Confira!




Olá, leitores! Hoje é dia de falar de duas coisas que eu amo: música e livros. Tenho certeza de que vocês também amam as duas coisas, e por isso, decidi uni-las em uma nova coluna do blog.
No início, parecia uma ideia sem pé nem cabeça, mas fui vendo que podia dar certo, e comecei a ficar cada vez mais animada. Música é algo que une as pessoas. E existem algumas músicas muito interessantes, que de certa forma contam histórias. Eu me encanto com esse tipo de música há muito tempo, desde quando eu e meu irmão ouvíamos Legião Urbana em uma velha fita cassete, e tentávamos aprender a cantar Faroeste Caboclo. Mas isso é outra história! O que me motivou a escrever esse post foi ter percebido que algumas dessas músicas me encantavam tanto, que eu queria muito que alguém escrevesse livros sobre elas! Então eu percebi que não existia só uma, e que seria possível criar uma coluna inteira no blog, dedicada a isso.
A premissa básica da coluna será muito simples: essa música daria um livro. Aqui, falarei de algumas dessas músicas interessantes, sobre os sentimentos que elas despertam em mim, e sobre como eu imagino que seria o tal "livro" com a história de cada música, a partir do que é dito na letra. Tentarei, em todos os posts, manter a estrutura a seguir.
E a música escolhida para abrir a nova coluna é: Era um garoto que como eu amava os Beatles e os Rolling Stones.

As histórias de guerra


A canção escolhida para abrir essa coluna é cheia de significados. Ela é a versão brasileira da canção italiana C'era un ragazzo che come me amava i Beatles e i Rolling Stones, de Gianni Morandi e Franco Mogliacci, de 1966. Trata-se de um protesto contra a Guerra do Vietnã (1955-1975), e fez grande sucesso, sendo regravada várias vezes. A letra em português é de Brancato Jr., empresário da banda Os Incríveis, que lançou a primeira versão da música no Brasil em 1967. Mais tarde, no ano de 1990, a canção foi regravada pelos Engenheiros do Hawaii, no álbum O Papa É Pop, e continua sendo ouvida até hoje.


Era um garoto
Que como eu
Amava os Beatles
E os Rolling Stones..

Girava o mundo

Sempre a cantar
As coisas lindas
Da América...

Não era belo

Mas mesmo assim
Havia mil garotas afim
Cantava Help
And Ticket To Ride
Oh Lady Jane, Yesterday...

Cantava viva à liberdade

Mas uma carta sem esperar
Da sua guitarra, o separou
Fora chamado na América...

Stop! Com Rolling Stones

Stop! Com Beatles songs
Mandado foi ao Vietnã
Lutar com vietcongs...

Ratá-tá tá tá...

Tatá-rá tá tá...
Ratá-tá tá tá...
Tatá-rá tá tá...
Ratá-tá tá tá...
Tatá-rá tá tá...
Ratá-tá tá tá...

Era um garoto

Que como eu!
Amava os Beatles
E os Rolling Stones
Girava o mundo
Mas acabou!
Fazendo a guerra
No Vietnã...

Cabelos longos

Não usa mais
Nem toca a sua
Guitarra e sim
Um instrumento
Que sempre dá
A mesma nota
Ra-tá-tá-tá...

Não tem amigos

Não vê garotas
Só gente morta
Caindo ao chão
Ao seu país
Não voltará
Pois está morto
No Vietnã...

Stop! Com Rolling Stones
Stop! Com Beatles songs
No peito um coração não há
Mas duas medalhas sim....

Ratá-tá tá tá...

Tatá-rá tá tá...
Ratá-tá tá tá...
Tatá-rá tá tá...
Ratá-tá tá tá...
Tatá-rá tá tá...
Ratá-tá tá tá...
Ra-tá-tá tá-tá ...
Ra-tá-tá tá-tá ...


A letra é muito simples, contando a história do garoto que deixa seus sonhos ao ser convocado para a guerra, e perde a vida por um propósito vazio. E ao mesmo tempo, diz muita coisa. Expressa os anseios da juventude da época, ao citar Beatles e Rolling Stones, que estavam fazendo (e ainda fazem) muito sucesso. As críticas à guerra são bem claras: o alistamento contra a vontade é indicado no início, com a menção à carta de convocação. E os versos "Cabelos longos/ Não usa mais/ Não toca/ Sua guitarra e sim/ Um instrumento/ Que sempre dá/ A mesma nota" demonstram o descontentamento desse jovem. E a estrofe seguinte, que sempre me marcou muito, apresenta o horror da guerra: "Não tem amigos/ Não vê garotas/ Só gente morta/ Caindo ao chão/ Ao seu país/ Não voltará/ Pois está morto/ No Vietnã". A falta de sentido disso tudo vem a seguir: "No peito um coração não há/ Mas duas medalhas sim".
Não importa quantas vezes eu ouça essa música, sempre vou pensar nas imagens que ela traz à minha mente. Eu a conheço desde criança, graças aos velhos CD's do meu pai, e fui descobrindo seu sentido aos poucos, conforme amadurecia. Assim, descobri que "Ra-ta-ta-tá" era a imitação do som de tiros; que eu também podia amar Beatles e Rolling Stones; que numa guerra, até os homens que compõem os exércitos podem estar sofrendo. Quando criança, eu não sabia que aquela guerra havia existido de verdade. Eu também não sabia que aviões americanos sobrevoavam o território vietnamita despejando herbicidas altamente tóxicos, inclusive sobre civis, causando cenas como essa:

Fonte: Reprodução.

Eu considero a canção uma maneira poética de protestar contra a crueldade humana durante as guerras, e também uma forma de lamentar acontecimentos tão tristes.
E se essa música desse origem a um livro, eu imagino que os capítulos iniciais nos apresentariam à vida desse garoto que gostava de rock. Imagino muitas referências à época, com descrições sobre o que jovens dos anos 1960 faziam para se divertir. Mas seria preciso também introduzir certa tensão, e portanto, haveria também referências ao contexto da Guerra Fria e à política da época. A carta chegaria à casa desse jovem como uma bomba, abalando os familiares e deixando-o  revoltado. Afinal, tudo que ele queria era aproveitar sua música e namorar. Mas ele não teria outra escolha a não ser apresentar-se ao Exército.
O que viria a seguir seriam passagens confusas. A preocupação da família, a despedida, o descontentamento do rapaz ao cortar o cabelo e vestir o uniforme pela primeira vez. E depois, coisas chocantes: um país estranho, o medo de morrer no dia seguinte, a necessidade de proteger a si mesmo, o choque de ter que matar outras pessoas para continuar vivo. E, no fim, a morte.
Talvez o livro poderia ser um diário. Poderia contar com um capítulo inicial de um estranho que encontrara o manuscrito, e desejava que todos conhecessem aquela história trágica. Talvez algum amigo sobrevivente, que levaria as memórias do jovem de volta à família.

Tudo o que descrevi me faz lembrar um pouco do livro Coração Púrpura que já foi resenhado aqui no blog. Parte da história se concentra na morte de Walter Crowley, um rapaz assim como o da canção, que tinha uma família, uma namorada e um sonho, e deixou tudo para partir para a guerra... e morrer. Com a única diferença de que Coração Púrpura se trata da Segunda Guerra Mundial.


Esse foi o primeiro post da coluna Essa música daria um livro, na qual eu falarei de músicas que contam histórias. Não vou definir uma periodicidade certa para esse tipo de post. Já tenho uma lista com várias músicas como essa, mas estou aberta para receber sugestões!
E então, o que você achou da nova coluna? Também teria vontade de "ler" essa história? Gosta de Engenheiros do Hawaii? Estou ansiosa para receber opiniões!

Por: Lethycia Dias.

8 Comentários

  1. Oi, Lethy!
    Amei sua ideia e o posto ficou tudo de bom. Realmente essa música daria um livro.
    Beijos
    Balaio de Babados

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Luiza!
      Fico feliz que tenha gostado da proposta! Em breve continuarei com mais posts da coluna!
      Um abraço.

      Excluir
  2. essa musica me causa um misto de emoções mesmo tendo ouvido incansáveis vezes e em diversas versões. Uma das minhas musicas preferidas. Pelo visto não temos só o gosto literário em comum!! É uma canção maravilhosa, e triste. "Ao seu país, não voltará pois está morto no Vietnã" me dá um arrepio e uma vontade de chorar, como se todas as vezes fosse a primeira que ouvi a canção e não encontrei o final feliz. Com certeza daria um belo livro, que eu faria questão de ter em minha estante.

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    Respostas
    1. Também sinto como se fosse a primeira vez que ouço. Acho interessante essa capacidade que as músicas têm de nos tocar sempre. E talvez isso fique ainda mais marcante quando é uma música que conhecemos há muito tempo, que faz parte da nossa visão de mundo ou da nossa personalidade.

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  3. Eu amo essa música e ela também faz eu me transportar para a época em que havia guerra e, se a gente parar pra pensar, ainda existe guerra e tantas coisas no mundo que nos fazem abandonar nossos sonhos e aí vem a pergunta, vale a pena? Continue com essa coluna no blog porque se amei a primeira tenho certeza que vou me apaixonar pelos próximos posts. Beijos.


    http://labiosconfusos.blogspot.com.br/?m=1

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    Respostas
    1. Se pararmos para pensar, tudo que a música relata pode estar se repetindo em outros lugares. Certas regiões do mundo, como o Oriente Médio, estão em constante conflito, e não é à toa que as pessoas desses lugares viajam por quilômetros, de forma ilegal e muito perigosa, só para tentar sobreviver. O sofrimento de todas essas pessoas deve ser imenso.
      Por isso, acho que nós que vivemos uma vida relativamente "normal e tranquila" temos mesmo que acreditar nos nossos sonhos e tentar realizá-los, pois poderia ser muito pior.
      Fico feliz que tenha gostado da coluna. Vou continuar sim, pois estou cheia de ideias!

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  4. Parabéns por este post, são sentimentos únicos essa ligação que temos com livros e músicas, e que juntas nos proporcionam bastante conhecimento, e você falou também de história . Está maravilhoso !

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    Respostas
    1. Olá! Agradeço muito pelo elogio!
      Essa ligação é realmente muito especial; livros e música conseguem ser emocionantes de diferentes formas para todo mundo, e acho isso incrível.
      Falar de História não estava nos meus planos, mas achei um pouco necessário.
      Obrigada pela visita e pelo comentário!

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