Confira!


Uma breve biografia


Quem nunca ouviu ao menos uma vez o nome Agatha Christie? A escritora britânica nascida em 1890 destacou-se escrevendo romances policiais e é um grande nome da literatura universal e uma das escritoras mais populares do século XX. Suas tramas lhe renderam o apelido carinhoso de Rainha/Dama do Crime. Ela morreu no dia 12 de janeiro de 1976, por uma pneumonia.
Filha de um rico americano Agatha Mary Clarissa Miller nasceu em Torquay, no condado de Devon, na Inglaterra, em 15 de setembro de 1890, e tinha dois irmãos mais velhos, Madge e Monty. Ela foi educada em casa, com tutores e professores particulares, Quando tinha 11 anos, seu pai, Frederick, morreu. E aos 16 anos, ela foi enviada para uma escola de aperfeiçoamento em Paris.
Agatha conheceu o Coronel Archibald Christie, piloto do Corpo Real de Aviadores, no ano de 1912, e casaram-se em 24 de dezembro de 1914. O marido serviu durante a Primeira Guerra Mundial, e durante esse tempo Agatha trabalhou em um hospital e em uma farmácia. Sua única filha, Rosalind, nasceu em 1919, e no ano de 1926, após a morte de sua mãe, Agatha separou-se do Coronel Archibald.

Carreira literária


Agatha Christie começou a escrever seu primeiro livro, O misterioso caso de Styles, em 1916, mas só conseguiu publicá-lo em 1920, após ser recusada por 6 editoras. Foi a primeira aparição do detetive Hercule Poirot. O livro vendeu 2 mil cópias, e foi seguido por outros títulos: O adversário secreto, Assassinato no campo de golfe, O homem do terno marrom, Poirot investiga e O segredo de Chimneys. O sucesso veio em 1926, quando ela publicou O assassinato de Roger Ackroyd, que vendeu 5 mil cópias.
Mesmo após o divórcio, ela manteve o sobrenome "Christie", que já era reconhecido por seus leitores. Ela chegou a casar-se outra vez, e na vida particular era chamada Mrs. Mallowan, assistente do arqueólogo britânico Leonard Wooley. Com ele, viajou por todo o mundo, fazendo escavações e acumulando conhecimentos sobre arquelogia, o que deu origem ao livro Vem, me diga como você vive, uma breve autobiografia e relato de viagens.
Voltou a escrever em 1927, e alcançou o auge de sua carreira em 1934, quando publicou o Assassinato no Expresso do Oriente, um de seus livros mais famosos, adaptado para o cinema, TV e teatro diversas vezes. A mais famosa delas seria a versão cinematográfica de 1974, que rendeu um Oscar de melhor atriz secundária para Ingrid Bergman.
O detetive Hercule Poirot não foi seu único personagem de destaque. Muitas de suas histórias contam com a participação da detetive amadora Miss Marple. Durante a Segunda Guerra Mundial, quando teve medo de morrer, Agatha Christie escreveu as últimas histórias de Poirot (Cai o pano), e Miss Marple (Um crime adormecido), onde mata seus dois principais personagens, por temer que fossem usados por outras pessoas caso ela morresse. Os dois livros permaneceram trancados no cofre de um banco por muito tempo, até que ela percebeu que não podia mais escrever. Cai o pano foi publicado em dezembro de 1975, e Um crime adormecido foi publicado postumamente, em outubro de 1976.
Suas influências seriam os livros que sua mãe Clara lia para ela, entre eles, títulos de Sir Walter Scott, Charles Dickens, John Milton, Alexandre Dumas e Jane Austen, sendo Dickens o preferido de Agatha. Ela teria lido a primeira história de Sherlock Holmes aos oito anos, e em seguida partido para as obras de Edgar Allan Poe. Sobre sua escrita, ela deixou uma opinião marcante: "A escrita é um grande conforto para pessoas como eu, que estão inseguros sobre si mesmos e têm dificuldade para expressar-se corretamente.".
No ano de 1971, ela foi condecorada pela rainha Elizabeth II, com o título de Dame (Dama) do Império Britânico, que seria a versão feminina do título de sir. 
Em 56 anos de carreira, ela escreveu mais de 80 livros, alguns com o pseudônimo Mary Westmacott, além de várias peças teatrais e adaptações cinematográficas e televisivas de suas próprias obras. É conhecida por ter feito com que os desfechos de seus livros fossem sempre impressionantes, tornando muito difícil adivinhar quem seria o assassino.


Guiness Book


Agatha Christie foi possui três marcos no Guiness Book, o livro dos recordes.
Autora mais vendida no mundo: seus livros já venderam mais de 4 bilhões de cópias em 103 idiomas e os royalties gerados pelas obras são de US$ 4 milhões por ano.
Peça teatral encenada há tempo no mundo: a peça A ratoeira estreou em 25 de novembro de 1952 no Ambassadors Theatre em Londres, em 25 de março de 1974 foi para o St. Martin's Theatre, e continua lá até hoje. Já foi apresentada mais de 25 mil vezes!
O livro mais espesso do mundo: Sendo um dos livros mais raros da escritora, The Complete Miss Marple é uma reunião com todas as histórias protagonizadas pela personagem Jane Marple, incluindo 12 romances e 20 contos, além de um mapa de St. Mary Mead, a aldeia fictícia em que Miss Marple viveu, produzido com base na descrição feita por Agatha em Um corpo na biblioteca e detalhes adicionais fornecidos em outros de seus romances. São 4032 páginas, e mais de 30 centímetros de espessura. Foram feitas apenas 500 volumes do livro. Ele ainda inclui um prefácio escrito por Mathew Prichard, o único neto de Agatha, que escreveu: "Ao longo dos anos, todo mundo me disse que isso nunca poderia ser feito - coletar todas as histórias de minha avó sobre Miss Marple em um único volume. Assim, embora este livro seja, em termos de publicação, um marco, ele também simboliza o carinho que o público, tanto na Grã-Bretanha quanto em outros lugares, tem por Miss Marple."


Curiosidades



  • Agatha Christie teve 3 peças em cartaz simultaneamente em Londres, 2 nos EUA e outras em vários outros lugares;

  • O período em que trabalhou em um hospital e em uma farmácia, durante a Primeira Guerra Mundial, influenciou muito a sua carreira literária. Segundo a Wikipédia, muitos dos assassinatos de suas histórias foram cometidos com o uso de venenos;

  • Agatha Christie viajava muito. No início dos anos 1920, deu a volta ao mundo com o marido e chegou a surfar na África e em Honolulu (Havaí), como descreve em sua autobiografia;

  • Em 3 de agosto de 1975, o jornal The New York Times, publicou o obituário de Hercule Poirot na primeira página, com sua fotografia;

  • Entre seus próprios livros, os preferidos de Agatha eram A casa torta, de 1949, e Punição para a inocência, de 1957;



Frases marcantes


Preparei algumas imagens com frases dela. Clique nas imagens para ampliá-las.





E como o post precisava ficar um pouco mais bem-humorado e divertido em algum momento, chegamos a essa parte. Novamente, clique nas imagens para ampliá-las.

Alguns tweets que mostram que Agatha Christie é popular até hoje


Se ela tinha o dia inteiro livre, tenho certeza de que conseguiu!

O que eu falei acima sobre os finais imprevisíveis?

De novo, a imprevisibilidade.

A minissérie foi exibida no canal BBC One.

Eu também queria esse tipo de presente!

Se você pede uma indicação de livro e a pessoa responde "Qualquer um de Fulano", você já sabe o que pensar, né?

"Um grande presente seria que a amiga @Glayner me emprestasse os livros de Agatha Christie"

E na sua fila, existem quantos?

Mas que natal maravilhoso!

E se você lesse tanto os livros dela, a ponto de se tornar especialista?

Chegamos ao fim desse post, que pretende ser uma homenagem à escritora Agatha Christie, em virtude dos 40 anos de sua morte. Todas as informações foram coletadas nos sites que seguem abaixo.

Por: Lethycia Dias

Referências Bibliográficas:
Agatha Christie. Wikipédia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Agatha_Christie>. Acesso em: 04 de janeiro de 2016.
And Then There Where None. Wikipédia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/And_Then_There_Were_None_(miniss%C3%A9rie)>. Acesso em: 05 de janeiro de 2016.
Curiosidades. L&PM Editores. Disponível em: <http://www.lpm-agathachristie.com.br/site/default.asp?TroncoID=919170&SecaoID=0&SubsecaoID=0>. Acesso em: 04 de janeiro de 2016.
Curtain. Wikipédia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Curtain>. Acesso em: 04 de janeiro de 2016.
GOMES, Cristiana. Agatha Christie. Infoescola. Disponível em: <http://www.infoescola.com/escritores/agatha-christie/>. Acesso em: 04 de janeiro de 2016.
Ingrid Bergman. Wikipédia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Ingrid_Bergman>. Acesso em: 04 de janeiro de 2016.
Sleeping Murder. Wikipédia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Sleeping_Murder>. Acesso em: 04 de janeiro de 2016.
The Mousetrap. Wikipédia. Disponível em; <https://pt.wikipedia.org/wiki/The_Mousetrap>. Aceso em: 04 de janeiro de 2016.

"Numa magnífica casa solarenga de províncias, propriedade de abastado aristocrata, reúne-se um grupo de pessoas da melhor sociedade inglesa, para passar um agradável fim de semana. Porém, entre a "gente fina", há quem faça coisas más e que, com muitas boas maneiras, pode cometer os piores assassinatos. Isto é o que acontece na mansão de Sir Henry Angkatell: um assassino oculta-se entre seus elegantes convidados e um deles é a sua vítima. Felizmente, também lá se encontra um homenzinho pequeno, de grandes bigodes e com cérebro privilegiado: Trata-se do famoso detetive Hércule Poirot, que descobre o culpado e impede, na última hora, que este cometa um segundo assassinato."


Autor: Agatha Christie
Gênero: Policial
Número de páginas: 308
Local e ano de publicação: Rio de Janeiro, 1964
Tradução: Vânia de Almeida Salek
Editora: Record

Quando o "simples" engana


Este livro foi o primeiro de Agatha Christie que li, apesar de já saber da fama de suas obras há muito tempo. Como sabemos desde a sinopse, Sir Henry e Lady Lucy Angkatell estão se preparando para receber alguns parentes e amigos, convidados para passar um fim de semana da Mansão Hollow, uma propriedade nos arredores de Londres, próxima a um bosque, perfeita para o verão. Entre os convidados estão Midge Hardcastle, e Henrietta Savernake, suas primas; Edward Agkatell, um primo que possui uma propriedade da família; David Angkatell, também primo, um jovem intelectual de Oxford; e John e Gerda Christow, um casal de amigos. Além disso, há um convidado especial: o detetive Hércule Poirot, que possui um chalé vizinho à Mansão. Lucy e Henry sabem que os convidados podem não se dar muito bem, mas acreditam serão capazes de dar igual atenção a todos e manter o bom relacionamento entre todos.
Entretanto, o que eles não esperavam era que durante este fim de semana ocorresse um terrível crime, no domingo à tarde, em frente à bela piscina da casa. Pouco antes de morrer, a vítima diz o nome de uma das pessoas presentes; além disso, o suposto assassino encontra-se de frente para sua vítima, segurando uma arma. Parecem não haver dúvidas de que o culpado seja essa pessoa. Entretanto, Poirot desconfia de que a cena seja um tanto artificial, e a simplicidade evidente dos acontecimentos não o convence. Além disso, as investigações policiais indicam de que a arma usada no crime foi outra. Com o avanço da história, nos damos conta de que sempre surgem novas evidências apontando contra outras pessoas, e parece ser cada vez mais difícil compreender quem foi o assassino.
Confesso que de início não foi uma leitura fácil. Eu ansiava por saber quem morreria, e quando. Havia imaginado que "reunir um grupo de pessoas da melhor sociedade inglesa" significava dar uma festa ostensiva e esplêndida, na qual estariam presentes pessoas de alta classe, que apesar de terem conflitos entre si e relações difíceis, estariam ali para "manter as aparências". Ao menos, é o que se esperaria de um filme comum, ou de um capítulo de telenovela. Mas não estamos falando de filmes com enredo batido, e muito menos de novelas do horário nobre. Estamos falando de Agatha Christie, a Rainha do Crime, e se sua maneira de articular os eventos numa história sensacional me incomodou a princípio, talvez fosse eu que estivesse acostumada com outros tipos de trama policial. Volte à primeira linha da resenha e veja o motivo do incômodo: eu nunca havia lido Agatha Christie antes.

"Levantou a vista abruptamente, perturbado com um leve e inesperado ruído.
Ouvira tiros no bosque, lá em cima, e os ruídos comuns dos bosques,
pássaros, e o som melancólico e distante de folhas caindo.
Mas esse era um outro ruído - apenas um leve clique."
Capítulo Dez, página 108.

Temos assim um espetacular romance policial construído de uma forma completamente desconhecida para mim, visto que todos os personagens possuem capítulos narrados sob seu ponto de vista, ao contrário do que eu estava acostumada a ver em outros livros (nos romances policiais atuais, quem marca a narração dos capítulos, em sua absoluta maioria, é sempre o detetive ou policial envolvido nas investigações, que consegue sozinho descobrir tudo, e todas as evidências são apresentadas somente para ele). Assim, vemos que cada um dos convidados, bem como Henry e Lucy e também seus empregados, parecem saber mais do que dizem. A todo momento os indícios apontam para pessoas diferentes, e o leitor se vê perdido, tentando raciocinar entre as provas descobertas, e ao mesmo tempo desconfiando de coisas que os personagens deixam escapar em conversas entre si.
Entretanto, neste romance não temos apenas investigação policial. Antes que o crime aconteça, temos a apresentação dos personagens e somos capazes de entrar em seus respectivos mundos íntimos. Sabemos sobre os dilemas e sentimentos deles, e as relações que possuem entre si. E com a morte, o inquérito policial e as sucessivas investigações conduzidas pelo inspetor Grange, vemos esses personagens tão diferentes prosseguindo suas vidas, sem, entretanto, se esquecer da sombra de morte e mistério que paira entre eles.
Com um desfecho impressionante, em que Poirot baseia-se numa dedução e naquele conflito inicial da cena artificial, do enigma em que tudo parecia ser simples demais para ser verdade. Trata-se não apenas de uma história de assassinato e investigação, mas também de uma narrativa sobre a idealização de uma pessoa, e sobre o quanto pode ser decepcionante descobrir que aquilo que imaginávamos sobre alguém não é verdade.
Eu indico este romance para todos que admiram o gênero policial. Se já estiverem acostumados com a autora, creio que desde o início se sentirão atraídos pela trama; e se, assim como eu, ainda não conhecem suas obras, recomendo que sejam pacientes, e aguardem. A tensão demora para se fazer presente, mas a espera vale a pena!

Por: Lethycia Dias

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