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Resenha: Memórias de Julho
"No ano de 1992, Recife, um grupo de amigos com oito anos (Marcos, Mari, Mila, Juan, Lucas), se encontra numa cabana em suas férias. A alegria de ser criança é compartilhada por todos, assim como a vontade de permanecer juntos. De um pedido surge a promessa de enterrar seus desejos e suas fotos em um baú todos os anos seguintes. Durante seis anos a promessa é mantida e todos percebem o quanto cada um foi importante durante todo esse tempo. Em julho de 1998 o destino acaba por separá-los. Quatorze anos depois, 2012, Marcos se vê sozinho e em posse do baú. Durante todos esses anos no mês de Julho ele sonha com os tempos vividos naquela cabana. Mas algo estava errado, os sonhos não eram normais. E Marcos então sai à procura dos antigos amigos que havia deixado para trás. Memórias de Julho lhe fará sentir saudade tanto de sua infância como se seus antigos amigos. Mostrará o que o tempo pode fazer conosco e o que é verdadeiro fica. Principalmente o amor e a amizade."

Autora: Jéssica Figueiredo
Gênero: Romance
Número de páginas: 336
Local e data de publicação: Recife, 2015
Onde comprar: E-book | Livro físico
*Publicação independente não-vinculada a nenhuma editora

Infância: tempo que não volta mais


"Oh! que saudades que tenho / Da aurora da minha vida / Da infância querida / Que os anos não trazem mais". Já dizia o poeta romântico Casimiro de Abreu, no século XIX. E com certeza, muitas outras pessoas antes e depois dele, até mesmo eu e você, já lamentaram a passagem do tempo e a perda da infância, que quase sempre é uma lembrança alegre. Essa nostalgia é parte essencial de Memórias de Julho, um livro brasileiro de publicação independente.
Se não me engano, devo ter tomado conhecimento desse livro pelas redes sociais, provavelmente no Facebook. Mas o que ainda me lembro bem é de ter ficado encantada com capa, porque esse sentimento não mudou. Já adianto que a arte da capa tem muito a ver com a história, e que esse é apenas um dos encantos do livro.
A história gira em torno de cinco crianças: Marcos, Mari, Mila, Juan e Lucas. Todos moram na mesma vizinhança, frequentam a mesma escola, têm a mesma idade e sempre brincam juntos em uma cabana de madeira da antiga casa da família de Marcos. A amizade entre eles vai além da convivência no dia-a-dia e eles são tão unidos que acreditam que vão ser amigos para sempre. É por isso que eles fazem a promessa de todos os anos tirarem uma foto juntos e escreverem seus desejos para o futuro guardando-os em um pequeno baú. As regras são que ninguém pode deixar de participar da foto e que ninguém pode ver as fotos ou ler os desejos; quando chegar a hora de o baú ser reaberto e as fotos e desejos serem resgatados, todos devem estar juntos.
Durante seis anos, tudo dá certo. Os cinco amigos crescem, entram na adolescência, passam por mudanças de aparência e personalidade, enfrentam dificuldades e vivem momentos alegres, adquirem novos hábitos, conhecem sentimentos diferentes. Parecia que realmente seriam amigos para sempre.
Marcos, porém, sempre teve medo de um dia se separar de seus amigos, principalmente por causa dos comentários de seu pai sobre o quanto a vida muda com o passar do tempo. E isso acaba acontecendo em 1998, quando o destino prega uma peça em todos eles. Marcos, o mais afetado por pelo acontecimento, acaba se afastando dos amigos.
Quatorze anos depois, ele ainda não conseguiu superar o trauma sofrido na época. Cansado de ter sonhos estranhos sempre relacionados à cabana onde brincava durante as férias de julho, ele decide procurar pelos antigos amigos de infância, a fim de dar nova vida à amizade e corrigir o que está errado em sua vida.

Imagem compartilhada no meu Instagram durante a leitura.
Visite @lethyd ou @loucuraporleituras e acompanhe!
"As minhas memórias de julho me trouxeram até aqui.
Minhas memórias me impulsionaram para correr atrás do que eu havia deixar escapar lá atrás."

A história é narrada em primeira pessoa por Marcos. Apesar de todos os cinco amigos serem importantes, ele é o protagonista. Tudo é relatado pelo ponto de vista dele, e é pelos seus olhos que nós conhecemos Juan, Lucas, Mari e Mila, bem como as outras pessoas que fazem parte das vidas dessas crianças.
A primeira parte da história acompanha o grupo de amigos e a passagem do tempo entre 1992 e 1998. A segunda parte se desenrola em 2012, com um Marcos já adulto e bastante amargurado. Os capítulos são curtos e a linguagem é simples e leve. Os diálogos são ora divertidos, ora sérios, sempre remetendo à maneira de as crianças se relacionarem entre si e com os adultos e à sua forma de entender o mundo.
Um aspecto muito positivo da história é de fazer várias referências aos anos 90. São citados aqui o surgimento dos Mamonas Assassinas, o lançamento do filme Titanic, a vitória do Brasil na Copa do Mundo de 1994, entre outros acontecimentos. A nostalgia que a história trás também está relacionada ao jeito que as crianças do livro se divertem: usando a imaginação, correndo, pulando corda e amarelinha, brincando de pique-pega e polícia e ladrão, passando o dia inteiro fora de casa e voltando só no início da noite, todos sujos, porque não havia perigo em brincar na rua. Eu brinquei de tudo isso na minha infância e senti muita saudade.
Mesmo sendo uma história despretensiosa e bem inocente, o livro consegue surpreender. Quem lê a sinopse não faz ideia do que causa a separação do quinteto; também não conseguimos imaginar como cada um dos amigos vai estar na vida adulta; e um certo acontecimento no final é um verdadeiro susto. Por algumas páginas, eu acreditei que terminaria chorando e me lamentando. Mas no fim, tudo terminou bem. Existem alguns livros fofinhos que a gente só quer que tenham final feliz, não é mesmo?
A fonte utilizada é de tamanho grande, ficando bem confortável para a leitura. O livro ainda inclui citações relacionadas à história e ilustrações delicadas feitas à mão. Por ser uma publicação independente, em que a a autora foi responsável pelo trabalho de escrita, edição e diagramação do livro, percebe-se que tudo na versão física foi feito com carinho. Não sei dizer se a versão digital também reflete isso.

As páginas são amareladas e a fonte é grande. Alguns dos capítulos são abertos com ilustrações feitas à mão.
Clique para ampliar!

Minha única ressalva é quanto a alguns problemas de revisão, que deixaram passar pequenos erros. Mas não é nada que atrapalhe a leitura ou diminua o encanto com a história. Fiquei muito impressionada com a habilidade da autora em colocar pequenos detalhes que depois se mostram relevantes. É uma história divertida e cativante, perfeita para ser lida em menos de uma semana e aliviar as emoções depois de uma leitura pesada ou tensa.
Recomendo para quem gosta de histórias sobre crianças; para quem tem saudade da própria infância; para quem tem nostalgia pelos anos 90 e para quem procura por um livro leve e divertido.

Avaliação geral:

Onde comprar:

Aspectos positivos: é uma história leve e divertida que pode ser lida rapidamente; descreve bem a maneira das crianças de entender o mundo, a amizade infantil e a vontade de estar sempre perto dos amigos; é bastante nostálgico para quem foi criança ou adolescente nos anos 90; contém ilustrações simples feitas à mão e diagramação bem feita.
Aspecto negativo: contém falhas na revisão.

Por: Lethycia Dias

Esse foi mais um livro que li para o desafio Bingo Literário, na categoria "Lembra a sua infância".
Um recadinho para quem visita o blog habitualmente: Estou pensando em mudar o formato das resenhas, incluindo mais imagens, como fiz aqui. A ideia é mostrar outros detalhes do livro. Diga pra mim o que você acha, sua opinião é muito importante!


2 Comentários

  1. Olá Lethycia, tudo bom <3
    Estou encantada com a sua resenha! Adorei o modo como você transmitiu a história e suas fotos! É legal que tenha percebido que não deixei os personagens parados no tempo - mesmo com o passar dos anos - e consegui manter a essência de cada um. Cada um tem o seu papel na história e tiveram algo para contribuir com o crescimento do grupo.
    Muito feliz que tenha curtido ;*

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá, Jéssica! <3
      Fico muito feliz que tenha gostado tanto da resenha! Eu tento sempre fazer isso quando falo de um livro, principalmente nas fotos. Procuro me inspirar em algum elemento da história e tentar reproduzir isso em uma imagem que vai traduzir aquele sentimento trazido pela leitura. Nem sempre é fácil, mas é uma coisa que eu gosto muito de fazer!
      Gostei muito mesmo da história e do jeito que as coisas foram acontecendo. Você é uma escritora que merece ser cada vez mais admirada por jovens leitores! <3

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