Confira!


É interessante como algumas reflexões surgem dos momentos mais inusitados. Elas parecem estar rondando nossa mente, à espreita, há muito tempo, até que surja o momento em que a tal reflexão julga adequado realizar um pouso emergência sobre o terreno pensante. É quando ela toma conta de tudo, tornando-se urgente, assumindo uma importância que em outra ocasião não pertenceria a ela.
Segunda-feira, 27 de junho de 2016. Aula de Produção de Texto Jornalístico II, fim do intervalo. Na sala de reuniões do Laboratório da Comunicação, enquanto a maior parte da turma ainda não voltou para a apresentação dos seminários, e eu e a Profª Angelita Lima conversamos. A conversa toma um rumo inesperado, e ela me pergunta se já li o Número zero, de Umberto Eco. Digo que não, por não haver outra resposta. Mas o livro estava na lista de leitura, alguma dia eu leria Umberto Eco, etc. Talvez ela tenha pensado que nesse momento eu estava tentando impressioná-la.
A Profª Angelita faz um breve resumo do livro: redatores que se reúnem com a intenção de criar um jornal com objetivo de manipular completamente o público, em todos os sentidos. Desde o planejamento, todos estavam cientes de que tal jornal não teria a intenção de informar, e toda a atuação e o trabalho em torno da realização deste trabalho giraria em torno do objetivo principal: a difamação, a mentira e o conteúdo duvidoso.
Já havíamos estudado os Padrões de manipulação na grande imprensa, no livro homônimo do jornalista brasileiro Perseu Abramo. Com aquela pequena exposição de minha professora, eu vislumbrava os padrões de manipulação do início ao fim, em um livro literário de um escritor consagrado mundialmente. Tive vontade de dizer a ela que a partir desse momento, o livro ganhava destaque na minha lista de desejados e subia vertiginosamente, alcançando altas posições de desejo consumista.
Os outros alunos iam chegando, aos poucos, e se deparando com aquela conversa no fim, da qual sinceramente não me lembro nem da metade. A aula foi retomada, e durante as quase duas horas que se seguiram, eu tive outras coisas para me concentrar. Entretanto, mais tarde, aquela menção à minha lista de desejos voltou ao meu pensamento.
Estamos falando de uma lista que não existe de forma física, pois há muito tempo já desisti de anotar todos os livros que desejo ler. E apesar disso, eu a imagino como um longo catálogo de futuras leituras, no qual os livros estão organizados de acordo com a forma que seu conteúdo me atrai. Devem existir critérios que façam com que um livro seja mais desejado do que outro, e considerado mais ou menos urgente. A forma que foi escrito, as recomendações que já recebi, o assunto abordado, a própria fama do autor... E de acordo com o momento que vivo e com a minha atual maturidade de leitura, os critérios devem ser reavaliados, fazendo com que certo título alcance uma posição privilegiada na lista, se sobressaindo aos demais. É então que a minha vontade de ler tal livro torna-se urgente, o desejo torna-se consciente, e digo a mim mesma: "Eu preciso ler!" De uma hora pra outra, o extenso conjunto de futuras leituras, elaborado em algum recanto do meu subconsciente, ganha vida própria.
Por vezes, um livro do qual ouvi falar há muito tempo, e do qual já estava completamente esquecida, salta à superfície. A lembrança é desperta... Pelo quê? Eu não saberia dizer em todas as ocasiões. Mas aquela antiga vontade de leitura retorna à mente, aquela avidez por conhecer. O título estava em algum lugar profundo, oculto por inúmeros pensamentos de outras importâncias, até o momento em que decidiu vir à tona.  Abram alas! Será está minha nova aquisição! É com este que a coleção será ampliada!
Em outros momentos, a classificação que eu mesma não compreendo bem volta a ser inconsciente. Sigo acreditando que meus desejos urgentes dizem respeito apenas aos títulos que possuo em casa e àqueles que planejo comprar no próximo mês. Os livros de anos atrás, as recomendações feitas por professores, amigos, blogueiros e youtuber's desaparecem, para que eu acredite que não estão lá. Por quanto tempo? Impossível saber.
Quem haverá de compreender as impulsos de uma leitora como eu?

Por: Lethycia Dias

2 Comentários

  1. Olá Lethycia, como vai?

    É curiosa a forma como o impulso de ler ou reler determinado livro surge das formas mais aleatórias.

    Eu mantenho minha lista (ou fila) de futuras leituras organizadas no Skoob, aquele site que por acaso não cai nas suas graças. Mas sempre que eu vou lá chegar a próxima leitura, geralmente o momento, ou alguma influência me chama a atenção praquele livro quase esquecido no final da fila.

    Ontem eu vi o historiador Leandro Karnal no Roda Vida e descobri que ele está lançando um livro em parceria com outro autor que eu admiro bastante, Clóvis de Barros Filho, falando sobre a história da felicidade. Karnal é mais contido, sutil, refinado e educado, e o Clóvis é explosivo, intenso, desbocado... Mas ambos de uma inteligência e uma oratória raríssimas. Seria perfeito ver o que deu esta simbiose.

    Conclusão, está pintando aí mais um livro fura filas na minha lista. (rs)

    Grande beijo.

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    Respostas
    1. Olá, Almir!
      É mesmo bem engraçado como isso acontece. Uma coisa parecida aconteceu comigo há alguns dias, quando colegas da faculdade apresentaram seminários sobre determinados livros-reportagem, que precisávamos estudar. Cada grupo estava responsável pela leitura de um livro diferente. E como já era de se esperar, com as apresentações eu fiquei querendo ler os livros que couberam aos outros grupos, pois todos eram muito interessantes! kkk
      Comecei a usar o Skoob, mas por enquanto, só para organizar as leituras atuais. As futuras leituras, eu tento administrar com a TBR (To be read) e com a minha bagunçada lista inconsciente! kkk

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