Confira!


Que tal aproveitar o clima de sexta-feira com um pouco de música? E melhor ainda se essa música vem acompanha por um pouco de literatura, não é mesmo? Pois é! Se você chegou ao Loucura Por Leituras por acaso, saiba que essa é uma coluna criada há pouco tempo no blog.
A ideia principal é falar de algumas músicas que se destacam pelo fato de contarem histórias. A partir daí, eu falo um pouco sobre o que essas músicas significam para mim, e como eu imagino que seria um livro baseado em cada uma delas.
A música que escolhi para hoje é Maria Rosa, interpretada pela Elis Regina.



Olá, louco por leitura! Você está se deparando agora com o segundo post da mais nova coluna fixa do blog: essa música daria um livro. No início de junho, lancei o primeiro post dessa coluna, no qual apresentei minha proposta. Mas vou repeti-la aqui, para quem não leu o post inicial.
Essa música daria um livro nasceu a partir de uma vontade muito antiga que eu tinha de escrever sobre música aqui no blog, e quando percebi que era possível associar música e livros, finalmente concretizei esse desejo. A partir daí surgiu a ideia inicial de fazer posts sobre músicas que contam histórias, sobre o que essas músicas significam pra mim, e sobre como eu imagino que essas histórias seriam, caso alguém escrevesse um livro se inspirando em uma dessas músicas.
Eu sei que parece maluquice, mas acredite, funciona!
A música escolhida para hoje é Romance no deserto, de Fagner. 




Olá, leitores! Hoje é dia de falar de duas coisas que eu amo: música e livros. Tenho certeza de que vocês também amam as duas coisas, e por isso, decidi uni-las em uma nova coluna do blog.
No início, parecia uma ideia sem pé nem cabeça, mas fui vendo que podia dar certo, e comecei a ficar cada vez mais animada. Música é algo que une as pessoas. E existem algumas músicas muito interessantes, que de certa forma contam histórias. Eu me encanto com esse tipo de música há muito tempo, desde quando eu e meu irmão ouvíamos Legião Urbana em uma velha fita cassete, e tentávamos aprender a cantar Faroeste Caboclo. Mas isso é outra história! O que me motivou a escrever esse post foi ter percebido que algumas dessas músicas me encantavam tanto, que eu queria muito que alguém escrevesse livros sobre elas! Então eu percebi que não existia só uma, e que seria possível criar uma coluna inteira no blog, dedicada a isso.
A premissa básica da coluna será muito simples: essa música daria um livro. Aqui, falarei de algumas dessas músicas interessantes, sobre os sentimentos que elas despertam em mim, e sobre como eu imagino que seria o tal "livro" com a história de cada música, a partir do que é dito na letra. Tentarei, em todos os posts, manter a estrutura a seguir.
E a música escolhida para abrir a nova coluna é: Era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones.

"Vida de adolescente não é moleza e isso não é segredo! Leo que o diga. Hospedado na casa da avó Helena, enquanto o pai estava trabalhando na Europa, ele andava cansado da rotina, entediado com tudo. Foi salvo pela música. A sorte grande chegou em caixas de discos de vinil que Leo ganhou de presente. Claro que você deve saber que vinil é aquela espécie de plástico que antigamente se usava para prensar discos. Antes dos CDs e das músicas disponíveis via internet, todo mundo comprava os chamados long plays, algo como bolachões pretos lotados de música. Pois Leo se viu diante de um monte deles e os colocou para rodar, descobrindo um pretexto para lá de especial para reunir os amigos, conquistar garotas e entender melhor o pai e a família. Dos Beatles ao Legião Urbana, as combinações se juntaram numa trilha sem igual, com muito rock and roll. A vida de Leo nunca mais foi a mesma. E, se aconteceu com ele, pode acontecer co você também. Leo encontrou as caixas de música e você acaba de encontrar o Leo. Pelo visto, uma sorte puxa outra. Portanto, curta essa aventura, aumente o som e prepare-se porque isso aqui é só o começo! Se você achava que esse barulho todo ia parar por aqui, errou feio! Este é o primeiro volume da coleção Trilhas: uma viagem musical. Depois de muito rock and roll, Leo vai experimentar novos lugares e ritmos, e tudo indica que você já está dentro, como convidado dessa história!

Autor: Ricardo Prado
Gênero: Infanto-juvenil
Número de páginas: 166
Local e data de publicação: Rio de Janeiro, 2009
Editora: Casa da Palavra

Uma aventura musical


Como na maioria dos livros deste gênero, em Leo e as caixas de música nós temos acesso a um protagonista com quem todos que somos jovens vamos nos identificar prontamente: Leo é um adolescente que gosta de ouvir música, sair com os amigos, e tem grandes dificuldades para compreender seus pais. Isso não é novidade pra ninguém, certo? Certo. Mas temos aqui alguns elementos que o diferenciam de muitos outros livros com protagonistas adolescentes, que eu li até enjoar quando era mais nova.
Indo ao cinema com meu namorado, por acaso passamos por um daqueles mercados que ficam na parte interna dos shoppings, e lá dentro, bem na entrada, encontramos duas cestas enormes repletas de livros, todos custando apenas dez reais. Não dava pra deixar de aproveitar aquela promoção! Eu tratei de parar ali na frente para procurar por algo que me interessasse. E entre as escolhas que nós dois fizemos naquele dia, lá estava Leo e as caixas de música, um livro do qual nunca tínhamos ouvido falar, mas que decidimos comprar e ler porque, lendo o comentário de Ana Maria Machado na parte de trás, acreditamos que a história se tratava de música - especialmente de rock. Nós o compramos com empolgação, junto com outros volumes que nos interessaram. E foi uma ótima escolha!
Leo é um adolescente de família rica no Rio de Janeiro, no ano de 1989. Seu nome na verdade é Leopoldo Armando Toledo de Albuquerque Paranhos, Abneto. Ele vem de uma família de embaixadores, na qual todos os filhos recebem o mesmo nome, em homenagem a um ancestral que viveu na época do Brasil Império. O segundo nome seria uma homenagem ao seu padrinho, conforme a tradição. Ele odeia esse nome enorme, e também essa tradição de família esquisita. E não se dá muito bem com seu pai: Leopoldo Henrique parece um homem extremamente formal e um tanto autoritário, sempre cobrando responsabilidades e formalidades demais.
Além disso, os pais de Leo viajaram para Praga, a capital da República Checa, onde o pai dele representará o Brasil, pois é embaixador. Ele está chateado por ser "deixado para trás", para terminar o ano no colégio. Até o fim desse ano, ele ficará morando com sua avó Helena, de quem ele gosta muito. O grande acontecimento que dá razão a toda a história do livro é o dia em que Helena decide dar de presente a ele a grande coleção de discos que ela fez e que mais tarde seu filho ampliou. Eram caixas e mais caixas repletas de LP's, e muitos deles vinham acompanhados de fichas escritas pelo pai de Leo, contendo informações e comentários sobre cada disco, além de conexões estabelecidas com outras bandas, discos e músicas. Leo fica impressionado com aquilo, e resolve começar uma série de reuniões com seus melhores amigos da escola, para que todos pudessem ouvir boa música e conhecer mais sobre tantas bandas legais das quais eles não sabiam quase nada. A partir daí, ele conhece um mundo completamente novo!
Através dessas reuniões, ele se diverte muito com os amigos, conhece muita música boa, e o melhor de tudo: descobre que seu pai não era um cara tão chato quanto ele acreditava! Lendo as anotações nas fichas relativas a cada álbum, ele descobre uma pessoa diferente na figura do pai quando jovem, e assim, consegue desenvolver um afeto por ele, mesmo a distância.

"Eu estava fascinado. Minha sensação é de que aquelas caixas que Helena trouxera
criaram um vínculo de mistério, e de verdade,
entre mim e um momento de história, revolução e rock and roll."

Este se trata de um livro relativamente simples, escrito para crianças e adolescentes, com linguagem fácil e grande quantidade de diálogos, usando até mesmo gírias da época. É também uma história curta, com pouco mais de 150 páginas, que pode ser lida em um ou dois dias, e que eu só levei uma semana para ler porque sou uma universitária procrastinadora.
É narrado em primeira pessoa, como é muito comum vermos em livros com protagonistas adolescentes, ou escritos para adolescentes. A história acontece rapidamente, e parece que tudo acontece em apenas alguns dias. A parte especial é que o livro foi escrito como se tivesse sua própria "trilha sonora", pois vários trechos marcantes são pontuados com trechos de músicas nacionais ou internacionais, algumas muito conhecidas, outras nem tanto. Por isso, esse é um livro perfeito para quem ama música e quer saber mais sobre algumas bandas como os Beatles e os Rolling Stones, ou apenas conhecer mais músicas. Essa foi a parte que mais me encantou!
Um ponto importante que devemos observar no livro são as características da época. Na época do Leo não existia internet, e ele sequer tinha computador. Para ouvir música, as pessoas compravam discos de vinil em lojas; para se comunicar com os amigos e conhecidos, escreviam cartas, ligavam pelo telefone fixo ou faziam uma visita; para fazer pesquisas, era preciso frequentar bibliotecas e ler muitos livros (o que você faria da sua vida sem o Google?); e mais uma série de outras coisas. As pessoas se vestiam e se comportavam de formas diferentes, e só as pessoas mais ricas tinham televisão. Além disso, o ano no qual a história se passa era 1989. Havíamos acabado de sair da Ditadura Militar, e a nossa atual Constituição existia há apenas uma ano. Era naquela época que bandas como a Legião Urbana estavam se consolidando e ganhando espaço no cenário nacional. É sem dúvidas uma época muito distante da nossa, e também muito interessante!
As discussões sobre música e as histórias das bandas e do rock and roll recontadas ao longo do livro são muito ricas, e contadas de forma simples e divertida. Para mim, a melhor parte foi quando falou-se sobre o festival e filme Woodstock, do qual eu não sabia absolutamente nada.
O livro faz parte de uma série chamada Trilhas: uma viagem musical, e o final deixa bem claro que existe continuação. Eu não sei se pretendo continuar, mas gostei muito de Leo e as caixas de música. As páginas inicias do livro falam a respeito de um site onde estariam disponíveis em áudio todas as músicas citadas do livro. Entretanto, tentei visitá-lo várias vezes e não consegui. Por isso, acredito que ele já não deve mais existir, e que quem quiser ouvir as músicas, deve buscá-las por conta própria.
Eu, que já ouvia várias das bandas citadas no livro, mas que não conhecia muito de suas histórias, gostei muito da leitura, que foi algo leve e divertido depois de todo o tom de seriedade de Uma Tragédia Francesa. Recomendo este livro para todos que amam música, que querem conhecer melhor a época descrita, ou que simplesmente estão procurando uma leitura simples, divertida e leve.

Aspectos positivos: boa ambientação da época; a história das bandas e do festival Woodstock é contada de forma simples e divertida, sem causar confusão; as citações de trechos de músicas tornam a leitura interativa, convidando o leitor a ouvir.
Aspectos negativos: não é possível acessar o site para ouvir as músicas descritas no livro.

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