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Casos de Leitora: 20 | O livro que eu perdi e recuperei

Quem me conhece pessoalmente ou me acompanha pelo Instagram sabe que recentemente eu passei por uma coisa muito chata que foi ter perdido meu exemplar de A desumanização. No dia em que aconteceu, eu publiquei isso nos meus stories:

Imagens compartilhadas no meu InstaStories.

Aquilo me deixou transtornada. Fazia dois dias que eu estava lendo o livro, como parte do projeto Viajante literária, do blog Leituras e gatices, e estava experimentando um misto de emoções com aquela história, quase saboreando a escolha sensível de palavras feita por Valter Hugo Mãe em sua narrativa. E então, por um descuido, eu havia perdido meu livro!
Naquele dia, eu tinha que entregar a reprodução de uma notícia para a aula de Jornalismo Político. Como não tenho impressora em casa, tinha de imprimir o trabalho na faculdade, em uma das muitas copiadoras espalhadas pelo campus da UFG. Fiz isso na copiadora da Faculdade de Letras, onde eu gosto de imprimir meus trabalhos por achar que os atendentes são mais simpáticos. Logo depois, passei rapidamente pela Faculdade de Informação e Comunicação (FIC), que é o departamento ao qual pertence o meu curso. Menos de cinco minutos depois, me dirigi ao Centro de Aulas Caraíba, onde acontecia minha aula daquela sexta-feira.
Cheguei à sala, deixei a mochila na carteira onde eu pretendia me sentar, fui ao banheiro, e ao voltar procurei pelo livro na minha mochila. Não estava lá. Revirei todos os bolsos, várias vezes. Não estava. Eu só podia ter esquecido no balcão da copiadora. Saí do prédio correndo, de volta à Faculdade de Letras. Subi as escadas correndo, pedi licença várias vezes em meio à fila de pessoas que esperavam para tirar cópia de seus textos ou imprimir seus trabalhos. Chamei um dos atendentes, expliquei que estivera ali havia menos de meia hora, que havia esquecido um livro, será alguém tinha encontrado? Não, eles não tinham visto nada, sinto muito. Fui embora, desolada.
Mal consegui prestar atenção na aula, embora o assunto me interessasse muito. No intervalo voltei novamente à copiadora, e nada. Refiz meus passos, fiz perguntas também na FIC, pois àquela altura eu já não tinha certeza de onde poderia ter perdido meu livro. Ninguém tinha visto nada. Eu também já tinha enviado a foto do livro e um pedido de devolução em diferentes redes sociais: o grupo da minha turma no WhatsApp, duas páginas não-oficiais da UFG no Facebook, um perfil no Instagram que realiza o serviço de Achados e perdidos. Ninguém sabia. Nada. Só algumas pessoas que me conhecem comentavam, torcendo para que eu encontrasse.
Fui embora sem meu livro. Estava quase chorando. Levo meus livros para todo lugar, seja a sala de espera do médico ou a casa de um parente, e isso nunca havia acontecido. Num dia, me distraí um pouco, e pronto! Eu já tinha concluído que o livro havia sido pego por alguém que foi atendido na copiadora logo depois de mim, porque eu voltara em pouco tempo e não conseguira encontrá-lo.
Mas eu não desistira. No domingo à noite, fiz em casa um cartaz com a foto do meu livro e meus contatos, pedindo que quem o encontrou devolvesse. Na segunda de manhã, colei o cartaz na parede da copiadora, ao lado do computador onde eu conectara meu pen-drive para imprimir minha notícia na sexta-feira. A pessoa voltaria ali para imprimir ou copiar qualquer outra coisa, veria que eu estava desesperada atrás do meu livro que ela pegara, e perceberia que eu estava sentindo falta dele.
Fiquei ansiosa durante aquele dia e os próximos, mas nada acontecia. Nenhuma ligação, nenhuma mensagem, nenhuma menção em comentários nas redes sociais, nenhum e-mail. Na próxima sexta, eu me convenci de que não teria meu livro de volta. Afinal, nos Achados e Perdidos as pessoas deixam chaves, documentos, carteirinhas da biblioteca. Coisas que não têm utilidade para elas. Mas tem gente que encontra carteiras com dinheiro e rouba o dinheiro, deixando a carteira no lugar onde achou, não é mesmo? Então eu podia muito bem ter dado o azar de meu livro ter sido encontrado por alguém que ama ler tanto quanto eu, e é claro que essa pessoa não devolveria meu livro. Já fazia uma semana. De novo, tive uma sexta-feira triste e não participei da aula, embora as discussões fossem muito interessantes.
A vida devia seguir, não é. Era só um livro, eu podia comprar outro. Era só um livro, eu tinha quase 300 em casa. Mas não era. Era o meu livro, que tinha meu nome escrito, que eu manuseara com carinho, que estava fazendo parte do meu dia-a-dia, que tinha os post-it's marcando as partes que me tocaram. Era uma coisa com valor sentimental. Minha leitura fora interrompida bruscamente, e eu não conseguia me conformar com isso. A ideia de comprar outro e começar de novo não parecia uma solução. Era como se outro exemplar não pudesse ser como o meu A desumanização.
Resolvi esquecer. Como é que dizem? Aceita que dói menos. Eu que aprendesse a tomar mais cuidado com as minhas coisas, se não quisesse que acontecesse de novo. Seria melhor mesmo comprar outro, e rápido, afinal, o livro era da Cosac Naify, e logo todos os exemplares da Amazon vão acabar. Eu começava a pensar nisso como uma coisa que devia fazer no próximo mês, assim que tivesse dinheiro.
No dia 31 de março, antes da minha aula começar, passei cerca de meia hora lendo num banco do pátio da Faculdade de Letras. Eu gostava não só da simpatia dos atendentes da copiadora, mas também do ambiente daquele pátio com banquinhos de madeira e mesas de ferro fundido. Uma secreta vontade de estudar naquele prédio? Talvez. Fiquei ali com Anna Kariênina sobre o colo, observando a porta da sala da copiadora que ainda não fora aberta. Eu tinha ainda uma pequena esperança, embora não gostasse de admitir, de que o meu livro voltasse para mim de alguma forma. Em momentos de maior tristeza, chegava a imaginar que o livro fora encontrado por alguém que me conhecia, e que o estava guardando para fazer uma espécie de brincadeira de mau-gosto, que de repente essa pessoa me procuraria para dizer: "Está comigo!". Ah, que imaginação fértil!
Estava tendo um dia ruim, me sentindo sozinha e amarga. Fiquei calada a maior parte do tempo durante a aula, falando só o necessário. "Bom dia", "Bom dia". "Tudo bem?", Tudo bem". Quase fui às lágrimas quando o professor me perguntou que dificuldades eu tivera para fazer uma análise da conjuntura nacional, considerando tudo que vem acontecendo atualmente na política brasileira. "Entender o que está acontecendo", eu disse, quase engasgada. E todos me olhando. Mas todo mundo tinha feito, quem era eu pra dizer que não tinha conseguido?
Por volta das onze, olhei para o meu celular, correndo o risco de ter a luzinha vermelha do professor apontada para mim, como outros alunos que são flagrados com o celular na mão. Havia uma mensagem de um número desconhecido. Uma mensagem rápida, simples, sem pontuação, enviada por alguém com uma foto de casal.

"Bom dia seu livro está na coordenação da letras"

Meu coração disparou. Eu não acreditava. Meu cartaz havia funcionado, alguém estava devolvendo meu livro. Ah, mas faltava tanto tempo para a aula abacar! Comecei a mexer os pés, é um tique que aprendi com meu pai, que também faz isso. Mas eu faço quando estou ansiosa. Quarenta minutos até a aula acabar, e faltava tanto! Mas alguma coisa podia acontecer, a coordenação podia fechar às 11h 40 min, alguém podia ver o livro à vista e se dizer dona(o) dele e pegá-lo no meu lugar. Loucura ou não, esse pensamento me preocupou.
Juntei todas as minhas coisas na mochila, me aproximei da mesa na frente da sala, ao lado de onde o professor, de pé, respondia a uma pergunta. Com a mão trêmula, quase me atrapalhei para depositar minha notícia daquela semana sobre a mesa. Tentando ser o mais discreta possível, saí apressada, ganhei o corredor, corre escada abaixo, pelos cantos, o som dos meus passos ecoando.
Ao sair do prédio, atravessei depressa a faixa de pedestres, corri em linha reta pelo estacionamento e por uma área gramada, ao invés de ir pela passarela, por onde todos passavam normalmente. Ia pelo sol, num caminho que não agradava a ninguém. No prédio da Faculdade de Letras, não corri, mas andei apressada. Um conhecido que me viu, perguntou aonde eu ia com tanta pressa, e nem me dei o trabalho de responder. Subi um pequeno lance de escadas, atravessei um corredor que levava ao prédio anexo, onde ficava a coordenação. Subi mais um lance de escadas, dessa vez quase caindo. Na coordenação, me informaram que meu livro fora levado à sala de leitura, no andar de baixo. Desci, novamente quase caindo. Na sala de leitura, um rapaz buscou meu livro dentro de um armário e me entregou.
Eu mal podia acreditar que estava tendo de volta um objeto tão querido, uma coisa que eu acreditava que nunca teria de volta. Me sentei no chão do lado de fora, e fiquei folheando meu exemplar recuperado de A desumanização. E marcador de páginas e a cartela de post-it's quase vazia que eu tinha deixado dentro dele não estava mais lá, e alguém havia escrito meu número de matrícula numa das páginas iniciais, abaixo do meu nome. Como alguém havia descoberto aquele número? Não sei dizer.
Saí da Faculdade de Letras com o livro bem guardado na mochila, ouvindo a Rádio Interativa nos meus fones de ouvido e acreditando levar comigo um segredo enorme, o segredo da alegria de ter recuperado um objeto querido e de ter visto meu dia mudar de ruim para maravilhoso, em questão de minutos.
Eu era uma nova Lethycia naquela sexta-feita, 31 de abril, por volta depois das 11 horas.

Por: Lethycia Dias

Casos de Leitora: observar quem lê no ônibus

Seja bem-vindo ao Loucura Por Leituras, e hoje você está conferindo mais um dos meus Casos de Leitora! Essa foi uma das primeiras colunas que criei aqui no blog, e é onde compartilho com vocês algumas histórias que aconteceram comigo exclusivamente por causa da leitura e do amor pelos livros. Procuro escrever essa história em forma de crônicas, ou seja, textos leves e rápidos, divertidos de se ler. Continue lendo para entender melhor!


É interessante como algumas reflexões surgem dos momentos mais inusitados. Elas parecem estar rondando nossa mente, à espreita, há muito tempo, até que surja o momento em que a tal reflexão julga adequado realizar um pouso emergência sobre o terreno pensante. É quando ela toma conta de tudo, tornando-se urgente, assumindo uma importância que em outra ocasião não pertenceria a ela.
Segunda-feira, 27 de junho de 2016. Aula de Produção de Texto Jornalístico II, fim do intervalo. Na sala de reuniões do Laboratório da Comunicação, enquanto a maior parte da turma ainda não voltou para a apresentação dos seminários, e eu e a Profª Angelita Lima conversamos. A conversa toma um rumo inesperado, e ela me pergunta se já li o Número zero, de Umberto Eco. Digo que não, por não haver outra resposta. Mas o livro estava na lista de leitura, alguma dia eu leria Umberto Eco, etc. Talvez ela tenha pensado que nesse momento eu estava tentando impressioná-la.
A Profª Angelita faz um breve resumo do livro: redatores que se reúnem com a intenção de criar um jornal com objetivo de manipular completamente o público, em todos os sentidos. Desde o planejamento, todos estavam cientes de que tal jornal não teria a intenção de informar, e toda a atuação e o trabalho em torno da realização deste trabalho giraria em torno do objetivo principal: a difamação, a mentira e o conteúdo duvidoso.
Já havíamos estudado os Padrões de manipulação na grande imprensa, no livro homônimo do jornalista brasileiro Perseu Abramo. Com aquela pequena exposição de minha professora, eu vislumbrava os padrões de manipulação do início ao fim, em um livro literário de um escritor consagrado mundialmente. Tive vontade de dizer a ela que a partir desse momento, o livro ganhava destaque na minha lista de desejados e subia vertiginosamente, alcançando altas posições de desejo consumista.
Os outros alunos iam chegando, aos poucos, e se deparando com aquela conversa no fim, da qual sinceramente não me lembro nem da metade. A aula foi retomada, e durante as quase duas horas que se seguiram, eu tive outras coisas para me concentrar. Entretanto, mais tarde, aquela menção à minha lista de desejos voltou ao meu pensamento.
Estamos falando de uma lista que não existe de forma física, pois há muito tempo já desisti de anotar todos os livros que desejo ler. E apesar disso, eu a imagino como um longo catálogo de futuras leituras, no qual os livros estão organizados de acordo com a forma que seu conteúdo me atrai. Devem existir critérios que façam com que um livro seja mais desejado do que outro, e considerado mais ou menos urgente. A forma que foi escrito, as recomendações que já recebi, o assunto abordado, a própria fama do autor... E de acordo com o momento que vivo e com a minha atual maturidade de leitura, os critérios devem ser reavaliados, fazendo com que certo título alcance uma posição privilegiada na lista, se sobressaindo aos demais. É então que a minha vontade de ler tal livro torna-se urgente, o desejo torna-se consciente, e digo a mim mesma: "Eu preciso ler!" De uma hora pra outra, o extenso conjunto de futuras leituras, elaborado em algum recanto do meu subconsciente, ganha vida própria.
Por vezes, um livro do qual ouvi falar há muito tempo, e do qual já estava completamente esquecida, salta à superfície. A lembrança é desperta... Pelo quê? Eu não saberia dizer em todas as ocasiões. Mas aquela antiga vontade de leitura retorna à mente, aquela avidez por conhecer. O título estava em algum lugar profundo, oculto por inúmeros pensamentos de outras importâncias, até o momento em que decidiu vir à tona.  Abram alas! Será está minha nova aquisição! É com este que a coleção será ampliada!
Em outros momentos, a classificação que eu mesma não compreendo bem volta a ser inconsciente. Sigo acreditando que meus desejos urgentes dizem respeito apenas aos títulos que possuo em casa e àqueles que planejo comprar no próximo mês. Os livros de anos atrás, as recomendações feitas por professores, amigos, blogueiros e youtuber's desaparecem, para que eu acredite que não estão lá. Por quanto tempo? Impossível saber.
Quem haverá de compreender as impulsos de uma leitora como eu?

Por: Lethycia Dias


Sábado, 14 de maio, 11 horas da manhã em um terminal de ônibus qualquer em Goiânia. Eu me dirigia para a Rádio Universitária, pois participo de um programa feito exclusivamente por estudantes supervisionados por uma professora. Gosto de participar do programa. Embora aconteça nos sábados à tarde, é uma coisa que gosto de fazer e com a qual me divirto muito.

Fonte: Reprodução. Por uma leitura melhor.

Vida de leitor não é fácil. É preciso decidir qual livro será lido na semana que vem; monitorar as promoções das livrarias; pensar se prefere comprar um livro mais caro que deseja muito; ou vários que custam pouco; organizar a estante que vai ficando cheia; e ainda estudar, trabalhar, ou fazer as duas coisas.



Em um post muito antigo sobre os tipos de leitor, eu classifiquei o Leitor Consumista, que é aquele que sempre compra livros, ou quando compra, é sempre em grande quantidade. Só lembrando que é um post de humor, eu nunca me encaixei nessa classificação. Sempre comprei pouco, e só de vez em quando. Mas no fim desde o fim do ano passado, e agora no início desse ano, vem acontecendo uma coisa muito estranha: estou querendo comprar cada vez mais!
Esse ano, foi a primeira vez que fiz uma compra durante a Black Friday. Você pode considerar que foi uma compra moderada, mas para mim foi muito, porque como eu já disse, costumo comprar livros novos só de vez em quando. Os escolhidos foram esses aqui, e não eram nem metade da minha lista de prioridades:

Livros comprados na Black Friday de 2015.

Algumas semanas se passaram, e eu fui controlando meu impulso de compras. Tive que deixar vários títulos para depois, porque estava com pouco dinheiro, e também porque já tinha outras coisas importantes para comprar. Mas os três primeiros volumes da saga do Harry Potter e o box de Os Miseráveis da extinta editora Cosac Naify me renderam uma conta em duas parcelas no cartão de crédito da minha mãe.
Porém, no natal eu não ganhei o meu tão esperado exemplar em capa dura de Contos de Imaginação e Mistério, do Edgar Allan Poe. E do dia 30 de dezembro, quando precisei sair para comprar algumas coisas no centro de Goiânia, eis que a tentação me pegou!
A rua 4, perto de onde eu estava andando, é repleta de sebos. Eu não resisti, e acabei entrando em alguns. Voltei para casa com setenta reais a menos e levando isso:

Compras feitas em sebos no dia 30/12/2015.
Eu não pude resistir quando surgiu a oportunidade de ter o meu primeiro livro do Stephen King, pois estou muito curiosa para conhecer as obras dele. E quando encontrei Olhai os Lírios do Campo; O Resto é Silêncio; Gabriela, Cravo e Canela; e Terras do Sem Fim com ótimos preços. também não me segurei! Eu queria reler todos, e aproveitei!
Depois fiquei me perguntando se não foi um erro ter comprado tantos livros num dia só, sendo que eu nem tinha saído para comprar livros. O que está feito está feito, e mesmo se eu tentasse vendê-los de volta, não recuperaria o mesmo valor que gastei. Mas fiquei preocupada.
Agora, no início de janeiro, quase fiz a loucura de comprar mais dois livros: Toda Luz Que Não Podemos Ver, e O Sol é Para Todos, que estou louca para ler! Ambos juntos somam R$ 50,00 na Saraiva. Por enquanto, estou resistindo.
Tive que comprar também, para a faculdade, um exemplar usado de Introdução à Análise da Imagem, pela Estante Virtual. Só por curiosidade, fui pesquisar alguns títulos que me interessam, e quase fiquei louca com os preços baixíssimos (que continuam bem baixos, mesmo acrescentando o frete). E para completar, o facebook tem feito anúncios muito inteligentes baseados nas minhas pesquisas feitas no Buscapé. Está difícil me controlar!
Entendam, eu não acho ruim comprar. Na verdade, adoro. Mas é aí que está o perigo, pois tenho coisas mais urgentes para fazer com meu dinheiro, que é pouco. Todo mundo precisa aprender a administrar bem o próprio dinheiro, para evitar dívidas e gastos desnecessários. Eu sempre fui uma pessoa muito controlada com meu próprio dinheiro, economizava durante meses, chegava a fazer empréstimos para minha mãe, e sempre conseguia fazer algo útil quando resolvia gastar.
É óbvio que meus livros são importantes e úteis para mim, mas eu tenho muito mais o que fazer com meu dinheiro. Só espero que essa loucura consumista passe, e que eu volte a ser a pessoa controlada de antes.

Por: Lethycia Dias


Cinco anos atrás, quando eu era uma adolescente que não precisava fazer muito esforço para tirar notas altas na escola e tinha muito tempo de sobra, comecei a sofrer de insônia. Na época, esse não era um problema tão grande. Eu tinha só 13 anos, estava na sétima série, e aquilo não era um problema tão grande. Eu apenas não gostava de permanecer acordada enquanto todo mundo estava dormindo, e para me ocupar madrugada adentro, eu lia. Acendia a luz e, deitada na minha cama, lia até sentir sono suficiente para poder enfim dormir. Eu me lembro de ter lido A menina que roubava livros, um volume de 500 páginas, em cerca de cinco dias. E isso não atrapalhava meus estudos, não me deixava cansada, não prejudicava meu dia-a-dia. Me deixava feliz, e meu registro na biblioteca da escola contava com uma longa lista de empréstimos.
Hoje, aos 18, estudo numa Universidade Federal que me exige muita dedicação e esforço. Preciso fazer muitas leituras, e agora estou fazendo disciplinas práticas, para as quais tenho que produzir todas as semanas. Estou participando de um programa de rádio, que compromete meus sábados. Realizo trabalhos voluntários no centro espírita que frequento, o Centro Espírita Doutor Marcelo. Além disso, sou uma pessoa como qualquer outra, e tenho namorado e família, que também geram compromissos. Logo, hoje tenho muito mais responsabilidades do que naquela época.
Continuo tendo insônia. A diferença é que nos últimos cinco anos já procurei diversos métodos diferentes para tentar dormir mais rápido, já não dá mais pra ficar uma ou duas horas lendo no meio da madrugada. Apesar de nunca ter procurado um médico para tentar descobrir a razão do problema (ansiedade? Distúrbios do sono? Preocupação? Estresse?), tenho alguns métodos genéricos, como ouvir música e acender um incenso, para relaxar. E faço isso, porque já não posso abrir mão das minhas preciosas horas de sono. A vida já não é como aos 13 anos, e eu faço inúmeras coisas durante um só dia. Acordo muito cedo, e sempre vou dormir mais tarde do que devia. Por isso, cada minuto de descanso é precioso, e a insônia hoje é uma das minhas grandes inimigas.

A grande quantidade de obrigações e responsabilidades que tenho hoje nem pode ser comparada àquelas que eu tinha cinco anos atrás. Naquela época, eu só precisava ir ao colégio de tarde, e ir ao curso de espanhol duas vezes por semana de manhã. Eu não tinha dificuldades nem na escola e nem no curso, e tinha muito tempo livre. Por isso, naquela época eu conseguia ler dois livros pequenos por semana, e deixava a bibliotecária da escola "doida" quando ela me dava uma indicação e leitura, e eu respondia "Já li esse". Foi por isso que naquela época eu contribuí para que minha turma fosse premiada na gincana do ano como a turma que pegava mais livros emprestados. E é claro, foi por isso que eu fiquei conhecida como a "devoradora de livros".
Hoje, com todos os meus compromissos, as exigências da faculdade, a leitura de textos acadêmicos, os fichamentos, a produção de textos jornalísticos e roteiros de rádio, os passeios com o namorado e os compromissos comuns em família, eu não consigo manter o mesmo ritmo de antes. Ler de madrugada se tornou impossível!
Para falar a verdade, quando eu mais leio é dentro do ônibus, a caminho da faculdade ou de qualquer outro lugar para onde eu tenha que ir. Já falei isso em vários outros posts por aqui, e quem acompanha o blog deve se lembrar.
Eu costumo anotar todos os livros em listas anuais, para não esquecer. Olhando as listas mais antigas, notei que algumas contém duas páginas preenchidas na frente e no verso. Comparei com a lista do ano de 2015, e notei a diferença. Essa tem apenas uma página, com algumas linhas em branco no lado da frente.
Bom, é claro que sei minhas responsabilidades atuais contribuem para o meu desenvolvimento na vida adulta, e que continuarei tendo diversas obrigações a cumprir durante a vida, que exigirão mais ou menos tempo e dedicação em cada fase diferente. Sei também que não posso viver só de leituras (embora eu queira muito isso), mas sinto falta de ler tanto quanto naquela época.
É uma nostalgia alegre, que eu gosto de ficar reproduzindo na minha mente. A biblioteca da escola, tão espaçosa, com tantas estantes, tantos livros de qualidade, com suas meses para fazer trabalhos, seu sofá e poltronas com almofadas tão confortáveis, a bibliotecária mais simpática que já conheci. Todos os intervalos cujo tempo rapidamente se esvaiu enquanto eu sonhava acordada naquela sala, escolhendo o próximo livro que leria vão deixar saudades eternamente, e sei que não vão voltar.

Bem, eu aproveitei o quanto pude aquela época! Hoje, o jeito é fazer o possível para organizar meu tempo, nem que eu demore semanas com um livro só. Mas jamais abandonarei minha paixão!



Eu definitivamente não sou a pessoa mais indicada para falar de novas tecnologias. Eu custo a experimentá-las! Que dirá indicar as novidades do último mês!
Eu me lembro de como comecei a usar o Facebook. Eu já tinha internet em casa fazia anos, mas não fazia tanto uso quanto faço hoje em dia. Me lembro que naquela época (2011) grande parte dos meus amigos já estavam aderindo à nova rede social, e frequentemente eu recebia e-mails me convidando para fazer meu cadastro e adicionar meus amigos. Mas eu já tinha Orkut e Messenger (MSN), e achava que isso era tudo o que eu precisava para manter contato com meus melhores amigos. Só decidi criar uma conta no tão famoso Facebook para fazer com que os e-mails incômodos parassem de chegar. Eles pararam. Somente meses depois, eu decidi começar a realmente usar aquele negócio, e foi então que eu entendi que Orkut e Messenger já estavam ultrapassados, e acabei abandonando-os, assim como meus amigos já haviam feito.
Também foi assim com os celulares touchscreen. Eu estava satisfeita com meu celular de botões, um daqueles em que você precisa apertar o mesmo botão várias vezes para digitar uma mensagem. O modelo, se não me engano, era esse:


Nokia X3-02

Algumas das funções eram realizadas pela tela, mas a maioria delas era desempenhada através do teclado. Antes dele, eu tive outros modelos, mais antigos, que também pareciam funcionar razoavelmente bem. Eu só aderi a um modelo com toque na tela quando a vida útil do meu X3-02 se extinguiu. E, aliás, o celular que compre na época está com os dias contados também, depois de quase dois anos de uso.
O que dizer, então do Whatsapp? Eu só aderi quando o aplicativo foi disponibilizado para o sistema extremamente ruim do meu atual Nokia Asha 501. Isso depois de ver que todos os meus amigos já estavam usando, e depois de perceber o quanto o aplicativo facilitava a comunicação.

Nokia Asha 501

Mas qual o motivo de tudo isso? Contei essas pequenas histórias para mostrar para vocês o quanto eu demoro para me adaptar às coisas novas, principalmente quando se trata de tecnologia. Eu sei o que dizem: "Os jovens aprendem com muito mais facilidade que os adultos", "Essas crianças de hoje em dia aprendem a mexer em celular antes de aprenderem a falar". Acho que não me enquadro nesse grupo!
Então, vamos ao que interessa de verdade!
Você deve estar aí se perguntando "Como alguém pode não saber usar o Skoob?" Não sabendo. Simples assim. Quando comecei a usar o Facebook, eu logo comecei a curtir muitas páginas de editoras e escritores, e foi mais ou menos assim que conheci o Skoob, que na época me pareceu revolucionário. Um site feito exclusivamente para pessoas que gostam de ler! Era incrível!
Me registrei no tal site, mas na hora de usar, não gostei da forma como funcionava. Vi aquelas listas (Já li, Quero ler, Estou lendo, Quero Trocar, etc.). Vi também o local para escrever resenhas, e a possibilidade de adicionar meus amigos do facebook que também tinham uma conta no Skoob. Adicionei alguns dos livros que havia lido, mas logo parei, e só entrei de novo na minha conta por mais duas ou três vezes.
Conheço várias pessoas que usam o Skoob com frequência, mas já não vejo sentido em usá-lo. Se eu fosse registrar no site todos os livros que li, todos os que quero ler, todos os que tenho, ou quero trocar/vender, levaria várias algumas horas na frente do computador. E manter as listas sempre atualizadas me custaria muito! Eu já tenho minhas próprias listas de leitura feita as papel e lápis, de memória. E resenhas? Bom, eu posso fazer resenhas aqui. Ou posso simplesmente recomendar para amigos de maneira informal. Ou posso não fazer, se eu não quiser!
Enfim, minha empolgação inicial com o Skoob se transformou em decepção rapidamente. Eu nem cheguei a explorar muito o site, e caso fosse acessá-lo agora, ficaria perdida com os recursos disponíveis. Por isso, acho que posso dizer que não aprendi (e não pretendo aprender) a usar o Skoob. Peço perdão àqueles que gostam da rede social, pois entendo que deve ser um bom recurso para se comunicar sobre livros e conhecer outras pessoas que gostam de ler. Mas sinceramente, prefiro os blogs, canais de YouTube e grupos do Facebook.

Por: Lethycia Dias

Há mais ou menos três anos, eu tinha pouquíssimos livros, quase não comprava volumes novos, e só lia aqueles que pegava emprestado com amigos ou na biblioteca da escola. Foi mais ou menos nessa época que minha mãe pegou um livro emprestado com um conhecido nosso, pois ficou muito interessada no assunto tratado pelo livro. Eu também me interessei, e acabei lendo o tal livro assim que ela terminou. Me lembro que estava nas férias da escola, e tinha poucas coisas para fazer em casa, o tédio estava acabando comigo.
O livro era realmente muito bom, mas o que interessa aqui não é o assunto do livro, e sim algo que aconteceu enquanto eu estava lendo...
Naquele ano, depois de uma chuva muito forte, encontrei na rua três gatinhos filhotes. Eram tão pequenos, que os dentinhos mal haviam começado a crescer, e estavam sem a mãe. Como sou apaixonada por gatos, e por animais em geral, tive pena de deixá-los ali abandonados, molhados, com fome e com frio, onde podiam ser atropelados ou morrer de qualquer outra forma. Levei-os para casa, e fiz o possível para alimentá-los, e em uma semana, já havia arrumado uma nova família para cuidar de dois deles. O terceiro, acabei pegando para mim. Era tão fofo, tão lindinho, e eu gostei dele desde o início. Foi assim que passei a cuidar do meu Neném.
Desde quando o levei para casa, Neném era o mais espertinho e bagunceiro dos três filhotes. E conforme foi crescendo, só foi se tornando mais ativo e curioso. Se ficávamos sentados no sofá assistindo televisão, ele, no chão, brincava de morder os nossos dedos dos pés. E estava sempre correndo e pulando pela casa, vendo aquele mundo como seu parque de diversões particular.
Acontece que enquanto eu lia aquele livro, emprestado por um amigo, o Neném estava com alguns meses, e era ainda muito novinho. Com suas brincadeiras e "artes", vivia me fazendo rir. Acontece que num certo dia, eu estava lendo sentada no sofá, e aquele danadinho subiu querendo brincar, caminhando no meu colo, miando e pedindo atenção. Eu tentava desesperadamente afastá-lo e continuar lendo, e aprendi da pior maneira que devia ter fechado o livro e ido brincar com meu bebê felino.
Tentando brincar com minha mão, ele tocou na página que eu estava lendo, e acabou sujando a página. Eu não podia acreditar naquilo. Ele sujou a página! O que eu ia fazer agora?
Não, eu não sou uma dessas pessoas que ficam pirando porque a capa do livro amassou, ou uma das páginas ficou com orelha, e coisas assim. É claro que não gosto quando essas coisas acontecem com meus livros, mas isso não é o fim do mundo pra mim. O fim do mundo é quando alguém joga um livro fora, quando o livro começa a estragar, quando as páginas começam a se soltar; enfim, quando já não é mais possível ler.
Acontece que aquele era um livro emprestado, e sempre fui muito cuidadosa com coisas emprestadas. Como eu disse no início da história, eu tinha poucos livros, e sempre pegava emprestado com alguém. Por isso valorizava muito as pessoas que gostam de emprestar. E minha mãe sempre disse que devemos ter muito cuidado com as nossas coisas, e mais cuidado ainda com as coisas dos outros.
Por causa disso, eu estava surtando. O livro era emprestado, e meu gatinho sujou uma das páginas com sua patinha cheia de terra e lama. Por sorte, a página era de início de um capítulo, e o lugar onde ele tocou não continha nada escrito, era um espaço em branco; dessa forma, a sujeira não impediria ninguém de ler nenhum trecho. Mesmo assim, eu estava muito decepcionada comigo mesma, pois afinal, o gato era meu, e algo que ele fez de errado era responsabilidade minha.
Quando contei para minha mãe e lhe mostrei a página maculada, ela me disse que eu teria de contar tudo ao nosso amigo, e pedir desculpas pela minha falta de cuidado. Na oportunidade que tivemos de devolver o livro, eu estava com muita vergonha do que havia acontecido. Entretanto, eu não tinha outra escolha senão me desculpar.
Por sorte, o nosso conhecido que emprestou o livro compreendeu que não fiz nada de propósito e que meu gato não tinha ideia de que estava fazendo algo errado. Ele me desculpou, e disse que não tinha problema, e que entendia. Fiquei muito aliviada!
Desde então, hoje eu tomo muito cuidado se meus gatos querem ficar perto de mim quando estou lendo. Enfim... Melhor prevenir do que remediar, não é?




Caso você tenha se interessado por esse post, leia mais histórias parecidas em:

 Ler em público é sempre engraçado e pode gerar situações curiosas. Eu mesma já escrevi sobre isso num post anterior, mas estou voltando para contar outra situação bem embaraçosa que já aconteceu comigo algumas vezes. Como a faculdade me toma muito tempo, acabo aproveitando o percurso de 3 ônibus da minha casa até o campus para poder ler pelo menos um pouco. Claro que é mais confortável ficar sentada, mas desde que haja um lugar para poder me encostar e ficar em segurança, eu leio também em pé, e as vezes também nas filas. As pessoas em geral não estão acostumadas com isso, e deve ser bem estranho ver uma garota lendo dentro do coletivo. Alguns ficam olhando e perguntam que livro é, ou então observam para ver se não perco o equilíbrio quando estou em pé.
Certa vez, na volta para casa, estava sentada do lado de uma velhinha. Ela deve ter ficado muito curiosa com a minha concentração na leitura, e de repente me interrompeu, perguntando: "É a Bíblia?". Muito surpresa com a pergunta, olhei para ela tentando não fazer uma cara de quem estava achando aquilo um absurdo (afinal, era uma mulher muito idosa, e se eu respondesse de um jeito errado, podia ficar ofendida). Apenas respondi pra ela que não, e a conversa acabou ali.
Mais tarde, fiquei pensando o que poderia ter feito com que ela pensasse que meu livro era uma bíblia. Acontece que eu estava lendo a edição econômica de A Tormenta das Espadas, o maior dos livros d'As Crônicas de Gelo e Fogo. Estando o livro aberto, ela não podia ter visto a capa, que talvez possa ser confundida com uma bíblia olhando de longe, pelo fato de ser preta com inscrições em letra dourada. 

Como eu disse, as únicas semelhanças entre os dois livros são a capa preta e as letras douradas.

Mesmo assim, ela não tinha visto a capa, e mesmo se tivesse visto, os dois livros só poderiam ser confundidos à distância. Fiquei me perguntando o que haveria de tão parecido... Até que me lembrei que A Tormenta das Espadas é o maior dos cinco livros, e que sua edição econômica é bem volumosa, com cerca de 1400 páginas. Juntando isso e as letras bem pequenas, ela deve ter se confundido!
Durante alguns dias achei a situação estranha e até contei para algumas pessoas, rindo da inocência da velhinha. Afinal, minha leitura não tinha nada a ver com o que uma pessoa da idade dela deve achar adequado para uma garota. O engraçado é que a mesma coisa já tinha acontecido antes, quando estava lendo o volume único de Os Pilares da Terra, que peguei emprestado com um amigo. O livro é imenso (cerca de 900 páginas), e além de ter capa dura, tem uma fita presa por dentro para marcar as páginas - assim como a maioria das bíblias. Para vocês terem uma ideia, aqui vai uma foto:


Com mais de 900 páginas e em capa dura,
o volume único de Os Pilares da Terra é muito pesado.


Grande, grosso e pesado, eu mal aguentava levá-lo dentro da mochila com os livros didáticos. Na escola, gostava muito de ler entre as aulas, sempre que tinha algum tempo livre. Certa vez, entrando na sala, a professora de História me viu com aquele livro imenso em cima da mesa, e perguntou alto o suficiente para que todos ouvissem, se eu estava lendo a Bíblia. Eu apenas disse que não, rindo um pouco, e marquei a página para poder mostrar a ela o livro fechado. Surpresa, ela, até se interessou pela história quando expliquei que se tratava de uma narrativa medieval sobre guerras, intrigas na Igreja Católica e o sonho de um homem simples de construir uma catedral gótica.


Seja como for, não sou uma leitora da Bíblia. Conheço apenas algumas passagens do Novo Testamento, e poucas histórias do Antigo, e não sinto a necessidade de ler. Por isso, a confusão causada pelos meus livros "grandes" me deixa um pouco espantada. Mas acho que essa é uma das pequenas coincidências de ler na presença de outras pessoas: elas sempre acabam nos surpreendendo.
Adoro compartilhar histórias assim, e espero não ter sido desrespeitosa com ninguém ao falar do meu espanto com o ocorrido.

Por: Lethycia Dias


Enchendo a estante


Encheu. É isso, não há mais nada para se dizer.
Minha querida estante, que começou um dia com alguns pequenos volumes, tão solitários no espaço vago, agora está cheia. Cheia. No more space. Não há disponibilidade para mais alguns. Bem que eu queria que aquelas duas prateleiras das quais me apossei tão timidamente na estante da sala fossem como coração de mãe, onde "sempre cabe mais um". Infelizmente, dize as lei da física que dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço, e assim, meus livros foram se acumulando um a um, multiplicando-se, e na ordem inversa, o espaço reduziu-se.
Me lembro de quando comecei a ocupar aquele espaço que parecia não ser de ninguém. Foi só mudar de lugar alguns objetos, e pronto: eu tinha um lugar para os meus livros (que eram poucos, mas pelos quais eu tinha, e ainda tenho, muito amor).
E foi assim. Fui preenchendo aquele espaço ao máximo que podia. Ganhava volumes novos no Natal e no aniversário, comprava alguns, sempre na esperança de aumentar aquela coleção maravilhosa. Às vezes, sentava no sofá, bem de frente para aquela estante cheia de objetos comuns da família, e ficava admirando aquelas duas prateleiras de baixo, aquelas que eram um mundo à parte, porque continham coisas só minhas. Ficava olhando e olhando, até me perder nas histórias que já conhecia ou que estava prestes a conhecer. Olha as lombadas de cores diferentes, com escrita em fontes de diversos tamanhos e cores, cada uma querendo comunicar algo fantástico. Se alguém me perguntasse: "O que está aí olhando?", eu responderia: "Estou olhando um infinito de outros mundos".
Porque era assim. Era? Mas nunca deixou de ser! Então refaço a afirmação, e digo que sempre foi e ainda é assim. Nos livros eu me transporto para outros mundos, conheço outras pessoas e vivo aventuras magníficas, descubro coisas, me torno crítica, exercito o pensar desde a observação mais banal, até o mais profundo pensamento filosófico.
De tanto colecionar livros, minha estante finalmente se encheu. Precisarei de muita criatividade para guardar os novos livros que virão: os que comprarei em promoções de lojas virtuais; os que ganharei de parentes amigos que respeitam e apoiam minha paixão; os que virão em sorteios (caso algum dia eu ganhe um!). Tudo o que sei é que outros virão, e que terei de arranjar um lugar da casa para colocá-los, sem desprezar os antigos. Ah, livros, por que os amo tanto? Nem sei ao certo, mas sei tentarei acolher a todos os novatos que vierem. Quem sabe eu acabo comprando uma estante de verdade?


Um poço de criatividade


Estava com uma amiga e um amigo, que vou chamar, respectivamente, de G e W. G e W eram muito próximos, se conheciam há vários anos; eu, mais nova na amizade, gostava dos dois, e tínhamos muitas conversas sobre livros. Eram os tempos do colégio, esses tempos que sempre começam a deixar saudade quando a gente termina o ensino básico.
Não me lembro dos detalhes da ocasião, mas estávamos, é claro, falando de nosso assunto preferido. Começa com L... Acho que nem preciso terminar a palavra!
O que me lembro mesmo é que G disse algo mais ou menos assim: "W é um poço de criatividade!", e essa frase ficou como que marcada na minha memória. Os dois eram colegas de sala, e pelo tempo de convivência, G Sabia que W fazia (realmente fazia!) um novo marcador de página para cada livro que lia. Eu já havia reparado que sempre que ele mudava o livro, mudava também o marcador; mas nunca tinha parado pra pensar. Os marcadores de W não pareciam ser do tipo que a gente adquire numa livraria (sempre com a propaganda da loja), ou daqueles que gente ganha das editoras. Eram diferentes, criativos.
Depois que G disse isso, passei a prestar atenção nos marcadores de W sempre que podia. Notei que tinham frases escritas; desenhos feitos à mão; colagens de revistas; eram variados em tamanho e formato; todos feitos com muito capricho. G naquele dia havia dito que W fazia um marcador especialmente para cada livro, e compreendi que os dois, marcador e livro, ficavam atrelados um ao outro, unidos por um laço sentimental.
Achei isso tão bonito, e tão simples, que senti que precisava compartilhar com outras pessoas. Eu mesma gostaria de ter essa disposição para fazer sempre meus próprios marcadores; eu, que gosto de comprá-los prontos; eu, que sempre peço nas livrarias quando compro um livro novo; eu, que já cogitei mandar um e-mail para alguma editora, suplicando marcadores novos; eu, que já estou fazendo uma coleção bonita, mas só de objetos produzidos por outras pessoas...
De vez em quando fico me perguntando se as outras pessoas não enxergam toda a beleza e poesia que pode estar ao nosso redor, até naquilo que parece banal, dispensável e descartável como um marcador de páginas. Será que só eu acho bonito termos sentimentos também por objetos? De qualquer forma, eu passei a admirar meu amigo W pela sua atitude de confeccionar os marcadores que usa. Tenho alguns poucos marcadores feitos a mão. Eu costumava fazer vários, que iam sempre se perdendo, sempre ficando sujos e estragados, muito mais rápido que os industrializados. Uma vez me perguntei se guardá-los sempre dentro de seu respectivo livro não ajudaria a conservá-los mais... Quem sabe assim que passo a me apegar?

Estes são os poucos marcadores artesanais que me restaram. Acho que eu preciso de mais alguns!


Por: Lethycia Dias 

A Rosa que me chocou


Ele chegou do nada. Estava dentro de uma caixa, no meio de muitos outros livros destinados a crianças, alguns com títulos mais interessantes e capas mais coloridas e mais bonitas. Meus colegas brigariam por eles. Achariam mais legais. Eram livros que eles quereriam ler, porque tinham desenhos engraçados, mas ele não. Ele era diferente de todos. Não era colorido, nem bonito, e muito menos engraçado. Só tinha um desenho cinzento na capa, e estava velho, desgastado. E apesar disso tudo, me pareceu interessante. Curioso. Incomum.
O momento em que o vi foi marcante. Talvez fosse o momento que decidiria definitivamente tudo o que penso sobre livros e sobre literatura. Aquele momento, tão insignificante para uma criança, ganhou dimensões impressionantes agora que posso refletir com mais sensatez sobre aquela época. Foi decisivo, porque mudou tudo. Foi o momento em que fiz uma escolha, a qual me levou a querer ler mais e mais.
Não, ele não foi o primeiro. Já escrevi antes sobre os primeiros livros que li. Mas ele foi o mais importante, pois foi aquele que me despertou o amor pela leitura. Se antes eu lia sem muito interesse, só para passar o tempo... Depois eu passei a ler com voracidade e paixão, pois era algo que passei a amar!
Havia uma garota que era doente. Uma garota que tinha uma mãe brasileira e um pai japonês, sobrevivente da explosão da bomba atômica em Hiroshima. Eu me lembro até hoje, ela era morena, mas seus olhos eram puxados. E queria ter uma boneca que fosse como ela. Que tivesse sua aparência. Uma boneca que seria sua amiga, e com quem ela poderia se identificar. Isso pode parecer bobo para um adulto, mas tem muita importância para uma criança. Tanta importância, que ela escrevia tudo num diário. Tanta importância, que estes eram os únicos detalhes dos quais me lembrava.

"Mas, oh, não se esqueçam
da rosa da rosa
da rosa de Hiroshima
a rosa hereditária
a rosa radioativa
estúpida e inválida"

Sempre que ouvia o poema de Vinícius de Moraes gravado como música por Ney Matogrosso, eu meu lembrava da história. A menina que queria uma boneca parecida com ela. A menina que tinha um diário. A menina que estava doente. E minha maior tristeza era me esforçar ao máximo, e não conseguir me lembrar de mais nada. Nenhuma outra informação me vinha à mente. Nem o título, nem o ano de publicação, nem o nome ou nacionalidade de quem o escreveu.
Mesmo assim, ele jamais deixaria de ser importante. Ainda que eu não recordasse. Ainda que eu não soubesse de nada. Eu jamais deixaria de pensar numa história que me chocou tanto, e que por isso mesmo que fez querer conhecer outras. Ele sempre teria um lugar especial, sempre teria significado.
Hoje é um dia tão marcante quanto o dia em que o encontrei. Hoje, por acaso eu descobri seu nome.




Por: Lethycia Dias


Uma eternidade




Com certeza faz mais de um mês que estou lendo A Tormenta das Espadas, o terceiro volume da tão famosa série As Crônicas de Gelo e Fogo, que possui uma legião de fãs quase tão grande quanto seu número de personagens. Não é o tamanho do livro (ele é grandinho, mas isso não é desculpa), não é preguiça... É simplesmente falta de tempo! A faculdade tem me consumido nas últimas semanas. Até mesmo por isso, o blog tem estado sem texto nenhum. De repente, dessa minha "inimiga", digamos assim, surge assunto para um post novo, então aqui estou eu!
Ah, que saudade que tenho dos meus treze anos, quando as responsabilidades eram muito poucas, e o tempo ocioso era excessivo! Eu podia ler sempre que queria, e nada era impedimento. Lia todos os livros que me interessavam, e terminava-os numa rapidez impressionante. Hoje, já não sou capaz de fazer isso. Minhas leituras nem sempre são aquelas que mais desejo, e o meu tempo para a leitura por diversão é bem menor.
Justamente por isso, tenho demorado com um livro só. Caso a história não fosse tão boa, eu poderia largá-lo. Existem muitos outros que estão parados na estante esperando por mim. Eu poderia começar algum de menor volume, que terminaria mais rápido a fim de poder resenhar. Entretanto, não quero. Não gosto de largar nenhum livro, muito menos de interromper uma leitura para começar outra, ou manter duas ao mesmo tempo. Por isso, nada posso fazer além de prosseguir. Lentamente, mas rumo ao fim!
Isso me faz lembrar de outras leituras que também demoraram, embora nenhuma tenha se estendido tanto. Os Pilares da Terra, um volume único de mais de 900 páginas emprestado por um amigo, levou cerca de três semanas. Me fez passar muitas tardes desprezando as atividades escolares, e muitas noites ficando acordada até tarde, pois a trama de intrigas e discórdias em plena era medieval era surpreendente. A Divina Comédia tomou-me praticamente o mesmo tempo, mais por sua complexidade, que pelo tamanho. Entretanto, a demora foi proveitosa: não se compreende uma obra de tamanha importância, de tamanha distância em termos de vocabulário, estrutura e interpretação.

Enfim, não me importo muito de demorar com um livro só, apesar da ansiedade para ler todos os novos que estão esperando por mim. Se eu lesse todos com pressa, sem me prender realmente à forma e ao conteúdo, sem sentir o que leio, de nada adiantaria. Ler seria apenas passar os olhos pelas páginas, sem entender o que está escrito nelas. Por isso, leio na velocidade que posso, no tempo que consigo. E para que a pressa?  Não estou interessada em números, mas em emoções.

Lendo em público

Ler na presença de outras pessoas sempre pode ser engraçado, principalmente quando se é uma daquelas pessoas que se envolvem demais naquilo que estão lendo. Pois bem, eu sou assim. Não consigo ler uma história sem, de alguma forma, participar dela. E quando estou bem concentrada na leitura, é impossível evitar algumas reações exageradas: aquela cara de medo quando parece que um personagem está prestes a morrer; a decepção quando acontece aquilo que nós torcíamos para que não acontecesse; a alegria quando o casal principal finalmente se acerta; ficar torcendo as mãos durante um trecho de muita tensão; cair na gargalhada quando lemos uma boa piada.
Creio que tudo isso acontece com a maioria dos leitores constantes, por mais que queiram evitar!
Comigo isso é muito comum, principalmente porque enquanto cursava o Ensino Médio, eu costumava levar mais livros para ler no colégio entre as aulas, depois de ter feito todas as tarefas, quando não queria sair para o intervalo, ou quando faltava algum professor. Havia momentos em que não podia evitar ficar completamente tensa ao ler um trecho de muito suspense, e também não podia evitar boas risadas em partes engraçadas. Como se pode esperar, quem estivesse por perto me olhava como se eu fosse um ser de outro mundo. Meus amigos entendiam, já estavam mais do que acostumados com isso, mas algumas pessoas achavam muito estranho.
Assim também é ler dentro de um ônibus. Ou talvez seja ainda pior. Por estar em um lugar público, cercada de pessoas desconhecidas, eu morria de vergonha de demonstrar minhas emoções em meio a estranhos. É claro que não podia evitar um olhar sonhador lendo um poema romântico, mas tinha que morder os lábios para segurar risadas, e às vezes fechar o livro quando chegava a alguma parte muito pesada.
Talvez o melhor lugar para ler que já conheci continue sendo a minha cama, com a porta do quarto fechada, onde estarei sempre à vontade para me perder no mundo (ou melhor, nos vários mundos) para onde uma boa leitura pode me levar.

Por: Lethycia Dias

Os primeiros que li e que escrevi


Não sei se o primeiro livro é marcante para todos, mas pra mim, os primeiros que li são muito importantes. Representam o início da minha paixão, do meu encanto pela leitura. Talvez represente o mesmo para outros leitores também. Muitos não se lembram com o que começaram; eu, pelo contrário, me lembro bem. Era uma coleção de livros infantis bem fininhos que ganhei de presente, com alguns dos contos de fada mais conhecidos: Branca de Neve, Os Três Porquinhos, Cinderela, Chapeuzinho Vermelho, e outros, totalizando doze das famosas histórias que todos nós conhecemos na infância. Eu devia ter sete ou oito anos, e amei o presente.
Eu lia todos, repetidas vezes, e não me cansava de observar as ilustrações, que para mim pareciam tão mágicas quanto as histórias que representavam Ninguém precisava ler para mim: as atividades da escola cobravam a leitura, e as histórias dos livrinhos eram simples e curtas, perfeitas para uma criança.
Acho que foi mais ou menos assim que comecei.
Decidi então escrever os meus próprios livros de histórias infantis. Tínhamos muito papel em casa, e eu pegava folhas de papel A4, dobrava ao meio para formar a capa, e ia fazendo a páginas do mesmo jeito. Escrevia minhas próprias histórias nenhuma delas muito elaborada, é claro – e fazia, na parte de baixo da página meus próprios desenhos. No fim, pregava tudo com o grampeador que tínhamos em casa. Hoje não me lembro de quase nada a respeito do que escrevia (meus livrinhos se perderam em algum momento, ou porque me cansei deles e achei que eram muito infantis, ou foram ficando esquecidos conforme eu crescia). Fiz um monte deles, por mais de um ano, e falava sobre isso para todo mundo. Certa vez, quando achei que tinha perdido um deles, fiquei desesperada.
Gosto de me lembrar disso com muito carinho. Afinal, foram as primeiras histórias que escrevi, inspiradas nas primeiras que li. Gostaria de ter guardado pelo menos um dos livro de contos de fada (eles também se perderam), ou dos livros que eu fazia em sozinha. Seriam uma lembrança doce e terna da minha infância, um resquício do amor que eu já alimentava pelos livros.



Esse eu já li


Eu devia ter mais ou menos 13 anos. O colégio em que estudava era muito bom: era bem organizado, tinha professores e funcionários competentes e dedicados, e entre outras vantagens, a biblioteca era bem vasta. Eu era nova naquele colégio e conhecia poucas pessoas, não havia ainda me enturmado muito, mas o primeiro laço que criei foi com aquela biblioteca, que ocupava o espaço de duas salas de aula juntas e fazia me fazia querer passar o maior tempo possível lá dentro. Era mobiliada com várias estantes encostadas às paredes; algumas mesas redondas com cadeiras; uma poltrona e um sofá super-confortáveis cheios de almofadas (quer eram muito disputados); o balcão da bibliotecária, onde ficavam as informações de todos os alunos e o livro de registros; e no fundo, em outro balcão, ficavam expostos alguns trabalhos de alunos, como pinturas e maquetes.
Ali dentro havia de tudo: desde os livros mais comuns, doados pelo Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE), dicionários, enciclopédias, antologias poéticas variadas, até alguns best-sellers que eu acredito terem sido doados por alunos. A fila para os empréstimos e devoluções estava sempre comprida, chegando, às vezes a se estender porta afora, congestionando um pouco o corredor.
Eu entrava ali para devolver e pegar livros novos, ou simplesmente para ler e refletir durante o intervalo, quando tinha a necessidade de ficar um pouco sozinha, afastada das amigas que fui fazendo ao longo do ano. Quando tinha a oportunidade de me encostar no sofá, chegava até a cochilar por alguns minutos, acordando assustada com o sinal.
Fazia pouco tempo que havia me tornado uma leitora constante, e meu gosto não era tão variado como é hoje. Entretanto, eu lia com avidez, e era rápida. Nunca cheguei a atrasar uma devolução, ou a renovar o tempo de empréstimo. Quando queria escolher um livro novo, demorava muito, às vezes chegando a me atrasar na volta para a sala de aula. Quando pedia alguma indicação à bibliotecária, cujo nome não me recordo, ela geralmente pegava algum exemplar da pilha de volumes que haviam sido devolvidos naquele dia, e me mostrava, perguntando:
- O que você acha desse?
- Eu já li.
- E este aqui?
- Também já li.
- E esse, que aquela menina acabou de devolver?
- Já li também.
Esse diálogo se repetia com frequência. Ela me indicava aqueles que eram emprestados com maior frequência, porque, é claro, agradavam mais. Entretanto, eu havia lido muitos, fosse naquele ano, fosse em aos anteriores. Nas raras vezes em que ela me indicava algo que eu não conhecesse, eu o pegava, lia o resumo do fim, me afastava para poder ler as primeiras páginas e dar espaço à fila cada vez maior, e se me interessasse, retornava à fila para poder registrar o empréstimo. Caso contrário, procurava por outra leitura.
A Gincana do colégio teve uma prova que premiaria a turma que tivesse lido mais livros durante o ano. Minha turma ganhou, e acredito ter contribuído bastante, já que minha ficha da biblioteca tinha duas páginas de registros. Até mesmo na penúltima semana de aula, quando todos os alunos leitores estavam recebendo cobranças de devoluções, eu insisti para que pudesse pegar emprestado só mais um livro. A bibliotecária sorriu pra mim, e disse:
- Eu vou deixar, mas só porque eu sei que você vai terminar a tempo!


Antes da prova


Em 2013, fiz um curso durante aproximadamente dois meses. As aulas aconteciam na terça e na quinta, e eu não faltava nunca. O prédio do curso ficava na Rua 6, no Centro. Mesmo que às vezes fosse cansativo chegar em casa depois de passar um bom tempo no ônibus, eu adorava. Era ótimo sair de casa sozinha, ver várias pessoas que eu sequer conhecia, conversar com o garoto bonito que sentava ao meu lado, andar apressada pelas ruas... E como me apressava! Me sentia como se estivesse sempre atrasada, embora nunca estivesse. Ou talvez só gostasse de andar rápido daquele jeito, desviando de quem vinha no sentido contrário da calçada, como se tivesse algo muito importante a fazer, mais importante que os compromissos de qualquer um que cruzasse meu caminho.
Mas naquele dia não estava alegre. Havia uma prova, e eu não estava preparada. E era importante. O certificado só seria entregue se a nota fosse superior a 7,0. O nervosismo me atormentava. Mas estava cerca de uma hora adiantada. Sem querer ter de ficar esperando por muito tempo, decidi tomar outro caminho. Ao invés de me dirigir à Rua 6, desci a Avenida Goiás, sem pressa. Entrei em uma livraria da qual gostava muito. Era um prédio de fachada verde, com um letreiro bonito. As estantes abarrotadas de livros me faziam entrar ali olhando para todos os lados, sem querer perder nenhum detalhe. Entrei pelo lado da esquerda, e acredito não ter sido vista pelos atendentes do balcão, pois nenhum deles me chamou para perguntar em que poderia me ajudar. Ah, não era necessário! Eu já receba uma grande ajuda!
Andei por entre as muitas prateleiras que ficavam daquele lado. Por trás de uma delas, havia uma mesa redonda com algumas cadeiras, a única da loja. E na estante que ficava encostada na parede, encontrei um exemplar de Harry Potter e o Cálice de Fogo. Eu o puxei lentamente, folheei rapidamente, e logo consegui encontrar uma de minhas partes preferidas. Sentei-me numa das cadeiras, larguei a bolsa em cima da mesa, e fiquei com o livro no colo. Minha respiração havia se acalmado há muito tempo. Nada mais me inquietava. Naquele ambiente agradável, diante do que eu mais gostava, era impossível lembrar a preocupação do curso.
Quando dei por mim, faltavam apenas quinze minutos. Como o tempo passara tão rápido? Podia meu celular estar com o relógio errado? Não, não estava, porque conferi as horas no relógio da livraria. A diversão era boa, mas o dever me chamava. Fechei o livro querido e guardei-o no mesmo lugar, que memória boa tinha! Então peguei a bolsa, guardei o celular no bolso da calça, e saí como havia entrado, sem ser notada por ninguém. Andei com um pouco mais de pressa, indo para leste pela Rua 4, até a segunda esquina, quando então virei na Rua 6. Faltavam poucos minutos. Eu, porém, já não estava ansiosa, ou com medo. Me encontrava completamente tranquila, preparada para a prova, após os minutos passados na livraria. Dirigi-me ao prédio do curso com um sorriso aos colegas que encontrava. Havia uma prova à minha espera, e eu sabia que me sairia muito bem.



Por: Lethycia Dias

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