Confira!

"Uma das maiores escritoras brasileiras, Clarice Lispector, enquanto trabalhava sua ficção, manteve intensa atuação na imprensa, para a qual escreveu cerca de cinco mil textos, entre fragmentos de ficção, crônicas e colunas femininas, para diversos jornais e revistas, e realizou mais de 100 entrevistas, a primeira delas , em 1940, com o poeta Tasso da Silveira. Organizado pela pesquisadora Maria Aparecida Nunes, Clarice na cabeceira - Jornalismo é uma amostra dessa atividade. Com texto inéditos, a coletânea traça um panorama do jornalismo brasileiro, a partir da produção de Clarice Lispector para a imprensa."

Autora: Clarice Lispector
Gênero: Jornalismo
Número de páginas: 240
Local e data de publicação: Rio de Janeiro, 2012
Organização: Aparecida Maria Nunes
Editora: Rocco
Onde comprar: Amazon 

Fonte: Reprodução.

Vou apresentar para você a trajetória do escritor brasileiro Erico Verissimo, um dos principais representantes do modernismo brasileiro. Mas primeiro, é melhor relembrar o que foi o movimento modernista!
O Modernismo é um nome genérico dado a vários movimentos culturais que surgiram no início do século XX, e se manifestavam em todas as áreas da arte. A ideia principal era abandonar regras tradicionais e adotar novos estilos artísticos.
O Modernismo chegou ao Brasil em 1922, com a semana de arte moderna. A primeira fase do movimento durou até 1930, e foi marcada pela busca de uma identidade brasileira. Já a segunda fase, da qual falaremos de forma mais profunda, tinha outras características.
A segunda fase do modernismo brasileiro se estendeu de 1930 a 1945. Nesse período, também chamado geração de 30, as ideias difundidas em 1922 já estavam consolidadas. E a literatura brasileira vivia um momento de maturação.
O mundo vivia as consequências da crise econômica de 1929, e países da Europa começavam a ser tomados pelos regimes totalitários. O brasil enfrentava o fechamento de fábricas, o desemprego, a miséria e também uma fase conturbada na política, com o início da Era Vargas.
Os escritores da época viram a necessidade de refletir sobre tais acontecimentos em suas obras. E a partir daí, novos temas tomaram conta da literatura. As obras da época procuravam valorizar a cultura brasileira, abordar problemas sociais da época, e retratar as diferentes regiões do país.
Nessa geração, os grandes nomes da poesia são Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles e Vinicius de Moraes. E na prosa, os autores que fizeram que mais se destacaram são Rachel de Queiroz, Jorge Amado, Graciliano Ramos e também Erico Verissimo. Todos tiveram grande importância, mas é de Verissimo que vamos falar hoje.
Érico Lopes Verissimo nasceu em 1905 na cidade de Cruz Alta, no Rio Grande do Sul. Ele estudou em Porto Alegre, e viveu na capital do estado e também em sua cidade natal durante períodos alternados de sua vida.
Desde muito jovem, Verissimo já demonstrava grande admiração pela literatura, mas seus primeiros textos seriam publicados a partir de 1929, em jornais e revistas locais. No mesmo ano, ele se casou com Mafalda Hanfen Volpe, com quem teve dois filhos: Clarissa Verissimo e Luis Fernando Verissimo. Luis Fernando também se dedicaria, mais tarde, à literatura.
Verissmo teve diferentes empregos quando jovem. Mas foi a partir de 1930, trabalhando na revista do globo, que ele teve estabilidade para escrever. O primeiro livro dele foi uma coletânea de contos, denominada Fantoches e outros contos, publicado no ano de 1932.
Ele complementava sua renda trabalhando como tradutor. E ao traduzir o livro Contraponto, de Aldous Houxley, aprendeu a técnica de escrever diferentes histórias intercalando os pontos de vista dos personagens e fragmentando os acontecimentos. Assim, em 1935, ele publica o romance Caminhos Cruzados, que consiste numa grande crítica social.
Em 1933, ele já havia publicado o romance Clarissa: a história de uma garota do interior que vai morar com os tios em uma pensão em porto alegre. Assim, o livro Caminhos Cruzados é seguido por duas continuações de Clarissa: Música ao Longe e Um Lugar ao Sol.
Mas seu primeiro romance a alcançar verdadeiro sucesso no Brasil e no exterior foi Olhai os Lírios do Campo, publicado em 1938. O título é uma referência ao Sermão da Montanha, proferido por Jesus Cristo, e relatado no Evangelho de Mateus. A obra, porém, não é sobre religião. Assim como em seus romances anteriores, está carregado de reflexões sobre problemas morais, sociais e espirituais vividos pelas pessoas.
No ano de 1943, Verissimo publica O Resto é Silêncio, uma história que acompanha durante dois dias sete diferentes personagens, que têm apenas uma coisa em comum: o fato de terem presenciado a morte de uma garota que caiu de um prédio. Acidente ou suicídio? Só mesmo lendo para saber.
Os anos seguintes, quando ele vive nos Estados Unidos, têm como resultado dois livros de viagens: Gato Preto em Campo de Neve e A Volta do Gato Preto.
E em 1947, ele inicia sua obra mais famosa: O Tempo e o Vento. É uma saga dividia em três volumes, que acompanha várias gerações de membros da família Terra-Cambará, e que conta, ao mesmo tempo, a história da colonização do Rio Grande do Sul, e de certa forma, também a história do Brasil.
A cronologia tem início na primeira metade de século XVII, quando o Rio Grande do Sul era povoado apenas por missões de padres jesuítas que catequizaram os povos indígenas locais, e avança até 1945. Nessa saga estão marcadas a disputa pela terra, a miséria, a política e a cultura do povo gaúcho.
Outra grande característica da saga é a força das personagens femininas. Destinadas apenas ao papel social de esposas e mães, as mulheres em O Tempo e o Vento estão constantemente vendo seus maridos e filhos morrerem nas sucessivas guerras que aconteceram na Região Sul do país. Por terem de enfrentar isso, são retratadas de maneira especial.
Além disso, alguns dos personagens mais marcantes de O Tempo e o Vento ainda são muito queridos por aqueles que apreciam a literatura brasileira. É o caso do mulherengo Capitão Rodrigo, da corajosa Ana Terra, e de sua neta, Bibiana.
Toda essa história foi tão apreciada, que parte dela história foi adaptada duas vezes para a televisão, nos anos 1960 e 1980, e depois para o cinema, no ano de 2013.

Capitão Rodrigo nas duas adaptações de O Tempo e o Vento,
interpretado por Tarcísio Meira (esquerda) e Thago Lacerda (direita).
Fonte: Reprodução.

Mas o livro que Verissimo começou a escrever em 1947 e publicou em 1949 foi apenas o primeiro volume da saga, intitulado O Continente. A segunda parte seria publicada no ano seguinte, 1950, quando o autor voltou a morar no Brasil, e se chama O Retrato. A parte final, O Arquipélago, viria depois de onze anos, em 1961, quando sua saúde já estava bastante frágil.
Em 1966, Verissimo publica sua autobiografia, O Escritor Diante do Espelho, e cinco anos depois, vem o romance Incidente em Antares, que mistura um pouco mais de história com ficção e críticas à ditadura militar, tudo isso retratado em uma cidade fictícia com nome de estrela.
Nos anos seguintes, ele ainda publica uma segunda edição de Fantoches, em comemoração aos 40 anos de lançamento. E publica também o primeiro volume de um livro de memórias, com o nome de Solo de Clarineta. Erico Verissimo faleceu em 28 de novembro de 1975, após um infarto. O segundo volume de Solo de Clarineta foi publicado postumamente.
Verissimo foi um dos escritores brasileiros mais importantes do século passado, não apenas pela saga O Tempo e o Vento, mas por sua obra como um todo. Além das obras citadas, ele publicou ainda outros romances e livros de contos, e também livros infanto-juvenis e relatos de viagens. Os romances estão sempre repletos de reflexões sobre a política e a sociedade. E como ele era um grande amante da música, ela também se faz presente em vários momentos.

Texto originalmente publicado no blog Entrevistalendo.
Por: Lethycia Dias

Resenha: Fantoches e outros contos
"Reconhecido como um dos clássicos brasileiros do século XX, Erico Verissimo estreou na literatura em 1932 com o volume de contos Fantoches. Décadas depois, fez apontamentos manuscritos e ilustrações para a edição comemorativa do quadragésimo aniversário da publicação do livro. Nele, o escritor consagrado observa as narrativas do jovem principiante com olhar exigente, mas também com humor. Na primeira parte estão os fac-símiles das páginas de Fantoches anotadas por Erico. Escritos em forma de pequenas peças de teatro, os contos do jovem estreante já revelavam as qualidades que seriam desenvolvidas na maturidade. Quanto aos defeitos do principiante, o próprio Erico se encarregava de apontá-los e comentá-los. Depois de Fantoches, Erico só praticou o conto esporadicamente - e com maior domínio de suas técnicas. As seis narrativas breves incluídas na segunda parte deste livro revelam o engenho do criador de mundos e contador de histórias."

Autor: Erico Verissimo
Gênero: Conto
Número de páginas: 365
Local e data de publicação: São Paulo, 1997
Editora: Globo
Onde comprar: Amazon | Americanas | Fnac | Livraria da Folha

Resenha: Memórias de Julho
"No ano de 1992, Recife, um grupo de amigos com oito anos (Marcos, Mari, Mila, Juan, Lucas), se encontra numa cabana em suas férias. A alegria de ser criança é compartilhada por todos, assim como a vontade de permanecer juntos. De um pedido surge a promessa de enterrar seus desejos e suas fotos em um baú todos os anos seguintes. Durante seis anos a promessa é mantida e todos percebem o quanto cada um foi importante durante todo esse tempo. Em julho de 1998 o destino acaba por separá-los. Quatorze anos depois, 2012, Marcos se vê sozinho e em posse do baú. Durante todos esses anos no mês de Julho ele sonha com os tempos vividos naquela cabana. Mas algo estava errado, os sonhos não eram normais. E Marcos então sai à procura dos antigos amigos que havia deixado para trás. Memórias de Julho lhe fará sentir saudade tanto de sua infância como se seus antigos amigos. Mostrará o que o tempo pode fazer conosco e o que é verdadeiro fica. Principalmente o amor e a amizade."

Autora: Jéssica Figueiredo
Gênero: Romance
Número de páginas: 336
Local e data de publicação: Recife, 2015
Onde comprar: E-book | Livro físico
*Publicação independente não-vinculada a nenhuma editora

Resenha: Fugitivos"De onde vem a amizade? O que é necessário para se ter uma vida melhor? Caio, um carioca de 15 anos, perdeu os pais em uma tragédia e foi morar com a avó em Belo Horizonte. Cheio de traumas, causados pelo incidente que vitimou sua família, ele não tem mais desejo de retomar sua vida. Fernanda, de 15 anos, protege seu irmão Jonas, de 11 anos, do temperamento violento do pai. Ela se apaixona por Caio, e este por ela. O sentimento que nutrem, será o catalizador de uma briga que colocará em risco a segurança dos dois. Gabriel, de 17 anos, e Bianca, sua irmã de 5 anos, perderam a mãe, por ela ter viciada e ter sofrido uma overdose, e o pai está preso. Ficam sob a tutela da Justiça e do irmão mais velho, de 20 anos, que apoia o pai em planos escusos para melhorarem de vida. Em Fugitivos, acompanhamos o amor nascer entre Caio e Fernanda, e a força da amizade que surge entre os cinco jovens, de forma tão intensa, que o drama de cada um deixa de ser individual e passa a ser de todos. No momento em que suas histórias se misturam, eles precisam fugir para salvarem suas vidas Nessa corrida emocionante, que atravessa os estados de Minas Gerais, Bahia, Alagoas e Pernambuco, mais de dois mil quilômetros, iremos descobrir seus sonhos, seus medos, suas tristezas e suas alegrias, tudo envolto por muito suspense, perigo, romance e reviravoltas surpreendentes."

Autor: Carlos Barros
Gênero: Drama
Número de páginas: 645
Data de publicação: 2014
Editora: Giostri
*Informações adicionais: livro lido em formato digital.
Onde comprar: Amazon | Cultura | Saraiva

Resenha: Manhã de sol florida, cheia de coisas maravilhosas
"Montevidéu, outono de 1977. O uruguaio Miguel Martinez consegue realizar, ainda que tardiamente, o sonho de menino - o de conhecer o Rio de Janeiro. Contudo, não poderia imaginar o quão sem graça poderia ser viver na cidade maravilhosa, até encontrar Ana Clara Pernambuco - repórter do Diário de Notícias e responsável pela ONG Babilônia Azul, numa das maiores favelas cariocas. Morando num país periférico, belo e exótico, porém esquecido e marginalizado pela ditadura militar dos anos 70, Ana Clara o envolverá numa arriscada investigação sobre a indústria de bebidas."

Autor: Alécio Faria
Gênero: Drama
Número de páginas: 160
Data de publicação: 2016
Informações adicionais: livro lido em versão digital.
Compre aqui.

Resenha: A Corrente
"Quantas correntes já caíram na sua caixa de entrada e você apagou impiedosamente sem nem olhar o conteúdo? Quantas ameaças do tipo 'Se não passar essa mensagem para 20 amigos, você ira morrer' foram ignoradas? Já passou pela sua cabeça que alguma delas pode ser verdadeira? Em A Corrente, um thriller de Estevão Ribeiro, Roberto Morate é um hacker, uma ameaça virtual que vive de aplicar golpes em desafortunados que não protegem suas senhas. Ao receber um e-mail de uma garota desconhecida, ameaçando-o se não repassar a mensagem, ele ri. Entretanto, em um momento de tédio, resolve dar um susto em alguns amigos e a encaminha para sete pessoas. Depois, descobre que salvou a sua vida. Só que, para isso, condenou a sua alma e a de todos que receberam a corrente. Agora, Roberto precisa correr contra o tempo e contra a sede de sangue da misteriosa Bruna, que ameaça transformar a ilha de Vitória em um inferno. Poderá Roberto salvar a sua vida e a de seus amigos? Ao pegar este livro esteja avisado: Leia. Passe adiante. Sobreviva."

Autor: Estevão Ribeiro
Gênero: Terror
Número de páginas: 221
Data de publicação: 2010
Informações adicionais: livro lido em versão digital.
Compre aqui.

Resenha: Os Sete
"Uma caravela portuguesa de cinco séculos é resgatada de um náufrago no litoral brasileiro. Dentro dela, uma misteriosa caixa de prata esconde um segredo: sete cadáveres aprisionados, acusados de bruxaria. Apesar das advertências grafadas no objeto de prata, a equipe do Departamento de História da Universidade Soares e Porto Alegre decide violar a caixa, para estudar os corpos. Afinal, que perigos, poderiam oferecer aqueles sete cadáveres? Nenhum. Mas depois que o primeiro deles acorda... Este novo romance de André Vianco, mesmo autor de Sementes no Gelo transporta o leitor para um mundo antigo, onde os verdadeiros assassinos carregam presas afiadas e têm medo de sol."



Autor: André Vianco
Gênero: Fantasia
Número de páginas: 456
Local e data de publicação: Osasco - SP, 2011
Editora: Novo Século

"Suspenso da polícia e com um ferimento de tiro no braço, as coisas não vão nada bem para o investigador Medeiros. Até que ele aceita o trabalho de recuperar a joia roubada de uma milionária excêntrica - e tudo piora. Entre várias garrafas de uísque e embalado por Nina Simone, Medeiros é lançado em um rastro sanguinário na busca pelo Espoir, o diamante mais precioso do mundo. Como se não bastasse, é seguido de perto por alguém cuja única ambição é tirar sua vida. Com humor ágil e cortante, Álvaro Cardoso Gomes conduz o leitor pelas ruas frenéticas e mal iluminadas da noite paulistana. A sutileza com que o autor pinta o mistério aproxima As joias da coroa da aura do romance policial clássico, assim como da mais envolvente safra do bom e velho filme noir."

Autor: Álvaro Cardoso Gomes
Gênero: Romance policial
Número de páginas: 340
Local e data de publicação: São Paulo, 2011
Editora: Tordesilhas

Resenha: Luna Clara & Apolo Onze
"Segundo livro voltado para o público infanto-juvenil escrito por Adriana Falcão, que, entre outras incursões, colaborou em vários episódios da "Comédia da Vida Privada", "A grande família", e "Brasil legal". Aqui, ela conta a história da menina Luna Clara e do garoto Apolo Onze, moradores de Desatino do Norte e Desatino do Sul. As ilustrações são de José Carlos Lollo."

Autora: Adriana Falcão
Gênero: Infanto-juvenil
Número de páginas: 331
Local e data de publicação: São Paulo, 2013
Ilustrações: José Carlos Lollo
Editora: Salamandra
Onde comprar: Amazon | Americanas | Cultura | Saraiva | Submarino | Travessa

"Os tempos mudaram. A ascensão do Império de Housai obrigou os monges guerreiros shenlogs a se isolarem cada vez mais. Com o passar dos anos, os Quatro Templos sagrados se tornaram seu último refúgio. Os Antigos se foram. Seus descendentes desapareceram. Àqueles que resistem à nova ordem são enfraquecidos. Por mais de mil anos, o Templo da Montanha, Shanjin, se manteve firme em Linshen. E para Mu, Shanjin é sua casa. Chegou ao templo ainda criança junto de seu irmão, Ruk. E, quando Ruk é expulso da ordem monástica, Mu vive o conflito entre a dor da perda e se manter como um shenlog, fiel aos ensinamentos e o caminho de retidão. Os problemas se agravam quando um espadachim misterioso traz a notícia de uma grande ameaça que pode abalar os Quatro Templos. O exílio não durará. Agora, os shenlongs de Shanjin devem reforçar suas defesas e se preparar para o combate. Pois, desta vez, nem a Barreira será suficiente para protegê-los. Em A Canção dos Shenlongs, Diogo Andrade introduz um universo ficcional elaborado com suas próprias regras, leis, deuses, religiões e relações que poder, que transportam o leitor para uma realidade de grande imaginação e totalmente crível"

Autor: Diogo Andrade
Gênero: Fantasia
Data de publicação: 2016
Onde comprar: Amazon
*Informações adicionais: Livro publicado de maneira independente em formato digital; informações sobre número de páginas e local de publicação indisponíveis.

"'- Vais encontrar o mundo - disse-me meu pai, à porta do Ateneu. - Coragem para a luta.' Sérgio, o narrados, revive a traumática experiência do internato e o sofrido rito de passagem da infância para a adolescência. Neste romance, Raul Pompeia rompeu barreiras temáticas - como a homossexualidade e a formação viciosa da elite brasileira - e estilísticas, transitando livremente entre a ficção, a poesia e o ensaio. O Ateneu: edição comentada e ilustrada inaugura a publicação de autores brasileiros na coleção Clássicos Zahar: Traz o texto integral e as 44 ilustrações originais de Raul Pompeia, notas explicativas e uma apresentação escrita especialmente para esta edição, recuperando as principais linhas interpretativas do romance desde a época de sua publicação até nossos dias."

Autor: Raul Pompeia
Gênero: Clássico
Número de páginas: 263
Local e data de publicação: Rio de Janeiro, 2015
Ilustrações: Raul Pompeia
Editora: Zahar
Onde comprar: Amazon | Americanas | Saraiva | Shoptime | Submarino


E no último dia do mês, é hora de fazer mais um post da Blogagem Coletiva da Liga Blogesfera. A Liga é um grupo no Facebook de interação para blogueiros, e todos os meses os membros votam sugestões de posts para a Blogagem Coletiva, da qual todo mundo pode participar. Como sou apaixonada por literatura brasileira, eu não podia deixar de participar da blogagem desse mês!


"Pretérito Imperfeito é a história de Toninho, o garoto de treze anos, de natureza inquisitiva, que prefere passar os dias observando passarinhos, refugiando-se, solitário, na clareira de um bosque nos limites da cidade. Também é sobre os dilemas de Cecília, a menina que adora ler e escrever, e que, ao lado da mãe, está confinada em sua própria casa, refém das atividades misteriosas em que o pai está envolvido. Por fim, é a história de Pedro Vieira, desde a infância em um sítio no Rio Grande do Sul, até a paternidade tardia, redentora, talvez, de um passado que ele prefere deixar escondido em uma caixa no alto do armário. Pretérito Imperfeito entrelaça essas três realidades distorcendo o tempo e o espaço. Falando do amor sofrido pela primeira vez. Do amor por livros e por escrever. Do amor entre pais e filhos. De segundas chances. De reescrever o final da história."

Autor: Gustavo Araujo
Gênero: Drama 
Número de páginas: 286
Local e data de publicação: Campo Grande - MS, 2015
Editora: Caligo
*Obra cedida pelo autor em formato digital.

"Catarina tem vinte e três anos e um blog em ascensão. Com isso, vive sua vida perfeita através das redes sociais. Viaja frequentemente para São Paulo em eventos, passa o dia abrindo recebidos e gravando com youtuber's famosos. Mas sua vida real por trás dessa imagem é uma verdadeira bagunça. Com um crush lixo e um crush tudo à sua volta, sempre faz as piores escolhas e precisa da ajuda de seus amigos excêntricos. Como toda garota, passou por diversos problemas durante a adolescência e sente isso refletir nela até hoje. Com a necessidade de morar em São Paulo se vê muito sozinha até que decide comprar uma penteadeira em um antiquário. Essa penteadeira trazia uma folha de um diário velho com uma história de amor muito mal resolvida. Com sua teimosia característica, Nina resolve descobrir quem são os personagens dessa história e mais uma vez se esquece de sua própria vida."

Autora: Carolina Ruedas
Gênero: Literatura brasileira
Número de páginas: 184
Informações adicionais: Obra cedida pela autora em formato digital.

"A rica narrativa de Cicatrizes na Parede se inicia com Enitan, um orgulhoso guerreiro yorubá, sequestrado com a sua família em 1830 nas savanas africanas, vendido como mercadoria no porto de Biafra e embarcado em um navio negreiro para cumprir a sua sina de escravo reprodutor em uma enorme senzala no Brasil, semeando de negros, pardos, mulatos e cafusos os vastos canaviais dos Campos dos Goytacazes, fertilizados com o sofrimento e o suor dos negros escravizados. Uma saga que se desenrola em condições brutais, baseada em pesquisas históricas, fatos reais ficcionados e fatos fictícios que traduzem a dura realidade do preconceito de cor e social até os tempos atuais, mostrando a trajetória dos negros em um caleidoscópio de personagens fortes e passagens marcantes, que levam o leitor a passear como privilegiado voyeur pelos bastidores dos solares, das senzalas, dos prostíbulos, do cárcere, da homossexualidade, da prostituição, da violência, das drogas e da aids, até os elegantes salões da sociedade campista, espelho de um Brasil colonizado com o trabalho e o sacrifício alheio.

Autor: Esdras Pereira
Ilustrações e capa: João de Oliveira
Gênero: Literatura brasileira
Número de páginas: 252
Local e data de publicação: Rio de Janeiro, 2016
Editora: Autografia
Informações adicionais: obra cedida pelo autor.



"Cinzas do Norte, terceiro romance de Milton Hatoum, é o relato de uma longa revolta e do esforço de compreendê-la. A revolta cabe a Raimundo, rebento raivoso de uma família cindida ao meio cuja vocação artística colide com os planos do pai; a tentativa de compreensão recai sobre Olavo, órfão industrioso que sobe na vida - se esse é o termo - à sombra imperial de Trajano Mattoso, pai de Mundo, comerciante rico, amigo de militares. O centro simbólico do livro não está, contudo, na Manaus de pós-guerra que vive os últimos dias da boa-vida extrativista e onde boa parte da ação se dá, mas rio abaixo, em Vila Amazônia, palacete junto a Parintins, sede de uma plantação de juta e pesadelo máximo de Mundo. Em sua luta renhida por escapar às ambições dinásticas do pai, Mundo distancia-se o quanto pode desse ponto-morto do romance, puxando o fio do enredo para o Rio de Janeiro, a Berlim e a Londres efervescentes da década de 1970. Advogado medíocre na cidade natal que o regime militar precipita em destruição vertiginosa, Lavo acompanha à distância os passos do amigo, recolhendo os reflexos do baile - para citar outro romance sobre os mesmos anos - que o "primo" artista lhe manda. O empenho de Lavo, depositário atônito de segredos alheios, redobra no plano da narrativa a tensão que o amigo provoca no âmbito do enredo. Mas nem todo o seu zelo bastaria para dar conta desse destino trágico: a seu próprio relato vêm se somar uma carta de seu tio Ran a Mundo e uma outra, que este último lhe deixa como legado. Cruzando-se ou desencontrando-se, as várias versões da história compõem um retrato estilhaçado tanto da vida familiar - em que o sangue e o afeto não falam a mesma língua - como da vida pública brasileira na era da opressão obtusa e da revolta sem corpo. Com Cinzas do Norte, Hatoum expande e aprofunda seu projeto ficcional, levando a sério e a cabo a injunção flaubertiana de escrever a 'história moral de sua geração'. O resultado é este belo romance, amargo e maduro."
Por: Samuel Titan Jr.

Autor: Milton Hatoum
Gênero: Literatura brasileira
Número de páginas: 311
Local e data de publicação: São Paulo, 2005
Editora: Companhia das Letras



Na última quarta-feira, dia 03, quem gosta de literatura brasileira foi surpreendido por uma notícia realmente boa: Lygia Fagundes Telles foi indicada ao Nobel de Literatura. A União Brasileira dos Escritores (UBE) encaminhou a indicação para a Academia Sueca, e no mesmo dia a notícia rapidamente se espalhou pela rede.
Ela foi escolhida pelos membros da UBE de forma unânime, e segundo Durval Noronha Goyos, presidente da instituição, "Lygia é a maior escritora brasileira viva e a qualidade de sua escrita é inquestionável".
Vários brasileiros já foram indicados ao Nobel de Literatura, entre eles Jorge Amado e Ariano Suassuna, mas nenhum foi premiado. Entretanto, nenhuma mulher brasileira foi indicada antes: Lygia é a primeira. Além disso, o português José Saramago foi o único escritor de Língua Portuguesa a receber a honraria.
O Prêmio Nobel é um conjunto de prêmios internacionais anuais em reconhecimento aos avanços culturais e/ou científicos, criado pelo inventor sueco Alfred Nobel. No campo da literatura, o prêmio é concedido desde 1901. Quem escolhe o escritor ou escritora a ser premiado(a) é a Academia Sueca, e esse é considerado o prêmio mais distinto que alguém pode receber na literatura.

Para saber mais sobre essa escritora brasileira, continue lendo esse post, e entenda por que eu fiquei tão empolgada ao saber da notícia:

Uma breve biografia


Lygia Fagundes Telles, nascida Lygia Azevedo Fagundes, nasceu em 19 de abril de 1923, em São Paulo, sendo a quarta filha de Durval de Azevedo Fagundes e Maria do Rosário Silva Jardim de Moura. Devido à profissão do pai, que era delegado e promotor público, ela passou a infância em cidades do interior. O sobrenome Telles, pelo qual ela é hoje em dia conhecida, vem de seu casamento com Goffredo da Silva Telles Jr. (1950). Não se sabe muito sobre este primeiro período de sua vida, até o momento de sua primeira publicação.
Erico Verissimo, com quem Lygia se correspondia.
Fonte: Reprodução. Releituras.
Seu primeiro livro foi publicado em 1938, quando ela tinha apenas quinze anos, e foi uma coletânea de contos intitulada Porão e Sobrado. Conta-se que aos dezoito anos, publicando novas obras, ela se correspondia por cartas com Erico Verissimo. Na mesma época, no ano de 1941, ela ingressou nocurso de Direito da Faculdade do largo de São Francisco, além de já ter concluído o curso de Educação Física na Escola Superior de Educação Física. Na época, a carreira de advocacia era considerada exclusivamente masculina (como muitas outras profissões foram durante muito tempo, e algumas ainda são hoje em dia). Com poucas mulheres na turma, ela enfrentou o sexismo dos colegas homens. Durante o curso, ela integrou a Academia de Letras da faculdade, escrevendo para os jornais Arcádia e A Balança. Ela trabalhava para seu próprio sustento e para pagar os estudos no Departamento Agrícola do Estado de São Paulo, e nessa época, conheceu Hilda Hilst, a poetisa que viria a ser sua melhor amiga.
Ela passou a assinar suas obras com o sobrenome do marido a partir de 1950, ano em que se casou com Goffredo da Silva Telles Jr., e mudou-se com ele para o Rio Janeiro, devido às obrigações de Goffredo como deputado federal. Seu único filho nasceu em 1954, chamado Goffredo da Silva Telles Neto. Neste ano, ela escreve seu primeiro romance, Ciranda de Pedra, que foi adaptado em forma de telenovela duas vezes pela Rede Globo. No ano de 1960, ela se separa do marido.

Passeata dos Cem Mil (1968).
Fonte: Reprodução. Joaquim Livros e Discos.
Pouco depois, no ano de 1968, ela mostrou sua consciência política. Esteve presente na Passeata dos Cem Mil, que juntou intelectuais, artistas e vários outros setores da sociedade brasileira, contra a Ditadura Militar.
No ano de 1970, Lygia recebeu o Grande Prêmio Internacional Feminino para Estrangeiros, na França, pele livro de contos Antes do Baile Verde, publicado no mesmo ano. Três anos depois, publica o romance As Meninas, ganhando o prêmio Coelho Neto, da Academia Brasileira de Letras; o prêmio Jabuti, da câmara Brasileira do Livro; e  o prêmio de ficção da Associação Paulista de Críticos de Arte.
Em 1982, foi eleita para a 28ª cadeira da Academia Brasileira de Letras. Em 1995, recebeu novamente o Prêmio Jabuti, dessa vez pelo livro Invenção e Memória. Em 2001, ainda recebeu o título de doutora honoris pela Universidade de Brasília. Recebeu, em 2005, o Prêmio Camões, pelo conjunto de sua obra.

Minha experiência de leitura:


O primeiro livro de Lygia Fagundes Telles que eu li foi a antologia Oito Contos de Amor, cujo próprio nome é auto-explicativo. Na época eu devia ter cerca de treze anos, e confesso que apenas duas histórias me chamaram a atenção. Mas só fui realmente conhecer a escrita de Lygia Fagundes Telles aos 16 anos, quando estava no Ensino Médio. Eu havia visto o remake da novela "Ciranda de Pedra", e ao encontrar o livro na biblioteca do colégio, decidi ler. Acabei descobrindo que a novela não era nem um pouco fiel à obra, mas isso não vem ao caso.
Mas a famosa biblioteca da escola, da qual eu falo com tanta frequência aqui no blog, foi a grande colaboradora para que eu descobrisse grandes escritores da literatura brasileira. Entre eles, Lygia não podia faltar. Depois de Ciranda de Pedra, li todos os livros de contos de Lygia aos quais tive acesso quase que compulsivamente. Eu nem precisava ler a sinopse para me interessar: bastava que o nome dela estivesse escrito na capa. Isso influenciou muito a minha vontade e ler e escrever contos, e continua influenciando até hoje, pois eu morro de vontade de comprar um exemplar de todos os livros que li naquela época.
Foram vários títulos: O Jardim Selvagem, Seminário dos Ratos, A Estrutura da Bolha de Sabão, Antes do Baile Verde. Todos continham histórias de grande importância para mim, muitas divertidas e inusitadas, algumas com grandes críticas sociais, outras refletindo sobre a condição feminina na sociedade, e outros que me deixaram chocada.

Livros de contos de Lygia Fagundes Telles.
Editora Companhia das Letras.

A escrita de Lygia Fagundes Telles é leve e sutil, do tipo que só se percebe as nuances com muita atenção. É ao mesmo tempo marcante, deixa determinado trecho em nossa memória, que ficamos sempre reexaminando.
Toda essa leitura contribuiu para o meu amadurecimento, tanto como leitora, quanto como escritora. Aprendi a valorizar mais a literatura brasileira, a gostar mais de ler e escrever contos, e também a analisar a sutileza do conto.
Minha admiração pela Lygia Fagundes Telles é tão grande que mal consigo expressar a felicidade que tive ao saber da indicação ao Nobel Literatura. Eu espero, com toda a sinceridade, que ela seja premiada, projetando assim a literatura brasileira pelo mundo, e também a literatura feita por mulheres, que merece grande reconhecimento.

Indicação


De forma paralela a esse post, gravei um vídeo para o meu canal indicando o conto Antes do baile verde, que deu origem ao livro de mesmo nome:



Por: Lethycia Dias.

Referências Bibliográficas
CASARIN, Rodrigo. Lygia Fagundes Telles é indicada ao Nobel de Literatura. Blog página cinco. Uol Entretenimento. Disponível em: <http://paginacinco.blogosfera.uol.com.br/2016/02/03/lygia-fagundes-telles-e-indicada-ao-nobel-de-literatura/>. Acesso em: 06 de fevereiro de 2016.
BEZERRA, Elvia. ALMEIDA, Elizama de. Lygia Fagundes Telles indicada ao Nobel. Blog do IMS. Disponível em: <http://www.blogdoims.com.br/ims/lygia-fagundes-telles-nobel>. Acesso em: 06 de fevereiro de 2016.
Lygia Fagundes Telles. Wikipédia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Lygia_Fagundes_Telles>. Acesso em: 06 de fevereiro de 2016.
Nobel de Literatura. Wikipédia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Nobel_de_Literatura>. Acesso em: 06 de fevereiro de 2016.
Prêmio Nobel. Wikipédia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Pr%C3%A9mio_Nobel>. Acesso em: 06 de fevereiro de 2016.
SARMENTO, Luciana. HuffPost Brasil. Disponível em: <http://www.brasilpost.com.br/2016/02/03/lygia-fagundes-telles-nobel-literatura_n_9151564.html>. Acesso em: 06 de fevereiro de 2016.

"É após a morte que Brás Cubas decide narrar suas memórias. Nesta condição, nada pode suavizar seu ponto de vista irônico e mordaz sobre uma sociedade em que as instituições se baseiam na hipocrisia. O casamento, o adultério, os comportamentos individuais e sociais não escapam à sua visão aguda e implacável, nesta obra fundamental de Machado de Assis."




Autor: Machado de Assis
Gênero: Romance
Número de páginas: 125
Local de data de publicação: Editorial Lord Cochrane S. A., Chile, 1998.
Editora: América do Sul LDA.


Irônico, engraçado, devastador


"Ao verme que primeiro roeu 
as frias carnes do meu cadáver
dedico como saudosa lembrança
estas memórias póstumas"

Fico tentando imaginar quanto espanto tal dedicatória deve ter causado no fim do século XXI, seja quando publicado em forma de folhetim, na Revista Brasileira, em 1880, seja quando publicado realmente em forma de livro, no ano seguinte. O fato é que Memórias Póstumas de Brás Cubas é considerado uma obra inovadora, que introduziu o realismo na literatura brasileira, e alguns críticos até afirmam que precedeu algumas caraterísticas do realismo fantástico, chegando a denominá-lo "a primeira narrativa fantástica do Brasil". E tudo isso porque Brás Cubas, o narrador-personagem do livro, é nada mais nada menos que um homem morto. Ele nos anuncia, desde o princípio, que escreve diretamente do além, e mais: começa a história não pelo seu nascimento, mas por sua morte. Essas são as inovações que fazem deste livro dos mais conhecidos de Machado de Assis, obra indicada para vestibulares e clássico da literatura brasileira.
Não há muito o que falar sobre o enredo sem dar spoiler's, mas como o próprio título já diz, trata-se de um livro de memórias. Aqui, o personagem Brás Cubas nos conta de sua morte, voltando aos seus últimos tempos de vida, até que no capítulo 9 (Transição) anuncia que vai nos falar sobre seu nascimento. Assim, a narrativa retoma o tempo cronológico. Nós acompanhamos o nascimento e os primeiros anos de infância de Brás Cubas, e até uma explicação sobre a origem de seu nome. Logo, a narrativa pula para sua juventude, estudos, relacionamentos amorosos, e se prolonga por quase todo o livro em sua vida adulta. Brás nasce em 1805, época em que o Brasil ainda era colônia de Portugal, e morre em 1869, durante o período do Segundo Reinado. Embora a narração não dê muitas explicações sobre a profissão de seu pai, nós logo percebemos que a família Cubas pertence ao pequeno grupo de pessoas privilegiadas socialmente na época: um de seus tios foi oficial da infantaria, enquanto o outro é cônego; a família possui certa quantidade de terras (uma chácara), e escravos. Vale lembrar que a escravidão só foi abolida no Brasil oito anos depois da primeira publicação dessa história.

"[...] o relógio é definitivo e perpétuo;
o derradeiro homem, ao despedir-se do sol frio e gasto,
há de ter um relógio na algibeira, para saber a hora exata em que morre."

Narrado em primeira pessoa pelo próprio Brás Cubas, o livro é dividido em capítulos de tamanho variado, mas em geral curtos. As vezes, tão curtos que uma só página chega a conter dois capítulos inteiros e o início de um terceiro. Em outras vezes, Machado, em seu estilo um tanto incomum, inicia um capítulo sem texto algum, que nós faz avançar para o próximo. Outras vezes, nos manda pular trechos, como no capítulo 7 (Delírio): "Que me conste, ainda ninguém relatou o seu próprio delírio; faça-o eu, e a ciência mo agradecerá. Se o leitor não é dado à contemplação destes fenômenos mentais, pode saltar o capítulo; vá direto à narração.". Tudo isso é característico da escrita de Machado, que você talvez já conheça se tiver lido Dom Casmurro.
A linguagem é formal e rebuscada, cheia de palavras e expressões que já se tornaram obsoletas, mas isso é normal em um livro escrito há mais de cem anos. Um leitor acostumado com literatura moderna, sobretudo literatura voltada para jovens, pode se incomodar ou ficar confuso com isso, mas creio que procurar por uma adaptação resolva o problema; insistir na leitura e usar um dicionário também é uma boa opção.
O estilo é realista, devido ao uso de ironia e pessimismo para criticar a sociedade. Um bom exemplo disso é quando Brás nos conta sobre seus estudos na Universidade de Coimbra, em Portugal, pagos por seu pai e realizados por insistência do progenitor, que ele não levou muito a sério. Na época, era comum que as famílias mais ricas enviassem os filhos (apenas os homens, é claro) para estudar na Europa. Machado de Assis, nascido em família pobre, nunca frequentou universidade. Outra grande crítica é contra a necessidade de manter uma boa reputação perante a alta sociedade; em vários momentos, percebemos o quanto isso é importante para a personagem Virgília, e Brás Cubas se queixa abertamente disso.
A leitura foi demorada, porém muito divertida. Eu já tinha lido Memórias Póstumas de Brás Cubas quando tinha quinze anos, e essa na verdade foi uma releitura. Foi importante para que eu mudasse um pouco minha opinião sobre os romances de Machado, pois apesar de adorar os contos dele, eu tinha certa resistência aos romances (talvez pelo fato de ter lido Helena, uma obra não muito madura, ou por ser também muito nova quando li Dom Casmurro e não ter compreendido bem).
Recomendo a leitura para vestibulandos, para quem pretende conhecer obras de Machado de Assis ou do realismo brasileiro, para quem gosta de clássicos, e para quem pretende conhecer melhor a literatura brasileira do século XIX.

Aspectos positivos: caráter inovador; capítulos curtos incentivam a continuar lendo; presença de críticas sociais; uso de ironia.
Aspectos negativos: a linguagem rebuscada pode confundir o leitor.

Há alguns dias, postei como status no Facebook o seguinte texto:




O que me motivou a escrever algo assim foi que eu havia acabado de me dar conta do quanto a literatura brasileira se tornou diversificada. Sempre admirei escritores brasileiros. Eu lia os clássicos, porque só tinha acesso aos livros deles. Assim, curti muito Machado, Alencar, Lima Barreto, Manuel Bandeira, Vinicius de Moraes, Cecília Meireles, Rachel de Queiroz, Erico Verissimo, entre outros. Raramente chegava até mim algo recente, algo escrito por alguém ainda vivo (estes seriam Jô Soares, Paulo Coelho, Pedro Bandeira).
Fiquei assim, explorando os nomes mais citados nos livros de Língua Portuguesa, e ignorando que surgia toda uma geração de escritores novos. Escritores e escritoras jovens, que vieram para quebrar tabus, romper com o estigma da literatura brasileira. Se achávamos que no Brasil não havia fantasia, vieram Renata Ventura, FML Pepper, Rafael Draccon e Eduardo Spohr com suas histórias fantásticas que conquistaram legiões de fãs. Achávamos que não existiam distopias, e surgiu Dêner B. Lopes, com Cidades-Mortas. Achávamos que faltavam relatos polêmicos, e Gustavo Magnani publicou seu primeiro livro, Ovelha - Memórias de um pastor gay. Achávamos que não havia bons livros com reflexões e pensamentos voltados para jovens, e surgiu Bruna Vieria com A Menina que Colecionava Borboletas. Achávamos que faltava terror e suspense, e veio André Vianco desmentindo nossa falta de conhecimento.
E com certeza, muitos outros devem existir. Muitos outros que cresceram rodeados de livros, e que um dia decidiram escrever as histórias com as quais sempre sonharam. Dizem que se você ainda não leu uma história que considerou maravilhosa, então você mesmo deve escrevê-la. Pois bem: eu acredito que eles tenham feito isso!
Mas vamos ao que interessa: naquele dia, o que me motivou a escrever 4 parágrafos tão convictos sobre o quão maravilhosos podem ser os livros escritos por brasileiros, foi que tive a oportunidade de ler a sinopse de um livro recém-lançado por uma jovem escritora que conheci através do Facebook.
Ah, como é maravilhosa a tecnologia! Você pode se comunicar, sem mais nem menos, com uma pessoa que está em outro continente. E pode se conectar com milhões de pessoas que se interessam pelas mesmas coisas que você. Foi assim que conheci Dêner B. Lopes, e vários outros escritores dessa geração jovem. Em um grupo de jovens escritores, vi a comemoração de uma garota dizendo que seu livro Onde as nuvens fazem sombra havia sido lançado na noite anterior. Cliquei no link indicado por ela para obter mais informações sobre o livro, e me deparei com uma pequena maravilha.
O link leva ao blog Jaula para dois, totalmente dedicado ao livro recém-lançado, e traz informações sobre a história em si, os personagens e os locais descritos no livro. Entrando em contato com a autora (descaradamente, enviei-lhe um pedido de amizade), tive acesso à sinopse, que me surpreendeu e me conquistou. Leiam abaixo, e vocês vão entender do que estou falando:




"A época de estiagem em Bazalta, pequena vila brotada no meio de um sertão esquecido, tem perdurado há duas décadas. Quando finalmente, porém, a tão esperada chuva começa e persiste através dos meses, os brios no vilarejo se exaltam, principalmente na pequena casa que abriga a família Manarca. Composta pela matriarca, seus cinco filhos e uma nora, os Manarca veem se intensificarem seus medos e ânsias ao passo que a chuva insiste sobre suas cabeças. Contíguo ao mau tempo cai sobre seu teto a iminente loucura da mãe Vitória, que insiste em premonizar pragas; a doença de Itálio, um de seus filhos que, desde feito viúvo, diz ter contraído o Mal do Desamor; e o desaparecimento de Germano, outro filho, corrido de Bazalta em busca do sol escondido e de respostas para seus mistérios juvenis. Enquanto sofrem seus pesadelos pessoais, participam do desenrolar de uma lenda muito contada no lugar, sobre o primeiro ser criado por Deus, dito O Homem, guardião das sete chaves do purgatório e que, ao desgostar o Criador introduzindo entre Suas outras criaturas o pecado original, fora expulso do paraíso e condenado a andar para sempre por aqueles lados inacabados do mundo, esquecido por Ele como os filhos de Bazalta se diziam.
'Onde as nuvens fazem sombra' fala da existência humana apesar das adversidades, da nossa dificuldade em aceitar mudanças, e como essas podem abalar nossa sanidade ou nos tornar guerreiros mais fortes. É uma narrativa leve e rápida, concentrada nos desastres do dia-a-dia dos personagens."


Muito entusiasmada, corri para conversar via bate-papo com Letícia Copatti Dogenski, e lhe falei do quanto estava interessada em seu livro, apenas lendo a sinopse. Falei que o enredo, a cidade perdida no nada, a chuva incessante, o "Mal do Desamor", me faziam lembrar muito das histórias de Gabriel García Márquez, vencedor do Nobel de Literatura que morreu há um ano. Muito agradecida pelos elogios, ela me disse que havia se inspirado na obra dele, o que me deu uma vontade imensa de reler Cem Anos de Solidão!
E lá estava eu, uma leitora esperançosa, contente por ter feito uma incrível descoberta literária. Eu podia sorrir feliz, acreditando que a literatura brasileira era mesmo tão boa quanto sempre acreditei. Mesmo sem ter ainda lido Onde as nuvens fazem sombra, naquele momento eu tive certeza de que estava frente a frente com algo maravilhoso, algo que, quando lido, poderia me render horas de encantamento, aquela maravilhosa sensação que só um livro muito bom pode nos dar.
Ainda no blog da jovem autora, soube que Leticia teria uma entrevista transmitida na TV Câmara, no dia 27 de agosto (amanhã), a partir das 9h15min. Só espero poder assistir à transmissão on-line!


Informações sobre a autora:
Letícia preparou no próprio blog um post específico para divulgar seus contatos, para quem estivesse interessado, e achei interessante reproduzi-los aqui.



Além disso, acessei o link para compra do livro que ela mesma fornecia (já estou planejando comprá-lo assim que puder), e vou deixá-lo disponível para vocês:



Eu sempre fui apaixonada por literatura brasileira, e acredito que estamos vivendo uma fase muito boa, repleta de criatividade e inovações, em que escritores jovens deixam transbordar toda a inspiração e influências que receberam através de anos de leitura apaixonada. Enfim, se depender destes jovens com quem tenho conversado pelas redes sociais, continuaremos muito bem!

Por: Lethycia Dias

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