Confira!

Conforme afirmei numa postagem anterior, o Soneto é um dos textos do gênero lírico, e pode-se dizer que é o único que é escrito até hoje, sendo considerado uma das formas mais clássicas de se escrever poesia. Por terem sido abandonados na literatura, os outros poemas do gênero lírico não serão aqui descritos. Agora, conheceremos um pouco mais sobre o soneto, indo além da breve explicação oferecida no post anterior.

Para começar, creio que podemos esclarecer a origem do termo soneto: é uma palavra de origem italiana e significa "pequena canção", ou ainda "pequeno som". Existem divergências quanto à sua origem, mas alguns estudiosos atribuem sua criação ao humanista florentino Francesco Petrarca que viveu no século XIV, embora também haja afirmações de que o soneto já era escrito um século antes, por Giácomo de Lentino (1210 - 1260). As controvérsias são muitas, e é possível que os nomes conhecidos tenham aperfeiçoados formas populares de poesia, bem como também é possível que seu criador seja completamente anônimo.
Um segundo ponto importante é sua estrutura. Sua forma mais conhecida hoje em dia é aquela que compreende 14 versos, sendo divididos em dois quartetos (estrofes de 4 versos) e dois tercetos (estrofes de 3 versos). Este é o soneto italiano.


"Amor é fogo que arde sem se ver", de Luís de Camões.
Estrutura do Soneto mais conhecida atualmente. 14 versos; 2 quartetos, 2 tercetos.

Outras formas, entretanto, predominaram em outros tempos. São elas:
  • Soneto inglês ou Shakespeariano: é formado por três quartetos e um dístico, isto é, uma estrofe de 2 versos;
  • Soneto monostrófico: apenas uma estrofe de 14 versos.
Sendo uma composição clássica, o soneto manteve uma característica marcante que é comum a todas as formas antigas: a métrica. Antigamente, ao escrever, os poetas observavam com muita atenção o número de sílabas poéticas em seus versos. Nas formas clássicas, todos os versos precisavam ter a mesma quantidade de sílabas, o que tornava a escrita mais complicada, mas ao mesmo tempo influenciava muito no ritmo do poema. No soneto, a métrica é fundamental para a manutenção do ritmo, e é ela que confere maior beleza às rimas. A maioria dos sonetos é escrita em versos decassílabos, ou seja, versos com 10 sílabas poéticas. Outros, ainda, podem conter 12. São os versos dodecassílabos, ou alexandrinos.

Podendo variar quanto à estrutura e à métrica, pode variar também quanto ao posicionamento das rimas, que pode ser bem classificado nos quartetos:
  • Rimas entrelaçadas: o primeiro verso rima com quarto, e o segundo com o terceiro (ABBA);
  • Rimas alternadas: o primeiro verso rima com o terceiro, e o segundo com o quarto (ABAB);
  • Rimas emparelhadas: o primeiro verso rima com o segundo, e o terceiro com o quarto (AABB).
Exemplo de poema com rimas entrelaçadas (ABBA).
Exemplo de poema com rimas alternadas (ABAB).

Exemplo de poema com rimas emparelhadas (AABB).

Outras características podem ser também importantes, mas essas são as mais notáveis.
O Soneto foi predominante durante a época do Renascimento, e ao longo do tempo, teve sua popularidade maior ou menor em vários períodos literários. Foi muito utilizado no Simbolismo, que cultuava a forma clássica, por exemplo; assim como retornou na obra de um poeta modernista, Vinícius de Moraes, que escreveu muitos sonetos. Alguns grandes sonetistas da Língua Portuguesa foram Luís de Camões, Augusto dos Anjos, Gregório de Matos e Olavo Bilac, além do próprio Vinícius de Moraes.

A seguir, conheça alguns sonetos famosos:


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Por: Lethycia Dias

Referências bibliográficas:
SANTIAGO, Emerson. Soneto. Disponível em: <http://www.infoescola.com/literatura/soneto/>. Acesso em: 05/07/2015.
WIKIPÉDIA. Soneto. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Soneto>. Acesso em: 05/07/2015.
SANTIAGO, Emerson. Métrica na poesia. Disponível em: <http://www.infoescola.com/literatura/metricas-na-poesia/>, Acesso em: 05/07/2015.

Prosseguindo com nossas postagens sobre os diferentes gêneros textuais, passaremos agora para um gênero completamente diferente do narrativo, o gênero lírico. Apresentaremos a seguir a seguir suas principais características, e alguns dos textos líricos existentes. Talvez o mais importante, primeiro, seja explicar o significado deste nome.

Oriundo do termo lyricu, do latim, quer dizer lira, um antigo instrumento musical, de origem pouco conhecida, mas que remonta ao período da Antiguidade Clássica, por ter sido muito usado na Grécia Antiga.

Lira, antigo instrumento musical que acompanhava as composições poéticas
durante a Antiguidade e a Idade Média



O gênero lírico constitui, basicamente, a poesia, apesar de que nem todo poema é um texto lírico, pois precisa para isto corresponder às características que vamos enumerar a seguir. Neste gênero (embora isto se aplique à poesia em geral) o que predomina é a subjetividade do autor, que expressa ideias, emoções e sentimentos, de maneira clara ou metafórica. O que o diferencia, então, um simples poema de um poema lírico?
Os trovadores (ou bardos) da Idade Média apresentavam suas poesias de maneira cantada, com o acompanhamento musical da lira. O ritmo era marcado pela métrica, isto é, a contagem de sílabas de cada verso; as aliterações (repetições de letras, sons e palavras) e as rimas estavam sempre presentes.  Cada forma poética era conhecida por ter um número de versos e ritmo já determinado. Entre as mais comuns, encontram-se:


  • Soneto: Da palavra italiana soneto, que quer dizer pequeno som. É formado por quatro estrofes: as duas primeiras compostas por quatro versos e as duas últimas compostas por três;
  • Elegia: De origem grega, significa "canto triste", e está geralmente ligado à morte ou sentimentos tristes;
  • Idílio e écloga: Retratam a vida no campo, e temas ligados a ela. A écloga costuma ser como um diálogo;
  • Ode: Também de origem grega, exalta as características nobres de algo ou alguém;
  • Hino: Voltado para a exaltação da pátria, ou dos deuses;
  • Sátira: Geralmente cômica, ridiculariza os defeitos humanos ou de alguém em particular; ou ainda faz crítica a determinadas situações.
Estes são os principais modelos de poemas líricos. Vale ressaltar que existem ainda muitas outras modalidades de poesia, e que nem todas fazem parte do gênero lírico. Estas serão descritas detalhadamente mais tarde nas próximas postagens desta sessão.

Por: Lethycia Dias

Bibliografia:
- VILARINHO, Sabrina. Gênero Lírico. Disponível em:
http://www.brasilescola.com/literatura/genero-lirico.htm
- DUARTE, Vânia Maria do Nascimento. Gênero Lírico. Disponível em:
http://www.portugues.com.br/literatura/generolirico.html
- Autor desconhecido. Lira (instrumento musical). Disponível em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Lira_(instrumento_musical)


Após a descrição de todos os outros gêneros narrativos, chegamos enfim ao último, e mais conhecido de todos, o Romance.




Afirma-se que Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes (1547-1616) teria sido o que deu origem ao romance moderno, visto que o gênero predominante na época, a epopeia, teria seu fim a partir do século XVIII, quando ocorreu a Revolução Industrial. Também por isso, o filósofo Hegel considerou o romance como a epopeia burguesa moderna.


Com Dom Quixote de La Mancha, Cervantes teria originado o romance moderno.

Ao contrário da definição que se atribui ao gênero do cinema, o Romance não se trata de uma história de amor. O nome (do latim romanice: em língua romântica) deriva do movimento literário Romantismo, típico do século XIX, época em que este tipo de narrativa tornou-se habitual. Entretanto, suas reais características, como a da descrição minuciosa, está muito mais relacionadas ao Realismo, que surgiu no fim do mesmo século. Pode-se resumir o romance, simplesmente, numa narrativa em prosa - isto é, que não está organizada em versos.
Entretanto, o que o diferencia de outras narrativas em prosa, como o conto e a novela? Os três podem parecer muito semelhantes, mas quando entramos em detalhes, percebemos as diferenças entre cada um.

As características do Romance
Como todo texto típico do gênero narrativo, possui um narrador, personagens, um tempo, um local e um enredo. Diferente da novela e do conto, porém, o número de personagens é grande, o tempo da narrativa pode ser estender, assim como esta pode acontecer em vários locais diferentes, ao mesmo tempo. Dessa forma, o enredo constitui vários núcleos diferentes de personagens, que podem estar separados por tempo e lugar. Consequentemente, o Romance será constituído de vários clímax, enquanto o conto possui apenas um, e a novela é constituída de ações sequenciais.
Podemos ilustrar essa diferença na seguinte imagem:


(Clique na imagem para ampliar)
O conto, a crônica e a fábula possuem apenas um clímax, que será a parte mais importante da narrativa.
A novela pode possuir mais de um, porém será constituído por ações sequenciais.
Já o romance, possui diversos clímax, divididos entre os vários núcleos de personagens.

Caso queira tirar mais dúvidas sobre os demais gêneros narrativos, visite outros textos do blog:

Além disso, outras características do Romance seriam a narrativa longa e complexa, e a grande importância dada aos diálogos e descrições.

Os tipos de Romance
Por ser um gênero mais complexo e uma narrativa mai longa, o Romance possibilita uma grande variedade de textos. Podem existir romances de aventura, romances de ficção científica, romances de fantasia, e muitos outros. Foram definidas algumas classificações como padrão de diferença:
  • Romance Histórico: destaca costumes de outras épocas, misturando fatos históricos comprovados e ficção. Exemplo: Os Pilares da Terra, de Ken Follett;
  • Romance Sentimental: dá importância a aspectos introspectivos dos personagens. Costuma ter final trágico. Exemplo: O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë;
  • Romance de Cavalaria: segue os ideais dos cavaleiros medievais, dando grande importância à aventura e aos feitos heroicos. Costuma ter finais felizes. Exemplo: o próprio Dom Quixote de La Mancha, de Miguel de Cervantes;
  • Romance Realista: traz temas influenciados pelo cientificismo do século XIX, e tem como principal foco o homem e suas imperfeições (o materialismo, a traição, defeitos de caráter e personalidade). Utiliza seus personagens para fazer críticas sociais. Exemplo: O Cortiço, de Aluísio Azevedo;
  • Romante Naturalista: difere do Realismo apenas quanto à abordagem das caraterísticas dos personagens, cujas ações são explicadas de acordo com aspectos patológicos, sendo atribuídas a eles características animalescas. Exemplo: O Mulato, de Aluísio Azevedo.
Ainda há algumas subdivisões entre estas, como o romance indianista e o urbano, que fizeram oposição dentro do Romantismo Brasileiro, ou o romance regional, que destacou-se na segunda geração do Modernismo.
Os romances contemporâneos já não seguem as classificações dos antigos movimentos literários, e por isto, é muito difícil classificá-los, sendo possível encontrar desde narrativas intimistas, até criações de fantasia e ficção, como Harry Potter, ou distopias, que se popularizaram muito nos últimos anos com os best-seller's  Jogos Vorazes e Divergente.


Por: Lethycia Dias
Fonte de pesquisa:

O conto surgiu com o tão antigo costume humano de contar histórias, e passou a ser empregado na escrita. É uma modalidade narrativa que atrai muitas pessoas, por ser mais curto que a novela ou o romance, e por proporcionar uma leitura rápida, sem que seja necessário muito esforço para que seja compreendido. Por isso, o conto é veiculado não apenas em livros, mas também em revistas, jornais, e também na internet. A facilidade e rapidez da leitura virtual criou até mesmo um subgênero dentro do conto: o miniconto, cujo formato é ainda mais reduzido.
O conto pode narrar acontecimentos possíveis de acontecer, porém incomuns; pode também relatar coisas fantasiosas, próprias do universo da imaginação. Pode ser narrado em primeira ou terceira pessoa, e necessita de personagens, tempo, lugar, e um conflito. Diferentemente da novela e do romance, só possui um clímax, que será o momento de tensão.
Existem algumas características que o identificam:

  • Narrativa linear e curta, em extensão e no tempo que se passa;
  • Envolvimento de poucas personagens;
  • Todos os acontecimentos se encaminham em direção ao desfecho;
  • Linguagem simples e direta, sem utilização de expressões que podem ter mais de um sentido;
  • As ações acontecem em um só espaço, de acordo com um só conflito;
O conto é um dos gêneros narrativos mais populares. Muitos escritores brasileiros destacam-se na escrita do conto, entre eles: Machado de Assis, Monteiro Lobato, Lima Barreto, Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles. Hoje, novos escritores continuam renovando o estilo.

Por: Lethycia Dias



Sendo um dos mais populares textos do tipo narrativo, a crônica é frequentemente veiculada em jornais ou revistas, por escritores que tem à sua disposição um determinado dia da semana a seu dispor. Trata-se de um texto geralmente curto, que aborda temas do cotidiano como uma conversa informal, às vezes de maneira divertida, criando intimidade entre quem escreve e quem lê.
Uma crônica não necessita sempre de personagens, enredo, conflito, ou mesmo de um local para que se desenrole. Pode ser, às vezes, uma simples reflexão do autor, escrita de forma poética, transformando algo simples em especial, tornando bonito aquilo que vemos todos os dias. Ou não. A crônica pode, ainda, ser crítica ou ter um tom trágico.
Estas são algumas das características da crônica:
  • Narração curta;
  • Descrição de fatos do cotidiano;
  • Presença de personagens comuns;
  • Forma oral na escrita e coloquial nas falas dos personagens (quando há);
  • Linguagem simples.
Isso contribui para que as crônicas sejam muito populares entre leitores de jornais e revistas, ou outros veículos de comunicação. São, por vezes, reunidas e publicadas em forma de coletânea.

Por: Lethycia Dias

Nada mais natural para uma pessoa que gosta de escrever, do que compartilhar o conhecimento que tem, certo? Em apoio à sessão Gêneros Textuais, e um projeto (que pretendo começar em breve) de auxílio para estudantes, decidi iniciar também uma sessão de Dicas de Português e Escrita!
Em cada post novo, estarei esclarecendo alguma espécie de dúvida comum na hora de se elaborar um texto! Começarei em breve!



Sendo um gênero narrativo muito popular, a grande diferença da fábula é o fato de conter animais como personagens, animados com características antropomórficas, isto é, à semelhança de seres humanos. Em histórias desse tipo, cada animal é representado por uma característica própria, a fim de ilustrar o modo de agir das pessoas. Sendo assim, nas fábulas mais populares o leão é conhecido por representar a força, a formiga o trabalho, a raposa a astúcia, e a coruja a sabedoria. Outra característica marcante das fábulas é a lição de moral, sempre explícita no fim da história, e por isso elas foram por muito tempo usadas como forma de transmitir ensinamentos e valores, principalmente para as crianças.
Esopo é o mais conhecido autor de fábulas, mas antes que suas histórias se propagassem pela Grécia Antiga no século VI a.C. por meio da oratória, a fábula teve sua origem no Oriente, onde provérbios sumérios, escritos cerca de 1500 anos antes de Cristo, já incluíam animais antropomórficos e lições de moral semelhantes às dos gregos. Entretanto, foi com Esopo que elas se propagaram, e seu objetivo era ressaltar os comportamentos humanos.
O escritor francês Jean de La Fontaine (1621-1695) tornou-se famoso por reescrever as antigas fábulas de Esopo.

Algumas fábulas famosas:
  • A Cigarra e a Formiga;
  • O Leão e o Ratinho;
  • A Raposa e o Corvo;
  • A Lebre e a Tartaruga;
  • O Rato do campo e o Rato da cidade.
Por: Lethycia Dias



Achei que já estava mais do que na hora de começar com a sessão dos textos. Então, aqui vão algumas explicações sobre o gênero narrativo, que talvez seja um dos mais diversificados e mais comuns.
A partir da narração cria-se textos que têm o objetivo de entreter e divertir. É uma forma bastante antiga, afinal, desde sempre as pessoas contam histórias oralmente, e a modalidade escrita não é muito diferente. Um texto narrativo constitui-se de um lugar, um determinado tempo, personagens, enredo, e o narrador, que é quem conta a história. Pode ser em primeira ou terceira pessoa. Entre os textos narrativos estão:

  • O conto;
  • A crônica;
  • O romance;
  • A anedota;
  • A fábula;
  • A novela.
Os tipos de narrador:
  • Narrador Personagem: é aquele que participa da história e a conta a partir de seu ponto de vista, se aprofundando em seus sentimentos e experiências;
  • Narrador Observador: a história é narrada em terceira pessoa, por alguém que observa os acontecimentos, sem participar deles;
  • Narrador Onisciente: narração em terceira pessoa, feita por alguém que não participa da história, mas que sabe de tudo o que acontece, inclusive os pensamentos de diversos personagens, e os fatos que acontecem em vários lugares ao mesmo tempo.
Os tipos de discuso:
  • Discurso direto: as falas são colocadas fielmente da forma que os personagens dizem;
  • Discurso indireto: as personagens não falam diretamente, e o que dizem é reproduzido na própria narração ("João disse a Maria que desejava sair com ela...");
  • Discurso indireto-livre: uma mescla do discurso direto e do indireto, em que os personagens falam, com algumas intervenções do narrador ("Quero sair com você - disse João, olhando nos olhos de Maria).
Estes são apenas alguns elementos que caracterizam o texto narrativo. Em breve, vou aprofundar as explicações sobre cada um deles.

Por: Lethycia Dias

Precisa escrever uma redação? Para a escola? Ou quer apenas conhecer melhor algumas diferentes formas de escrita, a fim de se aprofundar mais? Não sabe diferenciar os tipos de texto? Não se preocupe! Aqui, no Loucura Por Leituras, você fica por dentro dos principais tipos de texto (narrativo, descritivo, informativo, argumentativo, etc), tira suas dúvidas, aprende as principais características de cada um, e treina o suficiente para escrever por conta própria! Periodicamente, estarei postando um gênero novo!

Por: Lethycia Dias

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