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Casos de Leitora: observar quem lê no ônibus

Seja bem-vindo ao Loucura Por Leituras, e hoje você está conferindo mais um dos meus Casos de Leitora! Essa foi uma das primeiras colunas que criei aqui no blog, e é onde compartilho com vocês algumas histórias que aconteceram comigo exclusivamente por causa da leitura e do amor pelos livros. Procuro escrever essa história em forma de crônicas, ou seja, textos leves e rápidos, divertidos de se ler. Continue lendo para entender melhor!

"O futuro dos Sete Reino ainda é incerto - novas ameaças e novos inimigos surgem a cada momento. Além do Mar Estreito, Daenerys Targaryen, a última herdeira da Casa Targaryen, governa uma cidade construída sobre o pó e a morte. Mas seus inimigos são cada vez mais poderosos e farão de tudo para destruí-la. Enquanto isso, dois jovens embarcam em missões distintas, mas que podem mudar o destino da Mãe dos Dragões. No Norte, Jon Snow - 998º Senhor Comandante da Patrulha da Noite - fará de tudo para garantir a segurança da Muralha. Para isso, não hesitará em transformar amigos em inimigos e vice-versa. Traições, revelações, e um fantasma do passado que volta para assombrar quando menos se espera - em todos os cantos de Westeros e Essos, mercadores, foras da lei, meistres, nobres, escravos, soldados e troca-peles estão prestes a encarar fatos inesperados. Alguns fracassarão, outros se aproveitarão das forças sombrias que crescem cada vez mais. Mas, neste momento de inquietude crescente, as marés da política e do destino levarão inevitavelmente à maior dança de todas."

Autor: George R. R. Martin
Gênero: Fantasia
Número de páginas: 1448
Local e ano de publicação: São Paulo, 2012
Tradução: Marcia Blasques
Editora: Leya
Outros detalhes: Edição econômica

Atenção: pode conter spoiler's dos livros anteriores e da série.

Revelando segredos


É quase um alívio chegar ao quinto livro d'As Crônicas de Gelo e Fogo. Ao mesmo tempo, surge aquela inquietação: você sabe que chegou ao último livro publicado, e agora só lhe resta aguardar pela próxima temporada da série, pelo próximo livro, ou por ambos.
A Dança dos Dragões foi, com certeza, o livro que mais me surpreendeu. Além de corresponder a algumas as minhas expectativas sobre os destinos de vários personagens, o quinto livro da série conseguiu me tirar o fôlego em várias ocasiões. Vou tentar explicar tudo isso, sem contar exatamente o que aconteceu.
Vou começar contando o essencial para que você não se perca: A Dança dos Dragões e O Festim dos Corvos são livros paralelos. Se você leu minha resenha do livro 4, deve ter percebido que senti falta de vários personagens, que simplesmente não apareceram. Ouvia-se falar deles, mas seus capítulos não estavam lá. Isso aconteceu porque os livros 4 e 5 são paralelos. Suas histórias acontecem ao mesmo tempo, e eles são organizados por uma divisão geográfica. Em O Festim dos Corvos, temos os acontecimentos de Porto Real, do Tridente, das Ilhas de Ferro e de Dorne - além da viagem de Sam, Goiva, Daeron e Meitre Aemon desde a Muralha até Vilavelha, com escala em Bravos, onde também temos alguns capítulos da Arya. Já n'A Dança dos Dragões, voltamos ao Norte, à Muralha e para além dela; viajamos de Pentos até a Baía dos Escravos. Assim, temos os capítulos de Bran, Jon, Davos, Tyrion, Daenerys e Theon, e também de outros personagens novos, ou de personagens já conhecidos que antes não possuíam ponto de vista próprio. Em determinado momento, a cronologia do livro alcança o final do Festim, e é partir daí que voltamos a ter notícias das Terras Fluviais, de Porto Real e também de Dorne. Parece complicado, mas não é.
O livro começa a nos impressionar no prólogo. Se você é um leitor atencioso, já deve ter percebido que o prólogo dos livros sempre apresenta um personagem desconhecido - e através de seus olhos, somos introduzidos a um novo mistério e/ou uma nova tensão. Invariavelmente, o personagem morre. Nesse caso, nós recebemos explicações algumas coisas que antes não eram claras. No prólogo d'A Dança, Varamyr Seis Peles nos faz compreender melhor o mundo de um warg. E eu garanto: o momento final é de causar arrepios.
Em seguida, nos encontramos com Tyrion. Se você passou todo o livro anterior se perguntando para onde Varys o levou, essa é a hora de descobrir. Mas, como todos conhecemos Varys muito bem, sabemos que ele não faz nada sem exigir um preço, e é óbvio que havia um plano por trás disso. Entretanto, nós levamos muito tempo para descobrir só uma pequena parte da trama - e até o fim do livro, estamos condenados a desconfiar se havia mais, ou se era só aquilo. Pelos olhos do anão mais odiado de Westeros, nós conhecemos um pouco mais sobre as Cidades Livres, e também sobre o Rio Roine e sobre a famosa Volantis. Se você tinha curiosidade sobre Essos, essa é sua grande oportunidade de compreender melhor como vivem as pessoas de lá.
Em Meeren, a Rompedora de Algemas se decide por reinar na cidade que conquistou, determinada a proteger todos os escravos que libertou, e que gosta de chamar de seus filhos. Entretanto, as coisas não são tão simples. Daenerys fez uma legião de inimigos ao abolir a escravidão. Agora, seus libertos e seus Imaculados correm perigo. Além disso, ela precisa fazer de tudo para conquistar a simpatia de seus novos súditos, que a não a respeitam por ser mulher e estrangeira. Seus dragões, já crescidos, são cada vez mais perigosos, e parecem estar fora de controle.
Ao mesmo tempo, na Muralha Jon tenta conquistar o respeito de seus homens, ao mesmo tempo em que precisa encontrar um meio-termo entre suas obrigações de Senhor Comandante, seus votos de homem da Patrulha da Noite, e a vontade de ferro de Stannis. Muito ao Norte da Muralha, Bran Jojen e Meera são levados por Mãos-Frias em direção ao Corvo de Três Olhos. O que acontecerá quando o encontrarem, ninguém sabe dizer.

"O Norte se lembra, Lorde Davos.
O Norte se lembra, e a farsa está quase no fim.
Meu filho está em casa."
Lorde Wyman Manderly. Página 565.


Paralelamente, temos também capítulos de personagens inesperados. Alguns já faziam parte da história, mas não tinham o próprio ponto de vista; quanto aos outros, sequer suspeitávamos de sua existência.
Neste quinto livro, as inúmeras reviravoltas de George Martin se destacam com força total. Sabemos que no Jogo dos Tronos, a cada momento alguém que levava vantagem pode ser derrotado, enquanto alguém que não tinha nenhuma força, rapidamente se ergue e passa a representar uma ameaça. Esse caráter é muito acentuado em A Dança dos Dragões. É aqui que podemos observar cada vez mais as constantes mudanças que influenciam no destino de cada um. Tais mudanças podem ser longas e progressivas; ou, ao contrário, podem ocorrer de uma hora pra outra. Assim, o leitor é constantemente surpreendido, pego de surpresa, e a narrativa é sempre impressionante.
O importante nesse livro é ficar de olho nas revelações que são feitas. Boa parte da trama é composta por segredos que vêm à tona, ou por explicações importantes sobre coisas que nos questionávamos antes. Ou mesmo, sobre coisas que nos passaram despercebidas porque não considerávamos importantes. Quem seriam os filhos da floresta? O que os selvagens sabem sobre os Outros? O Inverno é tão rigoroso assim?
Algumas perguntas como essas são resolvidas ao longo da leitura. Por vezes, a resposta está em um acontecimento explícito, muito fácil de notar. Em outros momentos, a resposta está em algum diálogo, ou na atitude de algum personagem.
Em A Dança dos Dragões, George Martin nos impressiona como sempre, com o universo fantástico que criou, e com sua narrativa que nos dá a capacidade de imaginar tantas coisas incríveis. Este foi o livro que mais me surpreendeu em toda a série. Eu fiquei sem fôlego em inúmeras ocasiões, e agora só posso dizer uma coisa: estou mais do que ansiosa para ler Os Ventos do Inverno, e saber como vão prosseguir as disputas pelo trono, as lutas pela sobrevivência e as vinganças. Que venham mais revelações, mais personagens novos, mais conspirações. Nós vamos adorar!

Aspectos positivos: contém revelações de vários segredos e mistérios; oferece mais informações sobre algumas das cidades livres e seu povo; traz de volta personagens que estavam distantes; a tensão está sempre presente.
Aspectos negativos: o retorno dos personagens de O Festim dos Corvos pode confundir o leitor.

Em posts antigos do blog, vocês já devem ter percebido que estou lendo As Crônicas de Gelo e Fogo, e assumo que sou fã dos livros escritos por George R. R. Martin, e também da série inspirada neles. Apesar de eu ter preferência pelas livros, esse post vale tanto para quem lê, quanto para quem assiste, e principalmente para quem faz as duas coisas!

Este são os 5 livros publicados até agora no Brasil.


Banner da série.

O universo criado por Martin é extremamente complexo. Inclui fantasia (com direito a dragões, gigantes, mortos que caminham, videntes, troca-peles, profecias e personagens com poderes sobrenaturais) e política num mundo fictício riquíssimo. Muito além de Westeros, conhecemos também o outro continente, Essos, habitado por inúmeros povos diferentes, que falam línguas diversas e possuem a própria cultura, costumes e religiões. Compreender tudo isso, com certeza, é um grande desafio. E como se não bastasse acompanhar os acontecimentos do momento presente, em muitos momentos é necessário também conhecer a história deste mundo. As guerras, rebeliões, conquistas, além da própria genealogia de cada Casa. É mesmo muita coisa!
Diante de tudo isso, é muito normal ficar confuso e se perder. Na série, as coisas acontecem de forma muito rápida. Personagens novos aparecem do nada, enquanto outros morrem depois de conquistar a simpatia dos fãs. Alguns acontecimentos são confusos, e certas coisas nós apenas entendemos prestando muita atenção aos diálogos.
Já nos livros, os acontecimentos são muito mais detalhados, e as informações, abundantes. Cada novo capítulo pode trazer uma revelação impressionante. É alguém traindo seus ideais, alguém morrendo, alguém com planos que podem representar mudanças decisivas no destino de outras pessoas, alguém que acreditávamos estar morto, mas na verdade vive. Através dos pontos de vista, conhecemos o íntimo de personagens importantes. Se víamos um deles de forma negativa, de repente passamos a compreendê-lo melhor. Ou, através dos olhos de um novo personagem, passamos a receber notícias do que se passa em determinada região.
Com tudo isso, dá pra perceber o quanto é difícil compreender a série e os livros. Por isso, vou dar aqui algumas dicas para vocês!

Para quem acompanha a série:


1. Fale com alguém: É legal ter sempre alguém com quem conversar sobre as coisas que gostamos. Quando se trata de GOT, isso é muito importante! Você não vai apenas compartilhar suas impressões sobre cada episódio e cada temporada, mas vai também poder discutir coisas que não entendeu muito bem, conhecer opiniões diferentes sobre algum personagem, e tentar se antecipar a coisas que podem acontecer;

2- Grupos do Facebook: Se você não conhece pessoalmente alguém que assiste Game Of Thrones, é muito bom participar de grupos de fãs. Se você ainda estiver no começo, vai receber muitos spoilers, mas essa é uma boa forma de fazer discussões (quase sempre) amigáveis sobre os acontecimentos da série, além de poder tirar dúvidas e debater teorias!;

3- Assistir de novo: Se você não tem preguiça, e tem tempo de sobra, não tem nada a perder assistindo as temporadas passadas de novo enquanto aguarda a próxima! Fazendo isso, você pode prestar mais atenção a alguns pequenos detalhes e easter eggs, e pode relembrar momentos marcantes (tristes ou não).;

Para quem lê os livros:


1- Releia trechos: Lendo livros tão extensos e tão cheios de conteúdo, é muito fácil se esquecer de coisas como personagens secundários, história anterior ao tempo relatado, características físicas de alguém, manobras políticas. Nós vamos esquecendo tudo isso aos poucos, por mais que prestemos atenção. Por isso, reler alguns trechos não faz mal. Você pode tirar suas maiores dúvidas, e a confusão vai acabar. É claro que procurar ao acaso virando páginas para trás dá certo trabalho, mas com paciência, você acabará encontrando aquilo que precisa;

2- Preste atenção nos glossários e mapas: As páginas finais dos livros (que contam um poco da história de cada Casa de Westeros e relacionam os personagens mais importantes) não estão lá à toa. Foram feitas para serem consultadas, e podem resolver muitos problemas! Mas fique atento: as informações mudam em cada livro, conforme novos eventos vão se desenrolando. A morte de personagens é assinalada quando seu nome aparece entre chaves {Fulano}, e a história de cada Casa vai ficando mais resumida. E, é claro, conforme novas regiões de Westeros e Essos vão sendo apresentadas nos livros, novos mapas começam a aparecer;

3- Converse: Assim como no caso de quem vê a série, conversar pode ser muito bom. Junto com outra pessoa, você pode ter uma melhor interpretação daquilo que ler. Apenas tome cuidado para não dar ou receber spoilers. Ninguém gosta disso!;

Para ambos:


Visite a Wiki de Game Of Thrones: Você sabia que existe um site que funciona como a Wikipédia e que tem a única finalidade de compartilhar informações sobre a série e os livros? Sim, existe! O site é mantido com a colaboração de fãs da série, e pode ser muito útil para pesquisas. Para visitá-lo, basta clicar aqui.

Print retirado da página inicial do site.

Através do site, você pode encontrar referências sobre o enredo, a história das casas, a história de Westeros e de Essos, a história pessoal de um personagem em particular, e muitas outras coisas. Confira abaixo, através de outros prints, várias funções importantes do site.

É possível consultar o histórico de um determinado personagem, procurando a partir da região geográfica de sua Casa, ou através de índice.


É possível ler sobre cada uma das Casas, individualmente. Estão incluídas as casas exiladas e extintas.

É possível pesquisar o nome de um personagem, um local ou um acontecimento.

As funções do site são muitas. Ainda existe uma sessão própria para a Série de TV, onde são compartilhadas informações sobre os atores, produtores, e também novidades sobre as próximas temporadas.
Ao consultar o site, você está sujeito a encontrar spoilers, então é preciso tomar muito cuidado ao fazer suas pesquisas!


Essas foram algumas dicas que aprendi com o tempo, e também através de indicações de outros fãs. Caso conheçam outros jeitos legais de se informar mais sobre a série e os livros, comentem! A opinião de vocês é muito bem-vinda!

Por: Lethycia Dias




Depois de quase um mês lendo O Festim dos Corvos, quarto volume da série As Crônicas de Gelo e Fogo, cuja resenha saiu no último post, é claro que ainda estou muito envolvida na história. Certas frases da narração dos capítulos ou ditas de um personagem para outro tornaram-se marcantes para mim, e por isso decidi fazer um post com as que considero melhores. Até me arrependo de não ter pensado nisso antes, pois a vontade que tive foi de reunir as melhores frases da série inteira!
Então, aqui vamos nós com aquelas que separei:


"Não pode comer amor, nem comprar um cavalo com ele, nem aquecer os salões numa noite fria." (Lição de Tywin Lannister para Jaime, em lembrança de Cersei. Página 154).

"O Arquimeistre Rigney escreveu um dia que a história é uma roda, pois a natureza do homem é fundamentalmente imutável. O que aconteceu antes irá forçosamente voltar a acontecer, ele disse" (Lorde Rodrik Harlaw, em conversa com Asha Greyjoy. Página 251).

"Os corvos lutam pela carne de um morto e matam-se uns aos outros por seus olhos. [...] Tivemos um rei, depois cinco. Agora tudo que vejo são corvos em disputa pelo cadáver de Westeros." (Lorde Rodrik Harlaw, em conversa com Asha Greyjoy. Página 154).

"Ele trocou os bebês para proteger o pequeno príncipe, para mantê-lo longe das fogueiras da Senhora Melisandre, longe de seu deus vermelho. Se ela queimar o filho de Goiva, quem se importará? Ninguém, a não ser Goiva. Ele era apenas uma cria de Craster, uma abominação nascida do incesto, não o filho do Rei-Para-Lá-da-Muralha. Não serve como refém, não serve como sacrifício, não serve para nada, nem sequer tem nome." (Samwell Tarly, abordo de um navio em viagem para Bravos. Página 339/340).

"Nunca houvera homem que amasse as esposas com metade do amor que o Senhor Capitão tinha por seus navios." (Victarion Greyjoy, em reflexão sobre sua tripulação e sua frota naval. Página 385).

"Todos mentem quando têm medo. Alguns contam muitas mentiras, outros só algumas. Alguns têm só uma grande mentira que contam com tanta frequência, que quase chegam a acreditar nela... embora uma pequena parte de si saiba que continua a ser uma mentira, e isso transparece-lhes no rosto." (Sacerdote do Deus de Muitas Faces, em conversa com Arya Stark. Página 469).

"Quando as neves caem e os ventos brancos sopram, o lobo solitário morre, mas a alcateia sobrevive." (Arya Stark, ao abandonar seus pertences em um canal de Bravos. Página 479).

"No jogo dos tronos, até as peças mais humildes podem ter vontade própria." (Petyr Baelish, em conversa com Sansa Stark. Página 502).

"As palavras são vento [...]. Não podem machucá-la. Deixe-as passar por você como água." (Brienne de Tarth, ao ser ofendida por Lorde Randyl Tarly. Página 548).

"Nossa vida é como a chama de uma vela, segundo a Estrela de Sete Pontas. Qualquer brisa errante pode nos apagar. A morte nunca está longe neste mundo, e sete infernos esperam os pecadores que não se arrependem de seus pecados." (Lancel Lannister, em conversa com Jaime Lanister. Página 682).

"Nós os enterramos lado a lado, Stark e Lannister, Blackwood e Bracken, Frey e Darry. É este o dever que o rio nos pede em troca de todos os seus presentes, e nós o cumprimos o melhor que podemos." (Irmão Mais Velho, dando explicações a Brienne de Tarth, Podrick Payne, Sor Hyle Hunt e Septão Maribald, na Ilha Quieta. Página 696/697).

"Vocês de Westeros transformam o amor em vergonha. Não há vergonha em amar. Se seus septões dizem que há, seus sete deuses devem ser demônios. Nas ilhas, sabemos melhor das coisas. Nossos deuses deram-nos pernas para correr, narizes para cheirar, mãos para tocar e sentir. Que deus loucu e cruel daria a um homem olhos e depois lhe diria que deve mantê-los fechados para sempre e nunca olhar toda a beleza do mundo? Só um deus monstruoso, um demônio das trevas." (Kojja Mo, marinheira das Ilhas do Verão, repreendendo Samwell Tarly em viagem para Vilavelha. Página 788).

"Se nunca falarmos sobre isso, logo esqueceremos, e então terá sido apenas um pesadelo [...]. Os pesadelos nunca se tornam reais." Melara Heterspoon, amiga de infância de Cersei, em sua lembrança da visita à bruxa que lhes previu o futuro. Página 813).

"Na árvore da forca, todos os homens são irmãos." (Lembrança de Brienne de Tarth sobre um livro lido há muito tempo, trazida à tona após o encontro com vários corpos enforcados nos arredores de Salinas. Página 816).

"O que é perigoso é ter nascido plebeu, quando os grandes senhores jogam seu jogo dos tronos." (Septão Meribald em resposta a um comentário de Sor Hyle Hunt, nos arredores de Salinas. Página 819).

"Se isso for outro sonho, está na hora de acordar. Se isto for real, está na hora de morrer" (Brienne de Tarth, ao ser enforcada por membros da Irmandade sem Estandartes. Página 957).


Essas são as frases que achei mais marcantes e reflexivas, que imaginei que poderiam tocar também outras pessoas. Eu gostaria apenas de lembrar que li o livro em sua edição econômica, e portanto, a numeração das páginas está de acordo com a edição consultada. Por isso, citei alguns detalhes a respeito de cada frase para facilitar que sejam encontradas na edição normal.

Por: Lethycia Dias

"Continuando a saga mais ambiciosa e imaginativa desde O Senhor dos Anéis, As Crônicas de Gelo e Fogo prosseguem após o violento triunfo dos traidores. Enquanto os senhores do Norte lutam incessantemente uns contra os outros e os Homens de Ferro estão prestes a emergir com uma força implacável, a rainha regente Cersei tenta manter intacta a força dos leões em Porto Real.Os jovens lobos, sedentos por vingança, estão dispersos pela terra, cada um envolvido no perigoso jogo dos tronos. Arya abandonou Westeros rumo a Bravos, Bran desapareceu na vastidão enigmática para além da Muralha, Sansa está nas mãos do ambicioso e maquiavélico Mindinho, Jon Snow foi proclamado Comandante da Muralha, mas tem que enfrentar a vontade férrea do rei Stannis e, no meio de toda a intriga, começam a surgir histórias do outro lado do mar sobre dragões vivos e fogo... Quando Euron Greyjoy como rei das Ilhas de Ferro não são só as ilhas que tremem. O Olho de Corvo tem o objetivo declarado de conquistar Westeros. E o seu povo parece acreditar nele. Mas será ele capaz? Em Porto Real, Cersei enreda-se cada vez mais nas teias da corte. Desprovida do apoio da família, e rodeada por um conselho que ela própria considera incapaz, é ainda confrontada com a presença ameaçadora de uma nova corrente militante da Fé. Como se desvencilhará de tal enredo? A guerra está prestes a terminar mas as terras fluviais continuam assoladas por bandos de salteadores. Apesar da morte do Jovem Lobo, Correrrio ainda resiste ao poderio dos Lannister, e Jaime parte para conquistar o baluarte dos Tully. O mesmo Jaime que jurara solemente a Catelyn Stark não voltar a pegar em armas contra os Tully ou os Stark. Mas todos sabem que o Regicida é um homem sem honra. Ou não será bem assim?"

Autor: George R. R. Martin
Gênero: Fantasia
Número de páginas: 1099*
Local e data de publicação: São Paulo, 2012
Tradução: Jorge Candeias
Editora: LeYa,
Outros detalhes: Edição econômica

Um reino despedaçado


Se você está lendo esta resenha sem ter lido os outros livro da série, pare agora mesmo. Posso começar dizendo que entre todos os livros d'As Crônicas de Gelo e Fogo, esse foi para mim o mais difícil de ler. Sua densidade, a seriedade do acontecimentos é bem maior que nos outros, com o acréscimo de que temos aqui muito personagens novos. Outras regiões geográficas são apresentadas como cenário, e outros personagens passam a narrar os capítulos, o que pode ser um pouco confuso. Para mim, foi uma triste perspectiva. Do início ao fim, eu sentia falta dos capítulos do Jon Snow e do Tyrion, meus personagens preferidos. Daenerys e Davos também não estavam presentes, e muito menos Bran. Em O Festim dos Corvos, Brienne segue com a Cumpridora de Promessas à procura de Sansa, que se surpreende cada vez mais com os planos ousados de Petyr Bealish no Ninho da Águia. Arya passa por dificuldades vivendo em Bravos, uma cidade estranha cujo idioma ela desconhece. Sam enfrenta, junto a Dareon, Meistre Aemon e Goiva, uma perigosa viagem desde Atalaialeste do Mar até Vilavelha, para tornar-se um meistre. Jaime, desencantado com Cersei e tentando recuperar com a mão esquerda sua força de cavaleiro implacável, parte para o Tridente, defendendo a paz do rei Tommen. Como Rainha Regente, Cersei enfrenta dificuldades para governar, tendo de fazer manobras perigosas para satisfazer seus próprios interesses sem ofender aos seus súditos, especialmente a família Tyrell e seus vassalos, dos quais Porto Real tornou-se dependente. E mesmo que já estejamos esperando por isso, as intrigas e segredos revelados são surpreendentes. E as reviravoltas, mais ainda.
Por ser um livro longo, e pela quantidade de acontecimentos importantes que exigiam que eu voltasse algumas páginas ou alguns capítulos para relembrar certos detalhes, a leitura foi demorada: praticamente um mês. Nesse tempo todo, eu intercalava a leitura com os trabalhos para o blog, os vídeos do canal e pequenos contos que baixei em forma de e-book. Felizmente, estava de férias, caso contrário teria demorado muito mais.
Intrigante e tão impossível de largar quanto os outros volumes da série, O Festim dos Corvos me surpreendeu do início ao fim. Tentando compreender os novos personagens que surgiam, e fazer ligações entre eles e os que eu já conhecia, tentando desvendar o que havia nas entrelinhas, eu me aventurava, mergulhava mais e mais na história. Entre os novos personagens que eu sequer imaginava que seriam tão importantes, o que me pareceu mais sensato foi o velho Rodrick Harlaw, O Leitor, tio de Asha Greyjoy, um homem que passa os dias trancado em seu castelo na maior das Ilhas de Ferro, apenas lendo volumes antigos e empoeirados da sua amada biblioteca. Confesso que o fato de ele gostar de ler contribuiu um pouco, mas as opiniões do homem diante da guerra e das ambições dos demais Homens de Ferro é que me conquistaram de verdade.

"Os corvos lutam pela carne de um morto e matam-se uns aos outros por seus olhos - Lorde Rodrick estendeu os olhos para o mar, observando o jogo que o luar disputava com as ondas. -
Tivemos um rei, depois cinco.
Agora tudo que vejo são corvos em disputa pelo cadáver de Westeros."
Página 254.

De Porto Real às terras fluviais, de Bravos a Dorne, do Vale de Arryn a Vilavelha, a jogo dos tronos continua tão perigoso e traiçoeiro como sempre foi. Um novo rei surge para reivindicar seu direito a Westeros, enquanto os rumores sobre os dragões de Daenerys (e também sobre sua beleza incomum) chegam a lugares distantes, mesmo que nem todos acreditem naquilo que ouvem dos marinheiros vindos de outras terras.
Temos homens com medo e homens sedentos por vingança; homens piedosos, e seu antônimo; homens perigosos querendo ascender socialmente; ameaças surgindo de onde menos se esperava; segredos de anos atrás voltando à superfície; conspirações fracassadas no início; e outras que por mais planejadas que sejam, acabam por dar errado no fim.
Embora eu tenha sentido falta dos capítulos de meus personagens preferidos (onde, pelo amor de todos os deuses, o Tyrion anda escondido?) acabei gostando dos narradores que surgiram de repente, como Arianne Martell e Victarion Greyjoy. E mesmo que eu não goste nem um pouco da Cersei, os capítulos dela me divertiam muito de uma forma irônica, pois eu adorava ver as dificuldades dela para governar sem prejudicar a si mesma. Com enormes dívidas do Reino e sem dinheiro para pagá-las; "cercada por covardes e traidores"; sem a experiência de seu pai morto; e se roendo de ciúmes da pequena rainha Margaery que a cada dia conquista mais tanto o povo quanto Tommen; ela se julga muito inteligente, mas cada uma de suas decisões é um novo tropeço.
Para quem começou a ler os livros e decidiu seguir em frente pela curiosidade de saber quem governará Westeros, quem escapará ileso da fúria dos inimigos, e quem perecerá, muitas surpresas o esperam nesta trama genial.

Aspectos positivos: Apresentação de novos personagens e novas regiões geográficas. Revelação de segredos íntimos dos personagens, levando o leitor a compreendê-los melhor. Traz à tona esclarecimentos sobre acontecimentos anteriores. Presença de grande quantidade de batalhas e atos de bravura da personagem Brienne.
Aspectos negativos: Ausência de personagens dos outros livros, deixando o leitor meio "perdido" entre os novos narradores.

Por: Lethycia Dias

*O livro lido para a resenha é a edição econômica, e o número de páginas (e também da frase citada aqui) está de acordo com a edição consultada.

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