Confira!


Você com certeza já deve ter ouvido falar do Setembro Amarelo. Mas, se ainda não leu nenhum texto nem assistiu a algum vídeo explicando do que se trata, então você está no lugar certo. E se já está informado(a), continue lendo: espero fazer com que se sensibilize ainda mais.


Conheça o livro


Livro "Os 13 Porquês".
Quem me acompanha há algum tempo já sabe que o livro Os 13 Porquês é citado com frequência por aqui, em vários tipos de post. Acontece que esse livro é muito marcante para mim, por motivos que prefiro não mencionar. Mas, para quem não conhece, vou resumir mais ou menos a história:

A história é contada por Clay Jensen, um garoto apaixonado por Hannah Baker, que se suicidou há pouco tempo. Clay chega da escola e recebe em casa um pacote com fitas cassete gravadas por Hannah antes de morrer. Hannah sofria bullying no colégio e já havia sido assediada sexualmente por colegas. Ela se sentia muito sozinha e se assustava com a ideia do suicídio, mas não sabia para quem pedir ajuda, porque não tinha ninguém em quem confiar. Todas as pessoas em quem ela havia confiado já a haviam traído de alguma forma. E foi por causa de algumas daquelas pessoas que Hannah acabou entrando em depressão e acabou desistindo da vida. Na primeira fita, ela afirma que vai contar sua história, revelando os 13 porquês de sua morte. Clay aparentemente é uma das pessoas culpadas, e precisa ouvir tudo até o fim e enviar as fitas para a próxima pessoa.

Eu li o livro duas vezes antes de perdê-lo, e a história me emociona até hoje. Hannah foi uma pessoa incompreendida, que sofreu com a crueldade das pessoas ao seu redor, e que no seu desespero, tentou se apegar à vida da forma que podia. Mas ela já havia perdido a confiança nas pessoas, e não sabia como pedir socorro. Ela estava dando todos os sinais e estava sendo ignorada. Quando Hannah tentou, de forma anônima, pedir ajuda, foi acusada de estar "querendo chamar atenção, porque se quisesse mesmo fazer isso, já teria feito".

Você pode pensar que é só uma história, só literatura, mas não é. Tudo que aconteceu com Hannah foi muito sério, e é uma representação daquilo que costuma acontecer de verdade com alguém que pensa em suicídio. Hannah pediu ajuda, foi ignorada. Ela passou a se sentir pior do que antes.

E se alguém tivesse ajudado Hannah Baker?


Eu fico imaginando como teriam sido as coisas se Hannah Baker não tivesse sido ignorada, se ela tivesse tido a chance de contar com pessoas queridas, que estivessem atentas à sua dor e que soubessem dizer as palavras certas para ela. Se ela tivesse sido levada para fazer um tratamento humanizado e de qualidade, se ela tivesse conseguido recuperar sua autoestima e superar o que sofreu no colégio.
Os 13 Porquês seria um livro diferente. Seria um livro sobre como uma garota conseguiu quebrar um tabu da sociedade, se agarrou à vida e descobriu como voltar a ser feliz. Hannah nunca teria gravado as fitas, e Clay nunca teria ouvido essa frase:

Trecho do livro "Os 13 Porquês".
Fonte: Reprodução. Pipocas Criativas.

Agora, pense em quantas pessoas como a Hannah estão por aí, implorando por alguém que preste atenção aos sinais, e que se lhe estenda a mão com palavras de conforto e carinho. Ou que apenas esteja disponível para ouvir. Pode haver uma Hannah no seu trabalho, no seu colégio, na sua igreja, no seu bairro.

Precisamos falar sobre suicídio


Depressão, transtornos psicológicos e suicídio são assuntos muito ignorados e neglicenciados no Brasil, e no mundo em geral. Experimente falar sobre qualquer um desses assuntos com qualquer pessoa: o seu vizinho, o seu colega da escola, alguém que sentou do seu lado no ônibus. As pessoas encaram esses problemas com muita insensibilidade. Provavelmente você vai ouvir que "É falta de Deus", "É coisa de gente fraca", "É frescura", "É falta de trabalho pra manter a cabeça ocupada". E se as pessoas pensam assim, é porque falta informação para mudar o senso comum. Tente se lembrar de quantas vezes você viu uma notícia sobre suicídio em algum jornal. Foi difícil de lembrar, né? Isso acontece porque no Brasil a mídia procura não divulgar esse tipo de coisa, porque existe um pensamento de que falar do assunto significa "incentivar".
Mas é um pensamento equivocado. Deixar de falar sobre um assunto é como dizer que não é importante, que não precisamos nos preocupar. Mas precisamos sim!

De acordo com estatísticas da Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio é a segunda principal causa de morte de pessoas entre 15 e 29 anos. Todos os anos, 800 mil pessoas se suicidam, o que equivale a uma ocorrência a cada 40 segundos. E para cada caso fatal, ocorrem pelo menos 20 tentativas. Dados ainda indicam que cerca de 32 pessoas se suicidam todos os dias no Brasil. Esse número é maior do que a taxa de pessoas que morrem pela AIDS. E a OMS acredita que 9 em cada 10 casos de suicídio podem ser evitados.

Você percebe o quanto isso é grave?

O Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização a respeito da prevenção do suicídio. A campanha passou a ser realizada no Brasil a partir do ano de 2014, por iniciativa do Centro de Valorização da Vida (CVV), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Consiste em identificar locais públicos e particulares com a cor amarela e divulgar informações. Veja alguns exemplos de locais iluminados com a cor símbolo da campanha:

Fonte: Reprodução. Sampa Indica. 
Fonte: Reprodução. 24 Brasil.

Setembro foi escolhido porque o dia 10 deste mês é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, data instituída no ano de 2003 pela Associação Internacional de Prevenção ao Suicídio e pela Organização Mundial da Saúde.

O Centro de Valorização da Vida (CVV) órgão criado em 1962 com a intenção de prevenir suicídios, possui um serviço de atendimento especializado para pessoas que sintam necessidade de ajuda. É possível entrar em contato com profissionais responsáveis ligando no número 141. Outras formas de contato, como e-mail, chat e skype podem ser encontradas no site oficial da entidade. Clique aqui.

Fonte: Reprodução. Setembro Amarelo.

Fonte: Reprodução. Canal das Bee.

Eu espero, com esse post, ter conseguido fornecer informações e ter te ajudado a ver como essa questão delicada e como precisa de atenção. Já tinha vontade de abordar esse assunto aqui no blog, e usei o livro Os 13 Porquês para fazer o link com a literatura.
Se você se sentiu mais informado(a) ou sensibilizado(a) depois de ler isso, não deixe de comentar abaixo! Estou contando com a sua opinião!

Por: Lethycia Dias

Referências Bibliográficas:
CALENDARR. Dia Mundial da Prevenção ao Suicídio. Sem data. Disponível em: <http://www.calendarr.com/portugal/dia-mundial-da-prevencao-do-suicidio/>. Acesso em: 11 de setembro de 2016.
CANAL DAS BEE. Sem título. 7 de setembro de 2016. Disponível em: <https://www.facebook.com/canaldasbee/photos/a.336576323107837.74674.333669196731883/1007400972692032/?type=3&pnref=story>. Acesso em: 11 de setembro de 2016.
CENTRO DE VALORIZAÇÃO DA VIDA. Sem título, sem data. Disponível em: <http://www.cvv.org.br/>. Acesso em: 11 de setembro de 2016.
PERASSO, Valéria. OMS: Suicídio já mata mais jovens que o HIV em todo o mundo. In: BBC Brasil, 22 de setembro de 2016. Disponível em: <http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/09/150922_suicidio_jovens_fd>. Acesso em: 11 de setembro de 2016.
SETEMBRO AMARELO. Sem título, sem data. Disponível em: <http://www.setembroamarelo.org.br/>. Acesso em: 11 de setembro de 2016.
UOL NOTÍCIAS. Estudo inédito da OMS indica que há 1 suicídio no mundo a cada 40 segundos. In: UOL Notícias, 04 de setembro de 2014. Disponível em: <http://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/estado/2014/09/04/estudo-inedito-da-oms-indica-que-ha-1-suicidio-no-mundo-a-cada-40-segundos.htm>. Acesso em: 11 de setembro de 2016.

11 Comentários

  1. Oi Lethycia, tudo bem? Eu fiz a resenha desse livro na semana passada, li em apenas um dia e chorei bastante. Achei forte e muito bem escrito. Fiquei pensando em meus alunos, analisando se algum deles alguma vez enviou algum sinal e eu fui estúpida demais pra não perceber. Eu não sabia sobre o setembro amarelo, eu sabia da iniciativa, mas, não sabia sobre o mês, achei interessante conhecer mais.

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    1. Olá, Cecília! Não sabia que você é professora! Eu li esse livro quando tinha 15 anos, e estava passando por um momento bem difícil. A carga emocional da leitura ficou acumulada com o que eu estava vivendo na época... Acho que uma pessoa sensível não consegue ler esse livro sem se emocionar, ou pelo menos lamentar.
      Quanto ao setembro amarelo, eu também não sabia, até poucos dias atrás. Descobri porque vi várias pessoas compartilhando no Facebook, e resolvi fazer alguma coisa relacionada.

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    2. Muito legal essa iniciativa, vou fazer algo no meu cantinho também. Eu não tinha ouvido falar nesse livro até o mês passado, li em um dia e no outro fiz a resenha no blog, me emocionei ao escrever sobre ele. Eu imagino mesmo que em um período difícil, esse tipo de leitura mexe muito com nosso emocional, pois pra mim em um momento bom foi chocante!

      Pois é, sou professorinha... Meus alunos me deixam louca, mas eu os amo, rs!

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    3. Eu visitei o seu blog e li a resenha. Fiquei chocada com o que você contou sobre suas alunas, mas espero que seus conselhos tenham ajudado...

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  2. Muito bom seu post. Esse assunto é muito delicado e precisa ser abordado. Num mundo tão cheio de coisas ruins e tantas informações que recebemos, não é dificil se cobrar, cair em depressão e chegar ao suicidio. Precisamos ajudar as pessoas para que isso não aconteça!
    Beijos
    http://blogprimeirospassos.com.br

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    1. Exatamente, Pryscilla! No mundo em que vivemos hoje, as pessoas estão cada vez mais ocupadas, sempre processando informações novas, e mal conseguem descansar. É cada vez mais comum ver gente que tem insônia, que desenvolve algum tipo de transtorno ou mesmo problema emocional. E se continuarmos ignorando isso, essas pessoas vão perder toda a sua qualidade de vida antes dos 40 anos (ou mesmo desistir da vida). Não podemos ignorar!

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  3. Muito interessante e informativo o seu post. A gente só tem noção da gravidade desse problema quando vê estas estatísticas assustadoras. Realmente, a mídia ignorar os casos não ajuda em nada. Torço para que o Setembro Amarelo realmente esteja ajudando a mudar essa realidade.

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    1. Olá, Tamara!
      Coisas assim não podem ser deixadas de lado. A mídia precisa sim focar nisso, não exatamente mostrando a dor das famílias de gente que cometeu suicídio, mas talvez mostrando reportagens com pessoas anônimas que conseguiram ajuda e desistiram de fazer isso. Ou sobre o dia-a-dia do pessoal que trabalha com atendimento no CVV... Tem lados positivos pra mostrar! O jeito como uma coisa é mostrada na mídia pode mudar completamente a percepção das pessoas.

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  4. Oi Lethycia, fiquei muito feliz em saber que há mais pessoas interessadas em abordar, de forma interessante, um tema tão complexo e que não recebe a devida atenção. Gostaria de sua autorização para usar sua postagem no meu blog (O Ideal e o Possível), pois uso o mês de Setembro para (tentar) abordar apenas temas sobre o Suicídio.
    Para todos os efeitos, pode dar retorno por aqui (já estou acompanhando seu blog) ou por email (ideal.e.o.possivel@gmail.com).
    Mais na frente, quero falar contigo sobre Parcerias rsrs, abraço e sucesso.

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    1. Olá!
      Não autorizo a reprodução da postagem. Estou trabalhando com SEO no intuito de aumentar o alcance e as visualizações do meu blog, e ter conteúdo reproduzido (mesmo que com minha autorização) atrapalharia esse trabalho. O Google, ao perceber a existência de conteúdo idêntico em dois sites diferentes, o posicionamento dos dois sites cai no mecanismo de busca, tornando mais difícil que as pessoas encontrem esse conteúdo. Portanto, não seria bom nem para mim, nem para você.
      Fico lisonjeada pelo interesse, mas recomendo que faça sua própria postagem.

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  5. Falta de trabalho pra manter a mente ocupada tenho certeza que não é ou não estaria cada dia mais deprimida mesmo fazendo tratamento e junto com isso me sentindo sobrecarregada do tanto de estudo que tenho e dois tipos de trabalho além do blog. As pessoas têm essa mania feia de julgar invés de ajudar. Agora quanto a divulgar eu concordo que tem que ter muito tato, falar de um jeito delicado. Não igual aos casos de suicídio famosos que a mídia faz sensacionalismo em cima, acaba mostrando até o que o indivíduo fez para morrer. É a mesma sensação que tenho quando falam de um crime que deu errado, por exemplo, eu fico pensando que o bandido está do outro lado anotando todas as dicas para aperfeiçoar suas técnicas. O suicídio é realmente um assunto difícil de se tratar não só pelo tabu mas pela influência que pode ter em pessoas que já são emocionalmente desequilibradas. Às vezes a vontade já existe e tudo o que falta é um pretexto, não a gota d'água, mas uma confirmação de que aquilo pode dar certo. Essa campanha do setembro amarelo foi uma decisão acertada porque conscientiza e não estimula. Diferente do que vemos nas mídias em geral. Um exemplo temos agora com esse tal jogo da baleia azul. A superexposição do caso pode estar aumentando a adesão. Mas como controlar em época de internet??

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