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Resenha: Luna Clara & Apolo Onze
"Segundo livro voltado para o público infanto-juvenil escrito por Adriana Falcão, que, entre outras incursões, colaborou em vários episódios da "Comédia da Vida Privada", "A grande família", e "Brasil legal". Aqui, ela conta a história da menina Luna Clara e do garoto Apolo Onze, moradores de Desatino do Norte e Desatino do Sul. As ilustrações são de José Carlos Lollo."

Autora: Adriana Falcão
Gênero: Infanto-juvenil
Número de páginas: 331
Local e data de publicação: São Paulo, 2013
Ilustrações: José Carlos Lollo
Editora: Salamandra
Onde comprar: Amazon | Americanas | Cultura | Saraiva | Submarino | Travessa

Encontros, desencontros, desatinos e loucuras


Na semana passada, a minha TBR me trouxe a felicidade de poder finalmente reler Luna Clara & Apolo Onze, um dos livros que eu mais gostei de ter lido durante a minha adolescência, e que eu sempre quis reler. Anos atrás, a trama genial construída por Adriana Falcão me encantou, e minha maior felicidade nessa releitura foi por ter conseguido sentir novamente a alegria e o fascínio que a literatura às vezes nos proporciona.
Esse é um livro infanto-juvenil com uma história que a princípio parece sem pé nem cabeça e que, talvez justamente por isso, tem o potencial para encantar pessoas de todas as idades. No primeiro capítulo, somos apresentados à menina Luna Clara, que está perto de completar treze anos, e que todos os dias espera pelo seu pai na beira da estrada de Desatino do Norte. O pai de Luna Clara, Doravante, desapareceu antes mesmo que ela nascesse, procurando a mãe dela, Aventura, pelo mundo inteiro, acompanhado por seu cavalo Equinócio e por uma nuvem de chuva eterna que o persegue. É graças a essa nuvem de chuva que Luna Clara espera reconhecer seu pai, pois desde que ele sumiu, não há chuvas na região.
De forma paralela, conhecemos Apolo Onze, na cidade de Desatino do Sul, onde o povo festeja eternamente o nascimento do décimo primeiro Apolo da cidade. Os homens da família de Apolo Onze sempre recebem o mesmo nome, e existe a tradição de dar uma festa em homenagem a cada um deles. Acontece que Apolo Onze nasceu apenas depois de sete irmãs mais velhas, o que foi tempo suficiente para que seu pai, Apolo Dez, juntasse dinheiro para dar uma festa sem fim. A cidade inteira vive em função dessa festa, exceto pelo Sr. Noctâmbulo, que nunca participa de nada e que detesta o barulho.
No dia em que amanhece chovendo em Desatino do Sul (o que põe a festa em risco) e Luna Clara vê dois homens completamente molhados chegarem à sua cidade, as coisas vão virar de cabeça para baixo. Apolo Onze, que vivia na mais completa apatia, decide ir viver uma aventura com um desconhecido e Luna Clara decide seguir pela estrada para (talvez) encontrar seu pai que pode estar chegando. Mas a estrada é perigosa, pois bem no meio do caminho entre as duas cidades está o Vale da Perdição, um lugar onde existe uma casa mal-assombrada, e também o lugar onde cada caminhante que passa acaba perdendo ou ganhando alguma coisa. É a partir daí que conheceremos a história dos pais de Luna Clara, mais de treze anos atrás, e de como se perderam um do outro; entenderemos o que acontece na misteriosa casa do Vale da Perdição; e veremos o que acontece na festa de Desatino do Sul sem a presença do garoto que motiva a festa.

Imagem compartilhada no meu Instagram durante a leitura.
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"Toda loucura tem que ter um pouco de juízo
e todo juízo tem que ter um pouco de loucura".
Página 25

Sei que tudo na história pareceu bem maluco com a descrição que forneci acima, mas o que posso dizer sobre isso é que a história toda é muito bem construída e existe uma explicação para tudo, por mais que pareça loucura. É por isso que considerei a frase da página 25 como bem adequada para ilustrar essa resenha.
A história é narrada em terceira pessoa por um narrador onisciente que alterna entre presente e passado, faz comentários e sugestões, conversa com os personagens e que contribui muito para o bom-humor da história e a maneira como tudo acontece. Luna Clara e Apolo Onze são os protagonistas, mas aqui existem muitos personagens, e vários deles têm papel importante na trama. 
Aliás, preciso comentar o quanto esses personagens têm nomes excêntricos e peculiares. Em primeiro lugar, as sete irmãs de Apolo Onze têm nomes inspirados nas Maravilhas do Mundo e em deuses e lugares da Antiguidade Clássica. Assim, elas se chamam: Ilha de Rodes, Pirâmides, Muralha da China, Artemísia, Diana, Alexandria e Babilônia. Temos também os nomes da mãe e das tias de Luna Clara. O pai delas, Sr. Erudito, adorava histórias (inclusive tinha uma coleção delas) e decidiu chamar as filhas com nomes de livros: Aventura, Odisseia e Divina Comédia. E, para completar, elas têm personalidades correspondentes aos seus nomes. Aventura gosta de heróis e cavaleiros, Odisseia é dramática e sempre tende a chorar e ver tudo como uma tragédia, e Divina vê tudo de forma cômica. Quantas referências, não? Outros personagens têm nomes bastante estranhos, que fazem parte do bom-humor dessa história.
Os acontecimentos seguem uma lógica apropriada ao entendimento e às expectativas de um público infanto-juvenil, o que significa que os motivos e explicações para certas coisas são um pouco inocentes. O narrador usa frases que têm a função de ditados ou ditos populares para determinar alguns acontecimentos no livro, mantendo o mesmo tom de toda a história. Mas acredito que mesmo assim, é um livro encantador, com uma história convincente de acordo com as regras do mundo em que acontece. No fim, o leitor dá gargalhadas, se irrita, cria expectativas, comemora, se emociona, torce para que os personagens se encontrem (ou não) e finalmente vê as coisas todas se encaixarem.
Eu recomendo esse livro para pessoas de todas as idades, mas principalmente para pessoas que gostam de histórias com tom humorístico e para quem tem nostalgia pelo tempo da própria infância.

Avaliação geral:

Onde comprar:

Aspectos positivos: a história é criativa, bem-humorada, bem construída e surpreendente em diversos aspectos; existem diversas referências ao longo da história, principalmente à literatura e a personalidades da cultura e da História; é uma história inocente que pode agradar pessoas de todas as idades.
Aspectos negativos: certas explicações e acontecimentos podem parecer um tanto inocentes para algumas pessoas.

Por: Lethycia Dias

2 Comentários

  1. Esse livro me pareceu um cadinho complexo demais para alguém muito jovem ler, e inclusive estou encantada com a história e todas as suas nuances e referências à clássicos. Com certeza vai pra minha listinha de desejados.
    Vi você falar tanto sobre TBR Book Jar que fui pesquisar sobre e até fiz a minha! ♥

    Beijos
    www.jadeamorim.com.br

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Talvez seja um livro pra ser lido a partir dos 10 ou 12 anos, talvez uma criança menor não goste tanto, por ser comprido. Mas a linguagem é bem simplificada, e o livro tem muitas ilustrações e fonte grande, ou seja: na verdade a história não é tão comprida quanto parece. Pode ser um daqueles livros tipo "O Pequeno Príncipe", que você pode ler quando criança e gostar pra caramba, então ler depois de alguns anos e descobrir um monte de coisas que não tinha percebido antes.
      A história é mesmo encantadora, e eu não deixo de recomendar!

      Excluir

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