Confira!

No último post na Sessão 10, mostrei algumas formas de mostrar o amor pelos livros através de tatuagens. Hoje, vou mostrar alguns objetos muito legais para quem não se contenta apenas em colecionar livros, mas quer colecionar também outros objetos que fazem referência à leitura! Assim como o post das tatuagens, com esse post vou apenas mostrar imagens que andei pesquisando. Infelizmente, não tenho informações sobre como adquirir os objetos que vou mostrar abaixo.

Caso necessário, clique nas imagens para ampliá-las!

Acessórios para quem ama livros


1- Brincos:


Para as meninas esses brincos em forma de livro são uma gracinha! Eu usaria!


2- Almofadas:


Cada uma mais linda que a outra, elas podem ser personalizadas. Você pode dormir na companhia dos livros, e o melhor: sem amassá-los!


3- Para segurar com uma só mão:


Se você lê em pé dentro do ônibus, então sabe o quanto é difícil manter o livro confortavelmente aberto segurando-o com uma só mão, enquanto se segura com a outra. Esse acessório genial serve pra facilitar as coisas!


4- Para o chá ou o café:



Eu achei essa xícara e esse pires simplesmente lindos! Você pode tomar o seu chá, o seu café ou o seu leite quente enquanto lê. E melhor ainda: se você servir alguém na sua casa usando louças assim, a pessoa imediatamente saberá que está na presença de um leitor!



5- Sem segurar:


As mãos e os pulsos cansam de tanto segurar? Você pode usar um suporte para livros! E com essa fita elástica, o livro se mantém aberto, sem que o vento mude a página!



6- Botons


Botons são quase sempre personalizados e podem ter todo tipo de estampa. Por isso mesmo, só ótimos para se colecionar. Que tal um boton literário?



7- Seu livro em segurança:

Parecem livros, mas na verdade são bolsas de livros. Tratam-se de pequenas malas totalmente personalizadas que podem servir para proteger. 

Existem também modelos de pano, mais simples:




De qualquer forma são lindas, não são?



8- Marcador divertido: 


Super charmosos, esses marcadores com perninhas de fora vão deixar a impressão de que você é uma pessoa divertida e bem-humorada. Além do fato de que vai parecer que tem um boneco esmagado lá dentro...



9- Chaveiro:


Com a foto de uma estante, esse chaveiro é a prova de que seu amor pelos livros vai te acompanhar para todos os lugares: junto com suas chaves, é claro!



10- Aparadores criativos:


Para segurar os livros em pé na estante, nada melhor do que um aparador. Que tal esses modelos super chamativos, cada um mais legal do que o outro?









Todos são lindos, e mais do que personalizados!



Esse foi mais um post da Sessão 10, onde gosto de listar 10 coisas relacionados aos livros e à leitura em geral. Creio que com um pouco de pesquisa, você pode encontrar os acessórios que indiquei em lojas virtuais. Espero que tenham gostado!

Por: Lethycia Dias

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Há alguns dias, postei como status no Facebook o seguinte texto:




O que me motivou a escrever algo assim foi que eu havia acabado de me dar conta do quanto a literatura brasileira se tornou diversificada. Sempre admirei escritores brasileiros. Eu lia os clássicos, porque só tinha acesso aos livros deles. Assim, curti muito Machado, Alencar, Lima Barreto, Manuel Bandeira, Vinicius de Moraes, Cecília Meireles, Rachel de Queiroz, Erico Verissimo, entre outros. Raramente chegava até mim algo recente, algo escrito por alguém ainda vivo (estes seriam Jô Soares, Paulo Coelho, Pedro Bandeira).
Fiquei assim, explorando os nomes mais citados nos livros de Língua Portuguesa, e ignorando que surgia toda uma geração de escritores novos. Escritores e escritoras jovens, que vieram para quebrar tabus, romper com o estigma da literatura brasileira. Se achávamos que no Brasil não havia fantasia, vieram Renata Ventura, FML Pepper, Rafael Draccon e Eduardo Spohr com suas histórias fantásticas que conquistaram legiões de fãs. Achávamos que não existiam distopias, e surgiu Dêner B. Lopes, com Cidades-Mortas. Achávamos que faltavam relatos polêmicos, e Gustavo Magnani publicou seu primeiro livro, Ovelha - Memórias de um pastor gay. Achávamos que não havia bons livros com reflexões e pensamentos voltados para jovens, e surgiu Bruna Vieria com A Menina que Colecionava Borboletas. Achávamos que faltava terror e suspense, e veio André Vianco desmentindo nossa falta de conhecimento.
E com certeza, muitos outros devem existir. Muitos outros que cresceram rodeados de livros, e que um dia decidiram escrever as histórias com as quais sempre sonharam. Dizem que se você ainda não leu uma história que considerou maravilhosa, então você mesmo deve escrevê-la. Pois bem: eu acredito que eles tenham feito isso!
Mas vamos ao que interessa: naquele dia, o que me motivou a escrever 4 parágrafos tão convictos sobre o quão maravilhosos podem ser os livros escritos por brasileiros, foi que tive a oportunidade de ler a sinopse de um livro recém-lançado por uma jovem escritora que conheci através do Facebook.
Ah, como é maravilhosa a tecnologia! Você pode se comunicar, sem mais nem menos, com uma pessoa que está em outro continente. E pode se conectar com milhões de pessoas que se interessam pelas mesmas coisas que você. Foi assim que conheci Dêner B. Lopes, e vários outros escritores dessa geração jovem. Em um grupo de jovens escritores, vi a comemoração de uma garota dizendo que seu livro Onde as nuvens fazem sombra havia sido lançado na noite anterior. Cliquei no link indicado por ela para obter mais informações sobre o livro, e me deparei com uma pequena maravilha.
O link leva ao blog Jaula para dois, totalmente dedicado ao livro recém-lançado, e traz informações sobre a história em si, os personagens e os locais descritos no livro. Entrando em contato com a autora (descaradamente, enviei-lhe um pedido de amizade), tive acesso à sinopse, que me surpreendeu e me conquistou. Leiam abaixo, e vocês vão entender do que estou falando:




"A época de estiagem em Bazalta, pequena vila brotada no meio de um sertão esquecido, tem perdurado há duas décadas. Quando finalmente, porém, a tão esperada chuva começa e persiste através dos meses, os brios no vilarejo se exaltam, principalmente na pequena casa que abriga a família Manarca. Composta pela matriarca, seus cinco filhos e uma nora, os Manarca veem se intensificarem seus medos e ânsias ao passo que a chuva insiste sobre suas cabeças. Contíguo ao mau tempo cai sobre seu teto a iminente loucura da mãe Vitória, que insiste em premonizar pragas; a doença de Itálio, um de seus filhos que, desde feito viúvo, diz ter contraído o Mal do Desamor; e o desaparecimento de Germano, outro filho, corrido de Bazalta em busca do sol escondido e de respostas para seus mistérios juvenis. Enquanto sofrem seus pesadelos pessoais, participam do desenrolar de uma lenda muito contada no lugar, sobre o primeiro ser criado por Deus, dito O Homem, guardião das sete chaves do purgatório e que, ao desgostar o Criador introduzindo entre Suas outras criaturas o pecado original, fora expulso do paraíso e condenado a andar para sempre por aqueles lados inacabados do mundo, esquecido por Ele como os filhos de Bazalta se diziam.
'Onde as nuvens fazem sombra' fala da existência humana apesar das adversidades, da nossa dificuldade em aceitar mudanças, e como essas podem abalar nossa sanidade ou nos tornar guerreiros mais fortes. É uma narrativa leve e rápida, concentrada nos desastres do dia-a-dia dos personagens."


Muito entusiasmada, corri para conversar via bate-papo com Letícia Copatti Dogenski, e lhe falei do quanto estava interessada em seu livro, apenas lendo a sinopse. Falei que o enredo, a cidade perdida no nada, a chuva incessante, o "Mal do Desamor", me faziam lembrar muito das histórias de Gabriel García Márquez, vencedor do Nobel de Literatura que morreu há um ano. Muito agradecida pelos elogios, ela me disse que havia se inspirado na obra dele, o que me deu uma vontade imensa de reler Cem Anos de Solidão!
E lá estava eu, uma leitora esperançosa, contente por ter feito uma incrível descoberta literária. Eu podia sorrir feliz, acreditando que a literatura brasileira era mesmo tão boa quanto sempre acreditei. Mesmo sem ter ainda lido Onde as nuvens fazem sombra, naquele momento eu tive certeza de que estava frente a frente com algo maravilhoso, algo que, quando lido, poderia me render horas de encantamento, aquela maravilhosa sensação que só um livro muito bom pode nos dar.
Ainda no blog da jovem autora, soube que Leticia teria uma entrevista transmitida na TV Câmara, no dia 27 de agosto (amanhã), a partir das 9h15min. Só espero poder assistir à transmissão on-line!


Informações sobre a autora:
Letícia preparou no próprio blog um post específico para divulgar seus contatos, para quem estivesse interessado, e achei interessante reproduzi-los aqui.



Além disso, acessei o link para compra do livro que ela mesma fornecia (já estou planejando comprá-lo assim que puder), e vou deixá-lo disponível para vocês:



Eu sempre fui apaixonada por literatura brasileira, e acredito que estamos vivendo uma fase muito boa, repleta de criatividade e inovações, em que escritores jovens deixam transbordar toda a inspiração e influências que receberam através de anos de leitura apaixonada. Enfim, se depender destes jovens com quem tenho conversado pelas redes sociais, continuaremos muito bem!

Por: Lethycia Dias








As imagens acima incomodam, não é mesmo? Livros espalhados, jogados no chão, entregues à sujeira, à umidade, e a outros fatores que podem contribuir para sua destruição. Eu não sei que lugares são esses, onde ficam, e nem por que tantos livros foram deixados assim. Apenas encontrei as imagens no Google, e decidi utilizá-las para falar de algo que me entristece muito: o descaso com os livros, que são objetos de transmissão de conhecimento e cultura, e que muitas vezes acabam sendo desprezados pelas pessoas.
No post de hoje, vou contar uma história ruim porém verdadeira sobre isso.


Quando estava perto de completar meus 15 anos, me mudei com minha mãe, meu irmão e minha tia de Brasília (DF) para Goiânia (GO). O motivo para isso não vem ao caso. Fomos morar em um bairro da periferia, próximo de Trindade, porque foi onde ela conseguiu comprar uma casa com o dinheiro que tinha, pagando tudo de uma vez, sem se endividar com empréstimos. É claro que antes de nos mudarmos, minha mãe tratou de matricular a mim e ao meu irmão nos colégios mais próximos de casa.
Fiz os três anos do meu Ensino Médio num pequeno colégio estadual de bairro, que ficava bem perto de casa, e que por sorte era o melhor da região. Apesar de pequeno, o Colégio Estadual Parque dos Buritis é muito organizado, tem professores competentes, capacitados e criativos, que se preocupam com seus alunos; e pelo menos na época, era gerido por um diretor muito gente boa! Era o tipo de colégio onde os pais querem que seus filhos estudem: onde quase não acontecem brigas; sem pichações nas paredes por dentro e por fora; sem ocorrências de porte de drogas ou violência. Quando algum aluno fazia algo muito errado (e isso acontecia raramente), as duas opções disponíveis eram a) melhorar e se tornar um bom aluno; ou b) ser transferido para outro colégio. Assim, o diretor Roberto mantinha a ordem, e tudo corria muito bem.
Nesse pequeno colégio de apenas 9 salas de aula, onde a maior parte dos alunos se conhecia desde a infância, eu me vi sem amigos no primeiro ano do Ensino Médio. Mas logo descobri a biblioteca. Naquela época, os livros ficavam na sala da coordenação, que era bem pequena, e fica ao lado da secretaria, bem na entrada do colégio. Era uma sala tão pequena, e havia tantos livros ocupando as prateleiras, que eu me perguntava como a coordenadora conseguia respirar lá dentro. Mesmo assim, eu frequentava aquela salinha, sempre pegando emprestados os livros que me interessavam, lendo um, e na hora de devolver, já pegando o próximo. Quando a coordenadora anotava meus empréstimos e devoluções em seu caderno, eu via quais eram os alunos que mais liam. Eram poucos, e quase sempre, os mais jovens.
Quando cheguei ao segundo ano, a biblioteca foi transferida para um cômodo nos fundos do terreno do colégio, próximo aos banheiros e à horta, que era na verdade uma espécie de depósito. A essa altura, eu tinha uma grande amiga, que estava sempre envolvida nas coisas diferentes aconteciam no colégio. Ela tratou de ajudar, e eu também. Foi muito esforço carregando livros para lá e para cá, e depois arrumando todos os volumes em prateleiras de acordo com o gênero. Mas no fim, o resultado foi muito bom: aquele cômodo era muito maior que a sala da coordenação, havia duas janelas, e as prateleiras tinham espaço suficiente para que os livros ficassem organizados. Organizados de uma forma que quando você puxa um, os outros não caem para fora da estante.
Durante aquela organização toda que levou dias, deixou minhas costas doendo e me fez espirrar muito (pois sou alérgica a poeira), eu percebi o quanto a nossa biblioteca da escola era rica: tínhamos enciclopédias, dicionários, livros de orientação para professores, revistas de conteúdo pedagógico e científico, livros de história do Brasil e biografias de homens que fizeram parte da nossa história, arquivos sobre história de Goiás e de Goiânia, livros literários adultos e infantis, clássicos da literatura mundial e brasileira, riquíssimas coletâneas de poesia, contos e crônicas, literatura moderna e contemporânea, livros, infantis, adultos e infanto-juvenis. Naquele espaço improvisado, havia de tudo! Todo um mundo maravilhoso, tudo o que me encantava nos livros!
Aquela minha amiga (que chamaremos de A.) aceitou a proposta do diretor Roberto de olhar a biblioteca durante os intervalos, anotando empréstimos e devoluções. Logo, A. passou a abrir a biblioteca nova todos os dias, e os alunos vinham pela curiosidade. Muitos saíam sem levar livro nenhum, mas alguns eram incentivados por mim e por ela, e acabavam pegando algum volume emprestado. Eu mesma pegava muitos. Às vezes, vários de uma vez, pois se tivesse pego algum que não me agradasse, não precisaria esperar até o outro dia para poder começar a ler outro livro.
Isso durou pouco tempo. Logo, o fato de uma das alunas ser a pessoa responsável pela biblioteca começou a gerar problemas, e o diretor Roberto arranjou outra pessoa responsável por cuidar dos livros.
A nova bibliotecária deixou A. um pouco enciumada, mas isso não me fez perder a vontade de ler. Continuei frequentando a biblioteca, lendo sempre. Mas como A. era uma pessoa muito carismática, era a presença dela que atraía várias pessoas para aquele lugar. Sem ela, as visitas diminuíram muito.
Logo depois, houve uma reforma no colégio. Muitas coisas foram retiradas de algumas salas da gestão, para que os pedreiros pudessem trabalhar nesses locais. E toda a tralha foi levada para onde? Para a biblioteca nova, é claro. Aquele espaço que eu adorava ficou atulhado de coisas, e tornou-se quase impossível a permanência de alguém lá dentro. Ou seja, os empréstimos de livros estavam suspensos. Para minha sorte, pouco antes disso eu havia levado para casa toda a coleção da saga O Tempo e o Vento, obra prima de Erico Veríssimo, numa edição muito antiga da Editora Globo, dividida em sete livros. Eu sabia que ia levar muito tempo para terminar, e esperava que fosse tempo suficiente para que a biblioteca voltasse a funcionar.
Não me lembro agora quanto tempo levou, mas quando a tal reforma terminou, e as coisas foram retiradas do lugar, a biblioteca foi transferida novamente, para outro local. Bem no corredor central do colégio, que ligava os dois blocos de salas, havia uma salinha que ficava sempre fechada, e que antigamente havia sido um banheiro com espaço para três ou quatro sanitários pelo lado de dentro. Durante anos, foi usado como depósito de materiais de limpeza, mas agora tinha sido totalmente adaptado: os sanitários sumiram, as divisórias foram retiradas, um piso novo foi colocado por cima, a pintura renovada, e pronto! A biblioteca foi transferida para lá, apesar de que era um espaço menor do que no segundo local.
Coincidentemente, a nossa bibliotecária foi transferida para outro colégio. Já tínhamos um espaço bonito e novo para os livros, mas não tínhamos mais quem cuidasse deles. Muitos problemas ocorreram quando A. fazia isso, e não queriam deixar que ela assumisse a responsabilidade. Ficamos sem nenhum(a) bibliotecário(a), e a biblioteca novinha em folha permaneceu de porta fechada.
Eu, muito insistente, quase sempre ia lá durante o intervalo. Quando tinha a sorte de encontrar a porta destrancada, entrava rapidamente, com medo de ser descoberta, e fechava a porta de novo. E sorria, olhando as prateleiras cheias de livros que esperavam por mim com seu encanto impresso nas páginas. Já que não havia ninguém responsável por registrar empréstimos e devoluções, eu mesma fazia isso, da minha maneira: entrava, pegava o que queria, e ia embora; depois, devolvia e pegava outro. Fiz isso por muito tempo, e ninguém nunca descobriu. Caso tivessem descoberto e tentado me punir, eu me defenderia. Diria que era uma aluna buscando o prazer da leitura que lhe era negado.
Cheguei ao terceiro ano. A situação continuava a mesma. Uma ou duas vezes, minha professora de Português organizou o varal da leitura, um projeto de incentivo. Diversos livros eram levados para o pátio, onde havia algumas mesas e bancos, e onde muitos alunos gostavam de ficar jogando conversa fora. No intervalo, quem encontrasse todos aqueles livros ali, ficava curioso, via os exemplares, tentava encontrar algum que lhe interessasse. E se quisesse ler, então haveria alguém como o caderno de registros, anotando nome, série, turma, título e data de devolução. A iniciativa era muito boa, mas não funcionava tão bem como deveria: essas pessoas que pegavam os livros emprestados na varal da leitura não sabiam para quem devolvê-los, e acabavam nunca devolvendo nenhum. Por falta de uma informação, perdia-se livros valiosos.
Naquele ano, eu quase não li os livros do colégio. Li muitos livros emprestados por amigos. E esses poucos amigos que conheci ali mesmo, que gostavam de ler como eu, nunca liam os livros da biblioteca. Preferiam ler os livros que eles mesmos compravam. A biblioteca prosseguia de porta fechada (agora sempre trancada), abandonada, esquecida, inutilizada. E nem mesmo quem gostava de ler fazia algo para mudar a situação!
Eu me revoltava com isso: Os professores me elogiavam muito, porque viam que eu sempre estava com um livro nas mãos, e diziam que era raro ver um aluno assim. Mas ninguém abria a porta da biblioteca, para incentivar os outros alunos a ler também. Eu questionava isso para os professores, o diretor, a coordenadora. Ninguém sabia me explicar por que isso acontecia, e o caso era sempre ignorado. Sempre adiado, deixado para depois. Porque importante mesmo é que os alunos tirem notas altas nas avaliações do governo, não é mesmo? E que nenhum deles repita de ano! Era preciso reduzir ao máximo o número de reprovações e desistências. Mal sabiam eles o quanto um livro podia ser benéfico para incentivar o estudo! Ou se sabiam, fingiam ignorar... E todo o conhecimento, as enciclopédias, dicionários, biografias, revistas, coletâneas, romances, todos eles ficavam trancados, inacessíveis. O que eu podia fazer? Era só uma simples aluna, cheia de sonhos e ideias, que tentou muitas vezes melhorar a escola em que estudava, mas que no fim conseguiu fazer pouca coisa.
Terminei o Ensino Médio agradecendo porque nunca mais veria a mair parte dos meus colegas de sala, com quem eu não tinha um bom relacionamento, mas isso é outra história. No último dia em que fui ao colégio, encontrei a biblioteca aberta, e entrei lá. Foi difícil me despedir. Aquele lugar era muito querido para mim, e eu havia sido muito feliz lá dentro, sozinha entre os livros. Quando recebi os vinte exemplares da antologia do concurso Brasília É Uma Festa, na qual tive uma crônica publicada, doei um exemplar para a escola. E agora, tinha de deixar aquele local tão querido, tinha de abandoná-lo a uma administração que não se importava com a leitura. Eu nem sabia se a biblioteca algum dia seria reaberta, e se passaria a ser frequentada por alunos curiosos e ávidos pela leitura. Mas tinha que ir!



Com essa triste história, deixo um alerta para vocês: não permitam que bibliotecas públicas sejam abandonadas, pois os livros que elas contêm - mesmo que não pareçam interessantes para vocês - podem fazer falta para alguém. Se você ainda estuda, visite um pouco a biblioteca do seu colégio, tente gostar do que encontra por lá, e tente mostrar para alguém que aquilo pode ser bom. Anos atrás, eu tinha pouquíssimos livros, e sem as bibliotecas de colégio, eu provavelmente não seria a leitora que sou hoje.

Por: Lethycia Dias

"Aos 28 anos, depois de ser dispensado pela namorada, Justin Halpern volta a morar com o pai, Sam Halpern, de 73 anos. Na infância, Justin morria de medo dele, tão mal-humorado, direto e desbocado que beirava a grossura. Agora, já adulto, ele passa a admirar a mistura de franqueza e insanidade que caracteriza os comentários e a personalidade do pai, que considera 'sábio como Sócrates e até mesmo profético'. Disposto a registrar a sabedoria contida nas tiradas de Sam, Justin cria uma página no Twitter para reunir suas frases e observações ridículas. Em pouco tempo, os devaneios filosóficos do médico aposentado conquistam mais de um milhão de seguidores. O fenômeno da internet dá origem a um dos livros mais engraçados dos últimos tempos. Tomando como base as pérolas do pai, o filho recria com brilhantismo as memórias da infância e juventude. Extremamente divertido e inspirador, Meu pai fala cada m*rda traça um retrato profundo da relação entre pai e filho e aborda os grandes temas da vida: medo, amigos, estudo, namoro, esporte, família. Uma lição de integridade, amizade e amor. Sem papas na língua.

Autor: Justin Halpern
Gênero: Citações
Número de páginas: 142
Local e ano de publicação: Rio de Janeiro, 2010
Tradução: Marcello Lino
Editora: Sextante

Uma verdadeira "figura"


Sim, o pai de Justin Halpern é uma figura, ou "figuraça", como diz o próprio Justin ao referir-se à opinião de seus amigos. Neste livro surpreendentemente cômico, ele nos conta detalhes de sua vida íntima e familiar, através das lições e ensinamentos de seu pai, que surgiam quase sempre em momentos inesperados e de forma constrangedora e inquietante. Contando suas experiências pessoas desde a infância até os primeiros anos de sua vida adulta, Justin pouco a pouco nos mostrando a genialidade de um homem que fala com a mesma liberdade com que pensa, sem medo da opinião alheia. "Sem papas na língua" e "desbocado", como diz a sinopse, são as melhores definições para  a personalidade única de Sam Halpern.
Cada capítulo possui apenas algumas páginas com histórias curtas de diferentes períodos da vida de Justin, com ou sem a participação de seus irmãos mais velhos Dan e Evan, ou sua mãe e seus amigos... Mas sempre com a presença do grande astro: o pai, médico nuclear, descarado e desavergonhado, que oscila de humor com facilidade e faz com que todos morram de rir.
Escrito a partir do sucesso do perfil no Twitter Shit My Dad Says - que eu gostaria muito de ter seguido no ano de 2009, visto agora aparentemente já não existe - este livro lhe trará profundas reflexões sobre a vida, sobre as relações familiares, sobre trabalho, namoro, esportes, sucesso profissional, auto-estima, etc. Sempre com bom-humor!

Sobre o primeiro dia no jardim de infância
"Você achou difícil?
Se o jardim de infância foi difícil para você,
tenho más notícias sobre o resto da sua vida."

Embora Sam tivesse medo do pai durante a infância (pois este dizia tudo o que queria e muitas vezes o assustava ou o fazia passar vergonha), durante a vida adulta, quando voltou para casa, acabou descobrindo o quanto o pai era sábio naquilo que dizia, e quanto de razão podia existir nas tiradas que às vezes ele não compreendia. É este o tom através do qual conhecemos suas memórias, e assim nos convencemos também do quanto o pai tem razão em certos momentos.
Este foi outro livro que li em pouco tempo, tanto por causa do pequeno número de páginas, quanto pela leveza da narrativa e simplicidade da linguagem. Dei muitas risadas e me diverti muito enquanto lia, ao mesmo tempo em que pensava em como Justin é sortudo por ter um pai tão dedicado à família e tão desprovido de inibições. Sam foi, à sua maneira, um pai incrível, é Justin com certeza deve se orgulhar dele.
Agora, ficamos com algumas frases inspiradoras do Sr. Halpern:

Sobre cavalheirismo
"Deixe sua mãe sentar na frente... Não me importa se ela disse que você pode ir na frente. Isso é o que ela deve dizer e você responder: 'Não, eu insisto'. Você acha que vou dirigir por aí com minha mulher sentada no banco de trás e um garoto de 9 anos na frente? Ficou maluco, cacete?"

Sobre comer acidentalmente biscoitos caninos
"Tenho comido biscoitos para cachorro? Por que diabos você os guarda no mesmo armário que a comida? Foda-se, são uma delícia. Não vou sentir vergonha por causa disso."

Sobre ser resgatado por um salva-vidas na praia
"O que você estava fazendo tão longe? Você não sabe nadar... Filho, você é um bom atleta, mas já vi o que você chama de nadar. Parece uma criança retardada ajoelhada tentando esmagar formigas."

Sobre a internet
"Não quero... Entendo para que serve... Entendo, sim. E não me interessa se seus amigos têm. Todos os seus amigos também têm cortes de cabelo idiotas, mas você não me vê correndo para o barbeiro por causa disso."

Sobre levar minha primeira namorada para Las Vegas
"Vegas? Não entendo. Vocês não têm idade suficiente para apostar. Nem para beber. A única coisa que vocês têm idade suficiente para fazer é ir para um hotel e... Ah, entendi. Boa ideia."


Aspecto positivo: ótimos conselhos e lições de vida transmitidos com muito bom-humor; capítulos curtos; linguagem simples e informal; leitura fácil e rápida;
Aspecto negativo: a presença de palavrões pode ofender alguém (apesar de que eu não me senti ofendida nem incomodada com nenhum deles).

Por: Lethycia Dias


"Quatro anos depois de tudo ter começado, restaram poucos sobreviventes, incluindo Malorie e seus dois filhos pequenos. Morando numa casa abandonada próxima ao rio, ela sonha há tempos em fugir para um local onde sua família possa ficar em segurança. Mas a jornada que têm pela frente será assustadora: 32 quilômetros rio abaixo em um barco a remo, vendados, contando apenas com a inteligência de Malorie e os ouvidos treinados das crianças. Uma decisão errada e eles morrem. E ainda há alguma coisa os seguindo. Será que é um homem, um animal ou uma criatura desconhecida?"







Autor: Josh Malerman
Gênero: terror
Número de páginas: 272
Local e data de publicação: Rio de Janeiro, 2015
Tradução: Carolina Selvatici
Editora: Intrínseca

Fugindo de um perigo invisível


Quatro anos atrás, Malorie era uma garota comum, que há pouco tempo se mudara para Detroit com sua irmã, e que acabara de descobrir que estava grávida. Hoje em dia, ela vive sozinha com seus dois filhos, Garoto e Menina, numa casa arruinada e isolada, em meio a uma cidade fantasma, e acredita que já não existem sobreviventes por perto. O mundo que conhecemos foi devastado por uma espécie de síndrome, algo que faz com pessoas adquiram um comportamento violento, matando quem encontram por perto e também a si mesmas. E não estamos falando de um vírus ou doença mortal. Estamos falando de algo que as vítimas simplesmente viram, - e ninguém nunca sobreviveu para poder dizer aos outros o que era.
As notícias se espalharam rapidamente pela internet, televisão, rádio e jornais, e as pessoas pararam de trabalhar e passaram a estocar comida em casa e se trancaram dentro de casa, tapando as janelas da forma que podiam. No novo mundo, já não é seguro sair de olhos abertos. Em qualquer lugar pode haver uma ameaça, e mesmo ir ao quintal pode ser terrivelmente perigoso. Dessa forma, Malorie precisou de quatro anos para se recuperar do que aconteceu, e para reunir forças para viajar em direção a um local onde poderá viver em segurança. Enquanto isso, treinava os filhos para que fossem capazes de ouvir muito melhor do qualquer pessoa normal.
Quando comprei este livro de presente para o meu namorado, eu já estava curiosa sobre a tal ameaça que não se pode ver. Conforme ele ia lendo e fazendo comentários sobre o quanto estava impressionado e também sobre o quando queria avançar cada vez mais na leitura, a minha própria vontade de lê-lo também aumentou. Então, assim que pude, peguei emprestado, e o devorei em apenas dois dias. Minha vontade de descobrir - o que exatamente houve há quatro anos, como Malorie "treinou" os ouvidos dos filhos, como se adaptou a andar vendada, o que eram as criaturas que cercavam a casa, e se ela e os filhos sobreviveriam no final - era tão grande que eu não conseguia parar de ler.
Com capítulos que alternam entre presente e passado, Josh Malerman nos introduz em um mundo perigoso, onde já não seria possível dar uma infância normal a duas crianças. Malorie se questiona várias vezes se está sendo uma boa mãe. Entretanto, ela sabe que tudo o que tem feito desde Garoto e Menina nasceram é para garantir sua sobrevivência e também a deles.

"Quão longe uma pessoa consegue ouvir?
Remar vendada é ainda mais difícil do Malorie havia imaginado.
Já aconteceu de muitas vezes o barco bater nas margens e ficar preso por vários minutos.
Durante esse tempo, ela foi tomada por imagens
de mãos invisíveis tirando as vendas dos olhos das crianças."
Capítulo três,  página 22.

Nesta narrativa de um mundo pós-apocalíptico, descobrimos que o mais importante de tudo é uma coisa com a qual a espécie humana já não está acostumada há muito tempo: sobreviver. E para isso, outra coisa é fundamental: trabalho em equipe. As pessoas que conseguiram se manter vivas e sãs devem se juntar, pensar juntas, trabalhar em conjunto. Só assim podem permanecer vivos.
Em Caixa de Pássaros, cada capítulo traz uma nova revelação ou explicação importante. E, o melhor de tudo, a cada momento o perigo se faz presente, aquele perigo implacável e inflexível, que assusta porque não sabemos e nem podemos saber o que é. Já dizia aquela famosa frase que "o ser humano teme aquilo que desconhece", e esse provavelmente é o fator mais marcante de toda a trajetória dos personagens: o medo de algo que não sabe o que é, porque não se pode ver, e cujas capacidades ninguém pode conhecer ou estudar.
Dessa forma, a tensão é crescente a cada página, e o leitor se vê confrontado pela curiosidade, pela impotência, pela angústia, pela desconfiança e pelo mistério que se desenrola aos poucos, sempre interrompido pelo fim de um capítulo - ocasião em que a intercalação entre presente e passado sempre deixa as respostas para o capítulo que virá depois do próximo.
Há muito tempo eu não lia um livro assim, sem conseguir parar, terminando em apenas dois dias, quase "devorando". Caixa de Pássaros me instigou do início ao fim, e me amedrontou a cada nova situação de perigo. Tenho certeza de que todo leitor também poderá se interessar pela história com a mesma intensidade, e provar dos mesmos arrepios de medo!

Aspecto positivo: narrativa rápida e fácil; muita tensão durante toda a história; enredo inovador; caracterização de mundo pós-apocalíptico convincente e assustadora.
Aspecto negativo: final não muito surpreendente; ausência de algumas explicações importantes.

Por: Lethycia Dias

Há mais ou menos três anos, eu tinha pouquíssimos livros, quase não comprava volumes novos, e só lia aqueles que pegava emprestado com amigos ou na biblioteca da escola. Foi mais ou menos nessa época que minha mãe pegou um livro emprestado com um conhecido nosso, pois ficou muito interessada no assunto tratado pelo livro. Eu também me interessei, e acabei lendo o tal livro assim que ela terminou. Me lembro que estava nas férias da escola, e tinha poucas coisas para fazer em casa, o tédio estava acabando comigo.
O livro era realmente muito bom, mas o que interessa aqui não é o assunto do livro, e sim algo que aconteceu enquanto eu estava lendo...
Naquele ano, depois de uma chuva muito forte, encontrei na rua três gatinhos filhotes. Eram tão pequenos, que os dentinhos mal haviam começado a crescer, e estavam sem a mãe. Como sou apaixonada por gatos, e por animais em geral, tive pena de deixá-los ali abandonados, molhados, com fome e com frio, onde podiam ser atropelados ou morrer de qualquer outra forma. Levei-os para casa, e fiz o possível para alimentá-los, e em uma semana, já havia arrumado uma nova família para cuidar de dois deles. O terceiro, acabei pegando para mim. Era tão fofo, tão lindinho, e eu gostei dele desde o início. Foi assim que passei a cuidar do meu Neném.
Desde quando o levei para casa, Neném era o mais espertinho e bagunceiro dos três filhotes. E conforme foi crescendo, só foi se tornando mais ativo e curioso. Se ficávamos sentados no sofá assistindo televisão, ele, no chão, brincava de morder os nossos dedos dos pés. E estava sempre correndo e pulando pela casa, vendo aquele mundo como seu parque de diversões particular.
Acontece que enquanto eu lia aquele livro, emprestado por um amigo, o Neném estava com alguns meses, e era ainda muito novinho. Com suas brincadeiras e "artes", vivia me fazendo rir. Acontece que num certo dia, eu estava lendo sentada no sofá, e aquele danadinho subiu querendo brincar, caminhando no meu colo, miando e pedindo atenção. Eu tentava desesperadamente afastá-lo e continuar lendo, e aprendi da pior maneira que devia ter fechado o livro e ido brincar com meu bebê felino.
Tentando brincar com minha mão, ele tocou na página que eu estava lendo, e acabou sujando a página. Eu não podia acreditar naquilo. Ele sujou a página! O que eu ia fazer agora?
Não, eu não sou uma dessas pessoas que ficam pirando porque a capa do livro amassou, ou uma das páginas ficou com orelha, e coisas assim. É claro que não gosto quando essas coisas acontecem com meus livros, mas isso não é o fim do mundo pra mim. O fim do mundo é quando alguém joga um livro fora, quando o livro começa a estragar, quando as páginas começam a se soltar; enfim, quando já não é mais possível ler.
Acontece que aquele era um livro emprestado, e sempre fui muito cuidadosa com coisas emprestadas. Como eu disse no início da história, eu tinha poucos livros, e sempre pegava emprestado com alguém. Por isso valorizava muito as pessoas que gostam de emprestar. E minha mãe sempre disse que devemos ter muito cuidado com as nossas coisas, e mais cuidado ainda com as coisas dos outros.
Por causa disso, eu estava surtando. O livro era emprestado, e meu gatinho sujou uma das páginas com sua patinha cheia de terra e lama. Por sorte, a página era de início de um capítulo, e o lugar onde ele tocou não continha nada escrito, era um espaço em branco; dessa forma, a sujeira não impediria ninguém de ler nenhum trecho. Mesmo assim, eu estava muito decepcionada comigo mesma, pois afinal, o gato era meu, e algo que ele fez de errado era responsabilidade minha.
Quando contei para minha mãe e lhe mostrei a página maculada, ela me disse que eu teria de contar tudo ao nosso amigo, e pedir desculpas pela minha falta de cuidado. Na oportunidade que tivemos de devolver o livro, eu estava com muita vergonha do que havia acontecido. Entretanto, eu não tinha outra escolha senão me desculpar.
Por sorte, o nosso conhecido que emprestou o livro compreendeu que não fiz nada de propósito e que meu gato não tinha ideia de que estava fazendo algo errado. Ele me desculpou, e disse que não tinha problema, e que entendia. Fiquei muito aliviada!
Desde então, hoje eu tomo muito cuidado se meus gatos querem ficar perto de mim quando estou lendo. Enfim... Melhor prevenir do que remediar, não é?




Caso você tenha se interessado por esse post, leia mais histórias parecidas em:

"Sam e Dean Winchester conhecem todos os segredos que John Winchester guardou em seu diário. Agora você vai saber também. No dia 2 de novembro de 1983, Sam e Dean Winchester perderam a mãe, morta por uma força demoníaca sobrenatural. Após a tragédia, o pai deles, John decidiu aprender tudo que podia sobre as criaturas malignas que vivem nos cantos sombrios e nas estradas mais longínquas dos Estados Unidos. Jonh Winchester reuniu em seu diário lendas, folclores, e superstições sobre inúmeros inimigos do outro mundo, mas também relatou suas próprias experiências e angústias - na caçada à criatura que matou sua esposa, enquanto criava, sozinho, seus dois filhos. O diário de John Winchester traz para os fãs de Supernatural tudo aquilo que sempre sonharam: os rituais de exorcismo que Sam e Dean aprenderam a usar; a história de Samuel Colt; a primeira caçada de Dean; o time de futebol infantil de Sam... E tudo sobre a frenética caçada aos seres sobrenaturais. Este diário reproduz fielmente todas as anotações, conselhos, e estratégias que John colecionou e que servem como valiosas armas na saga dos Winchester.


Autor: Alex Irvine
Gênero: diários
Número de páginas: 218
Local e data de publicação: Rio de Janeiro, 2010.
Tradução: Eduardo Friedman
Ilustrações: Dan Panosian e Alex Irvine
Editora: Gryphus

Atenção: pode conter spoiler's sobre a série.

Vinte de dois anos de busca


Há menos de dois anos decidi, junto com o meu irmão, assistir à série Supernatural, da qual já tinha ouvido falar muito, e da qual minha tia e meu primo gostavam. Pela curiosidade, abrimos um desses sites onde é possível assistir a filmes e séries online, colocamos o primeiro episódio para carregar, e a partir daí, nos apaixonamos pela saga dos irmãos Winchester. Quando escrevi o post sobre os livros inspirados na série, eu não imaginava que algumas semanas depois meu dedicado namorado me daria de presente o livro que eu mais queria entre os que foram listados. Muito obrigada, Bruno, meu amor! Mesmo com uma pilha enorme de livros que vem se acumulando na minha estante este ano e que não estou conseguindo ler, passei o presente na frente de todos os outros, e li movida pela paixão de uma fã.
Desde que começamos a assistir ao seriado, e eu meu irmão sempre tivemos muitas perguntas sobre o que poderia haver no diário que os irmãos consultavam tantas vezes nas primeiras temporadas. Como John teria aprendido o que fazer para matar cada tipo de monstro? Como começou a treinar os filhos? Havia sinais de que Sam era um garoto diferente? Quando conheceu Hellen? Como foi a morte do pai de Jo? Lendo este livro, descobri as respostas para essas perguntas e muitas outras.
O diário começa duas semanas depois da morte de Mary, com um John atordoado e desesperado, que quer fazer de tudo para proteger os filhos e que quer entender o que matou sua esposa, como, e por que. Em busca de respostas, e sendo julgado por todos como louco toda vez que conta a história verdadeira sobre o incêndio na casa de Lawrence, no Kansas, John logo abandona a cidade e parte numa busca desenfreada por todo o país, conhecendo pouco a pouco os mistérios sobre as coisas que assombram o mundo, e de cuja existência ele sequer suspeitava. A princípio estava assustado, e relutava em acreditar até mesmo no que via. Logo no início, ele afirma que não é um caçador, mas apenas um pai e um marido em busca de vingança. Contudo, a necessidade de proteger os filhos, a falta de explicações e a única vantagem de levar aquela vida - isto é, a possibilidade de salvar pessoas - fizeram com que continuasse.
No dia 1 de janeiro de 1984 (página 16), John conta de Mary costumava definir um novo objetivo a cada ano. Seguindo o exemplo, ele faz uma promessa a ela: descobrir o que houve. A promessa se renova a cada ano, e John nunca se esquece dela.
Mais tocantes do que os relatos de caçadas, de mortes e de coisas inacreditáveis para um cético, os conflitos emocionais aparecem de tempos em tempos. Ao tornar-se caçador, John faz coisas que não se considerava capaz de fazer. Sempre preocupado com Dean e Sam, que crescem "como soldados", muitas vezes ele se questiona se tem sido um bom pai. Minha opinião sobre isso é de que John foi um bom pai, na medida do possível. Dean e Sam tiveram uma infância e adolescência difíceis, mas John fez o que podia por eles.

"Sou o tipo de pai que preciso ser. O tipo que ensina os filhos
que nenhum homem ou monstro mata a mãe deles e sai impune.
O tipo que mostra para eles que, quando se trata de família,
é preciso fazer de tudo para acertar as coisas."
2 de maio de 1988. Página 49.

Simples e direto, Alex Irvine nos transporta para dentro do universo da série. Cheia de curiosidade, mas sem querer ir "com muita sede ao pote" (pois sabia que não podia ler muito rápido devido à quantidade de informações que teria de absorver), muitas vezes eu acreditei que não estava lendo um livro de ficção escrito por um homem comum. O sentimento que eu tinha era de que John existia, e que eu tinha nas mãos o seu diário legítimo, o diário que serviu de consulta para seus filhos. Alex Irvine não se faz presente na própria escrita. Ele consegue, como é tão difícil de ver, anular-se na história de outro homem. Enquanto lia, eu me esqueci completamente de Alex, e acreditei apenas em John. Para mim, ele era real, ao menos através das páginas.
Como uma boa fã da série, eu procurei, de certa forma, "checar" tudo o que lia. Queria identificar referências feitas aos acontecimentos da série, e encontrei muitas. Alguns exemplos seriam o caso do Dr. Benton, médico que desde o século XIX sequestrava pessoas, roubava seus órgãos e os colocava em seu corpo, afim de viver eternamente;  os vários relatos e lendas variantes sobre a Mulher de Branco; a maldição dos lagos do Winsconsin; a caçada a um lobisomem durante as férias; entre outros. Também são citados no livro incontáveis lendas, superstições e folclore de várias culturas. Espiritismo e esoterismo se fazem muito presentes. Em certa parte que enumera criaturas que mudam de forma, até mesmo a lenda brasileira do boto cor de rosa é citada (Encantados, página 95). Podem-se encontrar vários rituais e exorcismos, e também as explicações para o uso do sal (página 47), e para a personificação da Morte (página 83). As páginas são ilustradas, e muitos símbolos e desenhos aparecem ao longo da narrativa.

Presença de símbolos e desenhos.


Desenhos, principalmente dos monstros, complementam a narrativa.


Este é o ponto onde começa o diário.



Ler O diário de John Winchester foi também uma maneira de voltar à primeira e à segunda temporadas, principalmente nos trechos em que John relata o crescimento de Sam. Desde pequeno, ele revelava uma grande vontade de viver uma vida normal. Adulto, é ele quem tem mais conhecimento sobre folclore, e isso também é revelado no livro: John já observava que Sam gostava de pesquisar sobre todas as criaturas que caçavam. Sua rebeldia no fim da adolescência também é notável, e a briga entre pai e filho acontece com a partida de Sam para Stanford.
Eu o recomendo a todos aqueles que são fãs da série e que desejam saber mais sobre a jornada de John até o momento em que ele encontra pistas sobre o Demônio Amarelo. E recomendo também para aqueles que desejam começar a assistir a série, ou que estão começando agora.

Aspecto positivo: referências a acontecimentos da série; explicações sobre rituais; presença de desenhos e símbolos complementando a narrativa; explicações sobre o treinamento de Sam e Dean; citação de mitos, lendas e folclores.
Aspecto negativo: passagens de tempo longas, meses se passam sem que nada seja registrado; listagens de nomes, locais ou datas não explicados, que ficam sem sentido.

Por: Lethycia Dias

Se você gostou dessa resenha, saiba mais sobre outros livros inspirados na série, clicando no link abaixo:

Fazendo algumas pesquisas sobre escritores consagrados da literatura mundial, acabei descobrindo algumas coisas bem interessantes (ou não) sobre alguns deles. Achei legal fazer um post compartilhando com vocês. Talvez vocês já saibam de alguns dos fatos que vou contar aqui abaixo, ou talvez nunca tenham suspeitado. E aqui vamos nós:




Coisas que você não sabia sobre autores de clássicos da literatura mundial:


1- Vários nomes, uma só identidade:
William Shakespeare (1564-1616), conhecido com o poeta nacional da Inglaterra, e mundialmente famoso por seus sonetos e peças de teatro (Hamlet, Otelo, Romeu e Julieta) viveu em uma época em que a ortografia da Língua Inglesa não era ainda fixa e uniforme, isto é, as regras de como as palavras deveriam ser escritas ainda não existiam, ou ainda não eram bem definidas.
Por isso, o nome do poeta e dramaturgo que conhecemos como William Shakespeare aparece escrito em documentos de várias formas diferentes. Algumas dessas variações são: "Shakspere", "Shaksper" e "Shake-speare".





2- Homossexualidade era crime no século XIX:
Em 1895, cinco anos depois de ter publicado a primeira versão de seu famoso romance O Retrato de Dorian Gray (1890), o escritor Oscar Wilde (1854-1900) enfrentou três julgamentos e foi condenado a dois anos de prisão com trabalhos forçados por "cometer atos imorais com outros rapazes". Quem o acusava era um nobre chamado John Solto Douglas, o Marquês de Queensberry, pai do poeta Alfred Douglas, de quem Wilde seria amante. Durante seu período de prisão, Wilde escreveu uma longa carta a Alfred Douglas (também conhecido pelo apelido "Bosie"), que foi publicada no livro De Profundis.


3- Fim de semana em Genebra deu origem ao monstro de Frankenstein:

Mary Shelley em retrato de
Rothwell
Em 1816, Mary Shelley passou o verão numa casa alugada próximo ao Lago de Genebra, na Suíça, acompanhada por seu marido Percy Shelley, seu filho e sua meio-irmã Claire Clairmont. No mesmo mês, o poeta Lord Byron (famoso adepto do Romantismo) juntou-se a eles, acompanhado por seu jovem médico John Willian Polidori (autor do conto O Vampiro). Chovia muito, e o grupo estava confinado dentro da casa, fato que Mary Shelley chegou a registrar em seu diário, anos depois. Lendo e contando histórias de terror para passar o tempo, surgiu o desafio de cada um escrever sua própria história de monstros e fantasmas. Em 1818, Shelley publicava Frankenstein ou o Prometeu Moderno, que no início deveria ser apenas uma história curta, mas acabou evoluindo para um romance, graças ao incentivo de Percy.





4- Primeiro a viver só de literatura em seu país:
Edgar Allan Poe (1809-1849), consagrado até hoje por suas histórias de teor macabro e por seu famoso poema O Corvo (1845), que no Brasil foi traduzido por Machado de Assis, é considerado o inventor do gênero ficção policial, e recebeu créditos também por contribuir com o gênero ficção científica. Além disso, foi o primeiro escritor americano a ser conhecido por tentar ganhar a vida somente através da escrita, o que fez com passasse por grandes dificuldades financeiras. Sua obra é constituída por contos, poemas e ensaios, e ele jamais escreveu um romance.





5- Origem de Sherlock Holmes e fé no Espiritismo:
O personagem Sherlock Holmes apareceu pela primeira vez no romance Um Estudo Em Vermelho, publicado na revista Beeton's Christmas Annual em novembro de 1887, sendo transformado em livro no ano seguinte. O brilhante detetive fictício, famoso mundialmente, foi inspirado em uma pessoa real: Joseph Bell (1837-1911), professor de Arthur Conan Doyle (1859-1930) em sua época da universidade. Em uma carta ao antigo professor, Conan Doyle escrever: "É mais do que certo que é a você que eu devo Sherlock Holmes... Com base no centro de dedução, na interferência e na observação que você inculcar, tentei construir um homem". Em alguns momentos, o personagem de Edgar Allan Poe, C. Auguste Dupin (um detetive), também serviu de inspiração. Além disso, Sir Arthur Conan Doyle teve envolvimentos com o Espiritismo nos últimos de sua vida. O médico e escritor já conhecia a religião desde 1887, mas foi só após a morte de alguns parentes no início do século XX (sua esposa, seu filho, seu irmão e também seus dois cunhados, entre 1906 e 1918), procurou conforto no Espiritismo, tornando-se um grande defensor e divulgador. Em 1918, publicou a obra A Nova Revelação, sobre suas convicções a respeito da doutrina espírita.

6- Escritora anônima:
Devido a algumas dificuldades em ter suas obras aceitas por editores, Jane Austen (1775-1817) publicou Razão e Sensibilidade de forma anônima, utilizando-se como identificação apenas a expressão "By a Lady". A respeito disto, sua sobrinha Fanny Knigth registrou no próprio diário o recebimento de uma carta de Cassandra Austen (irmã de Jane e também sua tia) pedindo que ela não mencionasse que a tia Jane era a autora de Razão e Sensibilidade. Isto ocorreu em 1810 ou 1811. Em 1813, publicou Orgulho e Preconceito, e começou a trabalhar em Mansfield Park. No mesmo ano, a popularidade adquirida por Orgulho e Preconceito e a indiscrição da família fizeram com que sua identidade fosse revelada.



7- A Paz como solução:
Liev Tolstoi, ou Leon Tolstoi (1828-1910), famoso escritor russo, autor do romance Anna Karenina, tornou-se pacifista durante a velhice, passando a defender a busca por uma vida simples e próxima à natureza. Suas novas ideias desagradavam à igreja e ao governo. Chegou a trocar correspondências com Gandhi, que o considerava "o maior apóstolo da não-violência". Ao escrever o livro O Reino de Deus está em vós, baseou-se no Sermão da Montanha (Novo Testamento) para afirmar que não se deve revidar o mal com o mal. Ainda afirmava ser contra o serviço militar obrigatório, e contra o militarismo como um todo.

8- Antiga amizade:
John Ronald Reuel Tolkien
Clive Staples Lewis
 Criador de O Senhor dos Anéis, O Hobbit, e O Silmarillion, Tolkien (1892-1973) foi durante décadas muito amigo de outro grande escritor do gênero fantasia: C. S. Lewis (1898-1963), autor de As Crônicas de Nárnia. Ambos participavam do grupo The Inklings, associado à Universidade de Oxford, na Inglaterra, criado para discussão informal de literatura. O grupo existiu, aproximadamente, entre 1930 e 1949. Os integrantes do grupo prezavam o valor da narrativa na ficção e encorajavam a fantasia.


9- Interpretada no cinema:
A escritora Harper Lee (nascida em 1926), autora do romance O Sol é Para Todos (1960), que lhe rendeu o prêmio Pulitzer de Literatura em 1961, já foi interpretada em filmes três vezes: por Tracey Hoyt em Scandalous Me: The Jacqueline Susann Story (1998); por Catherine Keener em Capote (2005); e por Sandra Bullok em Infamous (2006). Seu romance mais recente (Vá, coloque um vigia) lançado em julho deste ano, tornou-se sucesso de vendas, atingindo rapidamente a marca de 1 milhão de exemplares vendidos nos Estados Unidos em apenas alguns dias.

Fonte: Diário de Pernambuco




10- Pensamento religioso:
Assim como Arthur Conan Doyle, citado acima, Victor Hugo (1802-1885) acreditou na existência de espíritos. Durante seu exílio na Ilha Jersey, entre 1851 e 1855 (época em que fenômenos como o das mesas girantes eram estuados), participou de inúmeras sessões espíritas, e assim obteve confirmação para antigos pensamentos filosóficos e religiosos que já cultivava. Assumiu-se espirita em 1967, e defendeu que a Ciência deixasse de ridicularizar o Espiritismo para, ao invés disso, estudá-lo. "[...] Substituir o exame pelo menosprezo é cômodo, mas pouco científico. Acreditamos que o dever elementar da Ciência é verificar todos os fenômenos, pois a Ciência, se os ignora, não tem o direito de rir deles. Um sábio que ri do possível está bem perto de ser um idiota.[...]". No poema À Villiquier, de 1854, chegou a declarar sua crença na vida após a morte:
"Eu digo que o túmulo que sobre os mortos se fecha
Abre o firmamento
E o que acreditamos aqui em baixo ser o fim
É o começo."



Esses são alguns fatos curiosos acerca de alguns escritores de clássicos da literatura, homens e mulheres que escreveram livros que se tornaram mundialmente famosos, e que até hoje são considerados grandes escritores. Os fatos aqui citados foram retirados das páginas relativas a cada um deles, na Wikipédia.

Por: Lethycia Dias

Referências Bibliográficas:
Willian Shakespeare. Wikipédia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/William_Shakespeare>. Acesso em: 10/08/2015.
Oscar Wilde. Wikipédia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Oscar_Wilde>. Acesso em: 10/08/2015.
Mary Shelley. Wikipédia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Mary_Shelley>. Acesso em: 10/08/2015.
Edgar Allan Poe. Wikipédia. Disponível em; <https://pt.wikipedia.org/wiki/Edgar_Allan_Poe>. Acesso em: 10/08/2015.
Arthur Conan Doyle. Wikipédia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Arthur_Conan_Doyle>. Acesso em: 10/08/2015.
Jane Austen. Wikipédia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Jane_Austen>. Acesso em: 10/08/2015.
Liev Tolstoi. Wikipédia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Liev_Tolst%C3%B3i>. Acesso em: 10/08/2015.
J. R. R. Tolkien. Wikipédia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/J._R._R._Tolkien#Rela.C3.A7.C3.A3o_com_C._S._Lewis>. Acesso em: 11/08/2015.
Clive Staples Lewis. Wikipédia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Clive_Staples_Lewis#Rela.C3.A7.C3.A3o_com_J._R._R._Tolkien>. Acesso em: 11/08/2015.
The Inklings. Wikipédia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/The_Inklings>. Acesso em: 11/08/2015.
Harper Lee. Wikipédia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Harper_Lee>. Acesso em: 11/08/2015.
MACIEL, Nahima. Novo livro de Harper Lee ultrapassa um milhão de cópias vendidas. Diário de Pernambuco. 22/07/2015. Disponível em: <http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/viver/2015/07/22/internas_viver,588092/novo-livro-de-harper-lee-ultrapassa-um-milhao-de-copias-vendidas.shtml>. Acesso em: 11/08/2015.
Victor Hugo. Wikipédia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Victor_Hugo#Pensamento_religioso>. Acesso em: 11/08/2015.
Mesas girantes. Wikipédia. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Mesas_girantes>. Acesso em: 11/08/2015.

Por incrível que pareça, os posts da sessão Dicas de Português e Escrita são sempre muito visitados. Eu sempre muita facilidade para escrever, e devido à leitura, sabia escrever bem sem a necessidade de ficar decorando regras. Eu simplesmente me acostumava com a forma correta que sempre via nos livros. Quando escrevia algo errado por engano ou descuido, eu já sabia onde estava o erro, porque notava algo "estranho" na palavra ou na frase.
Quando comecei o blog, decidi criar uma sessão especial onde poderia compartilhar o que sei, e assim ajudar outras pessoas. Para melhorar a sessão, comecei a pesquisar sobre as maiores dificuldades que as pessoas têm na hora da escrita. Estou sempre tentando me atualizar sobre isso, e sei que a vírgula acaba sendo a grande vilã de muitos textos.
Hoje não vou trazer regras nem dicas de como usar a vírgula (ainda tenho que preparar um post especial sobre isso). Vou apenas apresentar situações que provam que ela é muito importante, e que é preciso utilizá-la corretamente.



Sobre a diferença que uma vírgula pode fazer quando presente ou ausente no texto, ou ainda dependendo de onde foi colocada na frase, acredito que um anúncio publicitário de apenas um minuto seja o exemplo mais criativo e prático possível. Exibido na TV aberta no ano de 2008, como campanha comemorativa do centenário da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), o vídeo abaixo é sempre citado para mostrar exemplos de frases que têm seu sentido alterado por causa da vírgula. Assistam, e saibam do que estou falando.




Viram? Mas esse não é o único exemplo que encontrei. Pesquisando sobre o assunto, me deparei com um texto engraçado no site Mundo Gump. Além de citar o vídeo que você viu acima, o autor do texto contava pequenas histórias ilustrando a importância de se estar atento ao uso da vírgula. Não sei se são verídicas, mas achei importante reproduzir duas delas:


A VÍRGULA FATAL
A czarina russa Maria Fyodorovna certa vez salvou a vida de um homem, apenas mudando de lugar em vírgula em sua sentença. Muito inteligente, ela não concordava com a decisão de seu marido, Alexandre II, e usou o seguinte artifício:
O czar enviou o prisioneiro para a prisão e morte no calabouço da Sibéria, e no fim da ordem de prisão estava escrito: "Perdão impossível, enviar para Sibéria". Maria ordenou que redigissem nova ordem, e fingindo ler o documento original, mudou uma vírgula, transformando a ordem em: "Perdão, impossível enviar para Sibéria", e o prisioneiro foi libertado.

A VÍRGULA DE UM MILHÃO DE DÓLARES
Pode parecer incrível, mas uma única vírgula causou uma confusão e prejuízo terrível para o governo dos EUA. Na lei de tarifa alfandegária aprovada pelo congresso em 6 de junho de 1872, uma lista de artigos livres de impostos incluía: "plantas frutíferas, tropicais, e semitropicais". Na hora de escrever o documento, um funcionário público distraído acrescentou sem perceber uma nova vírgula, deixando o texto assim: "plantas, frutíferas, tropicais e semitropicais". Isso fez com que todos os importadores de plantas americanos pleiteassem o direito de importação livre de impostos. Isso causou a falta de uma fortuna em impostos aos cofres dos EUA, e a lei só foi reescrita em 9 de maio de 1894. O desastrado funcionário público, ao que parece, não foi demitido.

Como eu disse anteriormente, não sei se as histórias são verídicas.
Mas se isso não foi o bastante, que tal algumas charges? Charges sã sempre engraçadas, e é possível observar o que queremos nessas duas que separei para o post:







Apesar de tratarem de assuntos sérios, as duas charges mostram bem aquilo que já vimos tanto com o vídeo, quanto com as duas histórias acima. Espero ter ajudado com esse post, e prometo que em breve haverá um novo, específico sobre as funções da vírgula e as regras que definem quando seu uso é obrigatório ou não.

Por: Lethycia Dias

Referências bibliográficas:
DAVID, Philipe Kling. As mais incríveis confusões causadas pela vírgula. Mundo Gump. 15 de agosto de 2008. Disponível em <http://www.mundogump.com.br/as-mais-incriveis-confusoes-causadas-pela-virgula/>. Acesso em: 06 de agosto de 2015

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