Confira!

12 meses de Poe | Eleonora | Annabel Lee

Hoje é dia de falar de Edgar Allan Poe aqui no blog. Trata-se de um desafio literário em que são realizadas leituras coletivas mensais de contos e poemas de Edgar Allan Poe. Criado no ano passado, o #12mesesdePoe me ensinou o quanto é legal participar de desafios e projetos literários e é uma das minhas colunas preferidas aqui no blog.
Esse mês, estamos lendo Eleonora e Annabel Lee. Eu nunca tinha ouvido falar de Eleonora, mas sei que Annabel Lee é um dos poemas mais famosos de Poe. Continue lendo para conhecer minhas impressões sobre o conto e o poema.

12 meses de Poe: Os Fatos do Caso do Senhor Valdemar | A Adormecida

Olá para você que é louca(o) por terror e também por Edgar Allan Poe! Quem sentiu falta dos posts do #12mesesdePoe por aqui? Eu sim! Em janeiro não consegui fazer o post do mês, porque no meu último dia antes de viajar, tive bastante dor de cabeça, o que me impossibilitou de ler o conto e o poema de janeiro. Agora estou aqui trazendo de volta esse desafio literário maravilhoso!
Para quem não sabe, o 12 meses de Poe é um desafio literário que propõe a leitura coletiva da obra de Edgar Allan Poe. Criado no ano passado, a princípio propunha a leitura apenas dos contos. Este ano, o desafio foi ampliado para a leitura de poemas. Para saber tudo sobre o desafio em detalhes e ter acesso a todos os posts anteriores, você só precisa clicar neste link. Agora, continue lendo para conhecer minhas impressões sobre o conto e o poema de fevereiro!


Se tem uma coisa que eu sinto falta nos blogs e canais literários é de ver pessoas resenhando e indicando livros de poesia. Nesse tempo que acompanho a literatura pelos ambientes virtuais, raramente vejo as pessoas dando atenção a livros de poesia. Se os livros de contos parecem ofuscados pelos romances, a poesia me aprece ainda mais invisibilizada.
É por isso que decidi fazer esse post: para falar sobre minha experiência lendo poesia, e tentar mostrar o quanto alguns versos podem ser fascinantes. Tenho uma paixão muito grande pela poesia há vários anos, e vou contar essa história a vocês.

Conforme afirmei numa postagem anterior, o Soneto é um dos textos do gênero lírico, e pode-se dizer que é o único que é escrito até hoje, sendo considerado uma das formas mais clássicas de se escrever poesia. Por terem sido abandonados na literatura, os outros poemas do gênero lírico não serão aqui descritos. Agora, conheceremos um pouco mais sobre o soneto, indo além da breve explicação oferecida no post anterior.

Para começar, creio que podemos esclarecer a origem do termo soneto: é uma palavra de origem italiana e significa "pequena canção", ou ainda "pequeno som". Existem divergências quanto à sua origem, mas alguns estudiosos atribuem sua criação ao humanista florentino Francesco Petrarca que viveu no século XIV, embora também haja afirmações de que o soneto já era escrito um século antes, por Giácomo de Lentino (1210 - 1260). As controvérsias são muitas, e é possível que os nomes conhecidos tenham aperfeiçoados formas populares de poesia, bem como também é possível que seu criador seja completamente anônimo.
Um segundo ponto importante é sua estrutura. Sua forma mais conhecida hoje em dia é aquela que compreende 14 versos, sendo divididos em dois quartetos (estrofes de 4 versos) e dois tercetos (estrofes de 3 versos). Este é o soneto italiano.


"Amor é fogo que arde sem se ver", de Luís de Camões.
Estrutura do Soneto mais conhecida atualmente. 14 versos; 2 quartetos, 2 tercetos.

Outras formas, entretanto, predominaram em outros tempos. São elas:
  • Soneto inglês ou Shakespeariano: é formado por três quartetos e um dístico, isto é, uma estrofe de 2 versos;
  • Soneto monostrófico: apenas uma estrofe de 14 versos.
Sendo uma composição clássica, o soneto manteve uma característica marcante que é comum a todas as formas antigas: a métrica. Antigamente, ao escrever, os poetas observavam com muita atenção o número de sílabas poéticas em seus versos. Nas formas clássicas, todos os versos precisavam ter a mesma quantidade de sílabas, o que tornava a escrita mais complicada, mas ao mesmo tempo influenciava muito no ritmo do poema. No soneto, a métrica é fundamental para a manutenção do ritmo, e é ela que confere maior beleza às rimas. A maioria dos sonetos é escrita em versos decassílabos, ou seja, versos com 10 sílabas poéticas. Outros, ainda, podem conter 12. São os versos dodecassílabos, ou alexandrinos.

Podendo variar quanto à estrutura e à métrica, pode variar também quanto ao posicionamento das rimas, que pode ser bem classificado nos quartetos:
  • Rimas entrelaçadas: o primeiro verso rima com quarto, e o segundo com o terceiro (ABBA);
  • Rimas alternadas: o primeiro verso rima com o terceiro, e o segundo com o quarto (ABAB);
  • Rimas emparelhadas: o primeiro verso rima com o segundo, e o terceiro com o quarto (AABB).
Exemplo de poema com rimas entrelaçadas (ABBA).
Exemplo de poema com rimas alternadas (ABAB).

Exemplo de poema com rimas emparelhadas (AABB).

Outras características podem ser também importantes, mas essas são as mais notáveis.
O Soneto foi predominante durante a época do Renascimento, e ao longo do tempo, teve sua popularidade maior ou menor em vários períodos literários. Foi muito utilizado no Simbolismo, que cultuava a forma clássica, por exemplo; assim como retornou na obra de um poeta modernista, Vinícius de Moraes, que escreveu muitos sonetos. Alguns grandes sonetistas da Língua Portuguesa foram Luís de Camões, Augusto dos Anjos, Gregório de Matos e Olavo Bilac, além do próprio Vinícius de Moraes.

A seguir, conheça alguns sonetos famosos:


Clique na imagem para ampliá-la.

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Por: Lethycia Dias

Referências bibliográficas:
SANTIAGO, Emerson. Soneto. Disponível em: <http://www.infoescola.com/literatura/soneto/>. Acesso em: 05/07/2015.
WIKIPÉDIA. Soneto. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Soneto>. Acesso em: 05/07/2015.
SANTIAGO, Emerson. Métrica na poesia. Disponível em: <http://www.infoescola.com/literatura/metricas-na-poesia/>, Acesso em: 05/07/2015.

Sei que existe uma preferência enorme para os romances (sejam eles de ficção, aventura, suspense, terror, policial, ou mesmo romances românticos), excluindo outros tantos livros que também podem agradar ao grande público, mas que por vezes ficam no segundo (e talvez até no último) plano. Dessa forma, o conto, a poesia, a crônica ficam desprezados. E isso é porque estou falando só dos tipicamente literários. Outros tipos de livro que não se identificam tanto como literatura, como a biografia, o ensaio, o texto acadêmico, permanecem esquecidos, renegados pela maioria dos leitores.
Por que isso acontece? Eu poderia tentar fornecer um monte de explicações. Poderia dizer que o mercado editorial faz um apelo muito grande ao romance contemporâneo, e principalmente às histórias escritas para e protagonizadas por adolescentes. Poderia dizer que os outros gêneros são simplesmente pouco conhecidos mas então estaria mentindo, porque não são. Poderia dizer que é simplesmente a preferência geral da maioria dos jovens leitores brasileiros, mas aí estaria rejeitando a opinião de leitores mais maduros, leitores adultos, que não leem somente livros, mas também jornais e revistas, e curtem sim outros estilos. Poderia dizer tantas coisas, mas acho que nenhuma delas chegaria a oferecer uma explicação satisfatória. Então, não vou tentar dar explicações para uma coisa que acontece no meio literário, e que nem mesmo nós, que gostamos de livros, entendemos muito bem.
O objetivo desse post é simplesmente mostrar que existem outros tipos de leitura, que podem ser tão interessantes como os romances da lista de "mais vendidos", porque, afinal, estar na tal lista nem sempre significa que um livro seja realmente bom. É só o excesso de publicidade que nos faz pensar isso.

Vou mostrar, aqui, algumas leituras que tenho colecionado, e que fogem um pouco ao padrão predominante:

Poesia:



Tenho vários livros de poesia, e confesso que ainda não li todos.  Alguns, como o Bar do Escritor, o título de cima, não contém apenas poesias, mas também alguns minicontos. Um dos outros, cujo nome não é possível ler na foto, contém poesia de cordel. O Livro de Sonetos, de Vinícius de Moraes, é simplesmente maravilhoso.  

História:


Ganhei Uma Breve História do Mundo como presente no ano passado, e até publiquei a resenha por aqui. Não é um romance histórico, é realmente um livro de história não-didático, e me interessei muito pelo gênero. Por isso, comprei Uma tragédia francesa, que ainda não li, mas se encaixa no estilo.

Revistas:


Revistas podem oferecer são leituras muito interessantes, e existem publicações de todos os tipos. Há algumas voltadas para adolescentes, como a Capricho e a Atrevida; outras são revistas de notícias, como a Veja, a Época e a Carta Capital; há também algumas voltadas para a ciência, como a Galileu e a Super Interessante; e ainda algumas de curiosidades, como a Mundo Estranho. Há revistas de esportes, revistas sobre animais, revistas voltadas para professores, revistas de literatura, revistas de conteúdo adulto, revistas de humor. São publicações extremamente variadas, que podem ser semanais, quinzenais ou mensais, e muitas delas são boas. São uma ótima pedida para quem gosta de experimentar conteúdos sempre diferentes.

Conteúdo acadêmico:


A leitura acadêmica é quase sempre restringida a quem faz algum curso superior, e é difícil ver outras pessoas que a apreciem. É também muito diversificada, podendo abranger uma imensa diversidade de temas dentro do universo de um só curso de graduação. Costumam ser complexas, mas podem ser muito interessantes. Os dois livros da foto são relacionados ao meu curso, Jornalismo, e pelo menos o de cima, que estou quase terminando de ler, é maravilhoso. Quanto ao segundo, tenho boas expectativas. Se eu tivesse conhecido os dois por outro meio que não fosse a exigência da faculdade, teria a curiosidade de lê-los do mesmo jeito.

Contos:


Sei que ainda é um gênero literário, mas muito ignorado. Contos podem ser incríveis, e são muito fáceis e rápidos de ler. Os livros de contos não costumam sem muito volumosos, a não ser que sejam coletâneas completas de um só autor. Entretanto, costumam ser publicados também em volumes de autores diversos, organizados por época ou por assunto. São ótimos!

Ensaio/biografia:


Confesso que ainda não li os dois livros da foto, assim como também nunca li nenhum ensaio ou nenhuma biografia, então não posso dar minha opinião. Só o que posso dizer é que conhecer um tipo diferente de leitura pode ser uma experiência muito rica, e é isso que espero destes dois livros.

Crônica:


A crônica também é um gênero literário, mas tão ignorada quanto a poesia ou o conto. São curtas, fáceis de ler, e costumam ser publicadas em jornais ou revistas, podendo ser divertidas ou trágicas, ou ainda bastante críticas. Às vezes são reunidas em coletâneas. Também já fizemos um post sobre isso.


Estes nem são todos os tipos não convencionais; são apenas os que eu podia mostrar, mas existem ainda outros. Meu irmão, por exemplo, dificilmente lê um livro do início ao fim, mas é um verdadeiro devorador de mangás, os quadrinhos japoneses. E muito antes de surgirem as superproduções dos filmes da Marvel, sei que já existia uma legião de fãs de HQ's, que também são leitores. Não leitores de livros, mas ainda assim leitores. E nem mencionei aqui os leitores de jornais, ou de artigos de opinião. Lembrando: a leitura é muito diversa!
Dessa forma, vemos que não são apenas as "estórias" que fazem um leitor. Elas predominam, é claro, mas existem muitos outros tipos de leitura, que agradam a públicos também muito diversos. Eu tenho preferência declarada por livros e revistas (e sinceramente, me confundo ao tentar ler um mangá), mas devemos lembrar que sempre há alguém que gosta de algo diferente, e que isso não é ruim; pelo contrário, é bom, é maravilhoso.
Então, lembrem-se: Nem só de estórias vive o leitor!

Por: Lethycia Dias

Prosseguindo com nossas postagens sobre os diferentes gêneros textuais, passaremos agora para um gênero completamente diferente do narrativo, o gênero lírico. Apresentaremos a seguir a seguir suas principais características, e alguns dos textos líricos existentes. Talvez o mais importante, primeiro, seja explicar o significado deste nome.

Oriundo do termo lyricu, do latim, quer dizer lira, um antigo instrumento musical, de origem pouco conhecida, mas que remonta ao período da Antiguidade Clássica, por ter sido muito usado na Grécia Antiga.

Lira, antigo instrumento musical que acompanhava as composições poéticas
durante a Antiguidade e a Idade Média



O gênero lírico constitui, basicamente, a poesia, apesar de que nem todo poema é um texto lírico, pois precisa para isto corresponder às características que vamos enumerar a seguir. Neste gênero (embora isto se aplique à poesia em geral) o que predomina é a subjetividade do autor, que expressa ideias, emoções e sentimentos, de maneira clara ou metafórica. O que o diferencia, então, um simples poema de um poema lírico?
Os trovadores (ou bardos) da Idade Média apresentavam suas poesias de maneira cantada, com o acompanhamento musical da lira. O ritmo era marcado pela métrica, isto é, a contagem de sílabas de cada verso; as aliterações (repetições de letras, sons e palavras) e as rimas estavam sempre presentes.  Cada forma poética era conhecida por ter um número de versos e ritmo já determinado. Entre as mais comuns, encontram-se:


  • Soneto: Da palavra italiana soneto, que quer dizer pequeno som. É formado por quatro estrofes: as duas primeiras compostas por quatro versos e as duas últimas compostas por três;
  • Elegia: De origem grega, significa "canto triste", e está geralmente ligado à morte ou sentimentos tristes;
  • Idílio e écloga: Retratam a vida no campo, e temas ligados a ela. A écloga costuma ser como um diálogo;
  • Ode: Também de origem grega, exalta as características nobres de algo ou alguém;
  • Hino: Voltado para a exaltação da pátria, ou dos deuses;
  • Sátira: Geralmente cômica, ridiculariza os defeitos humanos ou de alguém em particular; ou ainda faz crítica a determinadas situações.
Estes são os principais modelos de poemas líricos. Vale ressaltar que existem ainda muitas outras modalidades de poesia, e que nem todas fazem parte do gênero lírico. Estas serão descritas detalhadamente mais tarde nas próximas postagens desta sessão.

Por: Lethycia Dias

Bibliografia:
- VILARINHO, Sabrina. Gênero Lírico. Disponível em:
http://www.brasilescola.com/literatura/genero-lirico.htm
- DUARTE, Vânia Maria do Nascimento. Gênero Lírico. Disponível em:
http://www.portugues.com.br/literatura/generolirico.html
- Autor desconhecido. Lira (instrumento musical). Disponível em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Lira_(instrumento_musical)


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