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Resenha: Borderline, de Alice Lucas
"Aos 18 anos, Laura convive com a solidão, a depressão, o bullying e a indiferença de seus pais. Seu sofrimento a leva à automutilação e ao abuso de medicamentos. Cansada e sem esperanças, planeja o suicídio. Em uma última busca desesperada por um motivo para continuar, conhece alguém que lhe mostra que não está sozinha. Buscando anestesiar suas dores, embarcam juntos em uma ilusória jornada repleta de amor, de uso de drogas e de muito rock 'n' roll."

Autora: Alice Lucas
Gênero: Romance
Número de páginas: 299
Data de publicação: 2016
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*Livro cedido pela autora em formato digital

Dores que não podem ser controladas


Este é o segundo romance enviado por Alice Lucas que eu decidi ler. Na semana passada, resenhei Vortex, e agora trago a vocês esse segundo romance. Aqui, conhecemos o mundo vazio de Laura. Ela nunca teve amigos, tem baixíssima autoestima e tem um péssimo relacionamento com seus pais, que a ignoram. Sua mãe, que sofre de transtornos psiquiátricos, nunca lhe deu afeto; seu pai, que de certa forma é responsável pelo avanço da doença da esposa, se dedica pouco à família e é muito severo com a filha.
Laura encontra um motivo para prosseguir com sua vida quando se encontra com Chris. Parece improvável que os dois se relacionem: ele é mais velho, já conheceu várias mulheres, e não tem dificuldades para se relacionar com outras pessoas. Mas Chris compreende como Laura se sente, e logo Laura deixa para trás sua vida anterior para ficar ao lado dele.
Mas a vida ao lado de Chris não é um mar de rosas. Se antes de conhecê-lo, Laura já tinha o costume de se ferir e de usar alguns dos remédios de sua mãe para tentar lidar com seus problemas, ao viver com ele, ela vê seus vícios piorarem, Chris já teve vício em heroína, e precisa de medicamentos para poder controlar a abstinência - é válido dizer que esse uso de medicamentos é feito de maneira inadequada, pois Chris não faz nenhum tratamento de reabilitação.
Não se pode dizer que o amor de Chris e Laura seja saudável. O que eles vivem um com o outro é uma espécie de relação de dependência, e nós entendemos isso pelo ponto de vista de Laura, que se sente inferior a Chris, e tem muito medo de ser abandonada por ele. Apesar de os dois se amarem muito, a relação é destrutiva para os dois. Até que eles precisam tomar atitudes para garantir que as coisas vão melhorar e que vão poder continuar juntos.

Resenha: Borderline, de Alice Lucas
Imagem compartilhada no meu Instagram durante a leitura.
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"A depressão é uma doença maldita que vem devagar
e se apossa de todo o ser, centímetro por centímetro.
É como uma infecção que se alastra rapidamente, para a qual nenhum antibiótico é eficaz."
Página 220

A história é narrada em primeira pessoa por Laura, em capítulos curtos que são sempre ilustrados por trechos de canções de rock clássico. A música em si e o rock em particular são algo que tem muita importância na história e no próprio relacionamento de Laura a Chris. Eles têm muitas coisas em comum, e uma delas é o fato de apreciarem o mesmo estilo musical.
No começo, Laura parece só uma adolescente revoltada. É com o passar do tempo que compreendemos o quanto ela se sentia sozinha e o quanto sofria com a rejeição das pessoas ao seu redor. Laura não tem em quem confiar, e muito menos com quem conversar. Chris é realmente a única pessoa que ela tem no mundo. As atitudes de Laura parece imaturas, mas na verdade são uma sucessão de ações que ela pratica tentando revidar sofrimentos passados ou se proteger de possíveis futuros sofrimentos.
Neste livro, nós descobrimos o quanto duas pessoas podem se degradar quando estão à mercê da solidão, da tristeza e da falta de perspectiva. Laura e Chris sofreram muito no passado, e acreditam que somente as drogas podem extinguir a dor que sentem. Eles também acreditam que precisam um do outro para poderem ficar bem. É uma história pesada, que muitas vezes vai nos fazer sentir pena dos personagens e do quanto estão sozinhos e desorientados no mundo. 
Um ponto positivo da história é a redenção do pai de Laura, que acontece a partir do momento em que ela não têm mais esperanças para a vida. Ele, que parecia não se importar com ela, decide de redimir e tentar ser um pai melhor, agora que a filha precisa dele mais do que nunca. 
Eu diria que o que faltou na história foi apenas um aprofundamento maior nos sentimentos do pai e da mãe de Laura. Nós conhecemos esse relacionamento familiar pelos olhos dela, que é a protagonista e narradora, mas não chegamos a entender bem o que pensa ou sente o pai dela, por exemplo. E o pouco que sabemos sobre a mãe dela (quem ela era, como se sentia) é dito a partir de discussões, e acredito que não foi o suficiente para que pudéssemos conhecê-la. Sei que o foco desse livro está nos sentimentos da Laura, mas acredito que algo assim me teria feito entender melhor os pais dela e até ela mesma.
Recomendo o livro para quem tiver se interessado por Vortex, para quem gosta de romance e para quem não se importa de ler sobre assuntos pesados como drogas e suicídio.

Avaliação geral:

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Aspectos positivos: a escolha das músicas que ilustram os capítulos é bastante sensível e pode render uma ótima playlist para quem gosta de ouvir música enquanto lê;
Aspectos negativos: é difícil compreender como os pais de Laura lidam co o relacionamento familiar que têm, e como a vida que tinham passou a ser da forma que Laura mostra no início da história.

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