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Benefícios do Desapego: doar, trocar ou vender livros

Olá para quem é louco(a) por leituras! O post de hoje vai ser uma coisa totalmente nova aqui no blog, porque vim para falar de uma coisa à qual eu nunca pensei que fosse aderir: o desapego. E vou contar também um pouco sobre a minha experiência recente de doar, vender e trocar livros. É isso aí! Continue lendo para saber as vantagens disso.
Mas antes de tudo, preciso contar uma história:
Mais ou menos seis anos atrás, eu devia ter cerca de cinco livros. Eu já amava ler, e era uma leitora habitual desde os onze anos de idade. Mas naquela época eu não ia em livrarias e sequer imaginava que fosse possível comprar livros pela internet, então todos os livros que eu lia vinham de bibliotecas. Meus primeiros livros foram comprados por meio das revistas Avon. Naquela época eu sonhava em ter muitos e muitos livros, e foi assim que comecei minha pequena coleção até chegar ao que tenho hoje.
Ano passado, eu enfrentei um período de consumismo. Mais ou menos na mesma época, a Tatiana Feltrin começou a fazer seus vídeos de Sebinho, onde ela vende livros que não pretende manter na estante a preços simbólicos. No primeiro Sebinho TLT ela citou o vídeo da JotaPluftz chamado A Biblioteca Básica, que eu assisti e que me ajudou muito a pensar sobre o que eu estava fazendo, quanto dinheiro estava gastando e como estava enchendo meu quarto de livros sem sequer ter espaço para guardá-los.
Com o passar do tempo, eu percebi que existiam na minha estante alguns livros que eu tinha lido e não gostado; ou que eu tinha gostado mas que já não tinha vontade de continuar possuindo. Então me fiz a promessa de um dia levá-los para algum outro lugar. Se eu não precisava mais deles, alguém com certeza precisava.
Eu deixei esses livros acumularem por alguns meses, até que no mês passado decidi dar um destino a eles. E fiquei muito feliz com o resultado!

Como eu fiz as doações e trocas


A primeira coisa que eu fiz foi pensar cuidadosamente sobre quais livros escolheria para isso. Em primeiro lugar, porque eu queria ter certeza de que depois não me arrependeria da escolha. Em segundo, porque eu não queria que sobrasse nenhum livro. Como essa fase durou alguns meses (vou falar mais sobre isso adiante), eu tinha absoluta certeza de que não sentiria falta de nenhum deles.

Os critérios que eu usei foram os seguintes:
1- Eu ter perdido o interesse em ler;
2- Eu não ter gostado da história;
3- Eu não ter vontade de reler a história;
4- Eu acreditar que a história foi importante pra mim quando eu li, e essa impressão ter mudado com o passar do tempo.

E com esses critérios, eu consegui separar uma boa quantidade de títulos:

Para Sempre - Alyson Noël;
Cicatrizes na Parede - Esdras Ribeiro;
O Triunfo de Sharpe - Bernard Cornwell;
Tosco - Gilberto Mattje;
O Livro do Destino - Raphael Miguel;
Quando eu voltar a ser criança - Janusz Korczak;
A moça do espelho - Isabel Scoqui;
Para ler na sala de espera - Luiz Augusto Sampaio;
Cinzas da paixão e outras histórias - Maria Aparecida Rodrigues;
As Joias da Coroa - Álvaro Cardoso Gomes;
Coração Púrpura - Catherine Ryan Hyde;
São Bernardo - Graciliano Ramos;
A Obrigação da Inquietude - Braz José Coelho;
É possível - José Antonio Vital;
Da Ética à Ética - Cristovam Buarque;
Mãos de Cavalo - Daniel Galera;
A Morte na Poeira - Alistair McLean;
A Solidão dos Números Primos - Paolo Giordano;
O violino e outros contos - Luiz Vilela;
E a revista Observatório Itaú Cultural;

Livros que troquei ou doei

Livros que troquei ou doei

E acredite: por mais tempo que eu tenha passado pensando em quais livros escolheria, ainda não consegui escolher todos. Recentemente, andei percebendo que existem mais uns quatro títulos dos quais eu gostaria de me desfazer, e que ficaram aqui em casa. Acho que vão ter que esperar até a próxima vez!

Eu separei os livros entre aqueles que eu acreditava que podia vender ou trocar; e aqueles que eu acreditava que não poderia. Estes seriam trocados. Então, durante esse fim de férias, saí de casa duas vezes levando o peso dos livros. Na primeira, eu andei entre alguns sebos do centro de Goiânia, e na segunda, fui à Biblioteca Cora Coralina, no bairro Campinas. Nessa segunda ida foi quando me desfiz de São Bernardo, que como eu disse em um post anterior, veio de uma biblioteca escolar.
Nos sebos, eu consegui trocar sete desses livros por três em bom estado e que me agradaram muito. Segue abaixo o produto dessas trocas.

Livros adquiridos em trocas

Mas Lethycia, você aceitou trocar sete livros por apenas três?!
Vou explicar isso agora!

Quando você leva um livro a um sebo para vender ou trocar, ele não vale muita coisa, a não ser que seja uma edição realmente muito valiosa ou muito rara. E basicamente, o livreiro que te atende no sebo vai analisar o que você está tentando vender, vai checar se existem outros exemplares dele na loja, e dizer que seu livro vale x. É pegar ou largar. Caso tenha interesse em uma troca, você só pode escolher livros cujos preços correspondam ao valor do livro que você levou. Ou então pode escolher um que custe mais e completar o "preço" com seu próprio dinheiro.
E foi assim que aconteceu no dia em que fui aos sebos. No primeiro, consegui negociar quatro livros pelo valor de R$ 5,00 cada, totalizando R$ 20,00. Eu fui à estante procurar algo que me interessasse, e fiquei na dúvida entre Marley & eu, que custava R$ 15,00 e De amor e de sombra, que custava R$ 12,00. Juntos, eles totalizavam R$ 27,00. Eu achava que teria que escolher entre os dois, mas o vendedor aceitou minha proposta e pude trazê-los sem ter que completar o valor, o que é bom, porque eu não tinha nenhum centavo!
E no outro sebo pelo qual passei, consegui negociar mais três livros, também cada um por R$ 5,00. Então escolhi um título que eu já tinha visto outras vezes naquele sebo, e que vinha me tentando: Fantoches e outros contos. Para quem não sabe, eu sou simplesmente apaixonada pela escrita do Erico Verissimo, e esse livro é muito importante pra mim, porque foi o primeiro livro que ele escreveu e publicou! Sim, eu sou fã desse cara. E sim, eu quero colecionar os livros dele.

É por isso que eu considero uma boa troca. Quando li Marley & Eu, foi um empréstimo de biblioteca, e eu sempre quis comprar um exemplar para poder reler. Eu gosto bastante da escrita da Isabel Allende, e tenho vontade de reler outros livros dela. Sem falar no fato de que edições novas dos livros dela custam bem caro em livrarias convencionais, e essa edição linda em capa dura foi baratinha.

Eu sei que poderia ter me beneficiado mais em outros tipos de trocas ou vendas. Mas os livros que eu levei aos sebos não eram o tipo de livro que faria sucesso numa troca pelo Skoob, por exemplo. Não são livros que muita gente procura. Eu sabia que só um sebo teria interesse por eles.

No outro dia, quando fui à biblioteca, foi tudo muito mais rápido e simples. Eu apenas dei "bom dia" na recepção e disse que havia levado livros para doar. Deixei minha sacola sobre o balcão e não precisei fazer mais nada. Não há muito o que dizer. Os livros que levei nesse dia eram aqueles que nem os sebos aceitariam, pois não trariam lucro para eles.
E agora, vamos à parte mais importante desse post: as vantagens!

O que eu ganho me desapegando?


Quando eu comecei minha coleção de livros, minha intenção era acumular. Ainda mais quando eu comecei a ter contato com outros leitores pela internet, em grupos no Facebook, e passei a ver fotos de lindas estantes. Mas, como eu disse no início desse post, depois de algum tempo eu percebi que esse acúmulo não era assim tão bom. Eu nunca tinha pensado que poderia não querer mais os meus livros. Afinal, eram meus! Comprados com meu dinheiro, desejados por muito tempo! Como eu poderia me desfazer deles?
Eu percebi que não valia a pena manter alguns deles em casa. E, já que não me serviam mais, o melhor mesmo era fazer com que chegassem até pessoas que se interessassem por eles.
Então, para você que nunca pensou nisso, ou que está pensando mas ainda não se decidiu, aqui vão algumas das vantagens do ato solidário que é passar seus livros adiante:

1- "Se livrar" de livros que você não quer mais: alguns livros acabam sendo uma grande decepção, ainda mais quando temos muita expectativa antes de ler. É o que aconteceu comigo quando li As joias da coroa. Eu tomei asco do livro, e não queria mais nem vê-lo por perto. Então eu me livrei dele! Da mesma forma, você também pode se livrar de alguns dos que você não gostou e não pretende reler.
2- Abrir mais espaço para livros novos: todo leitor ama fazer novas aquisições, não é mesmo? Mas e quando você já preencheu toda a sua estante e outros espaços, como é que faz? "Ah, se eu não tivesse tantos livros...". Essa é a ideia! Se desfazendo de alguns que você não queira mais, vai dar pra arranjar espaço para os novos!
3- Ganhar um dinheirinho: que tal levantar uma graninha? Se você tiver muitos livros que não quer mais, pode vender todos e conseguir um pouco de dinheiro. Mas é claro que isso vai depender de quais livros você estiver vendendo e quais as condições deles.
4- Trocar por outros: você pode fazer como eu e recorrer a um sebo, ou trocar pelo Skoob ou por algum grupo no Facebook. Assim, seu livro vai diretamente para alguém que o deseja, e você o substitui por outro que você quer de verdade!
5- Dar a outras pessoas a chance de ler boas histórias: essa é a parte mais benéfica, embora nem sempre a gente tenha isso como objetivo principal. Livros parados não são legais. Um livro que fica sempre fechado na estante e nunca é lido não tem utilidade. Então talvez seja melhor que os livros que você não quer mais vão para um sebo, uma biblioteca da sua cidade ou de uma escola. Lá eles com certeza vão atingir mais pessoas, que podem passar a amar a leitura.
6- Contribuir em um projeto social: você pode doar os seus livros para uma biblioteca pública ou de escola, ou um projeto de biblioteca itinerante. O que você ganha com isso é a satisfação de estar fazendo uma coisa boa!
7- Pensar sobre consumo consciente: quantos livros você já comprou por impulso? Eu já comprei muitos! E quantas vezes você se decepcionou por causa disso? Eu, algumas vezes. Acontece que visitar o site de uma livraria em promoção pode ser uma verdadeira loucura. Os preços são tentadores. E são tantos livros lindos que a gente já ouviu falar tão bem, que a gente nem queria, mas que parecem baratos! E assim, a gente acaba fazendo algumas compras sem necessidade, gastando dinheiro à toa, lendo livros que a gente nem queria tanto assim, e acumulando tudo isso. Foi o que aconteceu comigo. Quando percebi como isso estava errado, eu passei a pensar melhor sobre as minha compras. Comecei a avaliar melhor as minhas necessidades e percebi que aquilo tinha que parar. A mesma coisa pode acontecer com você. Existem livros que a gente lê e que valem a pena só naquele momento; e existem outros que a gente quer manter pra sempre. Desapegando você pode acabar aprendendo isso e passando a fazer compras melhores e mais cuidadosas.

Como eu posso desapegar?


E agora que você já sabe as coisas legais que podem acontecer graças ao desapego, vai saber de quais formas pode fazer isso!
1- Em sebos e bibliotecas: você pode fazer como eu e recorrer a um sebo ou biblioteca da sua cidade, caso conheça algum.
2- Pelo Skoob: você pode marcar o livro como "desejo trocar". Assim, as pessoas que que acessarem a página do livro e que têm interesse nele podem chegar até você e entrar em contato. Você pode trocar o seu livro por outro livro ou por créditos. Infelizmente, eu nunca troquei nada no Skoob e não sem bem explicar como isso acontece.
3- Pelo Sebinho TLT: nos vídeos de Sebinho TLT da Tatiana Feltrin que eu citei no início desse post, você pode usar os comentários para anunciar os livros que deseja trocar ou vender. A própria Tati permite e incentiva isso. Você anuncia o preço, o valor do frete e deixa seu e-mail para contato, e quem se interessar vai tentar se comunicar com você.
4- Em grupos no Facebook: Existem grupos no Facebook que podem ajudar você com isso. Em geral, grupos de leitores. Mas também existem grupos específicos para vendas, como o Sebo feminino, que apesar do que o nome sugere não é só para mulheres.

Cuidado: ao vender um livro pela internet, previna-se. Você não sabe com quem está lidando, não conhece a outra pessoa a não ser por uma foto e um nome de usuário. Então exija que a pessoa envie para você uma foto do depósito bancário, antes de você enviar para ela o livro. Assim, você vai ter certeza de que a pessoa está sendo honesta com você. Além disso, esteja disposto(a) a conversar e seja paciente.

Seguem abaixo todos os livros que eu já adquiri por meio de trocas. Os que não foram citados no início desse post vieram das geladeiras literárias que o grupo Gelateratura espalhou por Goiânia.

Livros adquiridos em trocas

E esse foi o post de hoje. A intenção era dar dicas e informações, e incentivar o ato de fazer nossos livros circularem. Espero ter ajudado! E você? Anda pensando em trocar, vender ou doar livros? Ficou surpreso(a) com os benefícios do desapego? Já tinha esse costume? Não deixe de comentar o que achou desse post e colaborar com a sua opinião!

Por: Lethycia Dias

6 Comentários

  1. Gostaria muito de conseguir me desapegar tão fácil. Eu morro de vontade de montar uma biblioteca, então quase não me desapego, porém ganho muitos livros em sorteios e de presente de natal, aniversario entre outros. Sendo assim os que eu tenho repetido sempre estou doando ou trocando, mas os que não tenho eu guardo até porque ainda não li nenhum que não gostei.
    Mas é uma ótima ação doa-los e troca-los.

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    1. Eu acho que o que você faz já é um bom começo. Uma vez também ganhei num sorteio um livro que tinha acabado de comprar, e passei adiante.
      Nossa, que sorte de ainda não ter se decepcionado com nenhum! Eu já tive decepções horríveis! Mas é bem raro, porque depois que comecei a ser mais responsável com as minhas compras, eu passei a comprar só livros que eu já tinha um pouco de informação a respeito e sabia qual era o motivo de me atraírem. Isso reduz bastante a chance da gente se decepcionar :)

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  2. Adorei!
    Já faz mais ou menos dois anos e meio que eu decidi me "livrar" de alguns livros também. No início eu tinha o mesmo pensamento que tu, de ter uma estante cheia de livros e tudo o mais e com o tempo eu fiquei me perguntando "pra que?" como nos últimos 4 anos eu me mudei 4x eu percebi que essa montueira de livros era um fardo cada vez que precisei me mudar. Então estou me desapegando aos poucos. Vendi alguns, dei outros para meus amigos, troquei alguns pelo Livra Livro (antes de ser um serviço pago). Já havia pensado em levar nos sebos mas ainda não o fiz. E doar é uma boa opção também.
    Vou analisar com mais calma.
    Gostei muito do post, parabéns!
    Beijos

    http://apenasimagine.com.br

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    Respostas
    1. Nossa, que legal!
      Pois é, pra mudanças é bem complicado mesmo. Eu tive uma mudança bem grande (do DF para Goiânia), e naquela época tinha bem poucos livros, mas fico imaginando a complicação que teria sido se eu já tivesse todos os que tenho agora. E sinceramente, quando planejei a minha estante eu pensei que sobraria muito espaço, mas não sobrou quase nada. Pensei que seria legal ter um Kindle, pra não ter mais esse problema. Quem sabe um dia eu me adapto à mudança! kkkk

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  3. Oi Lethycia, tudo bem?

    Faz tempo que não venho aqui, e este post me chamou a atenção.

    Pra mim, a tarefa de se desfazer não é das mais fáceis. Não é porque eu seja egoísta ou ciumento, e sim porque, apesar de eu ter muito, mas muitos livros e realmente estar faltando espaço já para eles, eu posso te dizer que em mais de 90 por cento dos casos são livros que eu comprei com convicção, sabendo o que viria. Claro, por exemplo, você ter um livro sobre evolução das espécies, por exemplo, pode ser bem ou mal escrito, mas certamente ainda assim terá um conteúdo com informações importantes que lhe servirão de fonte de consulta em algum momento.

    Com relação aos romances, a mesma coisa. Dificilmente eu compro um livro sem saber o mínimo sobre ele, o que esperar, e assim dificilmente eu me arrependo.

    Isso não quer dizer que eu não apoie a causa damaior circulação de livros no maior número de mãos possíveis. Até eu mesmo tenho separado alguns volumes para troca, geralmente livros que me dão de presente sem saberem do meu gosto pessoal. As pessoas pensam que, se alguém gosta de livros, ele vai gostar de todos os livros, e sabemos que não é bem assim.. rs.

    Grande abraço.

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    Respostas
    1. Acho que entendo bem o que você quer dizer.
      Com alguns dos livros que estou planejando separar na próxima venda/doação/troca, eu ainda não tenho certeza se quero abrir mão deles ou não. Fico mesmo pensando se ainda vou precisar deles de novo algum dia.
      Com os acadêmicos, acho que é assim mesmo. A gente sempre acaba pensando que pode precisar pra citar em algum trabalho ou pra complementar algum estudo futuro. Eu não tenho coragem nem de me desfazer das xerox de textos que leio pra faculdade! Quando menos espero, acabo precisando de algumas...
      Acho que você já chegou naquele estágio de fazer compras super responsáveis, o que é muito bom! Esse é o meu objetivo pro futuro, não comprar mais nada por impulso. Mesmo que haja promoção para um livro que eu tenho muita vontade de ler, quero comprar só quando eu tiver certeza que não vou me arrepender depois.
      Não acho que você não concorde com a causa. Acho que você é uma pessoa mais bem-resolvida com suas leituras!

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