Confira!



Embora pareça simples e fundamental no momento da escrita, uma das coisas que mais geram dúvidas é, acreditem, a pontuação. Tudo certo na hora de colocar exclamações, interrogações, reticências e ponto final, não é mesmo? Talvez a vírgula gere dúvidas também, e por isso, em breve dedicaremos um post a ela. Mas há horas em que o ponto-e-vírgula acaba sendo o verdadeiro vilão da história. Quem escreve com frequência sabe como ninguém que há momentos em que simplesmente não sabemos responder à pergunta:

"E agora? Eu uso vírgula, ponto-e-vírgula ou ponto?"

Todos sabem que o ponto marca o fim de um período (oração simples, coordenada ou subordinada) ou de um parágrafo. É comum aprendermos em nossa formação básica que a vírgula "serve pra fazermos uma pausa na leitura", que o ponto-e-vírgula "significa uma pausa um pouco maior", e que o ponto "é o fim da frase. Vamos aqui abolir esta ideia de "pausa para respirar", e explicar quando exatamente se usa o ponto-e-vírgula.

O ponto-e-vírgula é usado para:

* Separar orações coordenadas quado pelo menos uma delas já tem vírgula no seu interior.
   "Muitas são as causas que vêm afetando o equilíbrio ecológico; entre elas, está a devastação dos recursos naturais."
    "Fazia um silêncio sepulcral na casa; todos, pensava eu, tinham saído ou morrido." (Clarice Lispector)

* Separar itens ou tópicos de decretos, leis, portarias, etc. (itens de uma enumeração)
   "Na reunião do Conselho de Classe, os professores discutiram sobre:
     - O alto número de faltas;
     - O mau-comportamento dos alunos;
     - O grande número de alunos que tiraram notas baixas nas provas."

* Separar orações de sentido adversativo, isto é, contrário, oposto.
   "As mulheres choravam de medo; os homens zombavam de tudo." (José Cândido de Carvalho)
   "A aula já terminou; vocês, no entanto, não podem sair."

Esse post foi simplesmente explicativo, a fim de tirar pequenas dúvidas que podem muitas vezes prejudicar um texto, como acontece no caso de uma frase muito grande, na qual o leitor fica confuso; acaba esquecendo-se do que foi dito no início; sente que a frase nunca terá fim.
Viram o uso do ponto-e-vírgula no parágrafo acima? É um bom exemplo de oração composta por vários períodos, em que este sinal se faz necessário. Espero ter sido capaz de ajudar a esclarecer dúvidas.

Por: Lethycia Dias

O post de hoje do blog é algo que eu queria escrever há muito tempo. Está relacionado a livros incríveis, e escritos por uma brasileira. Não só isso. Romances históricos impressionantes que acredito que todo apreciador de literatura brasileira, ou do romance histórico, deveria conhecer. Estou falando de três obras de Ana Miranda, das quais li duas que são ambas fantásticas. Ainda pretendo ler a terceira, e mesmo sem ter lido, já acredito que seja igualmente boa.

Estou falando de Boca do Inferno, A Última Quimera e Dias & Dias, três obras da atriz, poetisa, escritora e desenhista cearense Ana Miranda, várias vezes premiada e reconhecida internacionalmente. os três são releituras, isto é, reinterpretações de obras famosas, respectivamente: os poemas de Gregório de Matos; a vida do poeta pessimista Augusto dos Anjos; e a vida do também poeta Gonçalves Dias, o famoso autor de A Canção do Exílio. Que seria uma releitura? Seria a recriação de uma obra já existente; não trata-se de apropriação do que outro autor publicou, mas sim de uma forma diferente de encarar a mesma obra, a partir de novas perspectivas. Ana Miranda faz isso de forma genial em seus romances. Antes de partir para os três livros em si, falarei um pouco sobre ela.

Biografia de Ana Miranda


Nascida em Fortaleza (CE), em 1951 em Brasília e depois radicada no Rio de Janeiro (1969), trabalhou como atriz entre os anos de 1971 e 1979 (Como é gostoso o meu francês), e foi também editora chefe da Funarte. Teve formação literária com Rubem Fonseca (1979-1989) e estudou artes plásticas da Universidade Federal de Brasília (UnB). É desenhista, e ilustra as capas de seus próprios livros.
Seu primeiro livro, uma coletânea de poemas chamada Anjos e Demônios, foi publicado em 1978. Em matéria do Jornal do Brasil de 19 de maio do ano seguinte, o crítico Fernando Py a elogia: "Anjos e Demônios é um livro que, a princípio, fala mais à sensibilidade e à emoção; seguimos os versos da autora como se fossem fruto de confessionário, com suas aparentemente ingênuas nudezas de anjos e demônios internos. Essa impressão, no entanto, vai se desfazendo aos poucos; vemos surgir, aqui e ali, uma poesia de maior densidade, especialmente em certos poemas em que a expressão atinge uma invenção feliz...". Seu primeiro e maior sucesso viria onze anos depois, com Boca do Inferno, que mescla ficção e história para traçar um panorama sobre a corrupção e as mazelas da sociedade baiana durante o período colonial brasileiro, tendo como personagens o poeta Gregório de Matos e o padre jesuíta Antônio Vieira. Traduzido para diversos idiomas em vários países, eles livro lhe rendeu o Prêmio Jabuti de revelação no ano de 1990.
Publica em seguida outros livros, como O Retrato do Rei (1991), A Última Quimera (1995), Desmundo (1996), Clarice (1996), com Clarice Lispector como personagem, Amrik (1997), sobre imigrantes árabes no Brasil, e Dias & Dias (2002), entre outros. Sobre sua obra, afirma: "A minha literatura sempre foi muito onírica. Eu crio os meus livros quando estou sonhando. Acordo no meio da noite com cenas, palavras, frases que vou anotando."

Obras publicadas:
Anjos e Demônios (poesia), José Olympio Editora/INL, Rio de Janeiro, 1978;
Celebrações do Outro (poesia), Editora Antares, Rio de Janeiro, 1983;
Boca do Inferno (romance), Editora Companhia das Letras, São Paulo, 1989;
O Retrato do Rei (romance), Companhia das Letras, São Paulo, 1991;
Sem Pecado (romance), Companhia das Letras, São Paulo, 1993;
A Última Quimera (romance), Companhia das Letras, SP, 1995;
Clarice (novela), Companhia das Letras, São Paulo, 1996;
Desmundo (romance), Companhia das Letras, SP, 1996;
Amrik (romance), Companhia das Letras, SP, 1997;
Que seja em segredo (antologia poética), Editora Dantes, Rio, 1998;
Noturnos (contos), Companhia das Letras, São Paulo, 1999;
Caderno de sonhos (diário), Editora Dantes, Rio, 2000;
Dias & Dias (romance), Companhia das Letras, SP, 2002;
Deus-dará (crônicas), Editora Casa Amarela, São Paulo, 2003;
Prece a uma aldeia perdida (poesia), Editora Record, São Paulo, 2004;
Flor do cerrado: Brasília (infanto-juvenil), Companhia das Letrinhas, São Paulo, 2004;
Lig e o gato de rabo complicado (infantil), Companhia das Letrinhas, São Paulo, 2005;
Mig, o descobridor (infantil), Editora Record, Rio de Janeiro, 2006;
Tomie, cerejeiras na noite (infanto-juvenil), Companhia das Letrinhas, São Paulo, 2006;
Lig e a casa que ri (infantil), Companhia das Letras, 2009;
Yuxin, alma (romance), Companhia das Letras, São Paulo, 2009;
Carta do tesouro (infantil e adulto), Armazém da Cultura, Fortaleza, 2010;
Mig, o sentimental (infantil), Editora Record, Rio, 2010;
Carta da vovó e do vovô (infantil e adulto), Armazém da Cultura, Fortaleza, 2012;
O peso da luz, Einstein no Ceará (novela), Armazém da Cultura, Fortaleza, 2013;

Semíramis (romance), Companhia das Letras, São Paulo, 2014.

Prêmios recebidos

1990 - Prêmio Jabuti, Revelação de romance, com Boca do Inferno;
1994 - Prêmio da Biblioteca Nacional, para A última quimera;
2003 - Prêmio Jabuti - com o romance Dias & Dias;
2003 - Prêmio da Academia Brasileira de Letras, Romance, com Dias & Dias;
2009 - Sereia de Ouro;
2010 - Green Prize of the Americas, com Yuxin

As Releituras


Boca do Inferno

Ambientado na cidade de Salvador do século XVII, retrata a corrupção e a luta pelo poder que marcaram o governo de Antonio de Souza Menezes, conhecido como Braço de Prata, e é dividido em várias partes: A Cidade, O Crime, a Vingança, a Devassa, a Queda e O Inferno. A cidade e a sociedade são muito bem caracterizadas aqui. Gregório de Matos, opositor do governo, volta à vida neste livro. O título é uma referência ao apelido que o poeta recebeu devido às suas sátiras e críticas dirigidas aos governantes e poderosos na época, também ilustradas na obra.
"Sempre tive muito encanto pela palavra, com a formação e o poder das palavras... quando eu faço um livro sobre o Gergório de Matos, na verdade o que me interessa é a linguagem dele", disse a autora, em entrevista.


A Última Quimera


Narrado em primeira pessoa por um suposto amigo de infância de Augusto dos Anjos (o poeta pessimista que incorporou o vocabulário científico à poesia no período Pré-Modernista), contando sua vida seus conflitos.  O título é inspirado no poema Versos Íntimos, de Augusto dos Anjos, cujo trecho reproduzimos aqui:

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera –
Foi tua companheira inseparável!


Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!






A palavra "quimera", neste caso, não refere-se à criatura mitológica, mas aos sonhos, as fantasias e desejos individuais das pessoas. Augusto dos Anjos escreveu poemas que refletiam a maldade e a ingratidão humana, a solidão, a fugacidade da vida (que se acaba com a morte do corpo, simples matéria orgânica entregue à decomposição).

Dias & Dias:
Viajando ao interior do Brasil imperial, Dias & Dias traz a vida de Gonçalves Dias, poeta maranhense símbolo do Romantismo Brasileiro. É narrado por Feliciana, uma jovem sonhadora apaixonada por Gonçalves Dias, que o chama apenas de Antonio, e que sonha com o dia em que ele voltará para o Brasil. Através das cartas de um amigo em comum, ela sabe sobre o que ele passa no exterior, e sofre pelo amor não-correspondido. Um elemento importante é o sabiá, que se faz tão presente na vida de Feliciana, e que é o símbolo da Canção do Exílio, o sabiá que canta nas palmeiras. É repleto de lirismo e sensibilidade.

Os três livros envolveram muita pesquisa, que Ana Miranda faz com afinco. "Eu gosto do passado. Quando escrevo é como se estivesse lá. Estudo, faço os levantamentos de época, mas no texto nada disso deve aparecer, porque eu me impregno daquilo tudo, tenho que ser aquilo. Trabalho com as lacunas da história".
Os dois que li, Dias & Dias e Boca do Inferno, são maravilhosos. embora eu só tenha falado aqui de sua essência, pois o texto não se trata de uma resenha, mas simplesmente de uma indicação. Recomendo aos amantes de poesia, de literatura brasileira, de história, especialmente história do Brasil. Ainda pretendo ler A Última Quimera. Quem sabe eu possa fazer resenhá-lo? Enquanto isso, espero apenas contribuir para a descoberta desses livros tão geniais.

Por: Lethycia Dias

Fonte de pesquisa:
- Autor desconhecido. Ana Miranda. Disponível em:
- Autor desconhecido. Entrevista simultânea. Ana Miranda. Disponível em:
- Autor desconhecido. Boca do Inferno. Disponível em:
- Autor desconhecido. Boca do Inferno. Disponível em:
- Autor desconhecido. Dias e Dias, Ana Miranda. Disponível em:
- Autor desconhecido. A Última Quimera. Disponível em:

Prosseguindo com nossas postagens sobre os diferentes gêneros textuais, passaremos agora para um gênero completamente diferente do narrativo, o gênero lírico. Apresentaremos a seguir a seguir suas principais características, e alguns dos textos líricos existentes. Talvez o mais importante, primeiro, seja explicar o significado deste nome.

Oriundo do termo lyricu, do latim, quer dizer lira, um antigo instrumento musical, de origem pouco conhecida, mas que remonta ao período da Antiguidade Clássica, por ter sido muito usado na Grécia Antiga.

Lira, antigo instrumento musical que acompanhava as composições poéticas
durante a Antiguidade e a Idade Média



O gênero lírico constitui, basicamente, a poesia, apesar de que nem todo poema é um texto lírico, pois precisa para isto corresponder às características que vamos enumerar a seguir. Neste gênero (embora isto se aplique à poesia em geral) o que predomina é a subjetividade do autor, que expressa ideias, emoções e sentimentos, de maneira clara ou metafórica. O que o diferencia, então, um simples poema de um poema lírico?
Os trovadores (ou bardos) da Idade Média apresentavam suas poesias de maneira cantada, com o acompanhamento musical da lira. O ritmo era marcado pela métrica, isto é, a contagem de sílabas de cada verso; as aliterações (repetições de letras, sons e palavras) e as rimas estavam sempre presentes.  Cada forma poética era conhecida por ter um número de versos e ritmo já determinado. Entre as mais comuns, encontram-se:


  • Soneto: Da palavra italiana soneto, que quer dizer pequeno som. É formado por quatro estrofes: as duas primeiras compostas por quatro versos e as duas últimas compostas por três;
  • Elegia: De origem grega, significa "canto triste", e está geralmente ligado à morte ou sentimentos tristes;
  • Idílio e écloga: Retratam a vida no campo, e temas ligados a ela. A écloga costuma ser como um diálogo;
  • Ode: Também de origem grega, exalta as características nobres de algo ou alguém;
  • Hino: Voltado para a exaltação da pátria, ou dos deuses;
  • Sátira: Geralmente cômica, ridiculariza os defeitos humanos ou de alguém em particular; ou ainda faz crítica a determinadas situações.
Estes são os principais modelos de poemas líricos. Vale ressaltar que existem ainda muitas outras modalidades de poesia, e que nem todas fazem parte do gênero lírico. Estas serão descritas detalhadamente mais tarde nas próximas postagens desta sessão.

Por: Lethycia Dias

Bibliografia:
- VILARINHO, Sabrina. Gênero Lírico. Disponível em:
http://www.brasilescola.com/literatura/genero-lirico.htm
- DUARTE, Vânia Maria do Nascimento. Gênero Lírico. Disponível em:
http://www.portugues.com.br/literatura/generolirico.html
- Autor desconhecido. Lira (instrumento musical). Disponível em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Lira_(instrumento_musical)


Conviver com outros leitores nem sempre é um mar de rosas, ainda mais em ambientes virtuais, onde as pessoas se sentem livres para digitar tudo o que querem, sem a menor sensibilidade. As experiências boas são inúmeras, mas também há experiências ruins. Dessa forma, quando alguém comenta nas redes sociais sobre aquele livro que tanto gosta (que pode ser o último lançamento da Editora X, pode ser um livro antigo do qual ninguém nunca ouviu falar, ou pode ser aquele mesmo que você também gosta), não é difícil ver alguém fazendo críticas exageradas, nem um pouco produtivas, que ofendem tanto o autor do livro quanto a pessoa que o leu.

E você deve estar se perguntando:
"Mas Lethycia, esse post não era sobre o pior livro que você leu?"

Não deixa de ser, pois entre estes comentários ofensivos, mal-educados e desnecessários aos quais me referi acima, logo acabamos encontrando o famoso "É o pior livro que eu já li", e é aqui que a situação se agrava ainda mais.
É claro que todas as pessoas têm o direito de expressar sua opinião sobre tudo, em qualquer lugar que estejam. Entretanto, um pouco de bom-senso é indispensável. Será que você precisa mesmo ofender? Será que só por que você não gostou de algo, significa que ninguém pode gostar? Me parece que não. É óbvio que não. Você pode muito bem dizer que não gostou, sendo educado. Apenas diga "Eu não gostei por n motivos", e pronto. Tudo se resolve assim, desde que sejam motivos justificáveis.

Mas Lethycia, você ainda não falou do livro!

Caso alguém escrevesse um livro fazendo citações de todas as frases irônicas ditas com objetivo de ridicularizar alguém, ofender ou humilhar apenas por causa daquilo que gosta, e eu por acaso o lesse, este sim seria o pior livro que já li. Ninguém teve essa ideia ainda. Logo, podemos concluir que "o pior livro que eu já li" não existe.
Não existe, porque acredito que não se pode fazer esse tipo de classificação simplista e pejorativa, desmerecendo o trabalho de alguém cria personagens, escreve toda a uma história e ainda publica, pensando nas pessoas que possivelmente vão acabar gostando. Mesmo que o escritor o faça com fins unicamente comerciais, não perde o mérito. Toda obra agrada alguém, ou então não teria sido publicada. Agrada ao seu autor, ao profissional responsável na editora, ao dono da livraria, ao leitor que "devora" todas as páginas mais rápido do que esperava. Mesmo que muitas pessoas não gostem, que não concordem com a essência da obra, que achem a ideia "batida" ou "sem graça", sempre haverá alguém que gostou.
Por isso, acredito que não exista nenhum livro apenas "ruim" ou "bom", assim sem mais nem menos. Uma coisa só pode ser boa ou ruim se houverem motivos para isso. Mesmo assim, ainda é algo mito subjetivo. Ainda que eu possa explicar porque eu considero o livro x ruim, pelos fatores tais, sempre vai haver alguém para achá-lo bom por outros fatores. Não há e nem haverá jamais um "melhor de todos" ou "pior de todos".
Portanto, saber desconsiderar comentários assim é de imensa importância. Saber evitá-los também. A educação e a gentileza ainda são coisas de que todo mundo gosta. Esperemos que nunca saiam de moda.
Eu gosto de ler. Gosto de livros. Seja lá quais forem. E nada vai mudar isso.


Por: Lethycia Dias




Tenho observado que muitos leitores compram todos os seus livros em livrarias, sebos ou lojas virtuais, ou fazem downloads de e-books. É possível que muitos não frequentem a biblioteca de sua escola, ou a biblioteca pública de sua cidade. Por isso, senti a necessidade de escrever um post ilustrando essa prática, tão comum antigamente, mas que vem perdendo espaço nos últimos anos, quando o comércio de livros se tornou mais acessível e as novas tecnologias passaram a permitir que se mantenham coleções virtuais, na tela do computador, ou mesmo em tablets e smartphones.

Como ter acesso a bibliotecas?

A escola
Creio que o primeiro contato de um leitor com uma biblioteca seja na escola. Quando isso não acontece em casa, é também na escola que acontece o primeiro contato íntimo com livros. Foi assim que aconteceu comigo, e é assim que acontece com muitas pessoas. A escola é, portanto, o primeiro "portal" para o encontro com os livros. Entretanto, grande parte delas só atende aos seus próprios alunos e professores, e não são abertas à comunidade em geral. Provavelmente não é possível ir ao colégio público mais próximo de sua casa e pegar livros emprestados sem ser um aluno deste colégio.
 A biblioteca pública
A biblioteca pública é o outro grande meio de acesso aos livros sem ser pela compra ou pelo download. Mais frequentadas por vestibulandos, por pessoas que se preparam para fazer concursos públicos e por estudantes universitários, elas infelizmente não são tão abundantes nem tão ricas quanto deveriam. Algumas cidades podem ter várias bibliotecas públicas, como acontece nas capitais dos estados brasileiros, enquanto outras podem simplesmente não ter nenhuma. Algumas podem ter um excelente acervo, enquanto outras se encontram em situação precária, com material sucateado. Tudo isso é lamentável.
Se você não conhece as principais bibliotecas públicas de sua cidade, ou não sabe se elas existem, é sempre válido fazer uma pesquisa. Digitar no Google "bibliotecas públicas de (nome do município)" pode ser muito útil. Você descobrirá telefones e endereços, e talvez até e-mails, que facilitarão o seu acesso. Se isto não for possível, ainda pode perguntar a alguém que você considere que saiba do assunto.

Frequentando

Tendo acesso a uma biblioteca, há muitas coisas de grande importância que se pode apontar para alguém que vai pela primeira vez:

1- Guarda-volumes: grande parte das bibliotecas públicas exigem que o visitante guarde sua mochila ou bolsa na entrada, a fim de evitar furtos. Ao entrar, você deve pegar em sua bolsa tudo aquilo de que precisa, para deixá-la guardada e só pegá-la de volta da saída;
2- Alimentos e bebidas: muitas proíbem o consumo de alimentos ou bebidas em suas dependências, para evitar danos aos livros;
3- Silêncio: As bibliotecas de escolas costumam ser mais flexíveis. Entretanto, bibliotecas públicas e de universidades são extreamente rigorosas a este respeito, pois são frequentadas por pessoas que precisam estudar ou fazer pesquisas. Por isso, o silêncio é fundamental. Você deve sempre falar baixo;
4- Registro: Muitas vezes é necessário fazer um registro antes de realizar um empréstimo. Em escolas, o resgistro está sempre ligado à matrícula do aluno, e pede-se apenas o nome completo, e quando muito, sua série, turma e uma foto. Em bibliotecas municipais ou estaduais, é preciso às vezes levar comprovante de endereço e deixar um número de telefone, além da fotografia 3x4. Já nas universitátias, o sistema pode ser bem mais rígido, exigindo às vezes que os frequentadores sejam apenas alunos, professores ou funcionários da instituição, e que tenham uma espécie de registro eletrônico para adquirir a carteirinha;
5- Sete dias: As bibliotecas de colégios costumam dar prazos flexíveis, de acordo com o tamanho do livro emprestado. Já as públicas e universitárias, costumam dar, em geral, apenas sete dias de prazo para a devolução do livro. É possível renovar este prazo, quase sempre acrescentando-se mais uma semana. Os atrasos podem implicar em multas,

Outras coisas são importantes para se destacar. Tenha em mente que uma biblioteca não é como a livraria do shopping. Você não encontrará os últimos lançamentos, e nem os mais vendidos. É possível que encontre literatura mais moderna, entretanto, o que vai predominar são livros antigos, na maioria das vezes escritos por célebres autores brasileiros, ou por escritores locais pouco conhecidos. E isto não significa que os livros de bibliotecas são ruins. Significa apenas que são diferentes daqueles que se vê sempre nas livrarias, nos anúncios publicitários, nas listas de best-sellers. O livro velho e empoeirado, esquecido na prateleira enferrujada da biblioteca pode agradar a muitas pessoas, e descobri-lo pode ser mais interessante do que ler as resenhas dos últimos lançamentos, tentando encontrar "algo novo". Bibliotecas são maravilhosas; o que falta são pessoas capazes de valorizá-las.
Se este texto contribuiu para que você mudasse seu ponto de vista, ou para que tivesse maiores informações sobre o funcionamento de uma biblioteca, então o post alcançou seu objetivo.

Por: Lethycia Dias

Todo leitor já passou por isso: o livro de repente deixa de ser apenas mais um, para se tornar o livro. Fica importante. Representa sentimentos e ideias. Vira relíquia.
De volta com a Sessão 10, decidi começar a falar dos livros que talvez tenham sido os mais significativos para mim. Alguns me divertiram, outros me chocaram... Outros, ainda, acabaram se tornando especiais por motivos inusitados, e por isso vou falar de alguns.

1- Não se esqueçam da rosa - Giselda Laporta Nicolelis




Apesar de já ter falado deste livro antes no último Caso de Leitora, senti a necessidade de citá-lo de novo, pelo quanto foi especial para mim.
Contando a história de uma menina que possui uma doença genética (resultado da radiação presente nas células de seu pai, que foi um sobrevivente da tragédia de Hiroshima), Não se esqueçam da rosa foi um dos primeiros livros que li na vida. Outros vieram antes dele, mas foi este que contribuiu para que eu amasse ler. Sua história - talvez um tanto melancólica demais para uma criança - é toda relatada pela menina que queria demais uma boneca com sua aparência. Pele morena de sua mãe, olhos puxados de seu pai.
Foi uma leitura realmente especial, que não poderia deixar de ser lembrada.




2- A sombra do vento - Carlos Ruiz Záfon



Eu era ainda uma menininha quando este livro chegou até mim. Foi sucesso de vendas, eu me lembro. Devia ter uns treze anos quando o li, e até hoje desejo ler de novo.
Imagine encontrar um livro raro, e considerar seu autor (totalmente desconhecido) um gênio. E ainda descobrir que alguém anda queimando todos os exemplares de todos os livros já publicados por este escritor, como se pretendesse apagá-lo para sempre da lembrança das pessoas. O jovem Daniel Sempere está passando por isso. E o leitor, inocente, sequer imagina o que há por trás de tal mistério!
Neste que provavelmente é o volume mais famoso de Záfon, uma história puxa outra, e para que todas se desenrolem de uma vez, tudo gira em torno do enigma da vida de Júlian Carax, autor do livro fictício A sombra do vento. Descobrir o drama de seu passado pode ser chocante, mas explorar o pouco que cada personagem sabia sobre ele, e alcançar seu maior segredo, será profundamente maravilhoso!


3- Os 13 Porquês - Jay Asher


Costumo dizer que é um dos melhores livros que já li. Talvez seja pelo que estava enfrentando na época, quando os meus quatorze anos eram ameaçados por problemas familiares e crises existenciais. Eu tinha dúvidas e dilemas, e eis que Hannah Baker entra em minha vida e sai da de Clay Jensen, uma voz fantasma que conta os motivos pelo qual uma garota jovem e bonita comete suicídio.
As fitas estão na caixa de sapatos, e quem as recebe, é culpado. Clay não sabe o que fez. Deve ouvir até o fim, e passar para a próxima pessoa. Estas são as regras, e ninguém correrá o risco de não atender ao último desejo de Hannah.
Não é que eu tenha gosto por coisas mórbidas ou tristes. A importância que Os 13 Porquês teve para mim está mais ligada à mensagem que passa. Com ele aprendi que devemos considerar os sentimentos dos outros; devemos saber nos colocar no lugar da outra pessoa; devemos ser mais sensíveis com a dor alheia. Só é lamentável que os personagens de Jay Asher não soubessem disso.

4- Leite Derramado - Chico Buarque


Genialmente escrito pelo cantor brasileiro Chico Buarque, Leite Derramado acompanha as lembranças de vida de Eulálio Assumpção, um senhor idoso e já doente, internado em um hospital, que fala sem parar de seu passado para sua filha e as enfermeiras, e também para o leitor, que se sente inserido no relato, passeando entre várias gerações de Eulálios de uma decadente família. Sem seguir uma ordem cronológica, ele alterna entre presente e passado, relatando fatos históricos do Brasil enquanto fala de si, de seu pai, avô, bisavô, sem desligar-se de sua visão de homem burguês atuante na política brasileira.
Quem é que deseja conversar interminavelmente com um velho? Quem deseja ouvir as histórias de seus parentes, de suas aventuras extraconjugais, de suas frustrações e alegrias? Pouca gente deve estar disposta a isso. Mas Eulálio não precisa de companhia para contar sua história. Até mesmo sozinho, ele permanece falando, página por página...

5- Luna Clara & Apolo Onze - Adriana Falcão

Voltado para crianças (e por isso, repleto de ilustrações divertidas, além da infinidade de personagens com nomes curiosos e da história mais do que maluca que a gente não descansa enquanto não termina), Luna Clara & Apolo Onze é de uma autora também brasileira, e posso resumi-lo com a palavra genial.
Luna Clara, que mora na cidade de Desatino do Norte, espera todos os dias pela chuva na entrada da cidade, pois sabe que quando ela vier, seu pai virá com ela. Apolo Onze, em Desatino do Sul, tem um monte de irmãs e é um jovem triste e desanimado. Ao longo de toda a história, esperamos que ambos se encontrem. E também que Doravante, o pai de Luna Clara, volte para sua Aventura. O inusitado surpreende até ao leitor mais cético, nessa história divertida e engraçada. Eu me peguei assim, rindo à toa com as situações inesperadas, analisando os desenhos, anotando o nome de cada personagem, numa lista interminável (são mesmo muitos!), e até hoje desejo poder reler essa história maravilhosa.


6- Antes que eu vá - Lauren Oliver


A ideia de dar importância aos sentimentos dos outros volta à nossa pauta com Antes que eu vá, em que Samantha Kingston, numa noite cruel, dá adeus à sua vida de popularidade, festas, roupas, amigos e futilidades para... morrer. Entretanto, após o acidente de carro, ela acorda em sua cama, e logo percebe que está revivendo o mesmo dia. Este se repetirá várias vezes, até que ela perceba em que parte vinha errando, e consiga não apenas concertar tudo, mas arrepender-se e também perdoar-se.
Aqui, assim como em Os 13 Porquês, a sensibilidade é o mais importante. Mesmo que pareça só mais um livro de adolescentes. Mesmo que Sam pareça só mais uma "patricinha chata do High School", temos muito a aprender com ela. Além disso, pude fazer uma imensa reflexão sobre o quanto nossas simples ações refletem direta ou indiretamente nas vidas de outras pessoas. Repetindo seu último dia de vida várias vezes, Sam descobre como um simples gesto, uma palavra dita, muda as coisas ao seu redor, ainda que parecesse não ter importância. Pegar esta reflexão para nossas vidas pode ser chocante.

7- Harry Potter e as relíquias da morte - J. K. Rowling

Pela popularidade que a Saga do bruxinho de óculos tem, talvez eu nem precise falar muito do que se trata o livro! Vou então falar apenas dos meus sentimentos ao longo da leitura!
Harry Potter já fazia parte da minha vida muito antes de eu começar a ler os livros. Já existiam os filmes, e vi os quatro primeiros sem compreender muito bem. Aos 13 anos, decidi ler, e não me arrependi de me aventurar no universo fantástico criado por J. K. Rowling. Eu queria descobrir qual era a verdadeira relação entre Voldemort e Harry, e saber se o título dizia algo sobre o futuro de Harry, mas terminar a saga era uma tragédia. Me despedir de tantos personagens divertidos, de tantas criaturas fascinantes, feitiços perigosos e voos de vassoura era profundamente triste.
Li As relíquias da morte como quem devora uma sobremesa, e depois se arrepende por não ter apreciado direito o saber. Entretanto, eu sofria com Harry, sentia sua solidão e suas dificuldades, e chorava a morte de cada personagem. Chegando ao fim, eu prometi a mim mesma que não esqueceria de todas as lições sobre amizade, lealdade, e também das contradições e conflitos aprendidos ao longo de todos os livros. Como se esquecer de Sirius falando de luz e trevas? Ou de Dumbledore e sua quase incompreensível sabedoria? Só quem também leu poderia saber do estou falando.

8- Inverno na manhã - Janina Bauman

Talvez o mais famoso dos diários da Segunda Guerra Mundial ou sobre o Holocausto seja O Diário de Anne Frank. Entretanto, o melhor de todos, para mim, será sempre este, pois foi o primeiro nesse estilo que li, e o choque que tive foi tão grande que jamais me permiti esquecê-lo.
Janina Bauman tinha 14 anos quando a Alemanha invadiu a Polônia, no início da II Guerra. E eu tinha 12 quando descobri este livro na biblioteca da escola. Vivendo no Gueto criado para judeus em Varsóvia, Janina sofreu os horrores da guerra. Passou fome, viu pessoas morrerem de maneira trágica, vivei injustiças e crueldades atrozes. Escondeu-se em porões e prédios abandonados, buscando sobreviver. Seus diários foram escondidos, e reencontrados após o fim da guerra, intactos.
Imagine como foi para uma menina ler tudo isso. As reflexões que teve sobre a maldade humana, e as lágrimas que derramou sobre as páginas, lendo uma história real. Acho que não preciso acrescentar nada.

9- Jornada pelo Rio Mar - Eva Ibbotson



Ambientado no início do século XX, Jornada pelo Rio Mar acompanha a trajetória de Maia, uma menina órfã que é enviada de Londres à Amazônia brasileira para viver com parentes distantes de cuja existência nem desconfiava. Acompanhada por sua governanta, a senhorita Minton, Maia embarca num navio, e chegando ao Brasil, se encanta com toda a riqueza, diversidade e beleza da floresta. Mesmo que a convivência com seus parentes não seja como esperava, ela se apaixona por sua nova vida.
Este livro faz parte de uma boa fase da minha vida, quando acredito que fiz minhas melhores leituras. É definitivamente inusitado pensar em algo assim, não? Eu também achei. E se cada página virada era uma nova surpresa, eu não pude deixar de me apaixonar pelas aventuras de Maia, e por vários outros personagens apresentados a mim neste volume simplesmente lindo.
Para quem valoriza as belezas naturais do Brasil, e o caráter diversificado e rico de sua cultura, essa história é mais do que maravilhosa.

10- O resto é silêncio - Erico Verissimo

Mais um brasileiro se encontra nessa lista, e dessa vez é o último. Posso dizer que O resto é silêncio é chocante por si mesmo, pois nada nele acontece do jeito convencional. Para começar, toda a sua história ocorre durante apenas dois dias, na década de 1940, em Porto Alegre. Sete pessoas presenciam uma morte terrível. Uma moça que cai (ou se joga?) do topo de um edifício. Nenhum destes personagens se conhece, e muitos nem chegam a se encontrar até o fim do livro. Cada um compõe seu próprio núcleo de personagens, que agem às vezes sem se conectarem com os outros núcleos. Tudo gira em torno na maneira que cada um deles encara a morte da moça, e do impacto que isto tem (ou não) em suas vidas.
Lidar com a morte já é em si algo muito difícil. Presenciá-la, pior ainda. E quando tudo indica seja um suicídio, as coisas podem ficar um tanto quanto complicadas. A sensibilidade do leitor é colocada a prova a cada nova reflexão, a cada novo conflito existencial. Para mim foi difícil, mas eu não podia parar de ler.


Como se pode ver, eu falei um pouco sobre a minha experiência com cada um desse títulos, e talvez tenha conseguido deixar claro como cada um deles foi ou ainda é importante para mim de alguma maneira. A respeito do título do post, 10 livros que me marcaram - parte 1, imaginei que logo (talvez daqui a alguns meses, ou um ano), eu já tenha mais livros especiais para destacar, e portanto, provavelmente vou precisar escrever a parte 2. Entretanto, nada está garantido.

Por: Lethycia Dias

"Este livro é um dos produtos do Projeto Berra Lobo - comunicação e conhecimento compartilhados, no seu primeiro ano de existência. Os textos presentes brotaram do diálogo, da experiência e dos conflitos entre mundos separados, não pelos quase 500 km de distância, mas simbolicamente por uma falsa hierarquia cultural. São crianças e jovens que viajam ao encontro de outros mundos, se deixam afetar por eles e constroem narrativas sobre esse processo. Na outra ponta da estrada, estão os trabalhadores da terra, professores e lutadores, que já descobriram, por força da experiência de produzir as condições de sua própria vida, que os comunicantes precisam ser cotidianamente alimentados de esperança, desejo de transformação e, no seu bojo, ações libertárias concretas."


Autores: Professores da FIC (Faculdade de Informação e Comunicação) e alunos de Jornalismo, Educação Física e Artes Cênicas da UFG (Universidade Federal de Goiás)
ISBN: 978-85-8083-123-8


Fruto de um projeto que pretende pensar uma nova maneira de exercer a Comunicação - dando visibilidade aos invisíveis, voz aos mudos, importância aos ignorados - Berra Lobo: palavras andantes surgiu a partir de uma iniciativa de aproximar universidade e movimento social popular. Para fazer uma citação mais esclarecedora, "Uma parceria do movimento social popular, no caso o MST e o Laboratório e Coletivo Magnífica Mundi, ligados ao Núcleo de Jornalismo e Diferença, do Curso de Jornalismo, UFG. Retoma-se algo iniciado ainda nos anos 80, do século passado." (Berra Lobo: palavras andantes. Página 30: Berra Lobo, um projeto e os sonhos).
Reunindo relatos dos estudantes em visita ao Assentamento Oziel Alves Pereira, no município de Baliza (na divisa com Mato Grosso, a cerca de 500 km de Goiânia - GO); e ao acampamento Hugo Chávez, em Corumbá - GO (cerca de 100 km da capital); e também de integrantes do movimento, este livro pode ser, em sua essência, uma nova forma de pensar não só o jornalismo, como também a educação e a relação entre o campo e a cidade, hoje separados por uma invisível - porém inflexível - cerca de preconceitos e desigualdades. Cerca? Daquelas de arame-farpado? Talvez seja um muro, bem mais alto do que imaginamos. Voltando ao livro... Impossível lê-lo sem inteirar-se da importância da Reforma Agrária, principal luta do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Mais impossível ainda seria não mudar pensamentos e conceitos após a leitura.

"Para nós, os modos de contar e de narrar a vida é que fazem a diferença.
Por isso, a multiplicidade de vozes, a polissemia,
constitui a nossa meta primordial."
Angelita Pereira de Lima,
professora de Jornalismo da UFG e coordenadora do Projeto Berra Lobo. (Página 50)

A leitura deste livro foi, em resumo, uma sequência de encantos. Encantei-me porque conheci histórias de pessoas que o mundo ignora, que foram consideradas como iguais; porque foi quebrado o tabu, foi derrubado o preconceito com um movimento que busca igualdade e dignidade; porque cada página virada era uma nova surpresa.
Da explicações iniciais acerca do projeto, dos textos de integrantes do movimento, das descrições das oficinas criativas oferecidas pelos estudantes às crianças que estudavam nas duas escolas do Assentamento Oziel, até as mais simples histórias contadas, e à maravilhosa entrevista com o homem conhecido como Cigano, cada palavra foi uma descoberta. Descobri sobre o quanto é bom oferecer oportunidades àqueles que não as tem; o quanto se aprende com os mais simples, os mais jovens (refiro-me às crianças que receberam as oficinas); o quanto é bom nos distanciarmos de nossa zona de conforto, de nossa realidade, para conhecer o mundo alheio; o quanto é bom compartilhar experiências tão repletas de sensibilidade.

"Nas chamadas oficinas, que focam a apropriação e uso de novas tecnologias
para comunicação, como artes e esportes,
se busca ampliar as possibilidades de os envolvidos - crianças, jovens e adultos -
se legitimarem como produtores de sentido."
Texto coletivo. Berra Lobo, um projeto e os sonhos. Página 31.

Talvez o mais importante a ser ressaltado seja a quebra de barreiras. Quem vive no campo não deveria viver separado de quem está na cidade; não deve se abster de contribuir com opinião e história; e não deve se conformar com as injustiças sociais. Da mesma forma, a quebra de estereótipos vem para libertar mentes e aproximar pessoas. O MST procura proporcionar igualdade, embora poucos se deem conta dos malefícios históricos do latifúndio que domina o sistema agrário do Brasil. Que divide, separa. Que devasta, degrada. Que maltrata. Se algo parece errado no modo como a Comunicação é feita nos meios de massa, outras possibilidades podem ser oferecidas através da internet, que está visível para o mundo. E um movimento popular pode distribuir esperança e corrigir incoerências sociais.
Me emocionei com essas e outras reflexões durante a leitura do Berra Lobo. Vi confirmados alguns dos meus ideais como aluna de jornalismo. Inclusão, serviço social, responsabilidade, compromisso com a verdade. Gostaria, na verdade, de ter feito parte do grupo que viveu tal experiência. Como não estava ainda na faculdade, o que me coube foi descobrir nas páginas do livro o que eles viveram. E cada palavra lida valeu a pena.

Por: Lethycia Dias

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