupos de leitura, sei que existe, principalmente entre os jovens, uma grande resistência com aqueles livros considerados como "clássicos" da literatura nacional e também mundial. Todos sabem do que estou falando. Aqueles que foram publicados há muito tempo e que, seja pelo seu conteúdo, seja pelo prestígio de seu autor, acabam se tornando famosos e adquirindo certa importância no estudo da literatura, sendo também vistos como símbolos de erudição.
Claro que todos nós já ouvimos falar dos clássicos brasileiros, já os vimos em livrarias e sebos, em edições antigas de capa dura e folhas amareladas, ou edições de bolso, que são muito populares, como as publicações das editoras Martin Claret e L&PM Pocket. São aqueles publicados por escritores consagrados na literatura brasileira, como Machado de Assis, José de Alencar, Euclides da Cunha, Lima Barreto e Manuel Bandeira, entre outros.
É normal ver muitas pessoas dizerem que não gostam de ler os clássicos, talvez por serem livros de época, por conterem um estilo e vocabulário mais complexo e difícil de compreender. Isso é normal e até mesmo compreensível, mas não é motivo para rejeitar tanto assim os clássicos, que são assim considerados por refletirem um pouco da riqueza e costumes de outras épocas. São leituras muito valiosas, e é por isso que decidi expor aqui alguns fatores que podem mudar a sua opinião.

Então responda, Lethycia, por que ler clássicos?

1. São aquilo que se pode conhecer como os maiores exemplos de literatura em determinado país. Seus autores são consagrados, e suas obras acabaram por influenciar muitos outros escritores através dos tempos, tanto aqueles que viveram na mesma época, quanto os que viveram depois. De certa forma, são os clássicos que fazem com que a literatura vá se aprimorando e renovando, a partir do momento em que um determinado estilo é reproduzido ou modificado;
2. Mesmo que este não seja o conteúdo integral da obra, clássicos geralmente são um reflexo histórico e cultural do momento em que foram escritos. Isto significa que vão trazer implícitos muitos traços daquilo que a sociedade vivia no período de vida do autor. Pode-se notar isso em obras grandiosas como a Ilíada ou A Divina Comédia, que retratam tempos remotos, mas também em obras mais recentes, como é o caso de 1984, escrito após a Segunda Guerra Mundial, que trás grande preocupação com o horror dos regimes autoritários;
3. Os livros clássicos quase sempre têm de ser estudados para as aulas de literatura no Ensino Médio, ou são recomendados para os vestibulares de diversas faculdades públicas. Conhecê-los previamente  - isto é, já ter lido alguns deles - pode acabar sendo uma vantagem;
4. A linguagem diferente daquela que usamos hoje em dia pode parecer tediosa e complexa, mas por fim, tendo por perto um bom dicionário, acabamos por conhecê-la, e com algum tempo, nos familiarizamos com ela. Mesmo sabendo que provavelmente não iremos utilizá-la, percebemos o quanto é diversa a nossa língua e, as tais "palavras difíceis" vão aos poucos deixando de ser um desafio em outras leituras;
5. A interpretação de textos é muito mais favorecida na leitura desse estilo, pois grande parte dos livros publicados atualmente têm como público-alvo jovens e adolescentes, mantendo uma linguagem simples, fácil de compreender, com a qual já estamos acostumados. Quando deixamos um pouco de lado as publicações modernas e voltamos nossa atenção para as mais antigas, estamos nos propondo um desafio de compreender textos mais complexos, e assim aprendemos mais rápido a "ler nas entrelinhas";
6. Por serem antigos, os clássicos obedecem a um outro padrão de linguagem, ou seja, estão escritos de acordo com a norma culta. Mesmo que nas falas dos personagens haja um pouco da linguagem coloquial, como é o caso de O Cortiço, de Aluísio Azevedo, a narração será sempre formal. Lendo-os, ganhamos mais intimidade com essa forma de linguagem, que muitos vezes pode trazer dificuldades em algumas situações. Aprendendo a dominar a norma culta, pode se tornar mais fácil ler textos técnicos ou escrever redações e artigos;
7. Você com certeza já deve ter ouvido em outro contexto a frase "Como pode dizer que não gosta, se nunca experimentou?". Pois saiba que essa frase também se aplica aqui. Como rejeitar um estilo, sem conhecê-lo profundamente? Se não tem muito conhecimento acerca dos clássicos, experimente ler alguns, para compreender melhor o estilo, e assim diversificar suas leituras e ampliar sua visão de mundo. Afinal, você ama ler, ou ama alguns gêneros literários? Depois que conhecer, poderá definir se realmente gosta ou não, mas primeiro, procure experimentar.
8. Muitas pessoas acreditam que o novo sempre irá substituir o velho, permanecendo com a eterna (e equivocada) impressão de que aquilo que pertence à sua época será sempre melhor do que tudo o que veio antes. Esse pensamento está completamente errado. Muitos dos clássicos já foram lidos por milhares de pessoas, e continuam sendo até hoje. Talvez o best-seller do mês passado pareça muito atraente, mas o livro centenário contém um entretenimento que não encontra em qualquer publicação;
9. Muitos dos clássicos da literatura trazem consigo reflexões acerca de conceitos e pensamentos universais, que sempre inquietaram a a humanidade. Pode ser que você tenha se impressionado com a questão da juventude e beleza eterna colocada como um conflito secundário na Saga Crepúsculo, mas sabia que o mesmo conflito foi retratado um século antes em O Retrato de Dorian Gray? A Beleza e a juventude são apenas alguns desses conceitos universais que perturbam o espírito humano. Outros conceitos e conflitos estão presentes em muitos livros desse estilo;
10. Com o tempo, você se tornará mais seletivo em suas leituras. Na medida em que conhecerá novos estilos, irá amadurecer e começará a modificar suas preferências, e provavelmente, no futuro, sua lista de leitura não terá mais os lançamentos do ano das principais editoras, pois estes serão substituídos por uma série de livros que você antigamente costumava julgar, e que dizia que "nunca iria ler". Você estará quebrando seus próprios preconceitos.

Apesar do texto longo, espero ter sido capaz de ajudar um pouco a valorizar esse estilo tão rejeitado. Não estou sugerindo que abandonem os autores modernos, pois vários deles são realmente muito bons. Mas, como já disse antes, gosto de incentivar a diversidade na leitura, e esse foi um dos meus objetivos ao criar o blog. Espero que tenham gostado. E agora, que tal conhecer um pouquinho melhor os livros antigos?

Alguns dos principais clássicos da literatura mundial, incluindo um brasileiro, Os Sertões, de Euclides da Cunha

Por: Lethycia Dias

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