Confira!

"Marie-Laure vive em Paris, perto do Museu de História Natural, onde seu pai é o chaveiro responsável por cuidar de milhares de fechaduras. Quando a menina fica cega, aos seis anos, o pai constrói uma maquete em miniatura do bairro onde moram para que ela seja capaz de memorizar para que ela seja capaz de memorizar os caminhos. Marie-Laure está dom doze anos quando Paris é ocupada pelos nazistas, e pai e filho se refugiam na cidade de Saint-Malo, onde o tio-avô de Marie-Laure vive em uma enorme casa à beira-mar. Eles levam consigo o que talvez seja o mais valioso e perigoso tesouro do museu. Em uma região de minas na Alemanha, o órfão Werner cresce com sua irmã mais nova, encantado pelo rádio que certo dia encontram em uma pilha de lixo. Com a prática, Werner acaba se tornando especialista em montar e consertar esses aparelhos cruciais à época, talento que lhe vale uma vaga em uma escola nazista e, logo depois, uma missão especial: descobrir a fonte das transmissões de rádio responsáveis pela chegada dos Aliados na Normandia. Cada vez mais consciente dos custos humanos de seu trabalho, o rapaz é enviado então para Saint-Malo, onde seu caminho cruza o de Marie-Laure. Em uma história de amor e bondade, as vidas de Werner e Marie-Laure vão se encontrar em tortuosas circunstâncias, enquanto ambos tentam sobreviver às atrocidades da Segunda Guerra Mundial. Um suspense arrebatador, contado de forma fascinante, Toda luz que não podemos ver é um romance sobre generosidade e sobrevivência e sobre o que há além do mundo visível."

Autor: Anthony Doerr
Gênero: Drama
Número de páginas: 528
Tradução: Maria Carmelita Dias
Editora: Intrinseca

A luz invisível


Ouvi falar desse livro pela primeira vez durante a 4ª Turnê Intrínseca em Goiânia, quando ele foi anunciado como lançamento do ano. Acho que parte do fascínio veio por saber da existência de uma personagem cega a Marie-Laure, co-protagonista ao lado de Werner. E com o passar do tempo, fui lendo várias resenhas, inclusive a da Lívia Santana do Check-in Virtual, e minha vontade de ler apenas aumentou.
A história gira em torno dos dois personagens principais, Marie-Laure e Werner, do mundo que eles conhecem, e da forma que eles percebem a vida e as pessoas. É um romance sobre a Segunda Guerra (1939-1945), mas a história é iniciada anos antes, para que possamos acompanhar o crescimento e o desenvolvimento desses personagens. Enquanto Marie-Laure é amada pelo pai e vive em um mundo cheio de maravilhas inspirada pela ciência, tudo o que Werner conhece é a pobreza e a degradação humana. Criado em um orfanato onde crescem os filhos de trabalhadores que morreram em minas, Werner conta apenas com o afeto de Jutta e Frau Elena, até o momento em que encontra um rádio antigo e consegue consertá-lo - e passa, a partir daí, a ouvir transmissões de rádio em francês, ensinando ciência para crianças. Ao mesmo tempo, a vida de Marie-Laure também muda: ela tem catarata, e fica cega aos seis anos de idade. É preciso se adaptar, aprender viver sem enxergar o mundo, aprender a ouvir os sons e sentir os cheiros, aprender a ler em braile, aprender a voltar pra casa sem ver o caminho. Quando a guerra realmente começa, as vidas dos dois voltam a sofrer mudanças drásticas.
Enquanto acompanhamos Marie-Laure e Werner, conhecemos também outros personagens: o pai de Marie, Daniel; o Dr. Geffard, do museu; Madame Manec; o tio-avô Etienne. O mundo de Werner é tomado por outras figuras: o oficial Bastian, o dr. Hauptmann, o gigante Volkheimer, o delicado Frederick. Outros personagens que parecem não se encaixar em lugar nenhum, como Reinhold von Rumpel e Claude Levitte, também vão assumindo seus lugares e fazendo parte do mosaico dessa história.
Nas transmissões de rádio de Werner e Jutta ouvem durante a infância, um locutor francês menciona que a luz é matematicamente invisível. Tentei refletir sobre isso e sobre o possível significado do livro. Não creio que o significado esteja ligado à ciência, mas sim a algo profundo e sensível. Se tem algo que descobri durante a leitura desse livro, foi que os personagens tinham em si uma espécie de luz, escondida em meio às suas características. Em Daniel, a vontade insuperável de incentivar a inteligência da filha; em Madame Manec, a vitalidade de comandar todos na casa da Rue Vauborel; em Etienne, o carinho sem fim pela sobrinha-neta.

"Abram os olhos e vejam o máximo que puderem antes que eles se fechem para sempre"
Página 409.

Imagem que compartilhei no meu Instagram durante a leitura.

Embora a vontade de desvendar a história fosse grande, eu acabei lendo devagar no início, e só quando cheguei à metade foi que me senti totalmente presa, e passei a ler sem querer parar. Na imagem acima, é possível ver dois post-it's, mas eu ainda estava no início... Quando cheguei ao fim, ele tinha onze diferentes adesivos espalhados ao longo das páginas, marcando trechos emocionantes e frases marcantes.
Algo que me impressionou bastante foi a qualidade das descrições. Marie-Laure, sendo uma menina cega, percebe o mundo de um jeito diferente das outras pessoas. Para ela, seus outros sentidos devem ser explorados ao máximo, afim de ajudá-la a superar a falta da visão. E quanto a isso, o livro é surpreendente. Nos capítulos de Marie-Laure, me senti transportada para os mesmos lugares que ela. Todas as descrições de cheiros, sons e texturas pareciam muito vívidas para mim, e eu compreendia perfeitamente o que a narração dizia. Em determinado momento, quando a narração descreve a descoberta de uma lata de pêssegos em conserva, as palavras citadas foram o suficiente para que eu adivinhasse o conteúdo da lata antes de chegar ao fim do parágrafo, e fiquei encantada com isso.
O desenvolvimento emocional dos personagens também é interessante. Aqui, é o mundo de Werner que ganha destaque. O imaginário sobre a Segunda Guerra nos faz ver todo e qualquer alemão como o "vilão da história", e os capítulos de Werner nos mostram que não é bem assim: nem todo mundo na Alemanha concordou com o nazismo. Sobre isso, recomendo muito o documentário Operação Valquíria, disponível na Netflix, sobre grupos de resistência ao nazismo formados na Alemanha. Eu tive dificuldade para entender as ações de Werner, mas por fim, consegui: ele queria fugir do destino de se tornar um trabalhador da mina; porém, a forma que arranjou para isso lhe cobraria um preço muito caro. Werner é um personagem muito bem construído, e parte de seu desenvolvimento está relacionada ao seu amigo Frederick, o garoto que amava pássaros, e que foi parar em um colégio nazista contra a própria vontade.
A ocupação da França é um aspecto fundamental da história, e não pode ser ignorado. Quando estudamos sobre a Segunda Guerra, pensamos muito no Holocausto, mas ignoramos outras coisas. Eu, por exemplo, não sabia que a França havia sido ocupada pela Alemanha, até ler Uma tragédia francesa, cuja resenha já foi publicada aqui no blog. É interessante, com histórias como essa, observar a vida das populações civis durante uma guerra. Sem dinheiro, sem alimento suficiente, sem trabalho, sem nenhuma espécie de luxo.
E, por fim, outro ponto marcante é o roubo de obras de arte e objetos preciosos, que aconteceu durante a Guerra, e que é muito bem descrito nos capítulos de von Rumpel. É também com ele que a parte fantasiosa da história ganha relevância, tornando tudo muito mais interessante.
A leitura desse livro foi deliciosa, e eu me apaixonei por cada personagem. A única coisa que me decepcionou foi quanto à revisão. O exemplar que li tinha diversos erros de escrita ao longo do texto, erros que poderiam ser as vezes ignorados, mas que outras vezes poderiam causar confusão. Apesar disso, amei toda a história.
Eu recomendo este livro para quem gosta de histórias sobre a Segunda Guerra, e também para quem gosta de histórias sobre afeto e amizade, que são as grandes luzes internas dos personagens.

Foto compartilhada no meu Instagram durante desafio literário.

Aspectos positivos: excelentes descrições de sons, cheiros e texturas percebidos por Marie-Laure; boa construção e desenvolvimento dos personagens; boa construção do enredo e encadeamento do clímax.
Aspecto negativo: o exemplar lido continha diversos erros de revisão, prejudicando a leitura.

Por: Lethycia Dias

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