Confira!


Cinco anos atrás, quando eu era uma adolescente que não precisava fazer muito esforço para tirar notas altas na escola e tinha muito tempo de sobra, comecei a sofrer de insônia. Na época, esse não era um problema tão grande. Eu tinha só 13 anos, estava na sétima série, e aquilo não era um problema tão grande. Eu apenas não gostava de permanecer acordada enquanto todo mundo estava dormindo, e para me ocupar madrugada adentro, eu lia. Acendia a luz e, deitada na minha cama, lia até sentir sono suficiente para poder enfim dormir. Eu me lembro de ter lido A menina que roubava livros, um volume de 500 páginas, em cerca de cinco dias. E isso não atrapalhava meus estudos, não me deixava cansada, não prejudicava meu dia-a-dia. Me deixava feliz, e meu registro na biblioteca da escola contava com uma longa lista de empréstimos.
Hoje, aos 18, estudo numa Universidade Federal que me exige muita dedicação e esforço. Preciso fazer muitas leituras, e agora estou fazendo disciplinas práticas, para as quais tenho que produzir todas as semanas. Estou participando de um programa de rádio, que compromete meus sábados. Realizo trabalhos voluntários no centro espírita que frequento, o Centro Espírita Doutor Marcelo. Além disso, sou uma pessoa como qualquer outra, e tenho namorado e família, que também geram compromissos. Logo, hoje tenho muito mais responsabilidades do que naquela época.
Continuo tendo insônia. A diferença é que nos últimos cinco anos já procurei diversos métodos diferentes para tentar dormir mais rápido, já não dá mais pra ficar uma ou duas horas lendo no meio da madrugada. Apesar de nunca ter procurado um médico para tentar descobrir a razão do problema (ansiedade? Distúrbios do sono? Preocupação? Estresse?), tenho alguns métodos genéricos, como ouvir música e acender um incenso, para relaxar. E faço isso, porque já não posso abrir mão das minhas preciosas horas de sono. A vida já não é como aos 13 anos, e eu faço inúmeras coisas durante um só dia. Acordo muito cedo, e sempre vou dormir mais tarde do que devia. Por isso, cada minuto de descanso é precioso, e a insônia hoje é uma das minhas grandes inimigas.

A grande quantidade de obrigações e responsabilidades que tenho hoje nem pode ser comparada àquelas que eu tinha cinco anos atrás. Naquela época, eu só precisava ir ao colégio de tarde, e ir ao curso de espanhol duas vezes por semana de manhã. Eu não tinha dificuldades nem na escola e nem no curso, e tinha muito tempo livre. Por isso, naquela época eu conseguia ler dois livros pequenos por semana, e deixava a bibliotecária da escola "doida" quando ela me dava uma indicação e leitura, e eu respondia "Já li esse". Foi por isso que naquela época eu contribuí para que minha turma fosse premiada na gincana do ano como a turma que pegava mais livros emprestados. E é claro, foi por isso que eu fiquei conhecida como a "devoradora de livros".
Hoje, com todos os meus compromissos, as exigências da faculdade, a leitura de textos acadêmicos, os fichamentos, a produção de textos jornalísticos e roteiros de rádio, os passeios com o namorado e os compromissos comuns em família, eu não consigo manter o mesmo ritmo de antes. Ler de madrugada se tornou impossível!
Para falar a verdade, quando eu mais leio é dentro do ônibus, a caminho da faculdade ou de qualquer outro lugar para onde eu tenha que ir. Já falei isso em vários outros posts por aqui, e quem acompanha o blog deve se lembrar.
Eu costumo anotar todos os livros em listas anuais, para não esquecer. Olhando as listas mais antigas, notei que algumas contém duas páginas preenchidas na frente e no verso. Comparei com a lista do ano de 2015, e notei a diferença. Essa tem apenas uma página, com algumas linhas em branco no lado da frente.
Bom, é claro que sei minhas responsabilidades atuais contribuem para o meu desenvolvimento na vida adulta, e que continuarei tendo diversas obrigações a cumprir durante a vida, que exigirão mais ou menos tempo e dedicação em cada fase diferente. Sei também que não posso viver só de leituras (embora eu queira muito isso), mas sinto falta de ler tanto quanto naquela época.
É uma nostalgia alegre, que eu gosto de ficar reproduzindo na minha mente. A biblioteca da escola, tão espaçosa, com tantas estantes, tantos livros de qualidade, com suas meses para fazer trabalhos, seu sofá e poltronas com almofadas tão confortáveis, a bibliotecária mais simpática que já conheci. Todos os intervalos cujo tempo rapidamente se esvaiu enquanto eu sonhava acordada naquela sala, escolhendo o próximo livro que leria vão deixar saudades eternamente, e sei que não vão voltar.

Bem, eu aproveitei o quanto pude aquela época! Hoje, o jeito é fazer o possível para organizar meu tempo, nem que eu demore semanas com um livro só. Mas jamais abandonarei minha paixão!

"Vida de adolescente não é moleza e isso não é segredo! Leo que o diga. Hospedado na casa da avó Helena, enquanto o pai estava trabalhando na Europa, ele andava cansado da rotina, entediado com tudo. Foi salvo pela música. A sorte grande chegou em caixas de discos de vinil que Leo ganhou de presente. Claro que você deve saber que vinil é aquela espécie de plástico que antigamente se usava para prensar discos. Antes dos CDs e das músicas disponíveis via internet, todo mundo comprava os chamados long plays, algo como bolachões pretos lotados de música. Pois Leo se viu diante de um monte deles e os colocou para rodar, descobrindo um pretexto para lá de especial para reunir os amigos, conquistar garotas e entender melhor o pai e a família. Dos Beatles ao Legião Urbana, as combinações se juntaram numa trilha sem igual, com muito rock and roll. A vida de Leo nunca mais foi a mesma. E, se aconteceu com ele, pode acontecer co você também. Leo encontrou as caixas de música e você acaba de encontrar o Leo. Pelo visto, uma sorte puxa outra. Portanto, curta essa aventura, aumente o som e prepare-se porque isso aqui é só o começo! Se você achava que esse barulho todo ia parar por aqui, errou feio! Este é o primeiro volume da coleção Trilhas: uma viagem musical. Depois de muito rock and roll, Leo vai experimentar novos lugares e ritmos, e tudo indica que você já está dentro, como convidado dessa história!

Autor: Ricardo Prado
Gênero: Infanto-juvenil
Número de páginas: 166
Local e data de publicação: Rio de Janeiro, 2009
Editora: Casa da Palavra

Uma aventura musical


Como na maioria dos livros deste gênero, em Leo e as caixas de música nós temos acesso a um protagonista com quem todos que somos jovens vamos nos identificar prontamente: Leo é um adolescente que gosta de ouvir música, sair com os amigos, e tem grandes dificuldades para compreender seus pais. Isso não é novidade pra ninguém, certo? Certo. Mas temos aqui alguns elementos que o diferenciam de muitos outros livros com protagonistas adolescentes, que eu li até enjoar quando era mais nova.
Indo ao cinema com meu namorado, por acaso passamos por um daqueles mercados que ficam na parte interna dos shoppings, e lá dentro, bem na entrada, encontramos duas cestas enormes repletas de livros, todos custando apenas dez reais. Não dava pra deixar de aproveitar aquela promoção! Eu tratei de parar ali na frente para procurar por algo que me interessasse. E entre as escolhas que nós dois fizemos naquele dia, lá estava Leo e as caixas de música, um livro do qual nunca tínhamos ouvido falar, mas que decidimos comprar e ler porque, lendo o comentário de Ana Maria Machado na parte de trás, acreditamos que a história se tratava de música - especialmente de rock. Nós o compramos com empolgação, junto com outros volumes que nos interessaram. E foi uma ótima escolha!
Leo é um adolescente de família rica no Rio de Janeiro, no ano de 1989. Seu nome na verdade é Leopoldo Armando Toledo de Albuquerque Paranhos, Abneto. Ele vem de uma família de embaixadores, na qual todos os filhos recebem o mesmo nome, em homenagem a um ancestral que viveu na época do Brasil Império. O segundo nome seria uma homenagem ao seu padrinho, conforme a tradição. Ele odeia esse nome enorme, e também essa tradição de família esquisita. E não se dá muito bem com seu pai: Leopoldo Henrique parece um homem extremamente formal e um tanto autoritário, sempre cobrando responsabilidades e formalidades demais.
Além disso, os pais de Leo viajaram para Praga, a capital da República Checa, onde o pai dele representará o Brasil, pois é embaixador. Ele está chateado por ser "deixado para trás", para terminar o ano no colégio. Até o fim desse ano, ele ficará morando com sua avó Helena, de quem ele gosta muito. O grande acontecimento que dá razão a toda a história do livro é o dia em que Helena decide dar de presente a ele a grande coleção de discos que ela fez e que mais tarde seu filho ampliou. Eram caixas e mais caixas repletas de LP's, e muitos deles vinham acompanhados de fichas escritas pelo pai de Leo, contendo informações e comentários sobre cada disco, além de conexões estabelecidas com outras bandas, discos e músicas. Leo fica impressionado com aquilo, e resolve começar uma série de reuniões com seus melhores amigos da escola, para que todos pudessem ouvir boa música e conhecer mais sobre tantas bandas legais das quais eles não sabiam quase nada. A partir daí, ele conhece um mundo completamente novo!
Através dessas reuniões, ele se diverte muito com os amigos, conhece muita música boa, e o melhor de tudo: descobre que seu pai não era um cara tão chato quanto ele acreditava! Lendo as anotações nas fichas relativas a cada álbum, ele descobre uma pessoa diferente na figura do pai quando jovem, e assim, consegue desenvolver um afeto por ele, mesmo a distância.

"Eu estava fascinado. Minha sensação é de que aquelas caixas que Helena trouxera
criaram um vínculo de mistério, e de verdade,
entre mim e um momento de história, revolução e rock and roll."

Este se trata de um livro relativamente simples, escrito para crianças e adolescentes, com linguagem fácil e grande quantidade de diálogos, usando até mesmo gírias da época. É também uma história curta, com pouco mais de 150 páginas, que pode ser lida em um ou dois dias, e que eu só levei uma semana para ler porque sou uma universitária procrastinadora.
É narrado em primeira pessoa, como é muito comum vermos em livros com protagonistas adolescentes, ou escritos para adolescentes. A história acontece rapidamente, e parece que tudo acontece em apenas alguns dias. A parte especial é que o livro foi escrito como se tivesse sua própria "trilha sonora", pois vários trechos marcantes são pontuados com trechos de músicas nacionais ou internacionais, algumas muito conhecidas, outras nem tanto. Por isso, esse é um livro perfeito para quem ama música e quer saber mais sobre algumas bandas como os Beatles e os Rolling Stones, ou apenas conhecer mais músicas. Essa foi a parte que mais me encantou!
Um ponto importante que devemos observar no livro são as características da época. Na época do Leo não existia internet, e ele sequer tinha computador. Para ouvir música, as pessoas compravam discos de vinil em lojas; para se comunicar com os amigos e conhecidos, escreviam cartas, ligavam pelo telefone fixo ou faziam uma visita; para fazer pesquisas, era preciso frequentar bibliotecas e ler muitos livros (o que você faria da sua vida sem o Google?); e mais uma série de outras coisas. As pessoas se vestiam e se comportavam de formas diferentes, e só as pessoas mais ricas tinham televisão. Além disso, o ano no qual a história se passa era 1989. Havíamos acabado de sair da Ditadura Militar, e a nossa atual Constituição existia há apenas uma ano. Era naquela época que bandas como a Legião Urbana estavam se consolidando e ganhando espaço no cenário nacional. É sem dúvidas uma época muito distante da nossa, e também muito interessante!
As discussões sobre música e as histórias das bandas e do rock and roll recontadas ao longo do livro são muito ricas, e contadas de forma simples e divertida. Para mim, a melhor parte foi quando falou-se sobre o festival e filme Woodstock, do qual eu não sabia absolutamente nada.
O livro faz parte de uma série chamada Trilhas: uma viagem musical, e o final deixa bem claro que existe continuação. Eu não sei se pretendo continuar, mas gostei muito de Leo e as caixas de música. As páginas inicias do livro falam a respeito de um site onde estariam disponíveis em áudio todas as músicas citadas do livro. Entretanto, tentei visitá-lo várias vezes e não consegui. Por isso, acredito que ele já não deve mais existir, e que quem quiser ouvir as músicas, deve buscá-las por conta própria.
Eu, que já ouvia várias das bandas citadas no livro, mas que não conhecia muito de suas histórias, gostei muito da leitura, que foi algo leve e divertido depois de todo o tom de seriedade de Uma Tragédia Francesa. Recomendo este livro para todos que amam música, que querem conhecer melhor a época descrita, ou que simplesmente estão procurando uma leitura simples, divertida e leve.

Aspectos positivos: boa ambientação da época; a história das bandas e do festival Woodstock é contada de forma simples e divertida, sem causar confusão; as citações de trechos de músicas tornam a leitura interativa, convidando o leitor a ouvir.
Aspectos negativos: não é possível acessar o site para ouvir as músicas descritas no livro.

Estou em falta com os posts das Dicas de Português e Escrita há muito tempo, e foi por isso que dessa vez fiz um esforcinho para preparar um post dessa sessão incrível que atrai sempre mais leitores para o blog!



Há alguns meses, eu escrevi para vocês sobre as diversas funções da palavra que, uma das mais utilizadas no nosso idioma. Visitando o post linkado, você vai descobrir o quando o que é importante na Língua Portuguesa, mas hoje nós vamos falar sobre situações nas quais ele pode (ou deve) ser dispensado, a fim de melhorar qualidade e sonoridade do texto.
Como vimos no post citado acima, uma das funções desta pequena palavra é a de pronome relativo. Isto significa que em alguns momentos ele desempenha a função da palavra que é colocada para evitar a repetição de um elemento já presente na frase. Vou explicar melhor como isso funciona!

Observe a frase As roupas que me deram são de um gosto duvidoso, e perceba a presença do que.
Essa frase na verdade é o resultado da junção de duas outras. Nós não percebemos, porque já fazemos isso automaticamente, mas se os pronomes relativos não existissem, ela seria assim:

Me deram roupas. As roupas são de um gosto duvidoso.

Percebeu como a frase se torna muito mais prática ao usarmos um pronome relativo para transmitir duas informações em um período só? Até a leitura se torna mais fácil! Pois bem. Essa é a função do que como pronome relativo.


Há casos, entretanto, nos quais a palavra que, como pronome relativo, não é necessária e deve ser cortada da frase! Seu uso excessivo pode prejudicar a coesão de um texto, conforme observamos no parágrafo abaixo:
"A disponibilidade é requisito primeiro para que o trabalho ocorra. Esta é atitude que se espera na relação aluno-professor. O primeiro, disposto à ação, que é o aprendizado, a partir dos estímulos que recebe. E das críticas também. O outro, atento a observar o que individualiza seu aluno, o que caracteriza: seus modos e linguagem. Sem que isso ocorra, nota-se que é impossível instaurar ou prosseguir o processo, pois esse método de ensino só é possível quando particularizada a relação aluno-professor."

Percebeu como o texto está repetitivo e difícil de ler? Só existe uma frase que pode descrever um texto assim:




É claro que nem todas as ocorrências da palavra que neste parágrafo são de pronomes relativos. Entretanto, é possível substituí-lo por outras palavras. Veja o mesmo texto editado:
"A disponibilidade é requisito primeiro para que o trabalho ocorra. Esta é a atitude esperada na relação aluno-professor. O primeiro, disposto à ação, ao aprendizado, a partir dos estímulos recebidos. E das críticas também. O outro, atento a observar a individualidade de seu aluno, suas características: seus modos e linguagem. Sem que isso ocorra, nota-se a impossibilidade de instaurar ou prosseguir o processo, pois este método de ensino só é possível quando particularizada a relação aluno-professor."

Notou a diferença? Vamos ver agora algumas formas bem fáceis de eliminar o excesso de ques no texto!

Reduza o número de "ques" do seu texto!


Seguem abaixo quatro formas bem práticas de não abusar dessa palavrinha tão repetida aqui no post de hoje! Mas é importante que você se lembre de uma coisa: isto não significa que você precisa parar de usar a palavra que, pois ela é uma das mais importantes no nosso idioma, e desempenha diversas funções. Existem casos em que você deve evitar o exagero, mas há momentos em que é impossível não usá-la! (Observe quantas vezes eu a usei apenas nesse post).

1- Substitua a oração adjetiva por substantivos seguidos de complementos:
O jornalista que redigiu a reportagem sobre as eleições presidenciais foi bastante tendencioso.
O jornalista, autor da reportagem sobre as eleições presidenciais, foi bastante tendencioso.

2- Substitua por adjetivos:
Trata-se de um político que não é honesto.
Trata-se de um político desonesto.

3- Substitua a oração desenvolvida por uma oração reduzida de gerúndio:
Publicou-se um relatório que denuncia a corrupção no governo. (desenvolvida)
Publicou-se um relatório denunciando a corrupção no governo. (reduzida).

4- Substitua a oração desenvolvida por uma oração reduzida de particípio:
Soube-se da corrupção no governo através de uma reportagem que foi publicada pelo jornal.
Soube-se da corrupção no governo através de uma reportagem publicada pelo jornal.

Viu como foi fácil? Essas dicas foram super práticas, e com isso você pode reduzir frases, além de tornar sua escrita mais dinâmica e de melhor compreensão. E se por acaso a Sandra Annenberg falasse que assim é muito melhor, o Evaristo Costa não pensaria duas vezes antes de concordar. Esse post seria digno de um selo!


Então, se você conhece alguém que ainda usa você-sabe-qual-palavra o tempo todo, depois de ter lido esse post você vai ficar assim:


Por isso, não deixe seus amigos passarem vergonha! Compartilhe esse texto com todos eles!

Por: Lethycia Dias

Referências Bibliográficas:
MORAIS, Rubens Damasceno. Pronomes relativos e a coesão textual. Apostila utilizada na disciplina "Português: Redação e Expressão I", do primeiro período do curso de Jornalismo. Universidade Federal de Goiás.



Quem é que não gosta de sorteios? Creio que todo leitor que se preze já participou de inúmeros sorteios promovidos por editoras ou blogs, principalmente depois da criação do aplicativo Sorteie.me, no Facebook!

Eu mesma já participei de vários, sempre com aquela esperança de ser sorteada e receber em casa aqueles livros tão desejados! Já ganhei dois sorteios de marcadores, e procuro sempre participar quando o prêmio me interessa!

O Loucura Por Leituras está próximo de completar um ano! Nosso primeiro post foi no dia 19 de dezembro, o layout era outro, eu tinha muito pouca experiência, e sequer imaginava que continuaria postando por tanto tempo, levando tão a sério e me dedicando muito! Hoje, estamos com 20 seguidores, e recebemos um número até agradável de visitas e comentários por dia. E eu simplesmente amo tudo isso! E estou falando sério: o blog não seria nada sem você que visita e comenta! São vocês que me incentivam diariamente!

Por causa de tudo isso, decidi começar um sorteio de aniversário. O sorteio foi lançado ontem (03/12) na fanpage do blog, que você pode acessar clicando aqui. Vou reproduzir abaixo as principais informações a respeito, para que você já fique sabendo de tudo!

Serão sorteados 15 marcadores de página (inclui 6 marcadores exclusivos da 4ª Turnê da Editora Intrínseca) + 1 placa para porta "Faça silêncio enquanto eu leio!"

Para se inscrever no sorteio, clique no link abaixo:


Apenas uma pessoa será sorteada, no dia 19/12/2015, às 18h.


Regras do Sorteio:

Para participar do sorteio, é preciso:
- Curtir a página do blog Loucura Por Leituras;
- Marcar seus amigos nos comentários;
- Compartilhar publicamente a imagem de divulgação do sorteio;
- Ter endereço no Brasil.
Caso o vencedor não tenha cumprido com alguma das regras acima, outro ganhador será escolhido aleatoriamente.
A pessoa sorteada deverá entrar em contato informando seu nome e endereço completo através do e-mail lethyciadias97@hotmail.com em até 48 horas após o resultado. Caso contrário, outro vencedor será escolhido.
O blog Loucura Por Leituras tem até 30 dias para enviar o prêmio por Correio, para o endereço do vencedor. Não nos responsabilizamos por quaisquer danos ocorridos durante o processo de entrega!


Se você se interessou por esse sorteio, basta clicar nos links indicados aqui. Não deixe de seguir toda as regras indicadas acima, chame todos os seus amigos para participar também, e divirta-se!



Por: Lethycia Dias

"Uma tragédia francesa é o relato do drama da cidade francesa de Saint-Amand-Montrond, palco de um confronto tardio entre resistentes e milicianos que reproduz os derradeiros combates entre os exércitos aliados e alemães em 1944. Neste livro, construído e redigido como uma tragédia antiga, Tzvetan Todorov reconstitui om grande riqueza de detalhes um episódio da implacável guerra civil que fez os franceses combaterem a si mesmos. Segundo o autor, estes eventos "não mostram apenas o confronto de identidades abstratas - os "alemães", os "colaboradores", os "resistentes", os "civis" -, mas confrontam os próprios indivíduos uns aos outros, questionando assim sua responsabilidade pessoal." A forma da narrativa e os questionamentos éticos do autor conferem a Uma tragédia francesa um valor emblemático."

Autor: Tzvetan Todorov
Gênero: História
Número de páginas: 270
Local e data de publicação: Rio de Janeiro, 1997
Tradução: Alda Porto
Editora: Record

Uma guerra da qual não se fala


Como falar de um acontecimento histórico que todos parecem ignorar? Você certamente deve ter ouvido falar dos horrores da Segunda Guerra Mundial, mesmo que não goste muito de estudar História. Mas por acaso soube que durante a II Grande Guerra, ocorreu um confronto civil numa cidade do interior da França, a quase 300 quilômetros de Paris? Pois é, eu também não. E nem o autor deste livro conhecia essa História local, até o momento em que leu no jornal a respeito do aniversário de 50 anos de um massacre ocorrido na cidade de Saint-Amand-Montrond. A questão era: ele estava nos arredores da cidade; e além disso, ele viajava com frequência para aquela região da França havia 20 anos, e nunca ouvira falar de tal acontecimento. Sua curiosidade com aquilo foi tão grande, que ele se aprofundou nas pesquisas até encontrar relatos dos Arquivos Nacionais, Arquivos Departamentais, e relatos de habitantes locais acerca do ocorrido.
Uma Tragédia Francesa é o relato da guerra civil que aconteceu no verão de 1944 em Saint-Amand-Montrond, uma cidade de cerca de 10 mil habitantes. Para compreender bem o livro, precisei fazer algumas pesquisas de contextualização. E vou descrever abaixo o que levantei em artigos da Wikipédia:
A França estava ocupada pelos alemães desde 1940, quando houve sua rendição. O chefe de governo da época era o Marechal Pétain, cujo nome é citado várias vezes ao longo do livro através do adjetivo "petainista", designado para aqueles que o apoiavam; ele incentivava que os franceses "colaborassem" com os alemães, o que foi chamado de "Colaboracionismo". Este governo, chamado "França de Vichy" ou "governo fantoche", era na verdade exercido pelos alemães ocupantes. Em oposição a isso, foi criada na mesma época a Resistência Francesa, formada por pessoas que não aceitavam a submissão do Estado francês à Alemanha. Mais tarde, a Milícia Francesa foi criada pelo próprio Estado para coibir a Resistência; era uma organização política e paramilitar, de caráter autoritário, anticomunista, antissemita e fascista, que denominava os resistentes como "terroristas". A França permaneceu ocupada até o ano de 1944. (Ver: Referências Bibliográficas).
É nesse contexto que se desenrolam os acontecimentos reconstituídos neste livro, a partir do momento em que agentes locais da Resistência decidem invadir a cidade de Saint-Amand-Montrond e expulsar os alemães. Tudo o que se segue acontece em como consequência das ações anteriores praticadas tanto pela resistência, quanto pelos milicianos, alemães e pela população civil. A libertação da cidade não acontece de uma hora para a outra, como esperavam os resistentes. Os milicianos revidam de várias formas, abusando de autoridade e violência. O livro é o resultado de relatos de vários habitantes da cidade, resistentes, milicianos e civis, além do que consta em documentos dos Arquivos Departamentais e Arquivos Nacionais. O autor faz as devidas referências bibliográficas, e ao final, republica o relato pessoal de René Sadrin, prefeito de Vichy, que colaborou nas negociações entre milicianos e resistentes e fez o que pôde para manter a segurança da cidade.

"Os eventos ocorridos em Saint-Amand-Montrond, que se repetiram em muitas ouras cidades francesas, servem de pretexto para Tzvetan Todorov construir uma reflexão a respeito da razão pela qual eles foram relativamente apagados da memória local. Uma tragédia francesa é uma prova que a memória coletiva lida mal com as complexidades da História."

O livro é estruturado como uma obra de dramaturgia. No caso, uma tragédia, daí o o título. Vou destacar a seguir o trecho em que Todorov faz essa comparação: "Para mim, em todo caso, alguma outra coisa tornava os acontecimentos de Saint-Amand particularmente impressionantes. Eu não conseguia me livrar do sentimento de que alguém havia concebido e articulado todas aquelas ações, à maneira de um autor de tragédia. [...] era uma tragédia inconteste [...] o mal resultava do próprio bem e parecia inevitável.".
Como um livro de História, Uma tragédia francesa utiliza a linguagem formal, apesar da presença de expressões populares em alguns trechos. A investigação de Todorov foi detalhada o suficiente para que alguém que não conheça muito da França possa compreender o que se conta no livro, e minha necessidade de pesquisar foi pelo fato de estar lendo um livro que seria resenhado. Em vários trechos, ele se utiliza de citações dos relatos originais publicados na época, todos devidamente descritos nas referências do livro. Tais citações são complementos daquilo que ele relata, e até mesmo maneiras de melhor expressar determinados acontecimentos.
A escrita do autor é muito precisa. Ao mesmo tempo em que reconstitui os acontecimentos, ele os analisa do ponto de vista ético e crítico, e em alguns pontos é comicamente irônico. Certos trechos (que tive a necessidade de sublinhar, pois pretendo fazer um vídeo com as melhores citações deste livro) me impressionaram. O sarcasmo do autor deu um tom de leveza e humor em momentos de extrema tensão, o que varia bastante o ritmo da leitura tornando-a muito mais interessante, fazendo-a ir além do seu caráter histórico.
Quanto ao relato de René Sadrin, reproduzido após as referências bibliográficas, é um texo tpessoal, que não possui o mesmo caráter preciso do texto de Todorov. Serve de complemento, visto que descreve em detalhes todo o processo das negociações a respeito dos reféns. Entretanto, não constitui uma narrativa tão rica e precisa quanto a da reconstituição que a precede.
Tzvetan Todorov, búlgaro radicado na França, parece ter recebidos a história insólita de Saint-Amand em suas mãos, quando leu sobre o massacre de cinquenta anos atrás. Se ele não estivesse lá naquela data, se não tivesse lido aquele jornal, se não tivesse buscado com tanto afinco as raízes daquele conflito, nós provavelmente não o conheceríamos. A tragédia de Saint-Amand teria passado despercebida, como tantos outros massacres do século XX que ignoramos até hoje.
Este é um livro complexo, é claro, de leitura difícil, que exige muita atenção. Entretanto, eu o recomendo para todos que gostem de História, todos que sejam curiosos a respeito da Segunda Guerra Mundial (apesar de o livro não abordar a Guerra como um todo), e para todos que tenham se sentido incentivados a partir desta resenha.

Aspectos positivos: boa reconstituição dos fatos; escrita precisa e detalhada; citação de referências bibliográficas; comentários de grande valor ético.
Aspectos negativos: utilização frequente de diversas abreviações para nomes de órgãos da milícia, da resistência e do governo, que podem confundir o leitor.

Referências bibliográficas:
Milícia Francesa. Wikipédia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Mil%C3%ADcia_Francesa>. Acesso em: 01/12/2015.
Resistência Francesa. Wikipédia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Mil%C3%ADcia_Francesa>. Acesso em: 01/12/2015.
Colaboracionismo. Wikipédia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Colaboracionismo>. Acesso em: 01/12/2015.
Philippe Pétain. Wikipédia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Philippe_P%C3%A9tain>. Acesso em: 01/12/2015.
França de Vichy. Wikipédia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Fran%C3%A7a_de_Vichy>. Acesso em: 01/12/2015.

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