Confira!


Se tem uma coisa que eu sinto falta nos blogs e canais literários é de ver pessoas resenhando e indicando livros de poesia. Nesse tempo que acompanho a literatura pelos ambientes virtuais, raramente vejo as pessoas dando atenção a livros de poesia. Se os livros de contos parecem ofuscados pelos romances, a poesia me aprece ainda mais invisibilizada.
É por isso que decidi fazer esse post: para falar sobre minha experiência lendo poesia, e tentar mostrar o quanto alguns versos podem ser fascinantes. Tenho uma paixão muito grande pela poesia há vários anos, e vou contar essa história a vocês.


Como comecei a ler poesia


Sei que vai parecer bobo, mas a poesia entrou na minha vida por causa de um garoto de quem eu gostava quando tinha treze anos. Eu escrevia alguns poeminhas bem infantis para ele, e não sei por que, algum dia acabei mostrando para uma professora. Ela achou que aqueles poemas que eu esconderia de qualquer outra pessoa revelavam algum potencial, e por isso, me emprestou um livro: Poesia completa, vol. 2, de Cecília Meireles.
Enquanto lia esse livro, eu me encantava com as palavras de Cecília Meireles. Os poemas dela quase sempre não seguiam regras muito rígidas de métrica, e vários deles não tinham rima. Eram muito profundos e sensíveis, e eu me pegava pensando em várias coisas que lia naquele livro. Nas semanas seguintes, a mesma professora foi me emprestando outros volumes de Poesia Completa, até que eu li tudo. Acabei amando Cecília Meireles, e muitos dos poemas que escrevi depois disso foram influenciados pela obra dela. Quando alguém entendedor de poesia lia os meus poemas, já perguntava quanto da obra dela eu havia lido.

A seguir, minha próxima leitura foi Antologia de Antologias - 101 poetas brasileiros revisitados, que se não me engano, foi também emprestado pela mesma professora. O livro nos apresenta poesias escritas no Brasil desde os tempos da Colônia até o século XX, e é riquíssimo em estilos literários. Com esse, eu tive certa dificuldade, mas acabei gostando muito, e depois tive a oportunidade de relê-lo (novamente em um empréstimo). Esse ano, eu adquiri o meu próprio exemplar, afim de fazer novas releituras.
Durante esse tempo, eu continuei escrevendo poesia com frequência relativa. Muitas vezes saíam poemas sem rima e sem regras de estrofes; de vez em quando, eu arriscava um soneto. E até hoje, ainda escrevo algumas coisas.

O que eu percebo quando penso na minha história com a poesia é que: eu "não gostava" de poesia, até conhecê-la.

Na imaturidade dos meus treze anos, eu pensava que poesia era uma coisa chata e boba, que só servia pra falar de amor. Eu ignorava que pode haver poesia satírica, com críticas a pessoas, à sociedade ou ao governo; pode haver poesia histórica, como em Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles, que evoca a história da Inconfidência Mineira; pode haver poesia que contemple as nossas maiores inquietações, como a solidão e o medo da morte. A poesia pode ser tudo, porque é uma forma de representar artisticamente a nossa subjetividade. E ser subjetiva não significa que só o autor pode entender.

Eu também ignorava que todo mundo gosta de poesia. Afinal, você não gosta de música? E há músicas que são pura poesia!


Dicas para ler poesia


O que eu percebi durante esse tempo em que venho escrevendo e lendo poesia é que muitas pessoas têm dificuldade para fazer essa leitura. E com o tempo, eu percebi o motivo disso: a poesia não deve ser lida como um texto comum. Vou explicar melhor:
Cada tipo de texto é lido de uma forma diferente. Nós lemos um artigo científico com a maior atenção possível, de preferência em algum lugar calmo onde possamos nos concentrar, para garantir que poderemos apreender o conhecimento presente naquele texto. Um artigo de opinião é lido de maneira semelhante: nós queremos perceber a clareza e coerência dos argumentos apresentados pelo autor. Uma notícia é lida seguindo a necessidade de saber o que aconteceu, onde como e porquê, e os textos jornalísticos são escritos hoje em dia de maneira que as informações sejam hierarquizadas de acordo com sua importância. Outros tipos de texto podem ser lidos rapidamente e com atenção mínima, como é o caso das piadas e dos memes que compartilhamos na internet.
A poesia também tem a sua forma de ser lida, e eu só percebi isso com o tempo. Para uma melhor compreensão, é bom ler poemas devagar, prestando atenção a cada verso, tentando compreender metáforas e jogos de palavras, porque a poesia costuma estar repleta deles. Talvez seja melhor ainda ler não apenas com os olhos, mas aos sussurros, ou mesmo em voz alta. Assim, fica mais fácil perceber o as rimas e o ritmo.
Também não se pode ler com pressa, e talvez você tenha percebido isso com o parágrafo anterior. Eu vejo a poesia como um enigma em muitos casos. Muitas vezes o autor quer dizer algo de maneira velada, ou então usa comparações que não podem ser detalhadas, e temos que fazer a conexão sozinhos, nas nossas mentes.
Basicamente, acho que é isso que posso recomendar.

Vantagens de se ler poesia


Lendo livros de poesia, seja algo mais clássico ou contemporâneo, podemos ter experiências muito diferentes das que temos durante a leitura de um romance, por exemplo. Vou listar algumas dessas coisas que acontecem no nosso interior.
1- Autocompreensão: Muitos poemas discutem ou questionam alguns dilemas íntimos do seu humano. A necessidade de entender nossos sentimentos; a insegurança com o futuro; as relações humanas; o medo da morte. Embora a poesia reflita os sentimentos do autor, a identificação do leitor é muito frequente.
2- Conhecimento sobre determinada época: Alguns poemas antigos podem ter grande contexto histórico. Podem abordar algum assunto político ou social, como exaltar a república ou o abolicionismo. Podem falar dos hábitos de uma sociedade, ou de uma mudança e hábitos. Com isso, satisfazemos certa curiosidade ou enriquecemos o nosso conhecimento.
3- Leitura leve: Apesar de poder despertar sentimentos conturbados, muitas vezes pode nos proporcionar muito prazer e relaxamento. Um livro de poesia contemporânea pode ser uma ótima leitura para se fazer depois daquele livro mais pesado que te deixou com ressaca literária. Você pode ler com calma, sem preocupações, e com certeza deve terminar mais rápido.

Meus livros de poesia


Tenho poucos livros de poesia aqui em casa, mas pretendo com o tempo ir corrigindo isso e ampliando a minha coleção. Confesso que também sou afetada pela "preferência" que nós leitores parecemos ter pelos livros de romance ou contos. Mas no fundo, amo poesia e quero cultivá-la e incentivar sua leitura da mesma forma que faço com outros gêneros literários. Vou mostrar abaixo alguns dos meus livros de poesia:


Acima: Livro de Sonetos, de Vinicius de Moraes; Lira dos vinte anos, de Álvares de Azevedo; e Poesia brasileira - Romantismo, uma antologia com diversos autores.


Acima: Antologia Lusófona, de autores diversos do Grupo Souespoeta; Asas, eixos e versos, de diversos autores do concurso Poetas da Cidade; e Salvem a Fauna! Salvem a Flora! Salvem as águas do Brasil, um cordel ilustrado de Manoel Monteiro.


Acima: Poemas, de Bocage; 50 Sonetos, de Shakespeare; e a Antologia de Antologias, que já mencionei anteriormente.




E A Divina Comédia, de Dante Alighieri.

Entre os livros citados acima, ainda não li a Antologia Lusófona e como já falei, pretendo reler a Antologia de Antologias, nem os livros de Shakespeare e Bocage. Os três estão na fila, aguardando para serem sorteados na minha TBR.
Tenho muita vontade de adquirir outros livros de poesia, tanto clássicos e épicos, como também contemporâneos. Enquanto lia A Casa dos Espíritos, tive muita vontade de ler livros de Pablo Neruda, porém nem sei por onde começar a explorar a obra dele. Por isso, sinto que ainda me faltam referências sobre poesia, e preciso de resenhas e indicações para saber como retomar a leitura de poesias.
Lamento o fato de não ter aqui no blog nenhuma resenha dos livros citados nesse post, porque todos foram lidos há muito tempo, quando o blog ainda nem existia. Mas quase todos eles (os que li, é claro) foram leituras muito valiosas e que recomendo bastante.

Espero com esse post ter conseguido te ajudar a compreender melhor o quanto a poesia pode ser rica e agradável, e como deveria ser mais valorizada pelo público. Espero ter dado boas dicas de leitura e boas recomendações. E você? Conhece mais alguma técnica para facilitar a leitura de poesias? Conhece ou teve vontade de conhecer algum dos livros que citei? Comente aí embaixo!

Por: Lethycia Dias

12 Comentários

  1. Oi Lethycia, tudo bem? Você está certa, realmente, não se tem muito espaço para poesia nos blogs. No mês passado, eu não resenhei, mas, gostei duas poesias de Fernando Pessoa dois dias seguidos e notei como isso fez falta durante esses anos de blog. Não são todos os tipos de poesia que me encantam, mas, duvido que tenha alguém que não goste de ao menos uma. Obrigada pelo "puxão de orelha", vou me atentar mais a isso.

    Beijoooo!

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    1. Acho que é bem importante nós darmos esse "puxão de orelha", como você disse, nos nossos leitores de vez em quando. E só o fato de mostramos um livro já pode fazer alguma diferença. A pessoa vai ler o post ou assistir o vídeo pela curiosidade, e aí vê os elogios e pensa em experimentar, em conhecer... É os poucos que a gente desperta o interesse do público.
      Nunca li Fernando Pessoa, você acredita?

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  2. Olá!
    Estou com um livro de poesia para ler para o vestibular aqui em casa. Estou muito animada para começa-lo porque acho que nunca li um livro de poesias. Espero gostar! As suas dicas vão ser bem importantes.

    Beijão
    Leitora Cretina

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    Respostas
    1. Opa!
      Sei como essas leituras de vestibular podem ser meio chatas às vezes, então fico feliz que você esteja empolgada, porque geralmente o pessoal fica meio desanimado de ter que ler por obrigação... Recomendo as resenhas da Tatiana Feltrin de livros indicados para a Fuvest, ela resenhou um livro do Drummond, seria esse o que você vai ler?
      De todo modo, espero que goste muito e que s dicas ajudem mesmo!

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  3. Achei mais uma coisa em comum entre nós: também comecei escrevendo poesia para os crushes hahahaha. As aulas de espanhol me deixaram curiosas para conhecer Neruda e ainda sonho com um livro dele. No cursinho fui pegando ranço de poesia por causa do vestibular, até hoje não gosto daquelas muito melosas. Álvares de Azevedo me traumatizou hahaha, porém, ao ler Camões e Manuel Bandeira voltei a gostar de poesia. Estou tentando ler em inglês agora e embora esteja gostando do Poe estou com algumas dificuldades. Poesia não é meu gênero favorito e concordo que tem que haver o momento certo de ler, principalmente sendo devagar. Amei sua reflexão, e me deixou curiosa sobre a Cecilia Meireles. Eu gosto dos poemas dela e quero conhecer mais. Também quero conhecer os teus! Eu já escrevi poemas, sonetos, musicas (que eu tentei musicar e não deu certo) e tentei haicai mas não consegui. Vou tentar um pouco mais porque agora deu vontade hahahah

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    1. Acho meio bobo esse meu jeito de ter começado a escrever poesia, mas no fim, foi um crush que valeu a pena, sem ele eu não teria conhecido tudo isso! kkkkk
      Acho que sou mais fã do Romantismo. Pelo menos, gostei muito de Lira dos Vinte Anos quando li, mas não sei como seria uma releitura... Não sou muito fã do Manuel Bandeira, mas morro de vontade de ler Camões!
      Eu também gostaria de ler os seus poemas. Agora estou numa fase de escrever menos, e a maioria dos meus poemas já é um pouco antiga. Não sei se eu reuniria todos eles pra publicar, porque alguns são muito pessoais, muito íntimos...
      Nunca entendi muita coisa de haicai, você acredita? Acho que é porque ainda não descobri como ler, ou como compreender...

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  4. Oi, Le!
    Tudo bem?
    Ouso dizer que ler poesia é bem complicado porque precisamos estar de peito e alma abertos para compreender o contexto e ter sensibilidade.
    Eu adoro poesia. É um tipo de leitura que me deixa mais sensível e criativa.
    Quadrinhos também me causam o mesmo efeito por causa das ilustrações.
    Um beijo,


    Hida

    www.blogdahida.com

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    1. Olá, Hida!
      Acho que esse foi um detalhe importantíssimo que esqueci de citar no post, e você lembrou muito bem dessa parte! Não se lê poesia como uma notícia de jornal... Temos de estar realmente "preparados" para apreender os sentimentos que o autor quer passar. E acredito que com o tempo, essa sensibilidade acaba sendo aflorada.
      Nunca li quadrinhos, mas depois de uma aula sobre isso na faculdade (o professor mostrou até reportagens feitas em quadrinhos) fiquei com muita vontade de conhecer! Já tenho algumas graphic novels na lista de desejados...

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  5. Oi, Lê.

    Achei tri interessante falares de poesia, já que é algo pouco comum na blogsfera. Melhor ainda não foi falar, mas abrir a mente dos teus leitores para quem quiser começar nessa jornada literária. Bom texto, parabéns.

    www.procuraseideias.com.br

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    Respostas
    1. Oi, Marcela!
      Achei que seria bem melhor não só falar do quanto eu gosto de poesia, mas também tentar incentivar mais pessoas a quebraram a resistência e experimentarem. Sempre tento fazer isso por aqui no blog!
      Agradeço pela visita, pelo comentário e pelos elogios.

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  6. Realmente, os livros de poesia não têm o espaço devido nos blogs de literatura... É uma pena pois são leituras enriquecedoras!

    Vou procurar postar mais sobre poesia, nem que seja para dar uma dica de leitura para quem acessa o meu blog.


    Gostei muito do seu post, aliás, o seu blog como um todo é muito bom! É notório o capricho e o cuidado que você tem ao redigir as suas postagens.

    Bjs! <3

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  7. Olá Lethycia!

    Adoro poesias, percebo através da linguagem composta por uma poesia, uma imensidão de sentidos que nos fazem refletir, pensar acerca dos nossos sentimentos, da nossa vida. Enxergo a arte do poeta como uma ferramenta essencial na manutenção de uma vida saudável. Acredito muito no papel que a poesia possui na vida de um leitor! Parabéns pelo post.

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