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Resenha: Os Sete
"Uma caravela portuguesa de cinco séculos é resgatada de um náufrago no litoral brasileiro. Dentro dela, uma misteriosa caixa de prata esconde um segredo: sete cadáveres aprisionados, acusados de bruxaria. Apesar das advertências grafadas no objeto de prata, a equipe do Departamento de História da Universidade Soares e Porto Alegre decide violar a caixa, para estudar os corpos. Afinal, que perigos, poderiam oferecer aqueles sete cadáveres? Nenhum. Mas depois que o primeiro deles acorda... Este novo romance de André Vianco, mesmo autor de Sementes no Gelo transporta o leitor para um mundo antigo, onde os verdadeiros assassinos carregam presas afiadas e têm medo de sol."



Autor: André Vianco
Gênero: Fantasia
Número de páginas: 456
Local e data de publicação: Osasco - SP, 2011
Editora: Novo Século

"Demônios viciados no mal"


Em algum momento no ano passado, depois de ouvir a Samantha do canal Prosas de Menina falar tão bem de André Vianco, decidi conhecer esse autor. Tudo o que eu sabia dele era que escrevia histórias de terror/fantasia. Depois de pesquisar alguns dos títulos, acabei comprando Os Sete durante a Black Friday, e resolvi ler durante as férias. Eu não poderia ter feito uma escolha melhor para começar a conhecer a escrita dele!
De início, somos apresentados a Tiago, que junto a seu amigo César pratica mergulho nos arredores de Amarração, uma pequena cidade no litoral do Rio Grande do Sul. Os dois acabam encontrando um navio naufragado, e ao desconfiar que poderiam ganhar dinheiro com o que encontraram no interior do navio, fecham um contrato com a Universidade Soares de Porto Alegre, para a exploração e pesquisa do conteúdo da grande caravela de cerca de quinhentos anos. Grande parte da expectativa de Tiago, César e dos pesquisadores gira em torno de uma grande caixa de prata. Entretanto, os avisos de que a caixa não deveria ser aberta não estavam lá à toa.
Sete cadáveres são retirados do invólucro onde permaneceram trancados durante séculos. Em questão de horas, um deles começa a apresentar sinais de vida, embora... Estivesse morto! Junto a isso, um frio sobrenatural passa a tomar conta do laboratório onde os corpos são analisados, e depois, de toda a cidade - embora fosse pleno verão e mesmo no sul do país nunca houvesse nevado numa cidade praiana como Amarração.
Quando o primeiro dos sete cadáveres se levanta, os pesquisadores da Universidade e os dois mergulhadores percebem que estão lidando com algo que nunca haviam imaginado. O cadáver que se levantou parecia ser o causador do frio que se abateu sobre a cidade. Além de haver se regenerado completamente até parecer uma pessoa viva, ele era forte, rápido, e falava com claro sotaque português numa linguagem digna das poesias de Camões. Ele demonstra intenções de despertar os outros cadáveres (a quem chama de irmãos), exceto por um. E, o que é pior: parece atraído por Eliana, estudante que acompanha os pesquisadores e amiga de Tiago e César.
Logo, o despertar do estranho homem, que passou a ser chamado de Inverno, chama a atenção das Forças Armadas, que tentam tranquilizar a população civil, impedir Inverno de chegar até seus irmãos Acordador, Lobo, Tempestade, Gentil, Espelho e Sétimo, ao mesmo tempo em que procuram compreender a natureza daqueles estranhos seres que por algum motivo foram abandonados no fundo do oceano nas terras descobertas por Cabral, quinhentos anos atrás.
A partir de então, a história se desenvolve em diferentes rumos: Tiago faz o possível para proteger Eliana do estranho homem que pretende levá-la embora; Inverno procura devolver a vida a seus irmãos; os pesquisadores da Universidade tentam compreender de que maneira o cadáver se reanimou, e como poderia ser responsável por mudanças no clima; o Exército, com ordens diretas do Presidente da República, tenta conter a ameaça assim que se torna claro o que são Os Sete: vampiros, capazes de viver eternamente, condenados a se alimentar de sangue e se esconder do sol, possuidores de dons dados pelo próprio Demônio.

Resenha: Os Sete
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"Nobres homens de bem, jamais ouseis profanar este túmulo maldito.
Aqui estão sepultados demônios viciados no mal e aqui devem permanecer eternamente.
Que o Santo Deus e o Santo Papa vos protejam."

A história é narrada em terceira pessoa por um narrador observador e acompanha o ponto de vista de vários personagens, sejam eles personagens importantes na história ou personagens que apenas vão aparecer durante algumas páginas para cruzar o caminho daqueles que realmente têm destaque. Esse é um tipo de narrativa que me agrada muito, pois dá a impressão de que o autor planejou cada detalhe, que todo acontecimento na história tem importância.
E devido a essa grande diversidade de pontos de vista na história, é um tanto difícil definir um protagonista. Eu não consegui chegar a uma conclusão se essa é uma história sem personagem principal ou se os principais são Os Sete, os vampiros que dão o nome ao livro. Quem já leu vai saber do que estou falando.
Embora eu tenha lido poucas histórias de vampiros e conheça pouco sobre a mitologia em torno desses seres, eu diria que os vampiros de André Vianco têm uma natureza muito próxima do imaginário mais comum. Os Sete se alimentam de sangue, não podem se expor ao sol, são vulneráveis ao alho, ficam enfraquecidos ao serem atacados com estacas de madeira. Eles não são ameaçados por cruzes, orações ou água benta, mas não gostam de igrejas ou de figuras religiosas, devido ao fato de terem sido caçados pela Inquisição Portuguesa. Eles são extremamente fortes e rápidos, e embora pareçam seres humanos, as pessoas e os animais se sentem naturalmente ameaçados quando estão em sua presença. Além disso, cada um deles possui um dom, uma habilidade especial que os diferencia de outros vampiros na história criada por Vianco.
Os capítulos variam de tamanho. Alguns, bem curtos. Outros, bastante compridos. O maior de todos, o 34, é tão bem estruturado que fez com que eu não interrompesse a leitura até chegar ao fim do livro, e no final eu estava sem palavras!
Um aspecto muito positivo da história é a qualidade dos diálogos, que são bem espontâneos. O sotaque gaúcho está presente, e durante os diálogos, mesmo quando os personagens não falam com sotaque, existem palavras e expressões escritas errado de propósito, a fim de reproduzir a nossa forma de falar. Só lembrando que ninguém fala do jeito que a gramática diz que devemos escrever! E falando em sotaque, o lusitano também está presente nos diálogos entre os vampiros, e às vezes fica até difícil entender o que eles falam. De maneira geral, foi muito bom ver que o autor se preocupou com isso, porque muitas vezes, quando eu mesma escrevo contos, fico preocupada com meus diálogos, como se não fossem naturais. Os sotaques, as gírias, palavras erradas e expressões culturais tornam a leitura muito mais rica e a identificação muito mais fácil.
Outra coisa que me agradou muito foi a valorização de características da nossa cultura e da vida no Brasil. Muitos fãs de fantasia só leem livros estrangeiros. Somos tão acostumados a isso, que fica até difícil imaginar uma história fantástica acontecendo no Brasil. Mas André Vianco faz tudo parecer muito real e verossímil. A realidade dos brasileiros está ali nas páginas do livro, sem disfarces. A forma como cidades pequenas e interioranas são carentes de serviços públicos acessíveis nas capitais; a pobreza das periferias de toda e qualquer cidade; até coisas corriqueiras do nosso dia-a-dia, como ouvir uma música em inglês e só saber cantar o refrão, quando não se tem conhecimento do idioma estrangeiro. É impossível não acreditar na história quando percebemos tudo isso.
A princípio, o ritmo de leitura pode parecer um pouco lento, e pode demorar até "engatarmos" na história. Eu mesma, só fiquei realmente "presa" pelo enredo quando percebi o que Inverno era capaz de fazer com sua habilidade especial, perto da página 100. Depois, comecei a tentar "adivinhar" qual seria o motivo para os nomes dados a cada um dos outros vampiros e a tentar entender o que eles podiam ou não fazer e qual seria sua história antes de terem sido aprisionados e largados no fundo do mar. Essas coisas vão sendo esclarecidas aos poucos, e só conhecemos a história completa d'Os Sete depois de um bom tempo. Mas o mistério e o suspense são oferecidos na medida certa para que o leitor esteja sempre curioso e atento, sem deixar de se surpreender com as revelações.
Reunidos, cinco dos sete vampiros pretendem voltar a Portugal, para reconquistarem o lugar onde viviam. Conforme o Exército tenta impedi-los (pois o Presidente da República não quer que o Brasil seja conhecido como um país que deixou que seres sobrenaturais se espalhassem pelo mundo), a história se desenvolve até chegar a um conflito digno de filme de ação (e eu ficaria muito contente se algum dia o livro fosse adaptado para o cinema). O final em aberto deixa o gostinho de "quero mais", e é claro que eu vou procurar por Sétimo, que parece ser uma espécie de continuação da história.
Recomendo o livro para quem gosta de fantasia, para quem quer um livro repleto de ação, para quem gosta de literatura brasileira ou para quem também quer conhecer os livros de André Vianco.

Avaliação geral:

Onde comprar:

Aspectos positivos: mantém características comuns ao imaginário popular sobre vampiros; apresenta narração bem-estruturada, com múltiplos pontos de vista; contém diálogos extremamente ricos e naturais; valoriza a cultura brasileira; o mistério e o suspense são oferecidos na medida certa.
Não há aspecto negativo a ser destacado.

Por: Lethycia Dias

Este é o quarto livro que leio para o projeto Bingo Literário, na categoria "Fantasia".


4 Comentários

  1. Caramba! Eu li esse livro em 2007 (eu acho!), sua resenha me deu uma fome de encontra-lo e ler mais uma vez. Concordei com quase tudo o que você escreveu, menos o fato dos protagonistas que, em minha opinião, ficou a cargo do Inverno e do Tiago, que por diversos momentos conseguia deixar Tiago em segundo plano. Espero por uma super produção desse filme há 10 anos! Quanto ao Sétimo, aguardo sua resenha... é fantástico!

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    Respostas
    1. Olá, Dan. Que alegria ler seu comentário e saber que consegui despertar a sua vontade de reler o livro! Será que é sonhar demais a gente querer um filme inspirado nesse livro? Seria incrível!
      Quanto aos protagonistas, eu realmente não tinha pensado por esse lado. A história começa e termina com o Tiago, e o Inverno tem muito mais destaque do que os outros vampiros. Taí uma coisa que eu não tinha percebido.
      Obrigada pelo comentário e pela visita. Não sei quando poderei ler Sétimo, mas vou contar com sua opinião sobre a resenha!

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  2. Parece muito bom, vou ler ele e volto comentar sobre.

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    1. Eu fiquei muito satisfeita com a leitura. Espero que goste também!

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